terça-feira, 1 de março de 2011

Dois anos

Caros blogueiros, este blog completa hoje dois anos. Para festejar convosco, venho convidá-los a que escrevam um texto ou simples comentário, dizendo porque o visitam, o que esperam encontrar, quais as vossas impressões e posts com que mais se identificaram, enfim, o que quiserem. Podem sugerir outros blogs que costumem seguir, partilhar uma ideia, dar sugestões. Fico à espera!
Saudações virtuais

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Patrícia Reis

Dia 5 nas livrarias, o novo Mistério do Micas. É bom, está no Plano Nacional de Leitura e recomendo a pais, professores, tios, avós, padrinhos e miúdos que, como eu, sejam malucos como eu era, para gastarem a semanada ou a mesada em livros. O mistério, desta vez, é no Oceanário! Edição Planeta Júnior.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Houdini


O alívio não durou muito: dois dias depois de construída a vedação, o Chico encontrou novas formas de saltar o muro. De volta para a oficina, para vedar as partes mais altas...e tu, Chico, de volta para a corrente...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Pedro Tamen


"Com minha mão puxo a linha
junto-lhe a boca a ajudar,
e já não sei qual mais minha:
se a boca se o meu puxar"

Pedro Tamen, tradutor e poeta, venceu o prémio Literário Correntes d'Escritas 2011, instituído pelo Casino da Póvoa do Varzim, com a obra “O livro do sapateiro” editado pela Dom Quixote.

"O júri, constituido pelo escritores Fernando Pinto do Amaral (director do Plano Nacional de Leitura), valter hugo mãe, Almeida Faria, o jornalista Carlos Vaz Marques, a directora da revista "Egoista", Patricia Reis, distinguiu a obra de Tamen, por entre outras nove a concurso.


Entre eles estavam “O viajante sem sono” do Padre Tolentino Mendonça editado pela Assirio e Alvim, “Guia de conceitos básicos” de Nuno Judice editado pela Dom Quixote; “A inexistência de Eva” de Filipa Leal da Deriva ou “Curso intensivo de jardinagem” de Margarida Ferra da editora E etc

O prémio das Correntes é atribuido um ano à prosa, outro ano à poesia. Em 2009, tinha sido distinguido o poeta Gastão Cruz com a obra “A moeda do tempo”.
"O anúncio deste ano foi feito por Patricia Reis que em vez de explicar as razões do juri, optou por simplesmente dizer que é uma “obra maravilhosa” e leu um dos poemas de “O livro do Sapateiro”."

Roubei este texto no blog da Rádio Renascença, aqui

Pedro Mário Alles Tamen nasceu a 1 de Dezembro de 1934, em Lisboa. É licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, foi director da Editora Moraes e administrador da Fundação Calouste Gulbenkian. Entre 1987 e 1990 foi presidente do PEN Clube Português."
 
Em entrevista à LER, disse:
 
“As relações humanas não são um rio pacífico e sereno.”

“Nós somos actores das nossas vidas e dialogamos com os actores que estão ao nosso lado mas nunca, até ao fim, é perfeitamente clara a relação que estabelecemos com os outros, com os comparsas, com os companheiros ou com as companheiras.”

“A gente nunca aprende nada. O que o tempo e a vida fizeram foi permitir-me experimentar essas dificuldades [de comunicação] e fazer-me reflectir sobre elas, senti-las na pelo e tentar ultrapassá-las.”

“Mesmo aqueles que a gente não pode definir como vaidosos descaem inevitavelmente para falar de si mesmos. As pessoas levam-se muito a sério.”

“Os poetas, no seu reduto próprio de poetas, não são tipos normais. Em princípio, o poeta é aquele que vê um bocadinho mais do que os outros. Ou que, pelo menos, é capaz de exprimir coisas que vê e que os outros, mesmo quando vêem, não são capazes de formular. Estou a falar tanto dos poetas como dos artistas em geral: músicos, pintores, etc. A poesia é, para mim, um permanente arranhar o mundo, com unhas na cal, para tentar encontrar coisas que se pressentem por detrás do branco uniforme do mundo e da vida.”

“As pessoas estão muito mais dispersas, cada vez tratam mais ou pensam mais em tratar das suas vidinhas.”

“Há um endeusamento de falsos valores.”
(in Revista LER, Círculo de Leitores, Fevereiro 2011, em entrevista dada a Carlos Vaz Marques)

Roubei as citações da entrevista aqui

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Eduardo Lourenço

Ontem à noite, em directo pela RTP, ao receber o Prémio Autor Nacional da SPA/RTP 2011, Eduardo Lourenço brindou-nos com um discurso maravilhoso, que só podia nascer de um espírito superior como o seu. Lembrou-me a prosa de Saramago, tecida palavra a palavra, morosamente, com as suas frases longas, onde cada vocábulo tem um destino perfeito. Começou por um silêncio que deixou a sala de pulmões cheios, em suspenso. Ninguém se atreveu a respirar antes que o pensamento de Eduardo fosse verbalizado. E quando, ao fim de generosos segundos, iniciou o seu discurso, foi como um néctar precioso, um hidromel vertido gota a gota, sem nunca perder o rumo ao que pretendia partilhar com todos nós, que o escutávamos com um imenso respeito.  Mostrou-nos, com aparente lentidão, a torrente de ideias que lhe habita o cérebro ainda ágil. Ensinou-nos que a pressa não tem qualquer sentido e que podemos ser donos do tempo. No fim, vi muitos olhos brilhantes, iluminados pela renda delicada que saía da sua boca, como um novelo prateado nas mãos de um deus.
Parabéns, querido Eduardo, por este prémio tão merecido. Estamos gratos pelos livros e entrevistas com os quais nos enriquece, e somos mais ricos por testemunhar os seus muitos ensaios para compreender o país em que vivemos, o mundo e o pensamento humano.

Roubei a imagem aqui

domingo, 20 de fevereiro de 2011

À Cristina e ao "Vinicius Vinho e Vícios"


TEMPO FELIZ

Feliz o tempo que passou, passou
Tempo tão cheio de recordações
Tantas canções ele deixou, deixou
Trazendo paz a tantos corações

Que sons mais lindos tinha pelo ar
Que alegria de viver
Ah, meu amor, que tristeza me dá
Vendo o dia querendo amanhecer

E ninguém cantar
Mas, meu bem
Deixa estar, tempo vai
Tempo vem
E quando um dia esse tempo voltar
Eu nem quero pensar no que vai ser
Até o sol raiar
(VINICIUS DE MORAES)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Lendo...

