quarta-feira, 15 de setembro de 2010

acrobacias

Nos últimos dias fui filha a tempo inteiro, enquanto recebi pai e mãe na minha casa. Hoje tornei a mim, pus de parte mil cuidados, regressei ao egoísmo de quem se dedica às suas próprias vontades.
Espero que as duas pessoas que me puseram no mundo tenham saído daqui como de um ninho acolhedor. Curiosa, esta troca de papéis que o tempo traz. Ainda me sinto um filhote de ave que a cada instante tenta demonstrar as lições que aprendeu, um passaroco desajeitado mostrando à mãe exigente as acrobacias aéreas, o zelo com que foi tecendo o ninho, o lugar que conquistou num dos ramos do bosque.
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domingo, 12 de setembro de 2010

Bom Domingo!

Que saudades da doce e despreocupada infância, quando davam a Pantera Cor-de-rosa aos Domingos à tarde...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Merengue canino

Um pouco de boa disposição, neste dia de sol, com a semana prestes a terminar. Eu gosto é do ar feliz do cão, como se tivesse nascido para dançar o merengue... Obrigada, Bé, salvou-me o post do dia!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

fim de tarde

Em frente a uma sopa de peixe, ela olhava aquele rasto de luz entornado sobre o mar. Do outro lado da mesa, de cabeça e olhos caídos, ele vasculhava os menus da nova máquina digital, pois como ela bem sabia, não iria descansar enquanto não controlasse por completo o novo brinquedo.
O sol ia descendo, transformando  os contornos daquela estrada de luz derramada sobre as águas. Veio meia garrafa de vinho branco. O nível do copo descia a par dos raios do sol, cada vez mais encarniçado e definido, à medida que se ia aproximando da linha do horizonte. Chegou um gato a miar, como quem diz, Não têm aí nada para mim? Ela desceu a tigela até ao chão e incitou-o a lamber os restos da sopa de peixe. Desconfiado, o bicho chegou-se devagar e acabou por se render, enfiando o focinho na tigela. A noite anunciava-se. O sol deitou-se no fundo do mar, o gato foi-se embora e na memória da máquina digital nada mais ficaram do que testes de luz, experiências, e descoberta de novas funções.
- Porque não lês o manual em casa? - perguntou ela - o sol fartou-se de esperar e foi-se embora, olha...
E assim era. O mar deixara de ser prata salpicada de ouro irrequieto e era agora um manto cinzento e tristonho, a preparar a escuridão. Ao longe, o gato lambia os beiços, satisfeito pelo petisco do fim da tarde que, sabiamente, não havia deixado escapar.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Uma porta


Às vezes as coisas feias do mundo são belas.
Caminhando ao fim da tarde, detive-me junto desta porta e quanto mais a olhava, mais me parecia  - não apenas uma porta coberta de ferrugem e encaixilhada em cimento - mas um quadro outonal, um pântano dourado, os girassóis de van Gogh, derretendo. Às vezes as coisas feias são belas dentro de nós.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

sapatinhos vermelhos

Há pessoas que parecem ter calçados os sapatinhos vermelhos de Hans Christian Andersen, irresistíveis e diabólicos, que não conseguem descalçar. Então dançam, dançam sem parar, até tombarem exaustos, vítimas da sua excessiva ambição e vaidade. Todos temos de calçar os nossos sapatinhos vermelhos de vez em quando e dançar, dançar sem parar, ao som do tambor, ao ritmo da valsa, até quase nos amputarem os pés, com fez o lenhador. É bom ter cuidado e não deixar que nos mutilem a alma, amputando-nos a paz, o tempo, a simplicidade das coisas puras. Dancemos sim, ao som da melodia privada e muda que cada um conhece como o rosto de um velho amigo; e quando o tambor chegar, vamos pegar nas baquetas e tocar ao ritmo que habita dentro de nós. Sapatinhos vermelhos feitos de trapos, mesmo que sem lustro, mesmo sem a cintilação evidente das coisas vistosas…mas serão os nossos sapatos e nós, os donos dos nossos passos.

