terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Operações de salvamento

Hoje é dia de resgatar o que andava perdido.
  • Um livro
  • Uma banda

Na primavera deste ano o meu computador apanhou um vírus. O AVG estava mal configurado e, ao invés de colocar de quarentena os ficheiros danificados...apagava-os. Foi deste modo que perdi precisamente os documentos Word mais importantes, entre os quais, os contos vencedores do prémio APE/Babel, que em boa hora enviei em papel para concurso, sob a forma de três exemplares. A semana passada fui contactada pela editora, que me pediu que enviasse por email a versão original, de forma a tratar da publicação, a acontecer para o ano. Lá expliquei o sucedido e prestei-me a passá-los novamente para o computador (já sem vírus e bem configurado, graças a um engenheiro informático que me salvou), a partir de um dos exemplares em papel, na posse da editora.
Foi assim que hoje de manhã, pela primeira vez desde que tento publicar, fiquei feliz ao receber, das mãos do carteiro, um original devolvido pela editora. Se alguém tivesse visto o meu sorriso de satisfação naquele momento, teria razões para duvidar da minha sanidade mental. As aparências podem iludir-nos, não acham?

A banda. Enquanto escrevo estas palavras, está a decorrer o primeiro de vários ensaios da banda do meu marido. O que tem isso de especial? É um sexteto muito bom, de jazz, com nomes fortes da música, e que anda parado desde há vinte anos. Estou com o meu marido há dez e nestes anos ouvi alguns destes originais apenas em versão gravada. Nunca cheguei a conhecê-los ou a apreciar os instrumentais tocados ao vivo.
Irão actuar no ONDAJAZZ de Lisboa nos próximos dias 16 e 17, cerca das 23.00. Novas caras, novos arranjos, qualidade igual ou superior. Porque o que é valioso deve ser resgatado e partilhado. 

Duas estreias: o meu primeiro livro e o sexteto recuperado do meu marido.

Vou começar a transcrever os contos "Coisandês" e por companhia tenho a banda, a ensaiar dois pisos abaixo. É um dia bom.

E vocês, o que precisam de resgatar?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Hot Clube



O novo Hot Clube irá abrir as portas no próximo dia 21, 4ª feira, para um ciclo de vários concertos de entrada gratuita. O edifício tradicional foi demolido em virtude do incêndio de há dois anos, que provocou uma inundação na cave e a destruição do piano e não só. Apenas se manteve a velha fachada. 
Em 2010, a Câmara Municipal de Lisboa aprovou a cedência de um espaço para o clube num prédio vizinho, também na Praça da Alegria, e custeou as obras de remodelação, o que só lhe ficou bem. Para tal contribuíram os apelos de muitos seguidores, de várias gerações, que tanto intercederam junto das entidades responsáveis, para que esta instituição de jazz, que conta já seis décadas, não chegasse ao fim. 
Em vez da famosa porta nº39, teremos o Hot Clube a funcionar nos números 47 a 49. 
Além desta boa notícia, é bom saber que este novo espaço será maior, e que se encontra equipado com camarins, mais casas de banho, um pátio arborizado, novo equipamento de som e um piano novo!
Longa vida para o novo Hot Clube! Já agora, podiam aproveitar para atualizar o velho logotipo, que está ultrapassado, não?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Um pouco de humor para vos desejar um excelente fim de semana :) obrigada, Inês, desta vez os gatos e o canal meo conseguiram surpreender-me, também a mim :)

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Caros blogueiros, hoje criei um segundo blog para efeitos profissionais. Chama-se LUGAR DO TEXTO. Agradecia, por favor, que divulgassem junto de quem precise de criar ou trabalhar textos. Podem encontrar-me aqui:

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

The Real Group

Afinal, a Suécia não tem só os Abba. Hoje o meu filho deu-me a conhecer este grupo vocal maravilhoso que, pelos vistos, já conta com mais de uma dúzia de prémios, deu mais de 2000 concertos e...passou-me ao lado. Afirmam ter influências de Bobby McFerrin e terão também, por ventura, dos Take 6 sem, no entanto, se limitarem a copiá-los. 
Escolhi este tema, por razões óbvias. Escutem clicando abaixo, no audio "Words" e sigam a letra, que vale a pena. Obrigada, Gugas :)


Words
a letter and a letter on a string
will hold forever humanity spellbound

Words
possession of the beggar and the king
everybody, everyday
you and I, we all can say 


Words
regarded as a complicated tool
created by man, implicated by mankind 
Words
obsession of the genius and the fool
everybody, everyday,
everywhere and everyway 


Words! 
Find them, you can use them
Say them, you can hear them
Write them, you can read them
Love them, fear them 


Words
transmitted as we're fitted from the start
received by all and we're sentenced to a life with 


Words
impression of the stupid and the smart
everybody, everyday
you and I, we all can say 