"Uma pessoa sempre responde com a sua vida inteira às perguntas mais importantes. Não importa o que diz entretanto, com que palavras e argumentos se defende. No fim, no fim de tudo, com os factos da sua vida responde às perguntas que o mundo lhe dirigiu com tanta insistência (...) Quem és tu?... Que querias realmente?... Que sabias realmente?... A que foste fiel ou infiel?... A quê ou a quem mostraste ser corajoso ou cobarde? ... (...) O importante é que no fim, uma pessoa responde com toda a sua vida."
(SÁNDOR MÁRAI", in "As velas ardem até ao fim"

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Kseniya Siminova

Kseniya Simonova foi a vencedora da edição Ucraniana do Ukraina Got Talent. Fez uma animação da invasão da Alemanha na Ucrânia durante a Segunda Guerra Mundial, tendo usado os dedos e uma superfície com areia. São 8 minutos de arte em mãos juvenis, às quais não conseguimos ficar indiferentes. O efeito é simplesmente maravilhoso, como poderão ver. 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Chuva

Nove horas da manhã. Instalada no sofá, lendo "As velas ardem até ao fim", de Sandór Marai, vejo a luz esmorecer, como se o relógio tivesse avançado várias horas e o tempo saltado para o fim da tarde. O ar tornou-se espesso, a página amarela, de papel antigo. A chuva abateu-se, aliviando o peso excessivo do céu, para devolver a luminosidade e a brancura ao papel. Entreabri a janela para sentir o cheiro da terra húmida. A tijoleira mais escura, as folhas verdes pingando, gota a gota, sobre os pés de plantas e flores enterrados em grãos cor de café. Torno a fechar a janela e regresso ao meu livro. O serra da estrela olha-me pela vidraça, arfando sem sentido, graças ao seu eterno casaco de pelo generoso, tricotado para paisagens feitas de neve. Sacode o corpanzil inteiro, de vez em quando, indiferente ao desconforto. Quer entrar, não para fugir da chuva, mas para se deitar aos meus pés, armado em bicho fiel. Não deixo. Está de castigo, como o sol, encerrado num quarto escuro feito de nuvens de antracite, que sufocam o seu calor. O musgo cresce, cobrindo a pedra, avançando sobre as ranhuras do muro. Tudo se transforma em água, tudo imerge sob a chuva sem fim, até que me sinto cavalo-marinho dentro da minha própria casa e avanço entre páginas feitas de algas e corais.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Rosário Alves


Pingos de Luar: É tão tarde que ainda é cedo

"Desperta-me um cansaço antigo
anterior ao parto das sombras por uma luz
ainda prenhe de noites

os passos que sinto mansos como algodão
são os da madrugada ainda umbilical

é hora de olhar em volta
de buscar na claridade insone
a consistência do andar

ergo-me
desequilibro-me
caio

aninho-me nas raízes descalças das árvores
onde o Inverno sempre me acolhe

volto a sentir o calor secular
e.terno da terra
a luz permanece irrepreensível no interior
humedecido das pálpebras

um pouco mais, penso
é tão tarde que ainda é cedo...

repouso as pestanas no rosto
com a luz apontada à alma
e adormeço os sentidos
...cinco."

(in blog "PINGOS DE LUAR", cujos poemas inéditos são da autoria de ROSÁRIO ALVES)

Casamento

"O casamento não são duas pessoas a olharem uma para a outra, são duas pessoas a olharem para o mesmo caminho."
Obrigada, P.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Henry James

Ao terminar "A Fé de um Escritor". de Joyce Carol Oates (muito bom), retomei a leitura de "Autor Autor", de David Lodge e estou a achá-lo maravilhoso. Ficamos a conhecer Henry James por dentro (e muito da vida dos seus contemporâneos). Concluímos que a vida literária é um abismo de emoções, incógnitas, frustrações, contradições, surpresas e reviravoltas. Uma angústia quase constante relativa à reacção do público e da crítica. Um poço de ansiedade quanto ao reconhecimento. Descobrimos, neste livro que ultrapassa a mera biografia romanceada de Henry James, o lado perfeitamente humano do escritor que, afinal, sofria com as mesmas angústias que nós, que sentimos necessidade de escrever e ansiamos por retirar os nossos textos da gaveta e expôr o lado mais sincero, para que gostem de nós.
Não basta talento ou ser-se genial como o autor d' "A fera na selva", cujo alerta passamos a compreender, depois de ler esta biografia. É preciso trabalhar muitíssimo. Estarmos dispostos a fazer, refazer, cortar, virar do avesso e, sobretudo, esperar. Esperar muito tempo...e não esperar grande coisa.
Valerá a pena?
Claro que sim, se escrever for uma necessidade. O resto, será o inevitável.
No fim, só Deus e o tempo saberão o que o autor irá colher da sua obra e se esta ficará na memória dos leitores de gerações futuras. Afinal, as interrogações têm também o seu lado criativo e sedutor. E se o escritor se interroga quando escreve, procurando respostas, a sede do leitor e o que procura quando lê permanecerá para sempre um mistério.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Becoming Jane

Vi-o esta tarde, pela primeira vez. O filme deu-me tudo o que eu esperava: a reprodução da época, as mansões maravilhosas, as paisagens, os costumes e décors e, claro, uma visão mais íntima da mulher que foi Jane Austen, antes de se tornar numa grande escritora.
Continuo uma romântica sem remédio.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ana Laíns

Conheci a Ana ontem, a horas tardias, numa actuação expontânea num bar em Sintra, entre amigos. Fiquei rendida: à simpatia, à atitude, e sobretudo à musicalidade e afinação impressionantes. À  VOZ. Já tem dois discos de fado gravados e eu nunca tinha ouvido falar dela. Algo falhou. Este video dá uma amostra do que vi e ouvi ontem da sua figura e da sua voz. Quando cantou o refrão: "Ó gente da minha terra / Agora é que eu percebi..." deixou-me arrepiada e de lágrimas nos olhos, coisa que não é fácil. Não imita ninguém e dá tudo o que tem quando canta. Obrigada, Ana, pelos momentos de emoção que nos proporcionaste ontem. Desejo-te o maior sucesso: bem que mereces.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Augusto Brázio

Milhares de fotografias de Augusto Brázio para construir este teledisco de David Fonseca, realizado por ambos: "Hold Still", com Rita Redshoes. (2005) Sim, é lamechas e a lamechice (às vezes) é como o que é Nacional: o que é lamechas é bom.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ser feliz ou ter razão?

(INÍCIO DE CITAÇÃO)
"Oito da noite, numa avenida movimentada. O casal já está atrasado
para jantar na casa de uns amigos. O endereço é novo e ela consultou no mapa antes de sair. Ele conduz o carro. Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda. Ele tem certeza de que é à direita. Discutem. Percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado.
Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado,  enquanto faz o retorno. Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados.
Mas ele ainda quer saber:
- Se tinhas tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco mais...
E ela diz:
- Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!
MORAL DA HISTÓRIA
Esta pequena história foi contada por uma empresária, durante uma
palestra sobre simplicidade no mundo do trabalho. Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente, de tê-la ou não. Desde que ouvi esta história, tenho me perguntado com mais freqüência: 'Quero ser feliz ou ter razão?"
Outro pensamento parecido, diz o seguinte: "Nunca se justifique; os amigos não precisam e os inimigos não acreditam".
(FIM DE CITAÇÃO)
Obrigada, Rute.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Adeus, John Barry

O compositor John Barry, conhecido pela banda sonora de todos os filmes do Agente 007, deixou-nos. Autor da música de "Midnight Cowboy", ou de "Danças com Lobos", foi, a meu ver, no filme "Out of Africa" ("África Minha") que se mostrou mais inspirado. A sua música diz tudo.