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domingo, 5 de setembro de 2010

Ilusões e distorções

pois é, não admira que o nosso conceito de beleza ande tão distorcido e as mulheres andem cheias de complexos, frustrações e batalhas perdidas...

sábado, 4 de setembro de 2010

Crónica de António Lobo Antunes

Goste-se ou não se goste do homem em questão ou dos seus livros e opiniões, a verdade é que tem ideias próprias e lança bombas às quais dificilmente ficamos indiferentes. Algumas coisas que diz dão que pensar, desarrumam conceitos e ideias bem instaladas na certeza. Se concordamos ou não com o que diz e escreve, isso é connosco. É preciso pensar e digerir. E contra mim publico esta crónica, que vivo também de dar oficinas de Escrita Criativa, um trabalho que adoro realizar. Inimigos? Deve ter uns quantos. Isso significa que não anda a passar despercebido por esta vida. Não, o António não tem papas na língua e todos sabemos disso. Eis a interessante crónica que escreveu há dias:

"A cabeça de um escritor é um sítio inabitável, cheio de sombras negras que se devoram umas às outras, remorsos, fantasmas, dores, insignificâncias em que não reparamos e ele repara, sensações, luzes, criaturas sem nexo. Usam o papel para ordenar este caos, vertebrar o desespero, dar ao ilógico uma coerência lógica e mostrar o nosso retrato autêntico em cacos de espelho, fundos de poço trémulos, superfícies convexas em que temos de emagrecer por nossa conta. Não se pode estender a mão a quem lê, tem de se caminhar sozinho num nevoeiro aparente em que, a pouco e pouco, as coisas se arrumam nos seus lugares. Em nenhum bom livro há personagens e história: quando muito aparência de personagens e história, usadas para tornar mais clara a vertigem do que somos. Tudo se passa no interior do interior e portanto não devia haver cursos de escrita criativa

(um paradoxo nos termos)

mas de leitura criativa. Conheço menos bons escritores do que bons leitores, um bom leitor é uma espécie muito rara. Um autor do século dezanove dedicava os seus trabalhos aos felizes poucos, expressão roubada a Shakespeare

(we few, we happy few, we band of brothers)

capazes de nadarem ao seu lado em águas muito escuras e de regressarem à tona de mãos cheias. Um livro é mais uma orelha que uma voz onde, no fim de contas, é o bom leitor quem conversa. O livro escuta. As páginas são ouvidos pacientes que nos guiam através da liberdade do silêncio, onde as nossas frases se reflectem e regressam com um sentido novo. O bom leitor só recebe na medida em que dá e a qualidade da obra depende desta troca constante, do fluxo e refluxo das emoções partilhadas. Temos de ser um agente activo do livro, fazê-lo nosso até que se torne, como queria Rilke de quem não sou admirador, excepto em raras passagens das Elegias, sangue, olhar e gesto. Se não for assim é uma comédia de enganos, um passatempo inócuo como quase tudo o que em Portugal se impinge, porque a maior parte dos editores ou são ignorantes ou são vigaristas, oferecendo ao público pacotilha impressa: um bom editor, tal como um bom leitor, é mais raro que um bom livro. Uma editora comercialmente bem sucedida é má, ou então tem de fazer compromissos. A casa alemã onde estou, por exemplo, possui um catálogo honesto, dividido em duas partes, literatura e best-sellers. O argumento temos de pôr as pessoas a ler é idiota: o que temos é de ensinar as pessoas a ler. Até Lenine compreendia isto, ao afirmar que a arte não tem de descer ao povo, é o povo que tem de subir à arte. Claro que não é apenas um problema português, é um problema universal. Pasmo com as listas dos tops:

ficção, dizem elas, quando a ficção não existe a não ser nas obras rasteiras. Se me dissessem que escrevia ficção sentia-me insultado: ficção que tolice, é o mundo inteiro que a gente mete entre as capas de um livro.

Vende menos? Decerto, mas há-de vender sempre. Se tivermos lado a lado, à nossa frente, Camões e o jornal, a tendência imediata é pegar no jornal, mas o jornal desaparece amanhã e Camões fica. Chamo jornalismo, explicava Gide, ao que é menos interessante amanhã do que hoje. E depois a Arte não é um desporto de competição: o editor que ponha numa cinta, por exemplo, cem mil exemplares vendidos, ou julga falar de sabonetes ou não é um editor. Se o livro for bom há-de vender muito mais do que isso: quanto terá vendido Ovídio até hoje? É apenas uma questão de tempo, porque os bons leitores existirão sempre, ainda que poucos. O que me aborrece na Arte são os comerciantes que giram em volta dela, sem lhe tocar, porque tiram o seu alimento do efémero. Faz pouco comecei uma biblioteca na empresa onde estou.