Words
inside your head can come alive as they're said
softly, loudly, modestly or proudly 


Words
expression by the living and the dead
everybody, everyday
everywhere and everyway 


Words! 
Find them, you can use them
Say them, you can hear them
Write them, you can read them
Love them, fear them


                                                                





domingo, 27 de novembro de 2011

Sede

Mais do que saciar a sede, é preciso tê-la. Adormecer de boca seca é ter a certeza do desejo. E acordar, sempre. Bebendo de um sonho, a conta-gotas, a dar mais sabor ao sangue. Bebendo, construímos a nossa fonte. E a frescura das águas que escutamos, dessa veia de água límpida correndo, é o que engorda a ansiada sede de beber.     

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Feras

O Ciúme
A Preguiça
O Medo
São inimigos a combater. Existem dentro das pessoas como uma voz diabólica, que pode infernizar os dias, destruir relações, ou paralisar o futuro. O segredo estará, talvez, num trabalho de controlo, como o de um domador de feras. Vencer esses monstros, mostrando superioridade, às vezes só mesmo assim, com uma banco na mão e um chicote na outra, gritando, Mas afinal, quem é que manda aqui? 
UM FELIZ NATAL PARA TODOS, SIM?

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Parabéns!

Na rua, a celebração começou com um belo "sakana gini" no Sakura :) Belo almoço, não?

Parabéns, filhote. Aproveita a tua idade e continua assim, 
a crescer BEM.

domingo, 20 de novembro de 2011

Domingo

O Chico saltou outra vez a vedação. Desta feita estávamos prevenidos e agarrámo-lo, numa acção conjunta, antes que se lançasse por essas terras adentro. Resultado: novas soluções de recurso, com ramos de pinheiro atravessados, a impossibilitar o salto deste cão de caça enxertado com osso de canguru. O serra da estrela Gastão, à trela, fez de cobaia para o provocar, de modo a descobrirmos por onde é que o malandro do outro se escapava...desta vez. Quando lhe trocamos as voltas, solta latidos indignados, como quem não se conforma com a nossa traição. Esperto como um Chico, quase consigo ver-lhe o balão sobre a cabeça, com novos planos de engenharia. Já que vieram os dois cá para fora, eu e o meu filho aproveitámos a tarde de outono solarenga para passeá-los no pinhal. 
Houve chá Earl Grey com biscoitos, e spaghetti com bacon, tomate e natas. O filho andou a tratar de me arranjar os tão desejados episódios da mini-série britânica "Any Human Heart", centrada na vida de um escritor escocês (Logan Mountstuart), que atravessa várias décadas do séc. XX, movimentando-se entre Londres e Paris. Eu fui até Veneza, fazendo revisão de texto do que será o primeiro livro de literatura de viagens de uma grande amiga. Ao computador, acompanharam-me as músicas de Gabriel Yared, instrumentais, para que a concentração não se quebrasse. Ler, fazer revisão de texto e escrever, só mesmo com instrumentais; de contrário, a voz foge-me para as palavras e lá vou eu, para longe do que estou a fazer. 
O filho fez os trabalhos de casa de Acústica e a sua primeira hora de criação musical para a cadeira de Análise e Composição, como aluno integrado no Conservatório Nacional de Lisboa. Escolheu, para meu orgulho e ternura, uma quadra de uma letra inspirada na Idade Média, que a mãe escreveu quando ele tinha apenas três anos de idade, quando andava a ler "A Obra ao Negro", de Marguerite Yourcenar. Para este trabalho, o pai tinha-lhe dado um livro do Pessoa, para que escolhesse versos que se adaptassem à época medieval, mas o meu filho acabou por fazer a troca. Ficou a perder, é claro, e eu a ganhar. 

"Num tempo cheio de superstição
Foi aprendiz, camponês, senhor
Tentou ser gente, sem lar ou prisão
Mestre, poeta, malfeitor"

Compôs, escreveu na pauta, tocou ao piano e cantou, com atenção à métrica, à intensidade e ao que caracterizava a música sacra que se compunha na época, ainda antes de ter sido criado o canto gregoriano. Demorou cerca de uma hora e foi a sua primeira composição "por obrigação", qual Antonio Salieri escrevendo para a corte de Viena. E eu uma mãe babada, a fotografá-lo de lápis na boca e auscultadores, a enquadrar na imagem os seus dedos ainda desajeitados sobre o teclado. Ontem foi ouvir Gustav Mahler no S. Carlos, com amigos do Conservatório. No intervalo, após a actuação de Pinho Vargas, a directora do Conservatório reconheceu-o na fila K e mandou alguém buscá-lo, para o levar ao camarote, de onde assistiu ao concerto propriamente dito, emocionando-se com as peças belas e tristíssimas de Mahler, como o "Adagietto", o 4º andamento da 5ª sinfonia. 
Isto num sábado à noite. 
Vai completar 16 anos na próxima 4ª feira, o que me faz pensar que devo ser a modos que abençoada. 
Deixo-vos na companhia de Mahler e destas imagens, que nos fazem flutuar por paisagens de sonho. Porque sonhar é preciso.

sábado, 19 de novembro de 2011

Lendo...