Parabéns, Isabel! :-D

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domingo, 30 de janeiro de 2011

Orgulhos

Tirada anteontem, por Nanã Sousa Dias.
Vejam a foto publicada aqui, para apreciarem melhor a definição e o contraste. Não é digital...
Informação adicional:
Homemade 4x5" point-&-shoot camera, Fomapan 100 Fomapan 100, Cokin Red, Schneider Super Angulon 47 mm XL

sábado, 29 de janeiro de 2011

Clube dos Escribas

A nossa Captain apareceu com uma caixa de bolinhos sortidos, água e cafézinhos para quem quisesse e um presente inesperado: um livrinho de encadernação artesanal com todos os nossos textos! Soltámos "Ohs!" e "Ahs", lemos os textos mais recentes, alguns que ainda não conhecíamos.
Agasalhámo-nos bem e saímos para a Praça do Saldanha, a cumprir um plano que vinha sendo adiado desde a segunda sessão, devido ao mau tempo. A P. mandou-nos sentar nos bancos da paragem de autocarro, atravessou a rua e foi colocar um dálmata de loiça, daqueles bem pirosos, perto do duque de pedra. Em tamanho real, de cachorro com 4 meses, ele ali ficou, meio desamparado, sem saber o que fazer. As pessoas olhavam para a P. e para o seu saco de cartão vazio, julgando-a louca; olhavam para nós, que observávamos o espaço e o ambiente à nossa volta e tomávamos notas. O que estaria este grupo de malucos a fazer? A praça era a de sempre, qual era a novidade?, sem perceberem que meia hora mais tarde iria transformar-se no que fizéssemos dela. Regressámos à pequena sala da 004 e à nossa clarabóia, que nos ilumina. Escrevemos e lemos para os outros o nosso texto. Como sempre, os olhares foram distintos, cada um com a sua voz.
Chegou um pastel de nata com uma vela e cantámos os parabéns à Dada, que fez anos ontem.
Logo depois a Mestra surpreendeu-nos com outro exercício: tu, Dada, vais escrever sobre o Pedro, tu Miguel, vais escrever sobre a Margarida, tu Ana, sobre a Rute, tu Vera, sobre o João, e os outros...vice-versa, claro. Foi aí que se abriram as torneiras. Uma choradeira pegada!
Houve um pequeno discurso dedicado a cada um: o que aprendemos, o que representa a nossa escrita, o que se modificou em nós. Mais lágrimas. Guardei o meu guardanapo amarelo, húmido de emoções, dentro do livrinho-surpresa. Sentimentalismos.
No fim, o concenso e o alívio: a confirmação de que continuaremos juntos aos sábados de manhã, em encontros um pouco mais espaçados. Iremos escrever mais, trabalhar mais, colaborar nos projectos de escrita de cada um.
Os dados estão lançados, os laços foram criados. E é por isso que iremos continuar a encher de palavras as nossas folhas brancas e  tornar mais sinceros os nossos dias.
Dedico este texto a todos os escribas e em especial à nossa Oh Captain, my Captain: Patrícia Reis.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Isto é que era!

Vejam e partilhem, antes que o senhor apareça morto ou estranhamente abastado...de patente vendida a quem fecha o segredo a sete chaves, porque isto de carros movidos a ar estragaria o negócio a muita gente.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Rute Reimão

Neste dia bem-vindo de Primavera, depois de tanto frio, escolho esta ilustração belíssima da RUTE REIMÃO, publicada na revista Pais&Filhos, por ocasião dos 20 anos da revista. Muitas das ilustrações da Rute, cujo trabalho eu amo, inspiram histórias, só por si, e são assim, generosas no efeito visual, no impulso de um sonho, à mistura com coisas dos tempos antigos, onde se escondem caligrafias de tinta permanente e trapos das nossas bisavós.
("Quando os filhos deixam o ninho", RUTE REIMÃO)

domingo, 23 de janeiro de 2011

O Clube dos Escribas

Roubei este texto que me comove do blog da PATRÍCIA REIS. Tenho a honra e a sorte de pertencer a este "clube" e depois de três sessões não posso deixar de copiar o que a nossa "Mestra" escreveu a propósito da partilha de ontem:
"Releio tudo com calma e cuidado. Assinalo aqui e lembro-me da primeira sessão e da forma como na terceira nos lambuzámos de doce de abobóra que a Vera trouxe em pão ainda morno. Trocámos ideias e histórias, colocámos a imaginação ao serviço da escrita e fomos por aí, sem merdas. Sim, sem merdas. Nada de grandes teorias ou prelecções sobre pontuação. Admirar a história, a viragem da história, esquecer o padre e ver a terrorista, pensar em ser um banco de jardim ou um sem abrigo, querer apanhar o norte e só sair às quartas-feiras, ter saudades de um amigo e escrever sobre isso e sobre a morte, expôr o melhor, o que nos vai na alma. A escrita de um é de todos. Nada podia ser mais gratificante.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Doce de abóbora

Esta é a abóbora que tenho na minha cozinha, e com a qual irei fazer compota. A sopa de grelos, com courgette, alho francês, nabo e muitas cenourinhas está ao lume, a apurar. Lá para o fim da tarde vou ao TPC do curso de Escrita Criativa e passear os cães ao pinhal. Há dias assim, caseiros, caseiros.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Filosofices V

Se eu voltasse a ser uma criança, havia de querer fazer uma série de perguntas que na altura não me ocorreram. Agora que sou crescida, até parece mal, mas mal que pergunte...

Versão é um verso muito grande?

Uma cancela cancela o quê?

E porque é que o penteado é tão parecido com o enteado, se não tem nada a ver? Ou tem...? Pente, de pentear? Pentear o enteado? Não percebo quem patenteou isto.

Se disser que estou renitente é porque sofro de uma crise de renite?

E se os preços não forem grande coisa, podemos dizer que é um preçário precário?

A mim é-me indiferente que o "eme" seja Maiúsculo ou minúsculo, jáime les mots, mas sempre ouvi dizer que o tamanho não é importante, que se geme à mesma.

Se me falares em despiste automóvel quer dizer que o deixaste nú? Vestiste o vestido é um pleonasmo? Despiste é verbo ou substantivo? Ai, não percebo nada.

E as ameias e merlões dos castelos? Isso então é que é mesmo confuso: os merlões, se forem cortados em bico, chamam-se merlões chanfrados, o que é de loucos, e nunca tive a certeza se as ameias eram a meias ou não...

Pronto, isto era o que eu perguntava se fosse criança, mas agora sou crescida, já não dá.

(pesquise em "Filosofices" I, II, III e IV para mais)

domingo, 16 de janeiro de 2011

Sem a letra "U"

Na 2ª sessão de Escrita Criativa com a Patrícia Reis, tivemos dez minutos para escrever a história da Lebre e da Tartaruga...sem utilizar a letra "U". Julgam que é fácil? Bom, pior seria sem a letra "A", mas mesmo assim há uma palavra que faz uma falta terrível.
Tive dois erros, sem direito a chocolate. Vejam lá se dão com eles :)

"Era a vez da história sobre a lebre e o cágado postos na linha de partida para achar o vencedor.
Esta narradora encontra-se em estado de terrível aflicção por saber-se proibida de escrever a vogal do fim das cinco vogais, tornando impossível este exercício!
Lá estão eles, a lebre e o cágado, e não passo disto. Eles na grelha de partida, sem poder arrancar, sem paciência, receando já não sair do mesmo sítio...enfim, o disparo! Lá vão os dois. O mais veloz deixa o rasto de poeira para o réptil? Anfíbio? comer, e desaparece no horizonte. O cágado, coitado, arrasta-se com vagar e avança devagar...mas avança, a defender o ditado que protege e explica a meta dos mais vagarosos.
Bem adiante, perto do maior dos chaparros, a lebre pára para coçar a orelha direita e dormir a sesta merecida. Acorda e constata que o cágado vem a chegar e, espantada, dá novos saltos e corridas, mas tropeça, cai e parte a pata direita da frente. Chorosa, deixa-se ficar, lamentando o azar que teve.
Entretanto o cágado chega e vence, na glória dos lentos!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Em água e sal

