Não se deixem enganar pelas riscas cor-de-rosa. Os dias são (d)escritos com todas as cores.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Emily Bear
Vejam os videos relacionados, especialmente aqueles em que Emily vai ao show da Ellen Degeneres. Maravilhosos.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Correio
Amanhã o Sr. António, o carteiro que recheia as caixas de correio desta terra, chegará, na sua mota, com um envelope em correio azul. Já traz ordens da junta de freguesia para não o enfiar à cão dentro da caixa, e para tocar à campaínha, para eu receber em mãos o que ele tem para mim: o meu primeiro contrato com uma editora. A oficialização de um novo ofício. O princípio formal de qualquer coisa que ainda está por escrever.
Sinto-me feliz como uma criança na manhã de Natal.
Roubei a foto no site de fotografia "Olhares". Autor: J.V.C.
terça-feira, 16 de março de 2010
Curso de Escrita Criativa
Estão abertas as inscrições para o curso de Escrita Criativa que a Patrícia Reis irá dar em Lisboa. O curso será no mês de Maio (duas vezes por semana, das 18.30 às 20.30) e terá apenas seis alunos. Aproveitem...
Ligar 21 842 98 20 e falar com a Ana Bento para mais informações.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Revisão da matéria
Revistos cerca de 140.000 caracteres. É feio quando as palavras começam a representar esse papel, como se as despisse de significado e encanto. Mas é urgente puxar-lhes o lustro, polir cada frase, perfumar cada letra com o aroma mais certo, até que não restem grandes dúvidas de que o nosso primeiro filho está pronto para o primeiro dia de escola. Irá ele ser bem tratado? Depois de sair do ninho quente, onde tem vivido, irá sobreviver no ambiente impiedoso e competitivo que o espera?
Vou ficar junto ao portão, acenando-lhe de vez em quando. Vou permanecer atenta, escutando uma lágrima, os jogos de recreio, o riso, os primeiros amigos. Ansiosa, vou falar dele aos que por mim passam, com a ternura e o orgulho de quem o viu nascer. Espero não o envergonhar.
domingo, 14 de março de 2010
A dor e o músculo
Sempre belo. Tem um sabor a músculo dorido, a esforço e concentração, pois remete-me para os tempos de infância e adolescência e para os exercícios de ballet na barra, com o ponteiro da professora Gigui Calais. E estica...estica...fica...e volta...
Que saudades da inocência.
sábado, 13 de março de 2010
Vocapeople
Concerto esgotadíssimo. É bom sinal, porque o que é bom, é bom. Espreitem o link abaixo.
http://www.youtube.com/watch?v=N6EYrqIn0yI
http://www.youtube.com/watch?v=N6EYrqIn0yI
sexta-feira, 12 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
Sonho suado
E como o sonho se transformou em projecto e o projecto em algo que poderemos tocar com as mãos lá para o outono, eis que interrompo a escrita de um novo livro de gaveta, para rever os cerca de quinhentos e quatro mil caracteres daquele que será o meu primeiro romance partilhado com os desejados leitores. Há suor que chega ao músculo e sonhos que se tornam em matéria viva. O meu suor irá tornar-se em folhas de papel vestidas com uma capa inspirada em imagens que eu guardara, há muito, na gaveta de outros sonhos e que agora os editores me pedem, a tentar cumprir o meu desejo. Só por isso vale a pena sonhar.
Roubei a imagem aqui:
http://tartaruginhafofy.wordpress.com/2008/05/20/sonhos/
Roubei a imagem aqui:
http://tartaruginhafofy.wordpress.com/2008/05/20/sonhos/
quarta-feira, 10 de março de 2010
Escrevendo
Do livro em que estou a trabalhar
"Dissemos adeus. Sem perguntas nem incertezas. Sem perplexidade. E ainda assim, sem sairmos um do outro. Julgámos que era nesse dia que o faríamos, mas não, estávamos embutidos um no outro. Nada a fazer, senão esperar que a vida passasse. Dessa vez, foi o nosso amor que deixámos do lado de fora."
terça-feira, 9 de março de 2010
A Leya e os Anjos
Tenho de partilhar convosco este texto do Miguel Carvalho, que ilustra e denuncia uma realidade triste na vida dos livros em Portugal.
"O grupo Leya mandou destruir milhares de livros. Edições de Jorge de Sena, Eugénio de Andrade e outros foram na leva. Pelos vistos, é prática habitual da maioria das editoras, conforme nos esclareceu a Ministra da Cultura, vagamente escandalizada. Armazenar e distribuir tem custos – os custos, sempre eles – incomportáveis. E o Estado português, que continua a dispor de recursos para muitos negócios duvidosos e escorregadios, recusa-se, em nome do equilíbrio financeiro, a gastar papel…com papel.
Confesso: não sei onde está a novidade que o episódio encerra: políticos de capa mole e iletrados, obviamente não gastariam um euro a salvar livros. Nas suas biografias, não cabe índice nem prefácio. Nas suas manigâncias e esquemas são gente de título e contracapa e nem para enfeite de escritório servem.
Não são os únicos, note-se.
Uma resma de editores que por aí anda não destoa desta sinfonia da desgraça. Alguns, conheço-os bem: têm lombada de gente grande e esclarecida, mas tanto vendem livros como esticadores para os colarinhos. Ou a mãe, se preciso for. Reclamam-se, com orgulho e a desfaçatez dos livros que não leram, devedores e seguidores do negócio e do sacrossanto mercado, a única religião que conhecem. Com uns e outros, no Estado e nas empresas, está o livro bem servido.
Identificados os criminosos, passemos aos cúmplices.
Neste País de intelectuais serventes e por servir, poucos se levantaram ainda em nome da decência educativa e cultural de um País onde ler, estudar e reflectir ainda parece um comportamento desviante. É claro: não vamos agora começar a boicotar os livros da Leya e os seus autores. O facto de, por vezes, me zangar com o Público, não faz com que deixe de comprar atum no Continente, se é que me entendem. Eu, que não sou daqueles que consideram que só vale a pena entrar nas guerras ganhas à partida, admito que, neste caso, a luta até seria contraproducente. “Manifs” à porta da Leya não me convencem. Tal como deixar de ler o Mia Couto não me faria mais coerente.
Espera-se, contudo, uma palavra dos intelectuais de vários ramos – alguns bem famosos e de edições sucessivas. Miguel Esteves Cardoso já escolheu o seu lado da trincheira, caso raro. Mas há um ruidoso silêncio de outros, tão lestos e certeiros a zurzir os poderes públicos e privados por razões de interesse pessoal ou pé de página. Se esses não falarem em nome das escolas, das prisões, dos hospitais e bibliotecas onde os livros destruídos não tiveram sequer a oportunidade de criar hábitos, despertar sonhos e desbravar mundos, o País fica a saber, em definitivo, que estirpe de intelectuais acoberta. E aí, sim, quase apetece dizer: não os Leya!"
M.C.
(Artigo publicado na revista "VISÂO", 5 de Março)
domingo, 7 de março de 2010
Mia Couto
Fui Sabendo de Mim
por aquilo que perdia
Pedaços que saíram de mim
Com o mistério de serem poucos
E valerem só quando os perdia
Fui ficando
Por umbrais
Aquém do passo
Que nunca ousei
Eu vi
A árvore morta
E soube que mentia
(Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas" )
por aquilo que perdia
Pedaços que saíram de mim
Com o mistério de serem poucos
E valerem só quando os perdia
Fui ficando
Por umbrais
Aquém do passo
Que nunca ousei
Eu vi
A árvore morta
E soube que mentia
(Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas" )
quinta-feira, 4 de março de 2010
Mais perto
Sinto-me assim, mais perto do sonho, a sair da escuridão para me embrenhar num clarão de luz viva. Pequena na imensidão de outros sonhadores, enquanto estendo a minha mão minúscula. Agarrem-me, não me deixem cair.
Roubei a imagem daqui:
http://mauriciogularte.wordpress.com/author/mauriciogularte/
quarta-feira, 3 de março de 2010
Um punhado de água
Constato, com alguma irritação, que tenho de desligar da tomada o facebook e o correio electrónico, se quero trabalhar no meu novo livro. Decididamente, a escrita é um acto solitário. Se correspondo aos acenos de mão e aceno, eu também, aos que me vivem dentro do peito, o dia escorre-me pelos dedos, como um punhado de água.
Roubei a imagem daqui:
http://verseiro.blogspot.com/
Roubei a imagem daqui:
http://verseiro.blogspot.com/
terça-feira, 2 de março de 2010
Júlio Isidro
Chegámos ao Museu de Arte Popular pouco depois das nove. Junto ao bengaleiro, encontrámos os primeiros rostos familiares. Um jantar para duzentas pessoas, organizado e oferecido pela Câmara Municipal de Lisboa, para celebrar os cinquenta anos de carreira do Júlio. Champanhe francês à entrada e uma enchente de caras famosas: relanceei uns, cumprimentei outros, naquele ambiente esfusiante que provoca conversas aparadas, interrompidas, recomeçadas e interrompidas novamente. De um modo geral, todos mais gordos e mais velhos, incluindo eu, com certeza. Gente da televisão, rádio, música, artes plásticas, literatura, imprensa. A família também, claro, entre a qual a Sandra e as três filhas do apresentador, Inês do Carmo, Mariana e Francisca.