Renoir amava a irregularidade. Odiava os compassos, que desenham circunferências perfeitas, tudo o que fosse perfeito. A perfeição estava na imperfeição. A arte era encontrada na individualidade de cada elemento natural: uma laranja (que não é perfeitamente redonda), cada gomo irregular e único dessa laranja, ou uma folha de árvore, distinta de todas as outras folhas; um rosto que nunca é simétrico e que por isso o fascinava. 

"Deus, o rei dos artistas, era desajeitado."

"Quanto mais se recorre a boas ferramentas, mais desinteressante sai a escultura"

Renoir detestava o luxo e o artifício; os espartilhos das senhoras e os seus pés enfiados em sapatos apertados, de ponta fina. Respeitava o rústico em detrimento da elegância, uma face rosada e um corpo roliço, ao invés de uma tez pálida ou uma cintura estreita de mulher que se priva dos prazeres da mesa. Preferia uma sala simples e nua, sem a inutilidade dos bibelots. Não confiava na luz eléctrica para trabalhar e quando o sol enfraquecia, guardava as suas tintas. Sentia-se agradecido e abençoado por gostarem dos seus quadros e darem dinheiro por eles, uma vez que pintar era para Renoir, acima de tudo, uma necessidade e um divertimento. E defendia que o que valia a pena captar se encontrava na natureza, naquilo que Deus criou. Olhar era o bastante. Olhar até nos tornarmos apreciadores. Defendia que o artista devia procurar fora dele os seus motivos, pois nada havia a inventar:

"O artista que menos usar aquilo a que se chama imaginação, será o maior."

Sempre foi de uma modéstia que a todos desarmava, pois considerava-se um operário em trabalho e evolução constantes. 

"Se o artista sabe que tem génio, está perdido! A salvação está em trabalhar como um operário e não tentar dar nas vistas."

Isto e muito mais estou a aprender na biografia escrita por um dos filhos, o cineasta Jean Renoir, que nos revela um homem digno de conhecer - não só pelos quadros e desenhos que nos deixou - mas como amigo, pai, homem. Ao mesmo tempo que sou transportada para a sua época, que atravessou revoluções políticas, sociais e artísticas. leitura imperdível: "Pierre-Auguste Renoir, Meu Pai", Editorial Bizâncio.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Angèle de Renoir

Quando Renoir se apaixonava por um qualquer motivo pictórico, alugava uma habitação modesta para o ter "debaixo do nariz". O mobiliário limitava-se a uma colchão posto no soalho, uma cómoda em pinho rústico, uma mesa, uma cadeira e um fogão para o modelo se aquecer. Quando mudava de casa, deixava tudo para trás. 
A zona da Rue Moncé tinha má fama, mas "Angèle, um dos seus modelos, tinha-lhe falado numa casinha de renda barata, com um jardinzinho onde ele podia pintar. Renoir tinha ido ver. Tinha-se deixado conquistar por uma velha macieira da qual pendia um baloiço de criança, e tinha-a arrendado sem se preocupar com a vizinhança. Um dia, a caminho de casa, foi atacado por uns vagabundos. Tentou fugir, mas apesar de ter boas pernas foi atacado e manietado contra uma paliçada. De repente, um doa malfeitores reconheceu-o: "É o senhor Renoir!" O meu pai recuperou o fôlego, orgulhoso de ser tão conhecido. O outro esclareceu: "Eu já o vi com a Angèle. Não vamos fazer mal a um amigo da Angèle..." E acrescentou: "Este bairro não é seguro. Vamos acompanhá-lo até casa!". De facto, Angèle, o delicioso modelo do quadro da mulher com gato ("Posava como uma deusa"), pertencia àquele meio. Tinha por Renoir uma devoção comovedora. Um dia, percebendo que ele não tinha dinheiro para pagar a renda, ofereceu-se para "ir dar uma volta pela alameda" (...) Enquanto posava para "O Almoço dos Remadores", a rapariga conquistou um jovem de boas famílias, que se casou com ela. Alguns anos depois, veio visitar o "patrão". Vinha acompanhada do marido (...): "O Armand sabe que eu posava nua e (corando)... também sabe que eu andava em más companhias! Enquanto Armand se perdia na contemplação de um quadro, ela disse ao ouvido de Renoir: "Mas não sabe que eu dizia merda!"
(in "Pierre-Auguste Renoir, Meu pai", de JEAN RENOIR)
Quadros: "Mulher com um Gato" (1875) e "O Almoço dos Remadores" (1880-1881)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A quatro