Marco Rodrigues no seu mais recente álbum. Letra de Inês Pedrosa, música e arranjo de Tiago Machado.
Uma lufada de ar fresco naquilo que considero estar meio saturado, o fado, e que precisa ser reinventado...como aqui o foi, tâo bem, de tantas formas.
Obrigada, Patrícia.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Gavetas

Para ilustrar a palavra de ordem entre os escribas (eles sabem quem são), trago um texto que tenho em gaveta, porque somos assim, como o quadro de Dalí, compostos por gavetas irregulares e semi-abertas (ou semi-fechadas?) na solidão de um quarto, pedindo uma espécie de socorro ao mundo que vive lá fora, sob a luz, num gesto de mão que não sabemos bem se representa aceno e convite, medo ou proibição. E o corpo assim, descarnado, o esqueleto quase em exposição, cada gaveta uma costela.

Quando era pequena, tinha a mania de bafejar os vidros das janelas e fazer desenhos. Era uma maneira de matar as horas de inverno e fazer alguma coisa alegre daquela condensação fria e triste, enquanto se ia revelando o mundo lá fora, à medida que o desejo avançava. Recordando isso, saíu-me isto...
Hálito

Sou criança sem recreio
Atrás de um vidro de inverno

Lanço pequenas nuvens brancas
Sobre os olhos desta casa

Na tela limpa, sem receio
Transformo os dedos em pintores
No hálito morno das minhas asas
Desenho amores que desprezei
No longo inferno das minhas dores.

Em dias maltratados
Limpá-los, é tudo o que sei
Com aerossóis e jornais do dia
Onde letras miúdas de injuriados
Contam a ofensa das fortunas
Dos submarinos e foguetões
Pontes e estradas e até carris
E fecho a janela, com débil prudência
Ao mundo de bandidos e ladrões
E temo escapar por um triz

Já não traço sóis nem tantas meninas
Não trago amores nem luas frias
Não espreito as abelhas nas flores do jardim
Escondida à janela cristalina
Escondida do mundo, perdida em mim

A pureza teimosa do vidro
Que os meus dedos já não embalam
Quer ser jardim, menina, cupido
Mas ao olhar as lágrimas frias
Escorrendo em gelo derretido
Só vejo ruas, olho os candeeiros
E a cinza invernosa, sem abrigo
E, ai de mim! Terei de os limpar
Quando a janela deixar de chorar

Os olhos da minha meninice
Não são anseios, não são retiros
Nas mãos confirmo um novo pesar
As sombras risíveis da velhice
E guardo o meu hálito já crescido
Para a amargura dos meus suspiros

(Poema meu, Setembro 2010, imagem: "O Contador Antropomórfico", 1936, SALVADOR DALÍ)

domingo, 9 de janeiro de 2011

Julie&Julia

Ontem à noite vi este filme, que desconhecia. Maravilhoso e divertido. Mais um papel fantástico de Meryl Streep, que representa o papel da Chef de cuisine Julia Child. A actriz Amy Adams, que faz de Julie Powell e em quem reparei há poucos dias no filme "A Vida Num Só Dia", é surpreendente. A realização de Nora Ephron é feminina quanto baste e sem mácula, como sempre. Uma parte da acção é passada nos nossos dias, outra ilustra magnificamente os Anos 50. Aconselho vivamente, a verem "Julie&Julia", baseado em duas histórias verídicas e a terem o frigorífico e/ou a despensa recheados, pois dá cá uma fome...!
Bon appétit!

sábado, 8 de janeiro de 2011

Escrever com a Patrícia

Cheguei ao Atelier 004 dez minutos atrasada. Com estudos feitos na Escola Alemã, (que é conhecida pelo seu alto grau de exigência e rigor), a Patrícia fugiu à postura "portuga" e lia já um excerto do livro "A Fé de um Escritor", de Joyce Carol Oates. Sobre a mesa, pastas com folhas A4, canetas e lápis, água, cafezinho e bolos! O riso foi uma constante, os textos foram nascendo, com emoção à mistura. Ela a insistir: não vou ensinar-vos a escrever. Mas pôs todos a escrever e é isso que importa. Disseram-se coisas como: Somos pessoas diferentes todos os dias, Estás proibida de deitar fora o que escreves; Para a próxima sessão, trago Vodka preto!
Espreitámos a vida uns dos outros, para nos conhecermos, através das perguntas que a Patrícia ia fazendo a cada um de nós.
Serão quatro sessões apenas. Uma oficina de escrita criativa que poderá estender-se a mais sessões, tudo depende de nós e do ritmo das palavras.
Foi uma forma excelente de passar esta manhã de sábado. Regressei com um exemplar do último número da "Egoísta", dedicado à fotografia (desta vez só imagem, sem texto) e quando cheguei a casa já tinha pedidos de amizade no facebook da parte de alguns dos meus colegas de curso. O trabalho de casa ficará para amanhã. Ficou a vontade de que a semana tivesse mais sábados, para estar lá outra vez em breve, muito breve.
Obrigada, Patrícia, por me levares sempre mais longe.

Coelhíssimos

Ontem revi o filme "Miss Potter", que AMO. Quando o vejo tenho mais uma vez a nítida sensação de que nasci na época errada, de que a minha alma está ali, naqueles lagos, naquelas quintas e paisagens, e que, como Beatrix, fugi da cidade para o campo na tentativa de ser mais feliz. Nada do que tenho se compara ao que encontro neste filme, mas ando um pouco mais próximo. Fiquei com vontade de encomendar "The Complete Works of Beatrix Potter" pela Amazon, juntamente com a sua biografia que inclui ilustrações das várias quintas que comprou e habitou, no Lake District, a fim de preservar a vida rural e agrícola e evitar que as propriedades fossem repartidas e vendidas para construção. Preciso de verde, muito verde na minha vida: vegetação e esperança em grandes quantidades.
Ao pesquisar sobre a vida e obra de Beatrix Potter (nomeadamente sobre a personagem Peter Rabbit) dei, algures num qualquer blog, com estes exemplares gigantescos e fofíssimos. Quanto a vocês, não sei, eu sou incapaz de comer coelho. Olhem para estes bicharocos e digam-me lá se não tenho razão...
Para lerem o artigo completo e ficarem a conhecer melhor este último "coelhinho", venham aqui

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O carteiro

O carteiro parou com a sua mota junto do muro e buzinou insistentemente. Julguei que tinha alguma encomenda para eu assinar, mas não. Estava preocupado com um dos cães que, preso com a longa corrente, estava equilibrado no muro arredondado, acima do seu capacete preto. Ladrava o serra da estrela, ladrava o cão de caça empoleirado, e ele continuava a buzinar e a gritar "sai daí, ó!". A rir, da janela cá de cima do quarto, dei-lhe os bons dias e sosseguei-o:
- Não se preocupe, ele faz isso a toda a hora!
Com cautela, sempre a sorrir, o carteiro colocou o correio na caixa, cuidando que o serra, cuja cabeçorra aparecia intermitentemente sobre o muro, ao nível da mão dele, não lhe desse uma dentada amigável. Gritei-lhe ainda um Obrigada! e ele arrancou na sua mota de alta cilindrada com buzina de automóvel, depois de me acenar um adeus.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