Ficámos na mesa “Regresso ao Passado” (programa da RTP onde me estreei como cantora de televisão, em 1989), mas preferimos falar do presente e do futuro. O ambiente era de boa disposição. Antes da sobremesa e do café, António Costa subiu ao palco, e anunciou o homenageado, que vinha discursar. O Júlio fez variadíssimas e boas piadas à sua idade, sempre com uma piscadela de olho aos tempos que ainda hão-de vir. Foi igual a si próprio e ainda bem:
- O local onde nos encontramos não podia ser mais adequado à ocasião: encontramo-nos no Museu de Arte Popular (risos na sala). E, aqui mesmo ao lado, não deixa de ser engraçado estar precisamente o Padrão dos Descobrimentos...
Fez-nos rir, enterneceu-nos, agradeceu a presença e a amizade de todos, fazendo-nos sentir importantes. Os agradecimentos foram muitos, pois muitos são já os anos de carreira. O Rui de Carvalho apareceu de repente, em pleno festejo do seu aniversário, e foi directo ao palco só para cumprimentar o Júlio. Logo depois, regressou para a sua própria festa. Do lado esquerdo do palco, um piano de cauda branco. O Herman sentou-se junto ao mesmo e decidiu homenagear o Júlio com o “Tony Silva”. O José Cid deu um ar de sua graça, mas logo desistiu, ao ver que várias cadeiras se erguiam para as idas aos lavabos e às sobremesas. Pareceu-lhe mal e foi sentar-se algo amuado. O Luís de Matos ofereceu-nos um truque de ilusionismo que meteu um lenço ao barulho e o João Balula Cyd tocou um pouco para o acompanhar. A festa foi esmorecendo. Afinal, já passava da meia-noite e no dia seguinte era preciso levantar cedo. Dei muitos beijos e abraços de olá e adeus: Paula Oliveira, Isabel Campelo, Rita Ferro, João Baião, Luís Represas, Carlos do Carmo, Adelaide Ferreira, Lena d’ Água, Herman José, Simone…
- O local onde nos encontramos não podia ser mais adequado à ocasião: encontramo-nos no Museu de Arte Popular (risos na sala). E, aqui mesmo ao lado, não deixa de ser engraçado estar precisamente o Padrão dos Descobrimentos...
Fez-nos rir, enterneceu-nos, agradeceu a presença e a amizade de todos, fazendo-nos sentir importantes. Os agradecimentos foram muitos, pois muitos são já os anos de carreira. O Rui de Carvalho apareceu de repente, em pleno festejo do seu aniversário, e foi directo ao palco só para cumprimentar o Júlio. Logo depois, regressou para a sua própria festa. Do lado esquerdo do palco, um piano de cauda branco. O Herman sentou-se junto ao mesmo e decidiu homenagear o Júlio com o “Tony Silva”. O José Cid deu um ar de sua graça, mas logo desistiu, ao ver que várias cadeiras se erguiam para as idas aos lavabos e às sobremesas. Pareceu-lhe mal e foi sentar-se algo amuado. O Luís de Matos ofereceu-nos um truque de ilusionismo que meteu um lenço ao barulho e o João Balula Cyd tocou um pouco para o acompanhar. A festa foi esmorecendo. Afinal, já passava da meia-noite e no dia seguinte era preciso levantar cedo. Dei muitos beijos e abraços de olá e adeus: Paula Oliveira, Isabel Campelo, Rita Ferro, João Baião, Luís Represas, Carlos do Carmo, Adelaide Ferreira, Lena d’ Água, Herman José, Simone…
Na viagem de regresso ao campo, tive a sensação de ter andado numa espécie de carrossel. Cheguei a casa, pousei os acessórios, tirei os sapatos de salto alto, a boina preta de lantejoulas, a túnica Calvin Klein e a tela de pintura que estes encontros esperam de nós, mulheres. Guardei o glamour nas gavetas e armários e tornei a ser uma flor silvestre.
segunda-feira, 1 de março de 2010
Parabéns ao blog
Faz hoje um ano que publiquei o primeiro post neste blog. Reproduzo-o aqui, feliz por verificar que, com a vossa ajuda, o mesmo excedeu em muito as minhas modestas expectativas. Obrigada a todos, pelas 6366 visitas. Sei que muitos me lêem apesar de não serem "seguidores oficiais" nem deixarem comentários, pois têm recorrido a outras formas de demonstrar o seu apoio. O retorno tem sido muito feliz. Espero continuar na vossa companhia e ser merecedora do entusiasmo, carinho e admiração que têm manifestado. Depois de reler o que escrevi há um ano, penso estar no bom caminho. É bom crescer junto de quem nos lê assim. Convosco tenho aprendido a inventar a minha própria voz. Saber que existe, desse lado, a curiosidade dos vossos rostos, mais ou menos visíveis, é o maior dos prémios. Têm a minha mais sincera gratidão.
Um obrigada maiúsculo ao meu filho Hugo, que é a maior das minhas certezas, a melhor das minhas verdades.
(1 Março 2009)
"Hoje, com a ajuda do meu filho, juntei-me ao mundo dos vivos: os bloggers. Escrever para a gaveta é bom. Escrever para os outros é diferente. Este canto servirá para dois dedos de conversa, um texto, um impulso ou desabafo, a sugestão de um livro, um filme, uma imagem, um poema. Inauguro estas páginas com um amanhecer que agarrei numa noite de insónia: esta é a visão diária que me dão as janelas da casa onde tenho a sorte de morar. Podia ser pior.
Ao Gugas: obrigada"
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Fúria
A minha janela é um rectângulo de folhagem inquieta. As serpentinas da tempestade anseiam por nela encontrar uma fenda e levar-me, em voo, com esse monstro ciclónico. A sua fúria descompõe a cabeleira da paisagem, emudecendo as aves, ensurdecendo os homens, enraivecendo as ondas, que explodem, ao longe. A luz oscila, inquieta e aflita, estrangulada pela cólera dos deuses. Por vezes, um quase silêncio. A quietude descerra os seus braços, acorrentados pelo vento, a tentar embalar-nos os medos. Mas logo a ira regressa, na impiedade da teimosia, chicoteando o corpo do horizonte com um assobio harmonizado, poderoso, subjugando as árvores, intimidando tudo – até os mortos – incomodados nas sepulturas.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Desidério Lázaro
Para quem pensa que somos sempre o Portugal dos Pequeninos, oiçam este animal, que não passa de um rapazeco ainda, e tirem as vossas conclusões. O nome é sucesso garantido: ninguém esquece um nome destes. E depois de o ouvirem tocar, também não.
Dedico este post ao Nanã Sousa Dias, que faz anos hoje, e que me deu a conhecer o melhor saxofonista português da nova geração. Parabéns, Nanã!
Dedico este post ao Nanã Sousa Dias, que faz anos hoje, e que me deu a conhecer o melhor saxofonista português da nova geração. Parabéns, Nanã!
Novo livro de histórias de JOSÉ FANHA
Nas palavras do próprio autor:
"Cada livro é uma pequena grande alegria. Este acaba de sair. Ainda está quente como o pão pela manhã. Traz histórias para ler e contar. Histórias diversas, escritas em momentos diferentes, destinadas a gente de todas as idades.
Entram nestas histórias uma rainha que se perde no silêncio, uma princesa que tem pelos de ouro, uma velhinha que dá milho a pombos imaginários, uma domadora de livros selvagens, uma máquina de apanhar poetas e tudo o mais que quem ler encontrará...
Histórias...
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Humor
Um toque de humor para este final de dia. A banda sonora, que começa com Carpenters e John Denver, é muito boa. Enjoy. Obrigada, Luís Pedro.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Filosofices III
Se eu voltasse a ser uma criança, havia de querer fazer uma série de perguntas que na altura não me ocorreram. Agora que sou crescida, até parece mal, mas mal que pergunte...
Porque é que aplicamos a expressão “proferiu estas palavras”, a qualquer pessoa que fala? Não acham que o verbo "proferir" devia ter uma tabuleta a dizer “reservado a profetas”? Ou quer dizer que, só por falarmos, somos profetas? Eu proferia que respeitassem mais os profetas.
Arvorar é plantar uma árvore? Alvorar é apontar ao alvo? É que há coisas que parece que são, mas depois não são, não vale, como a palavra bucólica, que parece uma cólica de susto. Bu!-cólica.
Se engomarmos um relógio, podemos dizer que estamos a passar o tempo?
Os supositórios não deveriam chamar-se antes ANALgésicos? E os supositórios, suponhamos…púnhamos na boca ou no nariz, por exemplo.
Desfrutar, é arrancar os frutos às árvores? E desmanchar, é tirar a nódoa?
Porque é que um desmancha-prazeres é aquele que dá cabo deles? Não deveria dizer-se, em vez disso, mancha-prazeres? Senão, lá está, parece que é alguém que tira a mancha aos prazeres. Não acham isso esquisito? É o que está a dizer, ou não é?
E se eu não sofrer de incontinência, significa que sou continente? Então e se um militar fizer continência, significa que segura o xixi que nem um valente?
Se trautear uma canção é cantarolá-la em lá-lá-lá, então porque é que não usam o verbo Lalalar, que é muito mais adequado? Trau, parece que está a dar porrada à canção, não parece? Bom, em muitos casos isso é verdade, lá isso…lálálá...