Há encontros quase perfeitos. Em que a imperfeição nada mais faz do que tornar mais perfeito o encontro. O jantar, uma delícia, um festim para o paladar. A porta da sala aberta, com a percussão da chuva a enfeitar a noite. O vinho tinto correu generosamente, recuso-me a confessar até que ponto...! Ao longo das horas saltitámos por entre assuntos divertidos e algo melindrosos, entre desabafos, provocações e devaneios. Viajámos até à Escócia, demos um pulo ao Brasil e pusemos um pé em Kuala Lumpur. Saltámos de pára-quedas, tivemos vertigens, reencontrámos velhos amigos, confessámos algumas mágoas e puxámos o lustro aos sonhos. Conselhos, muitos, com automóveis e pintores impressionistas pelo meio. O futuro assusta, mas é preciso não esquecer as bênçãos que temos Hoje. A sede aumenta, sim. É no entanto urgente fincar os pés no chão para não cairmos no abismo. A música escutou-nos, com e sem vibrato; Sinatra cantou o "My Way" e provou que ninguém consegue ir pelo mesmo caminho. Chat Baker deu-nos a ternura do seu timbre desafinado; rimo-nos com o enorme instrumento de sopro que soa a apito de navio. Experimentámos túnicas e chapéus, admirámos os vitrais de catedrais seculares e a fauna da Malásia. A onda gigantesca da Nazaré, no ecrã da sala, provou-nos que este país é ainda capaz de nos surpreender e que, ainda assim, é possível ficarmos de pé. 
Regressei a casa com um saco pesado, cheio de novos livros para ler. E com a certeza de que podemos viver encontros perfeitos. Obrigada, Pedro e João. Obrigada, Nanã.
Roubei a imagem aqui

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

S. Martinho

Há frutos e tradições que nos tiram da chuva e nos resgatam do frio. Têm um sabor e um aroma que nos confortam como uma longa carícia nos cabelos. Um abraço sentido que nos entra na pele. O perfume das castanhas assadas, daquela névoa de fumo que se dispersa pelas ruas e praças, faz-me cerrar os olhos, inspirar profundamente e viajar até à minha infância. Aos tempos em que as castanhas vinham embrulhadas em folhas das Páginas Amarelas, sem ASAE nem azar. Era uma sorte poder parar, tirar as moedas de escudo e comprar uma dúzia delas ao vendedor, de mãos chamuscadas e pele curtida, de tanto sacudir a vasilha de barro e lidar com o calor das brasas. Hoje é dia de acender a lareira, ao serão. Abrir uma garrafa de vinho tinto (fujo da tradição da água-pé, que não aprecio) e preparar as castanhas numa vasilha comprada no José Franco, o ceramista de Mafra. Comam-nas, quentes e boas, sem pressas nem pruridos, que a vida são dois dias. E não se esqueçam de brindar ao S. Martinho, a bem da generosidade e da esperança em dias de sol, quando vivemos tempos tão cinzentos.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Apelo

Caros blogueiros, hoje aproveito este cantinho para fazer um apelo. As crianças de S. Tomé precisam de dicionários de português, livros infantis e juvenis em bom estado e livros para colorir, que estejam novos. Por favor, dêem uma volta às vossas estantes e partilhem este apelo, sim? O transporte até às escolas está garantido, pois os contactos são fiáveis. 
Enviem ou entreguem em mãos os vossos donativos em géneros na seguinte morada:


Av. República nº6 9º Esqº 1050-191 Lisboa (Atelier 004)


Aceitam-se também aguarelas, lápis de cor, giz...
Informo que as pessoas que estão a organizar e dirigir esta acção humanitária são de total confiança: Elvis Veiguinha é proprietário da Digital Mix, realizador de video e cinema e produtor musical. Encontra-se em S. Tomé a realizar um documentário e calculo que se tenha sensibilizado com a falta de condições que estas crianças têm na escolas; Patrícia Reisescritora, jornalista e editora da revista Egoísta, casada com Elvis Veiguinha, encontra-se à frente desta iniciativa particular e já tem realizado outras acções similares, sem quaisquer intermediários ou ligações de carácter político. Data limite: 10 de Dezembro.
Ajudem, por favor!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Candy

Uma semana bem doce para todos. Deixo-vos com esta maldade inocente, para vos fazer rir e sorrir. A minha preferida é a que diz: "You're ugly!". Não se resiste a estas crianças :) Obrigada, Pedro!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Warner Brothers

Maravilhoso, este filminho da Warner, de 1960, realizado por Chuck Jones. Lembrem-se de que têm a possibilidade de ver em ecrã inteiro, clicando no canto inferior direito. Bom fim de semana para todos, com boa música e bom humor, sempre.
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Região do Estoril