"A piece of cake"

Pessoalmente, prefiro bolo-raínha, à base de frutos secos, sem as frutas cristalizadas, mas o bolo-rei é muito mais bonito sobre a mesa.
Tirem uns minutos para comer uma fatia e fazer um brinde. É fácil, porque a tradição ainda é o que era...se quisermos.
Desejo a todos um feliz Dia de Reis.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Inverno

A vela de canela acesa, a chávena de chocolate quente sobre a mesa, a chuva lá fora, Debussy a preencher o silêncio. O tic-tic-tic dos indicadores no teclado, o texto que avança, o tempo que se vai consumindo na paz destes dias de inverno.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ai

Uma pilha de roupa em atraso, a chuva que não pára, um espirro permanente na ponta do nariz, a caixa de kleenex ao lado. Ai.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Feliz Ano Novo

Das coisas mais maravilhosas que já ouvi na minha vida. Que vos sirva de inspiração e consolo para estes tempos difíceis.
Dedico este video ao meu filho.
Obrigada, Nanã.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Balzac (1799-1850)

Depois da euforia natalícia, os dias tornaram a ser vulgares. Para sair da minha vulgaridade, descubro a vida e a obra de Honoré de Balzac. 
Escreveu mais de uma centena de obras, muitas delas menores, assinadas com pseudónimo, para ganhar dinheiro e pagar dívidas. Aos 27 anos já tinha escrito nove romances. Só a colecção "A Comédia Humana" inclui 95 obras acabadas e outras 48 que não chegou a terminar. Entre outros géneros escreveu peças de teatro, novelas, contos, panfletos e tratados filosóficos. Isto só assim, para vos dar um aperitivo.
De origens modestas, foi desprezado e entregue a uma ama. Na sua primeira infãncia, esteve quatro anos sem ver a família, a favor do seu irmão mais novo, filho ilegítimo do amante da mãe (é preciso ver que a senhora fora dada em casamento aos 21 anos com um velho de mais de cinquenta, como paga de negócios e que por isso nunca foi capaz de amar o marido ou de lhe ser fiel).
Mais tarde, à excepção da sua progenitora, burguesa com negócios mercenários, que lhe emprestava dinheiro à distância (sim, emprestava, o filho chegou a dever-lhe 50 mil francos!) teve pouco ou nenhum apoio da família. O pai mandou-o para um colégio interno bastante austero e rigoroso onde Balzac, com uma mesada ridícula (que mais tarde o pai cortou), passava vergonhas junto dos colegas mais abastados. Era mau aluno, indisciplinado, e mandavam-no frequentemente para uma masmorra, de castigo. Foi aí que aproveitou para ler tudo o que apanhava pela frente, até dicionários, que lia com gosto, à falta de outros livros. Chegou a ser enviado para casa num estado de quase coma. Ao vê-lo, uma parente comentou: "é neste estado que nos devolvem um rapaz tão bonito!".
Só uma das irmãs acreditou desde cedo no seu talento e no sonho em tornar-se escritor e lhe desejou muito sucesso, na sua vida na capital. Mas no fim da sua adolescência o pai pô-lo no mercado de trabalho. Depois de Honoré ficar farto de leis ao trabalhar como estagiário numa sociedade de advogados através de um amigo do pai, ao longo de três anos, recusou sociedade e mudou-se para umas águas-furtadas em Paris, verdadeiramente espartanas, a viver com quase nada e onde apenas contou com o auxílio de uma senhora idosa. No romance "O Notário", escreveu sobre um rapaz obrigado a lidar com "as rodas oleosas de cada fortuna, a disputa horrenda de herdeiros sob corpos ainda não totalmente frios, e o coração humano às voltas com o Código Penal.". Confessa que ali seria "como todos os outros, vivendo com fome num lugar onde nada lhe davam para satisfazer o seu apetite."
Tinha vinte anos quando confessou essa sua frustração e a intenção de se tornar escritor, pois desesperava-o a ideia de ser "um funcionário, uma máquina, um mercenário numa escola de equitação, comendo e bebendo e dormindo em horários fixos."
Aos vinte e dois anos conseguiu publicar alguns contos, com a ajuda de um amigo. Ao fim de várias obras mediocres, com os cobradores à porta e os editores à perna, Balzac trabalhava uma média de vinte horas por dia (!) e ainda assim arranjou maneira de serem consideradas obras-primas por alguns críticos. Quando mais tarde descobriu o projecto colossal d "A Comédia Humana", entrou pela casa da irmã adentro a dizer "estou prestes a tornar-me num génio!"...e tinha razão. Assumiu as obras que escrevera anteriormente e começou a assinar como "Honoré de Balzac", até para dar um ar mais aristocrático ao seu nome e esconder as origens modestas. Tornou-se mestre na análise das classes sociais, a construir personagens e a descrever ambientes e lugares, criando as famosas mulheres "balzaquianas" e influenciando autores como Flaubert, Proust, Zola, Italo Calvino, Dickens, Dostoievski, Henry James, Camilo Castelo Branco, Eça, Machado de Assis...chegava a dedicar-se quinze horas a um excerto, rabiscando sobre uma ardósia, escrevendo, apagando, rasurando, reescrevendo num estado quase febril, até ficar satisfeito com aquele pedaço de prosa, limpo, simplificado, puro.
Escreveu, viajou, gastou, esbanjou, sem nunca parar de escrever.
Na verdade era feio e gordo, mas viveu rodeado de mulheres que se apaixonavam por ele.  Quando a fortuna chegou, gastou-a numa vida viciosa e entregou-se a projectos que tinham como base boas ideias, que não conseguia levar a bom porto por não perceber nada de negócios (por exemplo, edições extremamente baratas, de papel de má qualidade, nomeadamente das obras compiladas de Molière; a exploração de minas de prata...que afinal não tinham prata; uma sociedade com uma amante numa impressora que lhe deixou dívidas tremendas, etc.).
Morreu aos 51 anos, pouco depois de ter finalmente contraído matrimónio com uma nobre polaca que amou e namorou durante dezoito anos por correspondência, e com quem fez longas viagens clandestinas, uma vez que a senhora era casada e só enviuvou e pôde casar com ele quando Honoré tinha cinco meses de vida.
Já não se ama assim. Já não há vidas nem homens destes. Já não se constrói uma obra literária assim, a escopro e martelo, ao longo de uns breves e admiráveis trinta anos de escrita.
Somos tão pequeninos.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Natal

AMOR
CONFORTO
SAÚDE
ALEGRIA
PAZ
ABUNDÂNCIA
SUCESSO
HARMONIA
BOA VONTADE
HUMOR
TERNURA
SABEDORIA
12 PRESENTES QUE PUS NO VOSSO SAPATINHO,
PARA QUE SEJAM FELIZES.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

lendo...