Se eu disser que me estou a lixar, quer dizer que me estou a enfiar no caixote do lixo?
- Olha, VAI-TE LIXAR! Sim, é um insulto suficientemente mal cheiroso, desejar ao outro que se atire para dentro de um caixote com cascas de cebola, pontas de cigarro e lenços ranhosos. Bem feito.
Pronto, isto era o que eu perguntava se fosse criança, mas agora sou crescida, já não dá.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Jardim
Cá ando a semear, como zeloso jardineiro. Desenvolvendo as raízes de novas amizades, de outros rumos, arrancando ervas daninhas, protegendo das intempéries as minhas flores. De vez em quando há uma folha verde que irrompe, tímida, e eu fico feliz por vê-la encher-me de esperança. Tenho pétalas que decidem soltar-se, à revelia, e que preferem deixar-se tombar no solo, antes que os meus olhos possam admirar-lhes o esplendor. Uma espécie de suicídio vegetal, de desistência antes da luta, de cobardia. Nesses dias, cheia de vergonha, varro a esperança para debaixo do tapete e ergo uma taça de amargura. O tempo vai entornando a sua terra sobre mim e chega o dia em que a luz regressa, antes que o tempo me consiga sepultar. É então que sacudo a terra dos ombros e levanto o tapete, à procura da esperança que desprezei.
Dedico este post ao Rogério Bueno de Matos, à Maria, ao Possidónio Cachapa e aos amigos mais recentes. De uma forma ou de outra, somos todos jardineiros.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Novo disco de Rita Guerra
Caros leitores, saíu o novo disco da Rita Guerra. Esta edição limitada, da Fnac, inclui dois temas bónus, sendo que a letra e a música de um deles ("Enquanto D(o)urar o Dia") é da autoria desta vossa amiga. A balada que fecha o disco também, e a Rita interpretou-a com aquela belíssima voz que deus lhe deu. Vá, toca a comprar e a divulgar junto de amigos e inimigos, para eu começar o meu mealheiro de direitos de autor como compositora e letrista, e para que a Rita mantenha o seu tão merecido sucesso junto de novos fãs. Além desta edição especial, está à venda o álbum com 13 faixas, em vez de 15. O disco é bom, recomendo. Claro que sou suspeita, como mãe a elogiar o filho, mas não deixa de ser verdade. Felicidades, Rita, para este "Luar". Que os teus dias se encham de prata e que o teu sucesso continue a engordar como uma imensa lua cheia.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
The Great FLYdini
Nesta 3ª feira de Carnaval, tão fria e chuvosa, um apontamento de humor com uma faceta menos conhecida de Steve Martin: o ilusionismo. Já agora, para festejar também as seis mil visitas a este blog. Muito obrigada a todos e votos de um bom feriado.
http://www.youtube.com/watch?v=dJCtOz32dnw
http://www.youtube.com/watch?v=dJCtOz32dnw
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Namoro
Dois excertos do novo livro em que estou a trabalhar. Dois corações. Dois momentos, um triste, outro feliz, como a montanha russa que pode ser um longo namoro.
“Por mais que fizesse por agradar, por mais que saísse de si para lhe fazer a vontade, existiam outras bocas, outras nádegas, outros seios mais apetecíveis do que os seus. Nesses momentos, ela concluía que o amor servia apenas para lhes acelerar os gestos, nunca para os travar. Como os automóveis que circulavam nas rotundas. Não se parava por amor: agora nesta faixa, agora na outra, agora vou sair, faço pisca, adeus, vou até à próxima rotunda. A vontade dele derrapava por outros corpos e acidentava-lhe o coração, que sangrava à berma da estrada, como um cão atropelado, à chuva. Por isso ela chorava, de coração desastrado. Porque, para ela, ele era o caminho mais directo, todos os atalhos, todas as esquinas. Para onde quer que olhasse, para onde quer que fosse, ia desembocar nele.”
“As tuas cartas diziam-me que estavas cansado e divertido e eu odiava-te também e as tuas palavras de amor não me serviam de consolo. Era o corpo que eu queria. Odiava-te por te amar tanto e deixares-me aqui, sem ti. A praia perdeu o sabor, o grito das gaivotas no porto de abrigo, junto ao molhe, era-me indiferente, o riso dos outros era algo impossível de compreender, uma afronta. Faltava-me uma fatia tão grande de mim, que nem sei como me aguentava em pé. Como prisioneira, riscava os dias, um a um, até que voltaste. Um belíssimo dia, voltaste. A imagem coseu-se à memória e engoliu o tempo que ficou pelo meio: abri a porta e vi-te. Vejo-te ainda. Trazias uma t-shirt cor-de-laranja, calças de ganga e uns óculos espelhados azuis, que me ofereceste e que eu usei durante anos, mesmo depois de ti. Às costas, uma enorme mochila que te ultrapassava em altura e, num dos lados, com a cabeça de fora, vi a namorada do Snoopy, em peluche, com um vestido encarnado, laçarotes nas orelhas e olhos pestanudos. Nesse dia, fomos felizes. Melhor é chorar de alegria, as lágrimas que repõem o nosso mundo no devido lugar e que nos devolvem o coração. Foi isso que senti, o meu coração de volta.”
(VERA DE VILHENA)
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Proust destilado
Decididamente, o Sr. Alain de Botton, escritor, filósofo e ensaísta, sabe cativar-nos. Dele li "A Arte de Viajar", "O Consolo da Filosofia" e agora este "Como Proust Pode Mudar a Sua Vida". Um género de livro de auto-ajuda, divertido, sedutor, interessante, inteligente. A meio do livro, estamos já íntimos de Marcel. Vale a pena ler. Obrigada, João, mais uma vez.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Bolsos de algodão
Hoje acordei assim, com sonhos nos bolsos, e saíu isto.
Adormeço com a lua
Num pijama de algodão
Tenho bolsos junto às coxas
Junto ao peito, o coração
Neles trago, quando acordo
Asas de anjo, girassóis
Trago sonhos, bebo as ervas
Que abarco nos lençóis
Tenho as mãos cheias de vento
Que seguro num abraço
Quando passo pelos ramos
Navegando uma árvore
Qual navio, um mar, um mastro
Não me acordem, não me aterrem
Lancem o meu corpo ao mar
Que eu mergulho e navego
Ponho a alma a velejar
Lá, onde a escuridão se esconde,
Abismo de água, concha branca
Em silêncios intocáveis
Moram sonhos de criança
E dos bolsos de um pijama
Tiram grãos de areia azul
Sustentam a raiz do mar
Criam pérolas de luz
(VERA DE VILHENA)
Adormeço com a lua
Num pijama de algodão
Tenho bolsos junto às coxas
Junto ao peito, o coração
Neles trago, quando acordo
Asas de anjo, girassóis
Trago sonhos, bebo as ervas
Que abarco nos lençóis
Tenho as mãos cheias de vento
Que seguro num abraço
Quando passo pelos ramos
Navegando uma árvore
Qual navio, um mar, um mastro
Não me acordem, não me aterrem
Lancem o meu corpo ao mar
Que eu mergulho e navego
Ponho a alma a velejar
Lá, onde a escuridão se esconde,
Abismo de água, concha branca
Em silêncios intocáveis
Moram sonhos de criança
E dos bolsos de um pijama
Tiram grãos de areia azul
Sustentam a raiz do mar
Criam pérolas de luz
(VERA DE VILHENA)
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Sábados
Aos sábados de manhã, depois do pequeno-almoço, gosto de sair de casa para ir a Ribamar comprar o jornal e beber um segundo café. Apesar de ter saído do concelho de Lisboa há mais de três anos, não deixo de apreciar o contraste dos pequenos gestos do quotidiano: acho piada ao senhor que limpa os vidros ao pé de mim, enquanto eu bebo uma água e folheio a revista que vem com o jornal. Gosto daquele cheiro a limpo, da atmosfera que se respira, familiar e desprendida. A televisão baixinho, sussurrando-nos coisas do nosso país. Saco de uma folha da EDP (daquelas que não servem para nada e às quais não damos atenção, senão aos códigos do multibanco e à data limite de pagamento) e escrevo no verso, em branco. Não escrevo versos em branco, não, mas sim esta crónica. A dona do estabelecimento ergue a voz para falar com o marido e ele censura-a, com ar respeitoso, Fala mais baixo, que a menina está a escrever! –, Como se eu fosse Hemingway, Sartre ou outro qualquer mestre da literatura, e aquele o Café de Flore, no Quartier-Latin, abençoando o nascer de uma obra eterna. Percorro as ruas discretas e ensolaradas, o sino da igreja toca, os cães ladram, os habitantes cruzam-se no passeio e dão dois dedos de conversa. Um concelho que ainda é aldeia, com muito do conforto de uma metrópole. O melhor de dois mundos, como um Eldorado
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Adeus, Rosa
Assim que li o primeiro romance de Rosa Lobato de Faria, "O Pranto de Lúcifer", há muitos anos, soube que estava na presença de uma romancista, muito mais do que da escritora de letras de canções, ou actriz de telenovelas. Apesar de começar a dedicar-se à prosa aos 6o anos, ainda teve tempo de nos presentear com dez romances, além do seu trabalho como poeta e guionista de humor. Foi uma mulher criativa, elegante, profissional e de espírito forte. Uma grande perda para todos nós, esta sua partida tão prematura.