Tolstoi foi o primeiro: ao receber o livro impresso reparei que as últimas três páginas eram propaganda a lixo. Como se pode, no fim de um livro de Tolstoi, fazer aquilo? Desonestidade? Ignorância? Não faço ideia de quem é o responsável mas devia ter sido fuzilado no berço: Tolstoi de mistura com livros de cozinha e ficções. Recomecei a colecção: até agora não repetiram a indignidade. Pergunta:

­Como vão os livros da biblioteca?

Resposta:

Pingam

e ainda bem que pingam. Se vendessem às grosas é que eu ficava alarmado. Os bons livros são para pingar eternidade fora: o Mondego começa gota a gota; a água suja basta virar o balde e encharca-nos. A água do balde acaba logo. O Mondego não tem princípio nem fim.

­Pingam:

e que maravilha pingarem. À força de pingarem hão-de engrossar irrestivelmente, enquanto os baldes se enferrujam, amolgados, num canto do jardim.

E o que interessa

(volto à Gide)

o amanhã? A gente vive no hoje, pá, o Horácio que se dane. Que se dane a Coroa, o que vale a pena são as coroas e essas já cá cantam. O problema é que, se alguma nova editora aborda a minha agência, não começa por falar em dinheiro: fala nos nomes do catálogo. Todos eles pingam. Mas dão prestígio a uma Casa. Respeito demasiado o meu trabalho para o deixar à venda numa loja dos trezentos."
(ANTÓNIO LOBO ANTUNES, IN revista VISÃO, 22 Agosto 2010)

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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Chá

Especialmente para as minhas leitorAS, hoje tenho um jogo que me chegou através de uma amiga virtual, por quem tenho especial carinho, e que segue o meu blog desde que ele deu os primeiros passinhos.
Aqui vão as regras e as perguntas, com as minhas respectivas respostas. Depois de me lerem, façam o mesmo e espalhem entre os amigos "chazeiros", como um culto a esta bebida reconfortante, e para espreitarem novos blogs, de conteúdo variado, de gente boa que é um prazer conhecer.

1. Referir quem ofereceu o selo:
Isabel Preto, professora dedicada, com um blog absolutamente enternecedor. As suas filhas e os seus alunos são estrelas que a iluminam. Podem espreitar a sua página bem colorida aqui

2. Qual o teu chá preferido:
Earl Grey, claro! Só não o sabe quem não me conhece de todo...mas tem de ser de lata, à inglesa, e com um toque de leite.
Agora ofereceram-me um aromatizado com citrinos, hmm, cheira tão bem...! No Inverno, por vezes, gosto também de chá de maçã e canela, e também de Darjeeling, claro, mas o de eleição continua a ser o Earl Grey, com ou sem toque de citrinos. O cheiro e o sabor da bergamota são imbatíveis.
Acrescento que faço colecção de bules antigos e de latas de chá, uma mania que herdei da minha mãe: o prazer do chá e as colecções.
3. Quantas colheres de açúcar costumas usar?
Nenhuma! Mas confesso que adoço com duas pastilhas de sacarina...aspartame não, pois corre por aí que é uma substância cancerígena. Fica o conselho: se têm preocupações com a linha ou são diabéticas, procurem adoçantes à base de sacarina, e não de aspartame! Como não é fácil de encontrar, avanço que eu compro o da marca Huxol, no Continente.
À falta de adoçante, uso açúcar amarelo. Aos olhos da minha mãe, "não sou uma verdadeira apreciadora de chá". Desde a minha infância que, a cada vez que me vê pôr açucar ou pastilhas, que me diz o mesmo. Eu digo, Está bem, está bem, encolho os ombros e vou bebendo. Estranho paradoxo, não?

4. Passar o selo a seis pessoas.
Passo apenas a duas, pois muitas das pessoas que tenho em mente não têm blog. Ficam aqui os nomes de alguns familiares e amigos: a Maria João e o Pedro, a Isabel Matos, a avó Gegé, a minha mãe...e o meu filho Hugo, claro! Quem sai aos seus...