"Porque será que estamos condenados a ser assim tão solitários? Qual a razão de tudo isto? Há tanta, mas tanta gente neste mundo, todos à espera de qualquer coisa uns dos outros, e, contudo, todos irremediavelmente afastados. Porquê? Continuará a Terra a girar unicamente para alimentar a solidão dos homens?
Virei-me de costas sobre a laje de pedra, fitei o céu por cima de mim e pus-me a pensar na quantidade imensa de satélites que naquele preciso momento deviam girar à volta da Terra. No fio do horizonte era ainda possível distinguir uma réstia de luz, e as estrelas começavam a brilhar no céu de um profundo tom púrpura. Procurei com o olhar a luz de um satélite, mas havia demasiada claridade para distinguir fosse o que fosse a olho nú. As estrelas que estavam à vista permaneciam imóveis, cada uma no seu sítio, como se cravadas no céu. Fechei os olhos e prestei atenção para ver se conseguia ouvir os descendentes do Sputnik que continuavam a dar voltas à Terra, tendo como único elo de ligação ao planeta a gravidade. Solitários pedaços de metal que se encontram de repente nas trevas do espaço, cruzam-se no seu caminho e depois separam-se para sempre. Sem trocarem uma palavra, sem fazerem uma promessa."
(excerto de "Sputnik, meu amor", de HARUKI MURAKAMI, 2002)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Charles Dickens

Vi este filme com o meu filho. Maravilhoso. Realizado por Robert Zemeckis, com 7 personagens interpretadas por Jim Carrey. Uma versão irresistível do conto "A Christmas Carol", com o melhor da tecnologia, para nos fazer sonhar.

Adeus, Outono

Por razão nenhuma de especial, tenho andado arredada da internet (emails, facebook, blogs, inclusive o meu). O espírito anda a pairar por outros cenários. Venho aqui mostrar estes cogumelos que fotografei há três dias, numa caminhada perto de casa: uma explosão dourada no meio da erva. Não resisti a esta despedida de mais um Outono.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Chiado

Na 2ª feira fui a Lisboa. Cada vez me sinto mais uma turista na cidade onde nasci. Já não me entendo a andar de Metro, é tudo muito moderno e sofisticado. Escolhi a zona do Chiado para fazer tempo até chegar a hora de assistir ao ensaio do meu filho na Big Band Junior do Hot Clube.
Souberam-me bem estas horas na cidade, apesar da confusão urbana e do que vou relatar a seguir: isolo-me demasiado no meu recanto bucólico e às tantas sinto falta das multidões, das caras estranhas, do Metro, das ruas e das luzes, das lojas, do ritmo.
Depois de um bom tempo na livraria da Fnac, de onde saí com uma lista de livros para incluir na carta ao Pai Natal, resolvi ir fazer um pouco de companhia ao Pessoa e lanchar n '"A Brasileira". Sentada na esplanada junto à estátua do poeta, fui abordada várias vezes por mendigos. No campo, onde vivo há quatro anos, não os há. Só nesse momento me apercebi de que já não faziam parte dos meus dias há muito tempo. Os pedintes habitam nas grandes cidades, onde a vida é mais cara e mais difícil, e onde há mais gente a quem pedir, o que não deixa de ser irónico. Uma mulher mostrava uma pobreza recente, acabada de estrear, ainda inconformada e espantada com a sua má sorte.
Os turistas marcaram também presença, sentando-se na cadeira de bronze, a eternizar o encontro anacrónico com o Pessoa.
Já não estou habituada aos preços inflacionados da capital. Estou acostumada a pagar entre 50 e 60 cêntimos por um café. Ali paguei 1,50: pedi um café curto com adoçante e veio um café cheio (e demorado...) com açúcar. Estou habituada a comer tostas mistas com pão saloio que custam cerca de 2 euros e chegam para duas pessoas ou quase. Ali paguei 3 euros e veio morna, atrasada e em pão de forma tipo Panrico. O chocolate quente veio morno. Mandei-o para trás, para que fizessem o grande favor de reaquecer. No total, desembolsei 7,25 euros por um péssimo serviço, já para não falar nos desgraçados dos pedintes que nos deixam constrangidos e cheios de sentimentos de culpa por estarmos ali, em pleno luxo, numa afronta à sua triste pobreza. O Pessoa não serviu para me tranquilizar, pelo contrário, honrou-me com o seu Desassossego. Depois de beber o meu café morno (o adoçante também chegou com atraso...), ergui-me e fui falar com a gerente, que nem de propósito...era brasileira. Desculpou-se, que eu tinha razão, que os rapazes (que eram 4, para 12 mesas pequenas...) não recebiam formação, blablabla.
A minha amiga Isabel é que tem razão: se o coitado do Pessoa pudesse, levantava-se e escolhia outro café.
A tradição já não é o que era, ou sou eu que estou a transformar-me num bicho do mato?

domingo, 12 de dezembro de 2010

Parabéns, Patrícia

Parabéns, querida amiga, pelos teus 40 anos. Estás longe, a 8 ou 9 horas de diferença no fuso horário, mas sempre no meu coração. Votos de uma celebração feliz.
Aqui estão os livros maravilhosos da Patrícia Reis, para quem não conhece. Todos com a chancela da Dom Quixote:

sábado, 11 de dezembro de 2010

sol portátil

- Soooool, que bom! Hoje está perfeito para passear! Praia, aqui vou eu!
Ao ler aquele comentário da amiga no facebook, ela afastou a cortina e confirmou o céu cinzento, a ameaçar chuva. Ora a amiga vivia perto, estava em casa. Teria ela um sol privativo? Portátil? Então pensou que bom seria, podermos transportar o sol assim, dentro de uma mala térmica, e lançá-lo bem alto para que ficasse suspenso no ar, formando uns quantos metros quadrados de verão sobre a nossa cabeça, como um pequeno oásis.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A cobra

A mulher encontrou uma cobra na banheira e em vez de se assustar sorriu, cheia de paz e pensou que aquilo era um sinal de que já começava a mudar de pele.
Obrigada, P.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Livros Pedidos

O atelier 004 começou a fazer livros personalizados, a pedido. Excelente notícia! Elaboram livros para todas as ocasiões (namoro, casamento, divórcio, aniversário, baptizado...), com o selo de qualidade de quem edita a revista Egoísta há 10 anos.
Para mais informações, espreite o site:
http://livrospedidos.blogs.sapo.pt/ ou o twitter em egoista004

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Prémio Leya 2010

Devido a "limitações na composição narrativa e fragilidades estilísticas", o juri que compõe o Prémio Leya (no valor de 100 mil euros) presidido por Manuel Alegre decidiu, por unanimidade, não atribuir o prémio este ano. Foram 325 obras a concurso (!) - entre as quais inéditos de autores consagrados dos vários países lusófonos - e, ao que parece, nenhuma das quatro obras finalistas tinha qualidade suficiente...

Para mais informação, clique aqui

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Escrevendo...

"A relação compunha-se de rituais quase extremos, feitos de uma vontade de encontrarem um no outro todas as matérias de que eram feitos, como cães marcando território em busca de cada cheiro, cada substância, na apropriação total do corpo que era seu par. Num dia quedavam-se na casa de campo vestidos com pijamas de flanela, a lareira acesa, o esparguete à bolonhesa, o repouso da chama que o entendimento invadiu e serenou; noutro ele pedia que ela colocasse um vestido preto, umas meias de rede, os sapatos italianos de salto alto, e que saíssem juntos, belos os dois, de olhos provocadores, a quebrar a indolência incompreensível dos outros, a fim de inflamar o seu próprio desejo: Júlio retirava um prazer íntimo em sentá-la num lugar estratégico e sabê-la nua por baixo de vestido. Divertida, ela fazia o papel de Sharon Stone, cruzando e descruzando as pernas sedutoras enquanto participava numa conversa animada, trocando olhares cúmplices que só ele era capaz de decifrar. "
(excerto do livro que estou a terminar)

sábado, 27 de novembro de 2010

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

"A Fera na Selva"

Terminei hoje a leitura deste livro magistral, diferente de tudo o que li. Os temas da solidão, do amor, da morte, do desencontro, do não-viver tratados de forma sensível e inteligente. No fim, fica a emoção e um novo olhar sobre o mundo. O nosso universo interior modificado para sempre.
Obrigada, P., pelo prefácio que abre e fecha o livro (li-o antes e depois) com chave de ouro. Tradução belíssima de Ana Maria Pereirinha Pires. Um livro pequenino., 4.95 euros, edições Quidnovi, uma sugestão a reter, um pequeno tesouro.