E porque é importante partilhar o que está bem feito, partilhem este video, um convite sedutor para incentivar o Turismo estrangeiro, e que edifica algumas das coisas boas que podemos proporcionar a quem nos visita.

sábado, 29 de outubro de 2011

Luz

Deixei-me ficar caseira. Li umas páginas de Firmín, o rato leitor que vive na biblioteca e lê livros, tratei dos cães e brinquei com eles, ao sol. As tarefas da casa foram reduzidas ao mínimo. Revisão de texto, emails, facebook, uma longa conversa no chat com uma amiga de longa data. É sempre justo. De repente, vejo o poente a explodir lá fora. O sol parecia incendiar os pinheiros e os eucaliptos. Saltei da cadeira, agarrei a máquina e fui roubá-lo. Quem fotografa é uma espécie de larápio de cenários. E assim fiquei com estes rectângulos de mundo. Só então fechei as portadas e acendi as luzes, num novo acordo entre a casa e o jardim. Uma dança de luz, uma troca, apaga-se o sol, acendem-se candeeiros. Hoje passamos a horário de Inverno, não se esqueçam, lá ficaremos com menos uma hora preciosa de sol. No Brasil é verão e chove. Um bocadinho de mim está por lá, em folhas soltas. E eu escrevo, escrevo sempre, por dentro ou para fora, enquanto me deixo levar pela banda sonora maravilhosa do filme "Out of Africa", que faz tão boa companhia. As portadas podem ter sido cerradas. O céu pode ter enegrecido, mas estas janelas que usamos para comunicar com o mundo estão sempre assim, abertas para outras paisagens, outro céu, outra luz...e o mesmo sol, que traz e leva recados de cá para lá, em estranhas ondas invisíveis, como vertigem junto a uma imensa fogueira.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Revista Egoísta

Já está a chegar às livrarias a nova EGOÍSTA, com data de Setembro, dedicada ao tema Juízo. Tenham-no, e vão à procura, que vale a pena. Afinal, é "só" a revista portuguesa mais premiada de sempre, com mais de 40 prémios internacionais. 
Para mais informações, clique aqui

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Andy McKee

Até parece fácil. Mas não é... Enjoy. E uma boa semana para todos. Não se afoguem no temporal.

domingo, 23 de outubro de 2011

Celebrações

Chegaram ao fim da manhã, carregadas de sacos. Algumas traziam as filhas. Sintonizámos a TV no Disneychannel. O Gastão, com a sua enorme cabeça de Serra da estrela, a cheirar a Laura, de 5 anitos, que lhe ficava à mesma altura. De vez em quando as crianças vinham ter comigo e faziam perguntas estranhas, do tipo: 

- Porque é que está aqui a árvore de Natal? Ainda não é Natal!
- Porque é que o chão da vossa cozinha é igual ao chão lá de fora? Nunca vi um chão assim!
- É preciso ajuda?
- Vera, já viste ali? Descobri uma floresta!
E eu juntava o meu espanto ao delas. Somos assim, o que é que se há-de fazer? A nossa árvore de Natal tem um ninho verdadeiro no topo. Um pássaro que se equivocou o ano passado. Como é que podíamos desmanchá-la? Agora está montada todo o ano,é claro. É também uma espécie de candeeiro festivo, a iluminar o canto da sala. Sim, Teresa, o natal é quando um homem quiser. O chão da casa é o que se chama de rústico, tudo forrado a tijoleira, quadrados grandes, sim, Lara, para jogar à macaca. 
A Nanda tomou conta do lava-louças de mármore, puxou de uma enorme panela, afastou o jarro de barro e serviu a sangria de espumante ali mesmo, à concha, da panela de alumínio sobre o mármore.
Às tantas todos abriam gavetas e armários, como velhas visitas da casa. levavam coisas lá para fora, traziam para dentro, e a conversa prosseguia, saltitada e dispersa, como qualquer conversa que se preze.
O Gonçalo admirava as luzes natalícias sobre a bancada da cozinha, por baixo dos armários suspensos, Nunca me lembrei disto, mas resulta! Dizia, vendo que as soluções se escrevem com um pouco de imaginação e espírito de improviso.
A aeromoça Susana chegou no fim, com a Beatriz pela mão. O Chico tentou controlar o entusiasmo, para não ser preso lá em baixo, juntamente com o Gastão. Continua linda, a Susana. Continuamos todas! No coração a juventude, no corpo, as histórias. Veio, não podia faltar, num salto cá a casa, entre um continente e outro.
A Isabel acabou por não se bater com a Ana Rio num duelo. Já se viu que uma salsicha de soja nada pode contra um cinturão negro com letras douradas (elas percebem a piada).
A Graciett sentada lá fora e depois à cabeceira da mesa da sala, na sua atitude silenciosa habitual, de quem absorve mais do que liberta. De quem observa, sempre a sorrir. Outras falavam, debitando memórias, recordando as aulas de História de Arte e o sapato da Maria. Ah, o que seria de nós sem a memória da Isabel? Reescreve os dias no tempo, quando eles começam a esbater-se. A Isabel é o nosso livro de histórias.
O sol esforçou-se para nos manter lá fora, no terraço. Os cães pelo meio, contentes com tantas pernas, tantas vozes. A Maria pediu papel e canetas para fazer desenhos. A Rosarinho chegou muito a  tempo, para se juntar ao almoço tardio e comer as entradas e a salada de atum. Os doces foram a vergonha. Engordo só de escrever! Brigadeiros, bolos de amêndoa, tarte de chocolate, bolos da Ti Piedade, licor de maracujá, vinho branco, vinho tinto... 
A Paula telefonou de Londres, falou com várias de nós, brindámos à distância, com a sangria de espumante, que já ia a mais de meio (a panela, entenda-se).
À nossa, moçoilas. Sejam para sempre bem vindas a esta casa. E que venham mais vinte anos de amizade.
Roubei a imagem aqui