Deixo aqui o link para o blog da Patrícia Reis, que inclui uma pequena autobiografia que a própria Rosa escreveu e publicou no Jornal de Letras, há dois anos. Vale a pena ler (com Kiri Te Kanawa de fundo) e conhecê-la melhor.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
"Cândido", de Voltaire
O LIVRO
Escrito no final do séc.XVIII é uma pérola nos dias de hoje. Irónico, satírico e inteligente, faz-nos viajar pelo mundo inteiro (Lisboa surge sob o cenário do malogrado terremoto, onde supostamente Pangloss, o querido amigo de Cândido, é enforcado), filosofando sobre o Optimismo e a Felicidade, enquanto acontecem as coisas mais atrozes a todas as personagens, a começar pelo protagonista. O humor-negro é irresistível.
Já conhecia a opereta orquestrada pelo maestro Leonard Bernstein (e que, por sinal, amo e cantarolo pela casa quando me dá para isso), mas nunca tinha lido o pequeno livro que lhe deu origem. Agora que tenho som outra vez, festejei com a visualização de várias peças de "Candide", de Bernstein. Aqui fica a "Overture", dirigida pelo próprio, e dois momentos hilariantes, na Broadway. Enjoy.
Obrigada, querida João, por me chegares com pilhas de livros tão bons. Ofereço-te a opereta, para a troca.
Obrigada, querida João, por me chegares com pilhas de livros tão bons. Ofereço-te a opereta, para a troca.
A OPERETA
http://www.youtube.com/watch?v=U5liuHR6wug&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=YPoy5SGjB5o&feature=related
domingo, 31 de janeiro de 2010
O fim do silêncio
Podia ser o nome de um novo romance, mas não.
É só uma celebração minúscula: este computador estava em silêncio, em regime deixa-andar-assim-mesmo, desde 16 de Outubro (que rica cantora me saí eu...) e hoje, graças ao meu filho que é - além do filho melhor do mundo, a luz dos meus olhos e essas pirosices todas de que não me envergonho - também uma espécie de engenheiro informático. Pegou nas outras colunas, deu-lhes a extrema-unção e foi comigo a uma loja de informática comprar outras melhores, ao mesmo preço. Não saíu daqui sem me deixar tudo ligado, pois sabe que a mãe adora textos e letras, mas detesta fios, cabos e ligações. Obrigada, filhote, por me devolveres os ouvidos.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Hoje terminei de ler as 409 páginas deste romance de Siri Hustvedt, mulher de Paul Auster. Se lhe dedico o post de hoje, é porque me deixou uma óptima impressão. Comecei a lê-lo com aquela condescendência, Pronto, pronto, és mulher do Paul Auster, também escreves, ok - mas ao fim de umas páginas, rendi-me. É muito forte, uma escrita madura e uma história entre personagens absolutamente assombrosas. De leitura compulsiva, uma vez que elas começam a entrar-nos na pele. Leiam, se puderem. Obrigada, cunhada, foi o primeiro do monte e começou muitíssimo bem.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
European English
Desculpem, mas não resisti a publicar aqui, na íntegra, este texto satírico tão bem escrito, para ilustrar a decisão da Comissão Europeia deste ano...enjoy.
"European English
The European Commission has just announced an agreement whereby English will be the official language of the European Union rather than German, which was the other possibility.
As part of the negotiations, the British Government conceded that English spelling had some room for improvement and has accepted a 5-year phase-in plan that would become known as 'Euro-English'.
In the first year, 's' will replace the soft 'c'. Sertainly, this will make the sivil servants jump with joy. The hard 'c' will be dropped in favour of 'k'. This should klear up konfusion, and keyboards kan have one less letter. There will be growing publik enthusiasm in the sekond year when the troublesome 'ph' will be replaced with 'f'. This will make words like fotograf 20% shorter.
In the 3rd year, publik akseptanse of the new spelling kan be expekted to reach the stage where! more komplikated changes are possible.
Governments will enkourage the removal of double letters which have always ben a deterent to akurate speling.
Also, al wil agre that the horibl mes of the silent 'e' in the languag is disgrasful and it should go away.
By the 4th yer people wil be reseptiv to steps such as replasing 'th' with 'z' and 'w' with 'v'.
During ze fifz yer, ze unesesary 'o' kan be dropd from vords kontaining 'ou' and after ziz fifz yer, ve vil hav a reil sensibl riten styl.
Zer vil be no mor trubl or difikultis and evrivun vil find it ezi tu understand ech oza. Ze drem of a united urop vil finali kum tru.
Und efter ze fifz yer, ve vil al be speking German like zey vunted in ze forst plas."
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
"Favores em Cadeia"
Neste fim de tarde enterneci-me com um filme sobre a bondade humana e a esperança, mesmo no meio da crueldade e do desespero. Com interpretações magistrais de Kevin Spacey e Helen Hunt, dois dos meus actores de eleição, e de Haley Joel Osment ("Sexto Sentido"), o ainda muito jovem protagonista. Uma história que nos inspira e nos faz pensar que os nossos gestos podem ter as consequências mais inesperadas e que é possível tentar o impossível. Adorei o tom lavanda sempre presente nas cenas passadas na sala de aula, um toque de pormenor que revela o olhar feminino da realizadora.
Título: Favores em Cadeia ("Pay it Forward")Realizador: Mimi Leder
Ano: 2000
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
em movimento
Ainda ontem entrámos no ano novo e já estamos na última semana do mês. O tempo (es)corre apressado, sem nos dar tempo para cumprirmos as nossas (re)soluções. É preciso jogar no euromilhões e acreditar que vamos ganhar, beber (muito) café, comprar jornais e ver os noticiários (mesmo que estejam, como diz a Patrícia Reis, "cheios de mortos"), tratar da casa, dos filhos, dos cães, da alma; ler novos livros, rever os amigos de sempre e para sempre, ter mais ideias do que ideais, respirar fundo, pensar antes de falar, fazer listas de afazeres, insistir nos sonhos até os conseguirmos acordar, fugir a sete (mil) pés das discussões, tentar que os nossos gestos façam sentido para nós, enquanto andamos à procura de um cantinho de sol.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Texto des"a"do
Dei com este texto num blog e não resisto a partilhá-lo. A nossa língua tem possibilidades curiosas como esta. Vocábulos não nos faltam. São tantos, que podemos dar-nos ao luxo de brincar assim: faz-de-conta que o "A" não existe...
"Sem nenhum tropeço posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo isso permitindo mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível.
Pode dizer-se tudo, com sentido completo, como se isso fosse mero ovo de Colombo, desde que se tente. Sem se inibir, pode muito bem o leitor empreender este belo exercício dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.
Trechos difíceis resolvem-se com sinónimos.
Observe-se bem: é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo.
Brinque-se mesmo com tudo.
É um belíssimo desporto do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo sem o "P", "R" ou "F", o que quiser escolher. Podemos, em corrente estilo, repetir um som sempre ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir.
Porém, mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos.
Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem hoje o nosso português, culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Porquê?
Cultivemos o nosso polifónico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, oh moços estudiosos, escritores e professores!
Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, púgil, de heróis e de nobres descobridores de mundos novos!"
Autor: Desconhecido
Obrigada, Rute!
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
A Alice de Tim Burton
(clique na imagem, para a aumentar)
Johnny Depp - O Chapeleiro Louco
Helena Bonham Carter - a Raínha de Copas
Anne Hathaway - A Raínha Branca
Michael Sheen - O Gato Risonho
(Mia Wasikowska a ser dirigida por Tim Burton)
Espreitem mais aqui:
Tim Burton revisita Lewis Carroll - Artes - DN
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Hoje é o dia mais deprimente do ano
Ah, então foi isso. Que vergonha, sou um exemplo chapado e matemático, que se insere no estudo deste senhor. Pronto, amanhã é outro dia e este está a seis minutos de acabar. Ainda bem.
Hoje é o dia mais deprimente do ano - aprenda a combatê-lo
(in Jornal "I", hoje)
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Thoreau
Terminei hoje a leitura de "Walden ou a Vida nos Bosques". Deixo aqui alguns excertos, para que se deslumbrem comigo. É sabido que procuramos, afinal, aquilo que já vive dentro de nós. Estes foram alguns dos reflexos que encontrei com a minha própria imagem, neste lago de Thoreau: nada que nos faça mudar de ideias; apenas aquilo que já sabíamos e sentíamos, sem o saber dizer por palavras. É onde moram as nossa esperanças e estas palavras simbolizam a sua morada.
"Basta uma simples chuva suave para que a erva fique muitos tons mais verde. Assim se iluminam as nossas perspectivas sob o influxo de melhores pensamentos. Seríamos abençoados se vivêssemos sempre no presente e lucrássemos com tudo o que nos acontece, como a relva que reconhece a influência do mais leve orvalho que a molha; se não desperdiçássemos o nosso tempo expiando pela perda de oportunidades passadas, julgando cumprir o nosso dever. Demoramo-nos no Inverno quando já é Primavera."