"Branca como cera, com o rosto marcado por rugas tão finas, que poderiam ter sido traçadas com uma agulha, um vestido branco e suave animado apenas por um lenço de um verde pálido, com uma tonalidade delicada que os anos haviam tornado ainda mais inefável, ela era o retrato de uma esfinge serena e requintada mas impenetrável, cuja cabeça, ou antes, toda a figura,  houvesse sido polvilhada com prata. Era uma esfinge, mas com as suas pétalas brancas e frondes verdes poderia igualmente ser um lírio - um lírio artificial, magnificamente imitado e cuidadosamente mantido numa redoma de vidro, sem pó nem mácula, embora não isento de um certo desfalecimento e de um complexo de delicados vincos.  Aquela casa sempre estivera numa ordem perfeita e num estado de limpeza imaculado.  Contudo, parecia agora a Marcher que tudo fora tratado, dobrado, arrumado e definitivamente guardado para que ela pudesse apenas sentar-se ali com as mãos no regaço sem ter mais nada que fazer. Ela já estava "fora daqui"; a sua missão terminara - comunicava com ele como se estivesse do outro lado de um abismo, ou a partir de uma ilha de repouso que já alcançara, o que o fazia sentir estranhamente abandonado."
(HENRY JAMES, in "A Fera na Selva", 1903)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Juntos

Faz hoje 15 anos que o meu filho nasceu. Hei-de vê-lo sempre assim, mimoso, agarrado aos meus braços. Não tão sério como o olhar que dedicámos neste dia à câmara, tinha ele apenas 6 anos, mas com dias cheios de riso e disparate, de raspanetes, de fornadas de biscoitos, de lambidelas na colher de pau a apanhar o resto da mousse, de livro na mão a perguntar o significado de uma palavra, deitado no chão da cozinha, atacado pelos cães que querem matar de uma vez as saudades que têm dele, de mãos dadas na rua, enroscados no sofá, tapados com a manta, enquanto vemos televisão, a perguntar-me, Mãe, hoje já te disse que és a melhor mãe do mundo? E eu que não, mesmo que sim, só para ouvir outra vez e fazê-lo rir. Sim, toda a espécie de coraçõezinhos e pirosices, porque o amor de mãe é assim, piroso e tem de confessar-se e ser celebrado, senão transborda.
Foi há 15 anos e nove meses que comecei a viver a melhor coisa que me aconteceu. Parabéns, filhote.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Escrevendo...

"A chave entregue na D. Ermelinda, a porta fechada para sempre. As roupas nas gavetas, os frigoríficos e a despensa cheios, os brinquedos dos miúdos em suspenso, a cassete do Toy Story inserida no leitor de vídeo, os produtos nas casas de banho, os discos, os livros, os candeeiros, a grafonola comprada na loja de antiguidades, os móveis adquiridos em antiquários, a roupa de praia, a loiça, os vinhos na adega, tudo ficou. Lembrava a história dos três ursinhos e da menina dos caracóis de ouro, um dia alguém ia entrar e ver a sopa fumegante na mesa posta, as camas feitas, Alguém mexeu na minha sopa, alguém se deitou na minha cama. Como Pompeia, a casa ficara suspensa em lama e cinza, deixando os habitantes entregues à poeira e ao abandono do tempo, encurralada numa solidão húmida, com o fantasma das crianças rindo e correndo pela casa e no baloiço lá fora.

Durante três anos nenhum dos dois lá voltou. Sara porque à simples ideia de o fazer chorava, e Júlio por mero desapego, ou assim julgava ela."
(do livro em que estou a trabalhar)

domingo, 21 de novembro de 2010

Realidade

"A realidade é apenas uma ilusão, ainda que muito persistente."
(ALBERT EINSTEIN)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Rui Veloso

Ontem, em concerto extra no Coliseu dos Recreios em Lisboa, também quase esgotado, para celebrar os 30 anos de carreira e os 20 sobre a gravação do álbum "Mingus e os Samurais", Rui Veloso deixou uma multidão de barriga cheia e a pedir mais, ao fim de 3 horas. Duas partes, duas bandas. Na primeira, tornámos a ouvi-lo com o Manel Paulo ao piano, o Nanã Sousa Dias no sax tenor, soprano e flauta, o Manuel Costa Reis na bateria, o Alexandre Manaia nos teclados, guitarra e vozes, enfim, a velha formação dos anos 80.
Na 2ª parte trouxe convidados e velhos amigos: Tim, Dany Silva, Tito Paris, João Gil, Jorge Palma, Mariza. O som e as luzes foram exemplares, nada falhou. E quando falhou e algo na parte técnica demorou uns segundos, o Rui, muito descontraído, fez-nos rir:
- Olha, faço um solinho! E deliciou-nos com um belíssimo solo de blues. Os coros masculinos, em ambas as bandas, soaram como gravados em estúdio. Como cantora, fiquei impressionada: Berg (guitarrista) e Paulo Ramos (que também tocou percussão) aconchegaram a voz do Rui e fizeram jus à alta qualidade dos arranjos harmónicos.
Um novo tema maravilhoso, à laia de guloseima: "Velhos no Jardim".
Novos arranjos, um desfile inacreditável de boas canções que não iremos esquecer. Não há carreira que se compare à deste senhor em Portugal. A sensibilidade e graça das letras inspiradas de Carlos Tê, quase na totalidade do seu extenso repertório, são impossíveis de dissociar do constante e merecido sucesso que o Rui tem tido ao longo destas três décadas. Seria impossível cantá-las todas, ainda assim, foram dois concertos com meia hora de intervalo, um esforço olímpico para um cantor, para mais, tendo em conta que tinha já feito o mesmo concerto na véspera! Quando se tornou evidente que ia terminar, o publicou vaiou e ele reagiu, bem disposto:
- Querem matar-me do coração?!
Algures, a meio da festa, um homem sai-se com um pedido desvairado que pôs o coliseu inteiro a rir:
- Ó Rui, faz-me um filho!
A bem dizer, filhos, já deixou muitos: várias dezenas de canções que fazem parte do nosso percurso musical, numa variedade de composição impressionante. Maravilhoso concerto, uma festa alegre, comovedora, excitante, onde tive a honra de participar de camarote.
No final, para nós, amigos do Rui, mulheres dos músicos, filhos, etc, houve convívio depois, com uma ceia privada servida no bar dos artistas. Cheguei a casa às 5h da manhã, cansada, feliz, com o coração cheio de melodias.
A foto acima foi tirada no estúdio cá de casa, pelo Nanã. Nesta sessão fui transformada em maquilhadora de urgência, pois como dizia o Nanã, Hás-de fazer melhor trabalho do que eu...
Digam-me se o nosso Rui não ficou lindo. Parabéns, amigo, por uma carreira sem igual.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

lendo...