VOTOS DE BONS MOMENTOS DE PAUSA PARA TODOS, EM BOA COMPANHIA. PORQUE PARAR PODE SER UM PRAZER. UM BOM CHÁ É MEIO CAMINHO ANDADO.
Dedico este post à minha querida amiga Isabel Preto, claro.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

ombros e escombros

Há pessoas que são ombros. Não os têm apenas, como nós, que ruímos e que neles encostamos o nosso desespero. São pessoas todas feitas de ombro, um ombro imenso, que nos serve de almofada de gigantes ou deuses, para nela chorarmos a nossa indignação face ao mundo imundo.
Outras há que são sobretudo falência, obra inacabada, fracasso. O escombro, quando tudo desmaia em direcção à terra poeirenta.
Prefiro ser ombro a ser ruína, preciso de ser a mãe de braços infinitos e peito macio de planície, a ser o pássaro de asas feridas, de voo interropido pela poeira.
Não é fácil ser ombro, um ombro imenso, a dor de ser a mãe de mãos generosas é com certeza maior. Sofrer ou assitir ao sofrimento? O desencanto da certeza ou a angústia da dúvida? De que lado será melhor crescer?  Inconscientes na ruína, vamos ganhando corpo, subindo, subindo bem alto, até darmos conta de que também nós nos tornámos ombro, um ombro imenso, e que um inesperado bando de pássaros esvoaça à nossa volta, em busca de amparo.

Imagem: pormenor da "Pietà", de Michelangelo

terça-feira, 31 de agosto de 2010

promessa solene

Eu, Vera de Vilhena, prometo focar-me nos meus objectivos e fazer por cumprir uns quantos compromissos mais elevados, sem permitir que o tempo continue a escapar-me por entre almoços, jantares, redes sociais, tarefas caseiras, cães, família, amigos, vizinhos, sol, praia, piscinas e demais vícios e tentações desviantes.
Nem que o diabo arranque todos os cabelos...não estou para ninguém. Nem para mim. Fui-me.

Imagem: Nanã Sousa Dias

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Um pouco de loucura

A chuva fechou-me em casa e atirou-me para o forno e para os textos. Duas doses de biscoitos, revisão de novos capítulos que não são meus. Andamos todos a rever os ainda-não-livros uns dos outros. Revendo-nos nos outros, fazendo a revisão da matéria alheia, como loucos irresponsáveis ou pequenos deuses atrevidos arregaçando as mangas e metendo mãos na massa; sem conhecer a receita, sem balança nem medida, num ofício subjectivo como a descoberta e degustação de um sabor novo, misterioso. Como uma festa solitária sem convidados. Cozinheiros sem avental, armados com o nosso chapéu de pasteleiros, tentando não queimar mais uma fornada de palavras. Letras enfarinhadas, frases untadas com manteiga, bolinhas douradas de páginas que mastigamos com prazer, enquanto a lua se estende no céu com um sorriso matreiro e cúmplice como o gato de Alice.
A amizade sabe-me a biscoito. 
Escuto aromas, calco parágrafos, amasso ideias, e já a minha boca se adoça na expectativa de mais uma refeição honrada, na promessa do consolo de todos os meus sentidos. Guloso, o espírito brinda-me com uma chávena de Earl Grey com citrinos, aquecendo-me a alma enevoada e deixando-me no coração o doce perfume da bergamota.
Os convidados, leitores destes futuros livros, bebedores de todas as histórias sãs e loucas, estão para chegar a qualquer momento.
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Pingas e Pifos