"Com a minha experiência aprendi pelo menos isto: se uma pessoa avançar confiantemente na direcção dos seus sonhos, se se esforçar por viver a vida que imaginou, há-de deparar com um êxito inesperado nas horas rotineiras. Há-de deixar para trás uma porção de coisas e atravessar uma fronteira invisível; leis novas, universais e mais abertas começarão por se estabelecer em redor e dentro dela; ou então as leis velhas hão-de ser expandidas e interpretadas a seu favor num sentido mais liberal, e ela há-de viver com a equiescência de uma ordem superior de seres. À medida que ela simplificar a sua vida, as leis do universo hão-de parecer menos complexas, a solidão deixará de ser solidão, a pobreza deixará de ser pobreza, a fraqueza deixará de ser fraqueza. Se construístes castelo no ar, não terá sido em vão esse vosso trabalho; porque eles estão onde deviam estar. Agora, por baixo, colocai os alicerces."
"Se um homem não acerta o passo com os seus companheiros é porque talvez oiça um tambor diferente (...). Deixai-o marchar conforme a música que ouvir, ainda que lenta e distante."
"Nenhum aspecto que possamos dar a um assunto nos trará por fim tanto proveito como a verdade. Só ela assenta bem. Porque na maioria dos casos não estamos onde estamos mas numa posição falsa. Devido a um desvio da nossa natureza, imaginamos uma situação e colocamo-nos dentro dela, e logo estamos em duas situações ao mesmo tempo, tornando-se duplamente difícil sair delas. Em momentos de lucidez encaramos simplesmente os factos, a situação que de facto existe. Dizei o que tendes a dizer, e não o que deveis dizer. Qualquer verdade é melhor que o fingimento."
"Por mais medíocre que seja a nossa vida, enfrentai-a e vivei-a; não a eviteis nem a injurieis. Ela não é tão aborrecida como vós o sois."
"Quem busca defeitos em tudo encontrará defeitos até no paraíso."
"A luz que ofusca os nossos olhos é escuridão para nós. Só amanhece o dia para o qual estamos acordados. Mais dia está por raiar. O sol não passa de uma estrela matutina."
"Se um homem não acerta o passo com os seus companheiros é porque talvez oiça um tambor diferente (...). Deixai-o marchar conforme a música que ouvir, ainda que lenta e distante."
"Nenhum aspecto que possamos dar a um assunto nos trará por fim tanto proveito como a verdade. Só ela assenta bem. Porque na maioria dos casos não estamos onde estamos mas numa posição falsa. Devido a um desvio da nossa natureza, imaginamos uma situação e colocamo-nos dentro dela, e logo estamos em duas situações ao mesmo tempo, tornando-se duplamente difícil sair delas. Em momentos de lucidez encaramos simplesmente os factos, a situação que de facto existe. Dizei o que tendes a dizer, e não o que deveis dizer. Qualquer verdade é melhor que o fingimento."
"Por mais medíocre que seja a nossa vida, enfrentai-a e vivei-a; não a eviteis nem a injurieis. Ela não é tão aborrecida como vós o sois."
"Quem busca defeitos em tudo encontrará defeitos até no paraíso."
"A luz que ofusca os nossos olhos é escuridão para nós. Só amanhece o dia para o qual estamos acordados. Mais dia está por raiar. O sol não passa de uma estrela matutina."
domingo, 10 de janeiro de 2010
Aquarela - Toquinho
Neste Domingo de frio, deixo-vos um video bem quentinho, uma ternura, para aquecerem o vosso coração.
http://www.youtube.com/watch?v=2-V21HepcgY
Ops!, só agora reparei que a Patrícia Reis também postou esta pérola ontem, no blog vaocombate. Andamos todos ao mesmo, em sintonia. Isso é bom, é sinal de que estamos juntos. Obrigada P.,...e obrigada Miguel!
http://www.youtube.com/watch?v=2-V21HepcgY
Ops!, só agora reparei que a Patrícia Reis também postou esta pérola ontem, no blog vaocombate. Andamos todos ao mesmo, em sintonia. Isso é bom, é sinal de que estamos juntos. Obrigada P.,...e obrigada Miguel!
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Mundo interior
Ah, a autocomiseração...! Vamos pensar que o que importa não é o que perdemos, ou que desejamos e não somos capazes de alcançar - mas sim o que podemos realizar com o que possuímos. E desse modo, teremos muito mais.
Vejam o video, é uma animação francesa premiada. Obrigada, Alice.
http://www.entusbrazos.fr/
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Dia não
Telefonemas que não se devolvem, recados que não se transmitem, textos que não se escrevem, funções que não funcionam, palavras que não se dizem, travões que não refreiam, resoluções que não se cumprem, dilemas que não se desfazem, questões que não são respondidas, acções que não se realizam, momentos que não se aproveitam, livros que não se lêem, ideias que não se aprovam, datas que não se cumprem nem celebram, portas que não se fecham, esperanças que não se confirmam, tesouros que não se guardam, silêncios que não se quebram, janelas que não se abrem, chaves que não servem, mãos que não se desprendem…
O meu dia acordou assim, como o solo de um instrumentista cujas primeiras notas, erradas, o levam torto até ao fim, enquanto ele procura, em vão, endireitá-lo a cada compasso. E esta chuva e este frio que nunca mais fazem as malas e partem, a dar lugar à luz. Quero o sol, para me derreter este dia desajeitado.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Abertura com Chave de Ouro
O meu primeiro filme do ano. 3D. Maravilhoso. Não percam. James Cameron demorou doze anos para o realizar. Filme que me faça rir e chorar...já ganhou. Espero que, pelo menos, ganhe os óscares de melhores fotografia, adaptação (se for baseado num livro), efeitos especiais e melhor filme, claro. Não deixem de ver. Façam esse favor a vocês mesmos, comprem os óculos para ver a 3D e deixem-se ir neste mundo maravilhoso, com final feliz.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Ócio, Thoreau e Miss Potter
Quatro dias sem sair de casa. Roçando ao de leve os trapos, a loiça, as refeições, o pó. O resto tem sido ócio, escrita e leituras.
O corpo amuou e deu-me a chuva e o frio como desculpa, para se entregar à preguiça. Dias de ócio, confesso, a preparar o fôlego para o ano novo. Depois do pequeno-almoço, deito-me no sofá com uma chávena de café bem quente e um bombom “Rafaello”, os cães aos meus pés, a chuva a cair lá fora e, nas mãos, “Walden ou a Vida nos Bosques”.
Thoreau compreende-me bem, adivinhando-me a alma que, pedindo tão pouco, pede demasiado. O mundo exige que lutemos por mais coisas que não estas que tenho: é urgente possuir um carro melhor, mais dinheiro na conta, mais trabalho, mais móveis, mais trapos. Mas já tenho tudo o que preciso e a bênção do tempo livre, que o mundo não tem. O carro anda, esforçado, e os móveis e trapos de que disponho preenchem-me totalmente o espaço e o corpo. Desejar mais é sufocar. Prefiro respirar o arvoredo que habita à minha frente, o ruído da chuva nas vidraças, as corujas e os corvos de madrugada. À tarde acende-se a lareira com sobro e azinho, sobre o crepitar das pinhas roubadas ao leito de caruma e de folhas de eucalipto que, de tão próximas e húmidas, perfumam o ar que ofereço aos pulmões; um chá de bergamota, torradas e compotas caseiras de tomate e de pêssego. A noite chega e o ninho fecha todas as janelas, a esconder-se do frio. A árvore de natal brilha mais, com as luzinhas cor de pérola, que reflectem as esferas douradas e vermelhas. No topo, um ninho verdadeiro de um pássaro ingénuo que escolheu esta árvore para se instalar e que ali foi deixado, a fazer as vezes de estrela ou de anjo. Porque não, se os pássaros habitam os céus, como as estrelas e os anjos? Depois de um jantar tardio, agarro-me novamente a Thoreau, aconchegando-me a uma manta de quadrados. Pouso o livro de vez em quando, para espevitar o lume. O vento assobia, a chuva lança-se às janelas, sem conseguir entrar na minha cabana.
Antes de dormir, revi “Miss Potter”.
Quando adormeci, tinha ainda nos olhos as paisagens verdejantes de Sussex, na Escócia, a decoração romântica das casas, com mil pormenores irresistíveis, os lagos, as quintas cobertas de hera. Os patos, gansos, sapos, porcos, coelhos e ouriços de Beatrix pareciam desejar-me bons sonhos e eu acenei-lhes de volta, explicando que o melhor sonho era estar acordada e poder viver com tudo isto no coração.
Antes de dormir, revi “Miss Potter”.
Quando adormeci, tinha ainda nos olhos as paisagens verdejantes de Sussex, na Escócia, a decoração romântica das casas, com mil pormenores irresistíveis, os lagos, as quintas cobertas de hera. Os patos, gansos, sapos, porcos, coelhos e ouriços de Beatrix pareciam desejar-me bons sonhos e eu acenei-lhes de volta, explicando que o melhor sonho era estar acordada e poder viver com tudo isto no coração.
Imagem de Henry David Thoreau, a partir de um daguerreótipo de 1839.