sábado, 22 de outubro de 2011

Moçoilas

A casa prepara-se para receber velhas amigas da dona. A brincar a brincar, conhecemo-nos há cerca de 22 anos. Um grupo que se formou espontaneamente na faculdade, cada uma muito diferente da outra. E todas foram aceites na sua individualidade. Muito riso, muito disparate, muitos desabafos, cumplicidades e tradições, inventadas a martelo. Muitas memórias...
Depois a vida aconteceu, separou-nos. Casamentos, casas, filhos, divórcios, novas casas. E nisto os anos passaram. Algumas delas não vejo há tanto tempo que é melhor nem fazer contas! As saudades são imensas e é já uma alegria tremenda saber que aqui estaremos, juntas, para recordar o passado e celebrar o presente e o futuro. É sempre tempo de brindar. Espera-nos uma sangria de espumante e muitos petiscos variados, para degustar este dia com todo o sabor. Até a chuva que se anunciava resolveu esperar e adiar-se para Domingo :) O que poderia desejar mais? Do  resto, trata a amizade.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Manutenção

Hoje tornou-se-me claro que tudo carece de manutenção constante. Já pensaram nisso? Na quantidade de elementos da nossa vida cuja qualidade depende apenas dessa determinação...? 
Sermos bons no nosso ofício, desde tocar um instrumento musical até exercer a medicina
Educar e acompanhar os filhos
A condição física
O apetite sexual
A memória
A relação com quem se ama
A arrumação e limpeza da casa
O carro
A roupa
As flores e plantas do jardim
A paixão pela vida...
Manter a qualidade do que é importante ou menos importante exige que não esqueçamos. A indiferença vai corrompendo o essencial. O "deixar andar"...paralisa. Atrofia. Mata! E na distracção do dia a dia tornamos-nos todos numa espécie de assassinos. Suicidas.
Com sorte chega o dia em que arregaçamos as mangas. Injectamos sangue novo nas nossas vidas, reinventamos o que andava esquecido e tornamos-nos feiticeiros. É então que a magia acontece. Recuperamos o sabor às coisas e a vida faz sentido outra vez.

sábado, 15 de outubro de 2011

umbigo

A felicidade é pouco literária. Escreve-se e descreve-se numa espécie de literatura de cordel, pirosa, sem conteúdo analítico, sem revolta nem interrogação. Desarma e mergulha-nos num doce vazio. Rouba-nos o peso, a consistência. Rouba-nos o pensamento. Deixa-nos como crianças selvagens, só corpo e espírito, a brincar num egoísmo umbilical. E que maravilhoso é então não escrever!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Oceano

Dentro de água, no sufoco de há tanto tempo esbracejar, o homem vislumbrou, enfim, uma luz. O céu azul cobalto, enegrecido pela noite, não se distinguia do mar revolto. No horizonte, longe e perto, ele viu a costa que o salvaria, as pequenas chamas tremeluzindo como se chamassem por ele. Não se deixou acobardar pelas vagas e teimou que haveria de chegar a terra firme. O mar amansou e o homem descobriu, com pasmo, que as águas mornas eram agora fáceis de cruzar, que aquela aventura poderia, quem sabe, revelar-se uma viagem feliz. 
Ela esperava, como farol, de pés enterrados na areia. Os tornozelos nus lambidos pela maré. Há muito que o espera. Pensou em desistir, recuar alguns passos. Mas a cada vez que se afasta o mar chama por ela. Outro remédio não têm senão regressar um para o outro, tacteando na escuridão. 