"Não valeu a pena mudar de lugar, a prisão está em mim, em mim, em mim, em mim."
"Morar numa aldeia pequena onde todos se conhecem, perto de uma cidade grande, das vilas mais próximas, sufoca."
(ISABEL-VICTÓRIA DA MOTTA, in "Podes Imaginar as Saudades Que Tenho Tuas?", 2007)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

"O Homem do Adeus"

"Figura incontornável da cidade de Lisboa, João Manuel Serra, o «Senhor do Adeus», faleceu ontem aos 80 anos. Todos os dias, passava horas a fio sob sol ou chuva vendo os carros que passavam e acenando aos condutores. Dizia que começou por brincadeira mas depressa percebeu que aquele trabalho deixava as pessoas mais felizes e quando lhe acenavam de volta, levava para casa um sorriso no rosto. O fadista Marco Rodrigues já lhe tinha prestado homenagem ao incluir o fado «O Homem do Saldanha» no seu mais recente álbum, «Tantas Lisboas», um dueto com Carlos do Carmo, com letra de Boss AC e música de Tiago Machado. Eis o videoclip de «O Homem do Saldanha»". Eu que não sou especial apreciadora de fado, achei este tema maravilhoso e as interpretações excelentes.
Roubei a pequena reportagem e o videoclip aqui

revelações

Textos escritos ao longo de anos - contos infantis, histórias soltas, contos para a adolescência, uma novela inacabada - jazem no fundo da gaveta, votados ao meu esquecimento. Soa a sirene, a anunciar o término do recolhimento obrigatório em tempo de guerra, uma guerra que nem guerra é, apenas marasmo, letargia. As minhas mãos querem agora retirá-los da gruta, libertá-los da poeira do tempo, puxar-lhes o lustro, como a maçãs vermelhas na bancada do mercado, para que se arrumem na montra natalícia, inéditos, carentes de atenções, prestando-se aos olhares perscrutadores de estranhos importantes. Respiro fundo e arregaço mangas, arrependida da minha preguiça de alicerces tão profundos e suicidas, que há muito esgravatam a terra deixando-me assim, desprevenida quando a oportunidade chega. Tenho uma árvore de raízes obstinadas para arrancar.
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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Prémio Portugal Telecom de Literatura

Chico Buarque ganhou o Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa com o romance Leite Derramado. Segundo prémio para "Outra Vida", de Rodrigo Lacerda. Terceiro: "Lar", de Armando Freitas Filho.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Livro

Dediquei a manhã ao "Livro", de José Luís Peixoto. Não consegui pousá-lo sem o terminar. Maravilhoso. Obrigada, Manuela.

domingo, 7 de novembro de 2010

Prémio Jabuti 2010

O 1º Prémio Jabuti na categoria de Romance foi para o jornalista e escritor Edney Silvestre, com o livro "Se eu fechar os meus olhos agora" (editora Record, Brasil).
Em 2º lugar ficou Chico Buarque com "Leite Derramado".
Cá esperamos o lançamento deste primeiro romance cuja estreia foi tão feliz.
Para mais informações, clique aqui

sábado, 6 de novembro de 2010

A antena e o cão

Os técnicos da Meo vieram instalar-nos a box, em substituição da da Zon, cuja antena, espetada na parede lá fora, apontada a poente, iam aproveitar. O problema era o cão que, a ser preso por causa deles, ia ficar justamente no caminho da dita...e com mau feitio, pois não gosta de estar preso.
- oiça - disse eu para o que não queria entrar - já lhe disse que ele, agora que o seu colega está do lado de cá do muro, não morde. E eu estou aqui, ele assim não faz mal, está a ver? Se eu prendo o cão, é pior.
O outro já lhe fazia festas, mas o primeiro, o mais novo, está quieto: entrou, mas ficou cosido ao muro e não havia meio de passar pelo cão.
O mais velho, encantado, amigo de cães de todas as raças e tamanhos, perguntava:
- Ele é novito, não?
- Sim, tem um ano e meio.
O Gastão aspirava-lhe as calças, de cima a baixo, a tentar captar todos os índicios estranhos, odores de outros bichos, uma cadela, um gato e sabe-se lá mais o quê.
Ainda renitente, o mais novo insiste:
- Mas pode deixá-lo preso, se calhar nem temos de ir aí à antena, sabe?
Pois claro, estava-se mesmo a ver.
- Como é que o senhor quer chegar à antena sem ir à antena?
O colega mais destemido ria, a fazer festas ao animal, depois de colocar o escadote nos degraus de pedra.
É que o raio da corrente estava-lhes no caminho e era o mais novo que tinha agilidade para subir lá acima.
- Já lhe expliquei que o cão solto fica mais feliz, ele só quer cheirá-lo, eu estou aqui, não vê que ele está a arfar e a abanar o rabo?
- Ó Mário, descontrai, pá, pois se a senhora está a dizer que ele assim não morde...
O mais novo suspirou, resignou-se às snifadelas do serra da estrela de 50 quilos e lá confirmou que o cão só pretendia andar por ali numa de estou-te a ver, mas está-se bem.
Nem sei como o desgraçado conseguiu, mas em 10 minutos arrancou-me os 40 euros, o nº de contribuinte e as rubricas e deixou todos os canais perfeitamente sintonizados. A isto é que eu chamo eficiência.
Dos técnicos da Meo...e do cão. Eles levaram uma gorjeta, o cão levou um biscoito.
Imagem: Gastão, o cão.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A mosca

Tenta concentrar-se no que está a  escrever, mas não consegue. Aquela mosca, que chegou há uns minutos, veio para ficar, instalando-se como uma amiga indesejada e inoportuna, daquelas que, por mais que enxotemos, acabam sempre por tornar a pousar na nossa vida: uma melga. Insiste em passar à sua frente, em colar as patas nojentas ao monitor, em aterrar em cima das palavras que ela já escreveu, esvoaçando nervosa, frenética, estúpida, confundindo-se com o cursor, confundindo-a. Pousa no teclado, na lâmpada do candeeiro, no "abat-jour", no F9, no "M", no Enter, no "Caps Lock". Ela suspende os indicadores e a raiva, para que a ideia não lhe fuja, o raciocínio não lhe escape. A mosca não quer saber, pousa-lhe nas costas da mão, no risco direito dos cabelos, no cheiro quente que exalam as raízes da sua cabeleira. A irritação provocada pela mosca que não sai, não há meio de sair. Ela apaga as luzes, abre a porta do escritório, acende as do corredor...e nada. Ao invés de sair, a mosca pára na escuridão, pois sabe que não pode voar às escuras e recusa-se a abandonar a sua missão: impedi-la de escrever.
Até que acontece. A mosca distrai-se, por fim. Talvez com uma qualquer frase a que achou graça, uma linha que a fez reflectir.
Então ela, que graças à raiva adquiriu o instinto de caça de um gato, num movimento impiedoso apanha o bicho desprevenido na tecla "X" - a tecla errada, minha amiga! - e zás! Ali fica, carregando com ódio no quadradinho minúsculo e cinzento, até a esmagar bem esmagada, assimxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Halloween

O meu filho e a sua cara-metade, celebrando o Halloween. Qualquer coisa que eu escreva vai soar sentimentalóide. Por isso, não vou escrever mais nada, ok? Mas que são lindos, são.