Imagem de Beatrix Potter roubada aqui:
http://gonnabebig.wordpress.com/2008/07/28/beatrix-potters-birthday/segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Tradução
Pelos comentários que têm deixado e através dos serviços proporcionados pelo Sitemeter (contagem de visitas do blog), já havia estranhado o facto de ser lida por um punhado fiel de sul-americanos, pensando, Como é que estes tipos têm pachorra para me ler em português e deixar comentários?, mas hoje descobri porquê:
O serviço "blogger" do Google tem a possibilidade de traduzir o conteúdo inteiro de um blog no idioma de cada leitor. Não acham maravilhoso? Isso torna o que escrevemos em algo de universal, como uma imagem. Se calhar estão fartos de saber, mas para mim, que ando sempre a leste do Equador (literalmente! E, by the way, também tenho leitores lá! Pfff....), é novidade. Aqui fica o site e, abaixo, o link com o post de hoje, já traduzido, a título de curiosidade: verão que o conteúdo do blog está traduzido na íntegra:
http://translate.google.com/translate
http://translate.google.com/translate?hl=es&sl=auto&tl=es&u=http://veravilhena.blogspot.com/2009_12_01_archive.html&rurl=translate.google.com&twu=1
E em jeito de presente de Natal atrasado, deixo também um site extremamente útil, para quem precisar de traduzir qualquer coisa em qualquer língua. Na coluna da esquerda, se for o caso, seleccionem mesmo o "Português (pt)", pois a tradução funcionará melhor do que em "auto-detect". Obrigada, Nanã.
O serviço "blogger" do Google tem a possibilidade de traduzir o conteúdo inteiro de um blog no idioma de cada leitor. Não acham maravilhoso? Isso torna o que escrevemos em algo de universal, como uma imagem. Se calhar estão fartos de saber, mas para mim, que ando sempre a leste do Equador (literalmente! E, by the way, também tenho leitores lá! Pfff....), é novidade. Aqui fica o site e, abaixo, o link com o post de hoje, já traduzido, a título de curiosidade: verão que o conteúdo do blog está traduzido na íntegra:
http://translate.google.com/translate
http://translate.google.com/translate?hl=es&sl=auto&tl=es&u=http://veravilhena.blogspot.com/2009_12_01_archive.html&rurl=translate.google.com&twu=1
E em jeito de presente de Natal atrasado, deixo também um site extremamente útil, para quem precisar de traduzir qualquer coisa em qualquer língua. Na coluna da esquerda, se for o caso, seleccionem mesmo o "Português (pt)", pois a tradução funcionará melhor do que em "auto-detect". Obrigada, Nanã.
http://tradukka.com/
domingo, 27 de dezembro de 2009
Solidez, solidariedade e solidão
Apesar de viver na zona Oeste do país, o meu ninho não sofreu danos com o famoso temporal que se deu há dias, graças ao monte e aos eucaliptos e pinheiros que o protegem das intempéries. Muitos dos vizinhos, donos de estruturas, esplanadas e estufas de exterior, não tiveram a mesma sorte. O meu marido foi comprar cigarros há pouco e regressou com este conto de natal, que nos chega atrasado: ao avaliarem os estragos causados pelo ciclone, os habitantes da aldeia mais próxima, que é aberta e desabrigada, não foram trabalhar no dia seguinte. Em vez disso, trataram de repor telhas; consertar telhados de zinco e vedações; recolher mesas e cadeiras tresmalhadas; varrer vidros e disfarçar os estragos; pregar madeiras soltas. Isto poderia não ter nada de extraordinário, não fosse ter sido uma operação levada a cabo nas casas uns dos outros, pois todos ajudaram todos, como se fossem um só. Agora venham cá falar-me da morte da solidariedade entre os homens, que eu atiro-lhes com esta história. Verdadeira, graças a deus. Senti-me orgulhosa, envergonhada e só. Orgulhosa por viver há três anos junto desta gente, envergonhada por viver tão mergulhada na minha própria e minúscula vida, que só hoje soube, e só por ninguém ter pedido emprestadas as minhas mãos. Será porque a minha casa, sólida como a do porquinho Cícero, faz de mim um ser marginal? No próximo temporal, quando o sol regressar, hei-de ir ao café, esgravatar a vida dos outros, a perguntar se alguém precisa de ajuda. Até porque a solidez da minha casa não é eterna, mas a solidão pode ser.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Escrita com verdade
Tenho-me sentido culpada por ter quebrado, nos últimos dias, a regra "nulle dies sine linea" ("nem um dia sem uma linha"), que estipulei para mim própria no dia e que iniciei este blog, há nove meses. A verdade é que, mais verdadeiro do que não falhar, é escrever algo com vontade. A avalanche do Natal roubou-me a paz e a disposição. Há coisas que não se devem fazer só por fazer: amor, cantar, sorrir, dançar, matar. São expressões do corpo e da mente demasiado importantes para serem feitas sem alento, com indiferença. A fazê-las, que haja bons motivos. Só assim somos justos e verdadeiros.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
A Loja do Menino Jesus
Maravilhado perguntei-lhe: "Anjo, o que vendes tu?"
Ele respondeu-me: "Todos os dons de Deus".
Contemplei a loja e vi jarros com compaixão, frascos com fé, pacotes com esperança, caixinhas com amor, potes com sabedoria...
Perguntei-lhe: "São muito caros?"
Respondeu-me: "Não, é tudo de graça."
Então, enchi-me de coragem e pedi: "Por favor, Anjo, quero uns quilos de perdão, muito amor, uma caixa com fé, um bocado de felicidade e um pacote de salvação eterna para mim e para a minha família."
Então o Anjo preparou um pequeno embrulho, tão pequeno que cabia na palma da minha mão, e entregou-me.
Espantado, mais uma vez perguntei-lhe: "Está tudo aqui?"
O Anjo respondeu-me, a sorrir:
"Sim. Na nossa Loja não vendemos frutos, apenas sementes.”
Obrigada, Bé, por esta pérola natalícia.Imagem: "Anjos na Floresta", por Mírian Warttusch
VOTOS DE UM NATAL FELIZ PARA TODOS
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Hot Hot
O edifício do Hot Clube ardeu esta madrugada. Parece que os estragos foram tais, que não há garantias de que o clube possa voltar ao activo. O piano acústico e o contrabaixo terão ardido? Felizmente, o espólio do Luís Villas-Boas já havia sido retirado. Cheguei a estudar na escola, no piso de cima, e já na época, por volta de 1991, nos arriscávamos a levar com bocados de caliça na cabeça, durante as aulas. Há muito que a escola se mudou para o edifício da Orquestra Metropolitana de Lisboa, em Belém, mas o clube original na Praça da Alegria, com sessenta anos de idade e uns minúsculos 48m2, é (era?) já uma instituição. Por ele passaram monstros como Count Basie, Dexter Gordon e Sarah Vaughn. Pat Metheny gosta(va) de passar lá e tocar, em jam session, depois dos seus concertos em Lisboa. Será que os adeptos deste velho clube, que atravessou tantas gerações, ficaram sem o seu cantinho de improviso?
Roubei a imagem aqui:
http://coiso.wordpress.com/2007/06/21/reabertura-do-hot-clube/
Roubei a imagem aqui:
http://coiso.wordpress.com/2007/06/21/reabertura-do-hot-clube/
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Filosofices da Nocas
Estou de volta e trago algo de singelo e irresistível:
A minha sobrinha Nocas, de 4 anos:
A minha sobrinha Nocas, de 4 anos:
- Ò Joana, se é preciso sempre uma mãe para fazer um bebé, como é que nasceu o primeiro bebé?
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Carta aberta: Enfim, sócia
É oficial. Finalmente, tornei-me sócia da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), com o nº 26.832. Tive direito a carta escrita em nome do Presidente da Direcção, Manuel Freire, que assina estas palavras gentis:
"Quero felicitá-la e dar-lhe as boas vindas à casa dos Autores Portugueses, desejando-lhe os maiores êxitos pessoais e culturais (...) Mais do que nunca, a SPA precisa de todos ao autores e da sua criatividade.".
E pronto, pertenço à grande e ilustre família de autores. É uma boa sensação, contribuir para criar algo de novo. Ser original é cada vez mais difícil: na escrita, na música, na pintura, na arte em geral. Mas é preciso tentar, com tudo o que temos dentro do peito.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Recomendo
Como eu costumo dizer, as coisas boas são para partilhar. por isso deixo-vos aqui o link para um blog maravilhoso da não menos maravilhosa jornalista Patrícia Fonseca.
http://blogkiosk.blogspot.com/
E porque o ano está quase a terminar, espreitem as melhores capas de revistas do ano. Vale a pena.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Conforto
Eu sei, uma vergonha. Enquanto os outros trabalham, na cidade, arrastando os corpos pelos transportes públicos e no automóvel, no meio do trânsito, eu aqui estou, com as mantas, a lareira, os cães, os livros, a escrita. O meu marido montava a árvore de Natal e eu perguntei-lhe:
- Queres biscoitos ou bolo de laranja?
E ele respondeu-me, como de costume, com um sorriso cúmplice:
- Pode ser!
Foi comprar mais lenha, ovos e fermento "Royal", enquanto eu fiquei a amassar a massa e a pôr a mesa para o jantar. Chegou e acendeu a lareira. Eu fui descongelar o corpo ao lume, agradecida. Ao fim do jantar terminei o vinho tinto ali, decapitando um urso de chocolate de leite, quase enfiada dentro do lume vivo, que crepitava. Os cães deitados ao pé de nós, decorativos, perfeitos.