Imagem: pintura a óleo de David Weiss

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Canto do Sabiá

Para ti, em homenagem ao sabiá que vem cantar todos os dias à tua janela, na cidade de S. Paulo. Com votos de um bom regresso.

sábado, 8 de outubro de 2011

Nobel da Literatura 2011


O Nobel ficou em casa, entregue ao escritor sueco, de 80 anos de idade. Ficamos à espera da publicação dos seus versos em Portugal, uma vez que praticamente não está traduzido no nosso país.
"Segundo a Academia Sueca, é "um dos poetas vivos mais traduzidos em todo o mundo", cuja obra incide sobre "a morte, a História, a memória e a natureza".
O escritor bateu o poeta sírio Adonis, principal favorito ao prémio juntamente com Bob Dylan. Entre outros favoritos ao Nobel estavam o japonês Haruki Murakami, o australiano Les Murray, o coreano Ko Un e o polaco Adam Zagajewski.
Nascido em 1931, o escritor e tradutor sueco Tomas Transtromer começou na poesia aos 23 anos e tem mais de 20 livros publicados, entre eles obras como "Stigar" e "17 Dikter".
O Prémio Nobel da Literatura 2011 foi atribuído ao poeta sueco Tomas Transtromer, porque "através das suas imagens translúcidas e condensadas, ele dá-nos um novo acesso à realidade", afirmou hoje a Academia Sueca, em Estocolmo.
Em Portugal, Tomas Transtroemer está representado na colectânea "21 poetas suecos", editada pela Vega, em 1981.
Publicou cerca de 15 obras numa longa carreira dedicada à escrita e venceu numerosos prémios literários, como o Prémio Literário do Conselho Nórdico, em 1990. A maior parte da sua obra está escrita em verso livre, apesar de ter feito também experiências com linguagem métrica."

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Amizade

Ontem ao fim da tarde, depois da praia e defronte a uma salada de rúcula com presunto e espargos, vi pela primeira vez este filme maravilhoso, focado na amizade entre um homem iletrado (Gérard Depardieu) e Margueritte, uma velha senhora de 95 anos de idade. Em português tem o título "Uma Amizade Improvável". Em francês, "La Tête en Friche". Argumento irresistível. Um filme que enternece e nos faz rir. O realizador é Jean Becker (2010). Aqui fica mais uma sugestão para quem gosta de bom cinema e de boas histórias. Neste caso, à volta do encanto das palavras. Perdoem-me as legendas em português-brasileiro, mas foi o que encontrei.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Outubro

O verão invadiu o Outono. Chegou atrasado e desculpou-se, brindando-nos com dias dourados. Comigo, partilhando o extenso areal, encontram-se meia dúzia de almas que, tal como eu, não têm a bênção do trabalho e, por isso, gozam dias abençoados de...ócio. Nada mais se ouve além do piar das gaivotas e da rebentação das ondas. De olhos fechados, posso imaginar que esta praia é minha. O mar, arrepiado pelo vento, conta-me histórias antigas como imensa concha colada ao meu ouvido. Nas dunas vejo marcas tripartidas que acusam a visita das aves marinhas, pousando na areia antes de nova investida rumo ao céu azul. Uma neblina fina, quase transparente, faz desmaiar o tom celeste. Dois pescadores instalam-se junto aos rochedos. Dizem que hoje é que vai ser. Pacientes, olham o mar, cheios de esperança, como se lhe pedissem que dispensasse um ou dois filhos, já que tem tantos.  O mar responde com um longo rugido e as canas permanecem imóveis e vazias, enquanto o sol desce no horizonte.
Imagem: Nanã Sousa Dias

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Morreu Steve Jobs


"Estamos cá para deixar uma marca no universo"


"Visionário, criativo, irascível, místico, carismático, um dos maiores inovadores, senão o maior, da era digital. Morreu aos 56 anos e deixou a sua marca na vida de milhões de pessoas.

Saiu de cena há menos de dois meses com uma missiva curta e directa: "Sempre disse que se chegasse o dia em que não conseguisse cumprir com as minhas funções e expectativas como presidente executivo da Apple, seria o primeiro a informar-vos. Infelizmente, esse dia chegou".
Ontem à noite, Steve Jobs não resistiu mais à doença contra a qual lutou desde 2004, um cancro no pâncreas.
A sua morte acontece no dia a seguir à estreia do seu sucessor, Tim Cook, no palco dos lançamentos da Apple que Jobs tornou míticos. Uma espécie de última homenagem ao homem que revolucionou não apenas uma indústria, mas a forma como as pessoas comunicam e se relacionam no século XXI.
Jobs foi quase sempre precoce. Nasceu em 1955, em São Francisco, cidade que seria capital, na sua adolescência, do movimento hippie. Ainda na escola telefonou um dia ao então presidente da HP, William Hewlett, o próprio, para lhe pedir peças para um projecto que queria desenvolver.
Conseguiu não só as peças como um estágio de verão na empresa. Fã de Bob Dylan e também dos Beatles, Jobs cresce num ambiente favorável à sua natureza anti status quo que ao longo dos anos iria reforçar.
Foi adoptado por Clara e Paul Jobs que prometeram à sua mãe biológica, Joanne Simpson, dar uma educação universitária a Steve. As coisas não correram exactamente como planeado: ao fim de um semestre, Jobs desistiu do Reed College. Um dos seus primeiros empregos foi como designer de jogos para vídeo na Atari, emprego esse que viria a deixar para poder viajar para a Índia.