Passámos a sexta na quinta. Um 2º take na propriedade do Afonso e da Teresa, que, como sempre, nos receberam com todas as honras e mimos. Conhecemos a Pinga e o Pifo, dois cães rasteiros e portáteis, tão diferentes dos nossos, mas que alegraram a tarde com a sua esperteza e genica impressionantes. Uma bolinha verde de borracha, carcomida pelas muitas dentadas e caninos cravados, fê-los correr sem parar, numa velocidade inesperada e cómica, que levantava poeira. Tomaram vários banhos de piscina connosco, sempre estimulados pela bolinha de borracha que não parava quieta nas nossas mãos. A Pinga sobe as escadas finas de madeira, de acesso à piscina, qual cão de circo e o Pifo é campeão de mergulho, atirando-se sem qualquer espécie de hesitação, para recuperar o seu brinquedo.
A adega foi devidamete fotografada com tripé, enquanto os miúdos apanhavam sementes de alcaparra, quais gnomos colhendo sementes de linho Mas o prato principal da tarde foram os passeios de moto-4. Andei à pendura com o meu filho, feito condutor rapagão, depois de devidamente instruído pelo dono da casa. É um natural. Circundámos a quinta, andámos pelo meio da vinha, comemos uvas directamente da parra, a cortar o sabor das sardinhas assadas do almoço. Os figos, infelizmente, ainda estavam pequenos, senão, teríamos trazido novo carregamento, como no ano passado. As peras estarão no ponto daqui a duas semanas e nós lá estaremos, para as saborear. Foi uma tarde e peras, não há dúvida. Obrigada, Afonso e Teresa. Foi muito bom.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Até lá

Caros blogueiros, vou estar sem internet até sábado. Ate lá, já sabem, portem-se mal se puderem, transgridam, experimentem, exprimam, expurguem...para desintoxicar a alma.
Eu vou estar aqui, no País das Fadas.

domingo, 8 de agosto de 2010

Um Domingo bem desenhado

Aula privativa de desenho ao domicílio (A Ana é um anjo), de onde saíu um saxofonista esforçado, à luta com as linhas e  as proporções.
Almoço no terraço, em que o guarda-sol fez as vezes de guarda-chuva, para nos abrigar do chuvisco morno e sujo destas águas tímidas e inesperadas: pão, pasta caseira de atum, queijo, salada italiana com tomate cherry da horta do Zé Manel e da Bé, vinho branco, fatia de bolo de anos de amêndoa, café.
Visita do Nuno e da Rita, a deixarem uma auspiciosa garrafa de branco de colheita tardia.
Eu e o meu filho escrevemos cartas para o Micas, que está no Mocamfe sem telemóvel, telefone ou computador: fiz chá para envelhecer três folhas de papel A4 e queimámos as pontas, para fazer uma espécie de papel Tolkiano ou mapa do tesouro, onde iremos imprimir as nossas cartas escritas em old english text e viner hand ITC, a puxar para o antigo.
Ao serão, depois do jantar que ainda não sei qual será, iremos ver o filme "The Talented Mr. Ripley".
Enfim, um Domingo difícil e muito stressado.

domingo, 1 de agosto de 2010

Ilusão de piscina

A bolacha de cimento manchada de água que fotografei da varanda (e que, vista assim, dá a ilusão do próprio nome da casa) ficou esta semana para sempre encoberta - não por uma nuvem - mas pela piscina que já tardava - é agora uma lua encoberta por uma pesada nuvem em estado líquido. Escrevi-lhe uma pequena ode:

"Ilusão de piscina"

É ilusão de uma piscina
Nesta casa sem terreno
Não é longa nem é fina
Mas pretende ser piscina
Neste lugar tão sereno.

Oito faces de madeira
Dão-lhe forma arredondada
Nada de saltos, balanços
Temos que andar bem mansos
P'ra não a ver desarmada!

Várias formas há de vê-la
Do orgulho ao preconceito
Estamos contentes por tê-la
'Inda que ao entrarmos nela
Nos dê água pelo peito...

O melhor é ir embora
Se o desejo é nadar
No máximo, duas braçadas
Em movimentos contrários
Sem sairmos do lugar.

Temos salas, temos quartos
E uma enorme cozinha
Mas quando o calor aperta
A visita é mais que certa
À ilusão da piscina.

(dedicada à nossa querida amiga Rita G.)

sábado, 31 de julho de 2010

Onde mora a felicidade

Quando tiverem tempo, escutem atentamente as várias partes desta pequena conferência (20 min.) do monge de origem francesa M. Ricard, escritor, tradutor (intérprete de Dalai Lama) e fotógrafo. Um homem admirável que tem sábios conselhos para nos dar. Dedico este video à Pilar, que faz anos hoje. Parabéns, Pilarinha.