Depois do corpo consolado, fui completar a tarefa interrompida. À ceia, para discutirmos os últimos preparativos para o Natal, espera-nos um chá Earl Grey, acompanhado de biscoitos e bolo de laranja...à lareira, claro. Eu sei, uma vergonha. Envergonhem-se vocês também, que vale a pena. Porque parar é bom, nem que seja preciso reinventar o tempo.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
A consciência do frio
O serra da estrela olha-me com ar enfastiado, sem compreender porque me agarro tanto a ele. Sabe lá o cão o que é ter frio. Com o casacão (casa...cão?) que tricotou para o seu primeiro inverno, não há frio que lhe chegue à pele. Anda-me a arfar pela casa, como se estivessem dias amenos de primavera. Uma afronta para a dona, que se tapa com camadas e camadas de trapos, como uma cebola velha ou uma velha encebolada. O outro, mais magro e despido, compreende-me bem, e enrola-se, qual pescadinha de rabo na boca, feito gato, à espera que passe o suplício.
A consciência grita-me, Mexe-te, vai trabalhar, que aqueces num instante. E eu mando-a calar e atiro-lhe com um cobertor para cima, a abafar-lhe a voz. Ela aproveita para tapar-se e desiste, encostando-se à minha preguiça, à procura de algum calor que lhe devolva a voz paralisada.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Frio
Deixei-me vencer pelo frio, que me penetrou a pele, o músculo, os ossos, a alma. Fiquei como um bicho, enrolada sobre mim mesma, tentando acender um qualquer lume dentro de mim. À noite chegou o homem que domina o fogo e fez jus à sua fama, acendendo uma fogueira abençoada, na lareira da sala. O crepitar do lume foi derretendo, lentamente, as estalactites que se haviam alojado dentro de mim, até que o frio, vencido e humilhado, morreu aos meus pés, sem um adeus.
sábado, 12 de dezembro de 2009
A carta
Um dia disseste, no início da relação, que éramos como os amantes dos filmes, aquela coisa clássica do chegar e despir, lembras-te? Isto da carta sobre a mesa da sala também é. Poderia até ter começado por escrever um dos lugares-comuns habituais nestes casos dramáticos: “Esta é a carta mais difícil que tive de escrever até hoje...” e estaria a dizer a verdade.
Parabéns pelo dia de hoje, Patuska. E obrigada a ti e ao teu marido pelo jantar maravilhoso. É bom pertencer a um grupo de gente assim. E gostei de chegar a casa cheia de livros, como sempre, quando venho da tua. Votos de boas festas e de muitos sapatinhos no sapatinho! Nunca vi tamanha paixão por sapatos!
Imagem: Patrícia Reis fotografada por Marisa Cardoso. Retirada do blog "Devida Comédia"
Imagem: Patrícia Reis fotografada por Marisa Cardoso. Retirada do blog "Devida Comédia"
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
O Natal, por amor
Comprei três quilos de abóbora aqui na santa terrinha e açúcar amarelo. Deixei os frascos vazios de molho em água quente, para retirar os rótulos e a cola e, por fim, esfreguei energicamente com acetona e algodão, até o vidro ficar translúcido e virgem. Lavei a abóbora, retirei-lhe as sementes e cortei-a, primeiro em pedaços, depois em cubinhos. O músculo do braço fixou a doer, mas não me importei. Os cães deitados no chão de tijoleira da cozinha, feitos sentinelas. Fiz as medições na balança, calculando a quantidade de abóbora, açúcar e raspa de casca de laranja, para dez frascos de compota. Pus dois tachos em lume brando. Demorou cerca de duas horas, mexendo de vez em quando, até “fazer estrada”, a indicar que estava no ponto. Nos intervalos, vinha ao computador: facebook, emails, blogs. A casa ficou perfumada com um cheiro doce. A colher de pau comprida sempre a mexer, para não pegar. Varinha mágica, para não deixar pedaços inteiros. Há pessoas que não gostam. A consistência certa, a canela, para aromatizar. Distribuí o doce pelos frascos, o mais democraticamente possível. Fui às gavetas do escritório, à caça de etiquetas coloridas. Identifiquei a minha compota com votos de festas felizes, aqui da terra. Do saco onde guardo os despojos de embrulhos de vários anos e de tantas festas, saquei papel de seda vermelho e ráfia verde. Da prateleira, subtraí fita-cola, agrafador, fita dourada, papel de embrulho. Colei uma etiqueta em cada frasco, depois de o doce arrefecer. Cortei quadrados de papel de seda, prendi-os com um elástico e rematei com ráfia verde, em dois tons. Por fim, embrulhei os nove frascos em papel de embrulho dourado e rematei com laços, que fiz com a fita no mesmo tom. Para o meu anjo da guarda, cujo aniversário se irá festejar à meia-noite, embrulhei as duas fotografias a preto & branco, assinadas pelo artista: duas portas da futura exposição “As Portas do Castelo” e um pijama de flanela de algodão, aos quadrados, em tons de vermelho, rosa e branco, para a casa do Meco, que tem uma buganvília à porta; porque a imaginei assim vestida, pela manhã, antes de ir buscar o pão quente.
Podia ter ido comprar o doce ao supermercado e a uma loja qualquer para despachar esta malta com presentes que já vêm embrulhados e tudo. Mas é nestas alturas que sinto o orgulho de dedicar tempo às pessoas. Festas felizes para todos.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Crónica de Lobo Antunes
As Crónicas do L. A. estão para a extensão da sua obra como o Sean Connery está para os galãs do cinema: existe um fenómeno inexplicável, que se traduz num concenso de gosto: quando se fala no Lobo Antunes, todos dizem que preferem as crónicas aos romances; quando alguém pergunta, Quem é o mais belo homem do cinema, as mulheres, numa acção combinada, respondem: Sean Connery, claro! ninguém se compara à voz e ao charme do velho senhor...! Confesso a minha falta de originalidade, pois incluo-me neste grupo: vivam as crónicas do L.A.... e o senhor Connery, claro.
"Diziam-me isto, em criança, e eu adorava. Voltou-me hoje à ideia, passado tanto tempo. Tanto tempo, uma ova: era menino, limitei-me a piscar os olhos e fiquei como agora. Entende-se a maldade? Eu não entendo. Piscar os olhos é um instantinho, que raio de merda aconteceu? Mascararam-me com rugas, cabelos brancos, vontade de ir mais cedo para casa. Brincadeira de mau gosto, a idade. Oiço
"Diziam-me isto, em criança, e eu adorava. Voltou-me hoje à ideia, passado tanto tempo. Tanto tempo, uma ova: era menino, limitei-me a piscar os olhos e fiquei como agora. Entende-se a maldade? Eu não entendo. Piscar os olhos é um instantinho, que raio de merda aconteceu? Mascararam-me com rugas, cabelos brancos, vontade de ir mais cedo para casa. Brincadeira de mau gosto, a idade. Oiço
- Você era lindo
e torno-me uma pedra por dentro. Miséria deste tempo verbal, era, que horror. E lindo, ainda por cima, eu que nunca me achei lindo, sempre me dei mal com a minha cara, o meu corpo. Notava o olhar das raparigas e achava esquisito. Até bilhetinhos me mandavam, até conversa comigo metiam. E eu corado, aflitíssimo. Uma ocasião, com catorze ou quinze anos, fui ao Bairro Alto, a uma casa de prostitutas. A bicha começava logo na escada. Lá fui subindo aquilo degrau a degrau, atrás, nunca me esquece, de um magala fardado. Uma criatura à entrada a cobrar o dinheiro, uma sala com espelhos, cadeiras mulheres sentadas, de roupão. Não consigo reconstituir bem o que se passou depois, a minha cabeça, chegada a este ponto, dá um salto e estou num quarto com uma cama, um cabide pendurado de um gancho na parede, um bidé e uma garrafa, para além de uma mulher, há pouco sentada, a despir o roupão e a mandar-me despir. Desci as calças, atrapalhando dedos nos botões, a mulher fixou-me mais ou menos ao centro do corpo, declarou
- Deus deve gostar de ti, miúdo
e no momento a seguir estava a puxar as calças para cima e a fugir escada abaixo desarrumando a bicha. Continuei virgem durante séculos, é uma forma de expressão mas serve e, além disso, razoavelmente exacta. Dança o cão, dança o gato, dança o feijão carrapato.
O que sucedeu à minha lindeza? Murchei devagarinho ou de repente? Sou feio, nesta altura? Um pavor se calhar, todo torto. Recordo-me do meu pai fazer trinta e três anos
(idosíssimo)
porque eu gaguejava e repetia trin trin trin para alegria dos crescidos. Recordo-me também de, nessa época, estar doente com a tuberculose, que a minha mãe apelidava, julgo que por vergonha, de gânglios:
- O António teve gânglios
consoante me recordo da falta de apetite, do frio, de estar deitado, de conversas incompreensíveis à minha roda. O meu avô dava-me miniaturas de bichos em vidro que eu atirava, com fúria, contra a janela. Não me recordo dos remédios, não me recordo do médico, recordo vagamente as minhas tias a tomarem conta de mim. Do sol na janela. De soldados a marcharem na Estrada de Benfica. Dança o cão, dança o gato, dança o feijão carrapato.
Doenças: uma meningite também cá canta, aos nove ou onze meses de idade. Contam os aedos da tribo que comecei com febre e entrei logo em coma. O que eu fiz para morrer, tantos esforços, logo ao princípio, merecem consideração, aplauso. Não recebi nem uma nem outro. Se calhar julgaram que não fiz de propósito, os tontos. Temos alguns suicídios na família, nós: o pai da minha avó, primos do meu avô, assuntos secretos, que me relataram já tarde e com vergonha. Há alturas, e digo isto em segredo, em que fico com os dedos negros, procurando uma corda. O António de língua de fora, desorbitado, a baloiçar. Depois a esperança volta, recomponho-me. Espio a mão: dedos cor de rosa, normais, já não tenho bichos a devorarem-se dentro de mim. Que era lindo. Agora sou um senhor. Num dos restaurantezecos onde como o dono trata-me por jovem:
- Boa tarde, jovem
- Então o que vai ser hoje, jovem?
- Meia-dose ou uma dose, jovem?
e eu aceito o jovem que, de tempos a tempos, se metamorfoseia em amigo
- Então o que vai ser hoje, amigo?
embora, ultimamente, penda para o jovem e me atire cotoveladas cúmplices.
Sinceramente o que foi hoje não me lembro. Espera, lembro: empadão de carne, meia-dose. E saí na mecha para fazer as compras da casa e escrever isto. A seguir começo o trabalho no livro de que tenho apenas o magma da primeira versão e não faço ideia, sequer, se é ou não um livro. Muitas dúvidas acerca disso e receio bem que acabe no lixo. Mais de metade do meu trabalho acabou no lixo. E, na manhã seguinte, lá estava eu no caixote a procurá-lo, tentando reconstituir dúzias e dúzias de páginas amarrotadas e rasgadas. Com o Fado Alexandrino, então, foi um sarilho, aquilo era grosso como o diabo. Dança o cão, dança o gato, dança o feijão carrapato. E tem sido um dia infernal, entrevista cedo, encontros de trabalho à tarde e eu, à socapa, a espreitar a mesa das palavras, ansioso por voltar a elas. Por que razão o tempo roubado à escrita me faz sentir culpado? É esquisito mas faz, não devia sentir-me culpado: acabo por estar nisto tantas horas, deixo a pele, deixo a alma nas frases, crucifico-me todo. Anoitece, acendo a luz, continuo. Tão cedo ainda para entenderem o que digo, perguntas estúpidas, interpretações parvas. Isto, sobretudo, nos jornais. Dos universitários só tenho a dizer bem, há um entendimento do texto muito mais profundo. Agora os artigozinhos de jornal, em regra, são uma miséria: opiniosos, superficiais, ignorantes, tão desonestos às vezes. E dão estrelinhas, os camelos, de mistura com uma ignorância de pasmar. Então o que vai ser hoje, jovem? Peço o jornal desportivo para ler enquanto como, um olho no prato o outro no futebol. Saudades de Garrincha: escrevia tão bem! Quando eu era miúdo e comprava os bonecos da bola o avançado centro do Elvas chamava-se Patalino. E um defesa do Olhanense Grazina. O guarda-redes do Sporting de Braga Cesário. O do Estoril Sebastião. Espero que estejam todos de boa e feliz saúde pela alegria que me deram. Você era lindo
e na época de Patalino, Grazina, Cesário e Sebastião, reconheço que era lindo de facto. Se eles voltarem a jogar prometo ser lindo outra vez."
(ANTÓNIO LOBO ANTÚNES, Crónica publicada na "VISÃO", Novembro 09)
Obrigada, isabel, salvaste-me o post de hoje :-)
domingo, 6 de dezembro de 2009
2 poemas do Fernando
Mais uma noite, amor
"Mais uma noite, amor. Ao recordar-te
retomo os fins do mundo, a cinza, os dias
manchados de outras lágrimas. Sabias
como eu a cor das sombras, essa arte
que nos engana agora e se reparte
por esquinas e cafés. Já não me guias
os muitos passos vãos, as fantasias
da minha falsa vida. Vou deixar-te
fugindo-me. Na chuva, sem ninguém,
apenas alguns vultos, o que vem
«e dói não sei porquê» -este deserto
onde te vejo, imagem outra vez,
até de madrugada. O que me fez
sentir o muito longe aqui tão perto?"
Apócrifo pessoano
"O eu sentir quando penso
e pensar enquanto sinto
origina um labirinto
onde me perco e convenço
de que tudo é indistinto,
de que o mundo se organiza
desorganizadamente
nos recônditos da mente
como uma ideia imprecisa
que quando se pensa, sente
e quando se sente, pensa,
numa confusão total,
num processo irracional
em que se esfuma a diferença
entre o que é ou não real.
Dos meandros disso tudo
nasce apenas um desejo:
distinguir o que não vejo
e é talvez o conteúdo
deste infinito bocejo
a caminho não sei de onde,
à espera não sei de quê.
Quem me ouve? Quem me vê?
A vida não me responde
e afinal ninguém me lê."
(FERNANDO PINTO DO AMARAL)
Foi um prazer e uma honra conhecer este senhor.
Obrigada, Fernando, por olhar para quem dá os primeiros passos.
"Mais uma noite, amor. Ao recordar-te
retomo os fins do mundo, a cinza, os dias
manchados de outras lágrimas. Sabias
como eu a cor das sombras, essa arte
que nos engana agora e se reparte
por esquinas e cafés. Já não me guias
os muitos passos vãos, as fantasias
da minha falsa vida. Vou deixar-te
fugindo-me. Na chuva, sem ninguém,
apenas alguns vultos, o que vem
«e dói não sei porquê» -este deserto
onde te vejo, imagem outra vez,
até de madrugada. O que me fez
sentir o muito longe aqui tão perto?"
Apócrifo pessoano
"O eu sentir quando penso
e pensar enquanto sinto
origina um labirinto
onde me perco e convenço
de que tudo é indistinto,
de que o mundo se organiza
desorganizadamente
nos recônditos da mente
como uma ideia imprecisa
que quando se pensa, sente
e quando se sente, pensa,
numa confusão total,
num processo irracional
em que se esfuma a diferença
entre o que é ou não real.
Dos meandros disso tudo
nasce apenas um desejo:
distinguir o que não vejo
e é talvez o conteúdo
deste infinito bocejo
a caminho não sei de onde,
à espera não sei de quê.
Quem me ouve? Quem me vê?
A vida não me responde
e afinal ninguém me lê."
(FERNANDO PINTO DO AMARAL)
Foi um prazer e uma honra conhecer este senhor.
Obrigada, Fernando, por olhar para quem dá os primeiros passos.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Lulices
Palavras do Presidente Lula, no dia 13 de Novembro, em que o governo anunciou uma queda na desflorestação da Amazónia:
“Então, essa questão do clima é delicada por quê ? Porque o mundo é redondo. Se o mundo fosse quadrado ou retangular, e a gente soubesse que o nosso território está a 14 mil quilômetros de distância dos centros mais poluidores, ótimo, vai ficar só lá. Mas, como o mundo gira, e a gente também passa lá em baixo onde está mais poluído (???), a responsabilidade é de todos”.
Posto isto, divirtam-se e bom fim de semana. Mas cuidado, não vão "lá em baixo, onde está mais poluído"!! Obrigada, Alice Vieira, por esta pérola.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Desamizade
A jornalista d' "O Público" Isabel Coutinho escreveu um artigo, onde incluiu alguns relatos de pessoas que se viram forçadas a cortar laços com alguém na Internet. Um deles é o meu. O artigo saíu n "O Público" de hoje. O meu pequeno contributo pode ler-se abaixo do subtítulo "Problemas não-virtuais" e começa assim: "Um homem que eu conhecia vagamente..."
Público - Desamigar é a nova palavraAproveito para recomendar o blog desta jornalista:
http://www.ciberescritas.com/
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Em estúdio
Hoje estreei-me em estúdio, não como cantora, mas como compositora. Foi muito boa, a sensação de estar do lado de cá do vidro, junto de pessoas que me perguntam se eu acho bem isto ou aquilo. Senti-me importante. É comovente ver a nossa "filha" crescer, tomar forma, surgir com o corpo todo. Não podia ter ficado mais bem entregue. Obrigada, Rita, pela tua voz. Obrigada, Ernesto, pelo bom gosto no arranjo. Ah, perdoem-me o orgulho de mãe!
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Talvez um dia
Quando me apresentam como cantora e escritora, fico desconfortável e com cara de parva, ao mesmo tempo que sinto o impulso de os corrigir. É indiscutível que existe um lado de escritor em quem, desde sempre, usou a escrita para se expressar, arrumar o mundo, observá-lo. Escrevo desde que me lembro: poemas, diários, cartas, pequenas narrativas. Sou escritora de gaveta, como sou cozinheira, mãe, dona de casa, amiga, filha, mulher, cidadã ou jardineira: os gestos que praticamos todos os dias descrevem as várias fatias da pessoa que somos e a forma como usamos o nosso tempo. O meu perfil no blog tem a ver com isso, com as actividades que devoram mais os meus dias, só por isso é honesto.
Hoje encontrei a palavra mais certa: escrevinhadora - uma pessoa que escrevinha. E já tratei de corrigir o meu perfil. Talvez um dia possa alterar essa palavra. Completá-la. Até lá, continuo a ser uma pessoa que escreve, não ainda uma escritora.
Hoje encontrei a palavra mais certa: escrevinhadora - uma pessoa que escrevinha. E já tratei de corrigir o meu perfil. Talvez um dia possa alterar essa palavra. Completá-la. Até lá, continuo a ser uma pessoa que escreve, não ainda uma escritora.
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