Fundou a Apple com apenas 21 anos, em sociedade com o amigo Steve Wozniak, e foi pai pela primeira vez aos 23 anos, de uma rapariga, Lisa, cuja paternidade negou durante vários anos. Posteriormente teve mais três filhos no seu casamento com a actual mulher, Laurene Powell.
O primeiro produto Apple - o Apple 1 - foi construído na garagem dos pais de Steve Jobs, como mandam as boas novelas épicas de negócios do século XXI ( e de sempre). O sonho americano começava em 1976 e o financiamento foi parcialmente obtido com a venda de uma carrinha VW de Jobs. O Apple 1 era garantidamente uma proposta diferente: não tinha teclado nem ecrã, tinha de ser montado pelos clientes e custava 666.66 dólares.
No ano seguinte, os dois sócios apresentaram o Apple II que foi recebido com grande entusiasmo. Era o princípio de uma nova era suportada em evidências hoje tão banais quanto o facto de as pessoas preferirem usar um rato para interagir com o computador e poderem clicar em imagens "para fazer coisas" em vez de escrever textos com instruções à máquina. Os interfaces gráficos assumiam-se, assim, desde o primeiro momento como uma poderosa arma Apple. Depois de um bem sucedido lançamento do Macintosh em 1984, Jobs sairia da Apple em 1986 na sequência de confrontos regulares com colegas e com o CEO que ele próprio tinha ido recrutar à Pepsi, John Sculley .
O que poderia ser para muitos um fim de linha, revelou-se para Jobs um novo começo.
Fundou a NeXT e seguiram-se 10 anos de um outro caminho, à margem da Apple, onde conheceria momentos de extraordinária oportunidade, como foi o da compra dos estúdios Pixar a George Lucas, ainda antes de sucessos como Toy Story.
Em 1996, num volte-face digno dos filmes, a Apple compra a NeXT e Jobs está de regresso à sua criação original. Mais velho, mais experiente e igual e em tudo o resto, Jobs inicia à frente da Apple uma nova e genial etapa, em que seriam criados alguns dos objectos e plataformas que moldam o mundo de hoje: iTunes (2003), Iphone (2007), App Store (2008), iPad (2010).

Jobs deixa uma empresa que vende mais 275 milhões de iPods 100 milhões de iPhones e 25 milhões iPads em todo o mundo. Deixa mais do que isso: uma visão e um exemplo de que é mesmo possível mudarmos o mundo. "
(in SAPO.pt NOTÍCIAS)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dia Mundial dos Animais

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Em Abril de 2009 o meu marido saíu para ir ao supermercado e chegou com um cão. Estava no canil de Torres Vedras e ia ser abatido. O Chico (que adoptámos como rafeiríssimo e se revelou um podengo  médio de pelo cerdoso puro) cresceu e tornou-se num cão espectacular: é meigo, saudável, muito esperto, brincalhão e cómico.
Nunca nos arrependemos de o ter salvo, pelo contrário, estamos agradecidos pela alegria que ele dá à nossa casa. A ideia de adoptar um animal só é complicada e irrealizável antes de se concretizar. Depois, a vida dá um jeito e acabamos por descobrir que foi uma excelente decisão. Chegamos mesmo a interrogar-nos sobre quão mais vazia era a nossa vida antes de contarmos com a sua companhia. Um pouco como a ideia de ter filhos: tê-los é uma experiência trabalhosa, sim, mas abençoada. É tão fácil adoptar um animal. Eles precisam da sua ajuda. 
Saiba como ajudar:
http://www.animaisderua.org/
http://www.liveloveandcare.org/
http://www.lpda-pt.com/

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Cookies

A massa pronta para os biscoitos. O meu filho de 15 anos ordenou:

- Mãe, a partir de agora, tens de fazer biscoitos todos os fins de semana. Com receita a dobrar! Deixas a massa pronta e na 6ª feira, quando eu chegar cedo do Conservatório, fazes as bolinhas e metes no forno.

A estratégia é simples: em primeiro lugar, para se empanturrar de biscoitos no fim de semana; em segundo, para poder chegar a casa, roubar pedaços de massa crua e, pouco depois, sentir o perfume dos biscoitos  acabados de fazer. Sabe bem o que quer na vida, este rapaz. Vai longe!   

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Maria Luíza

MARIA LUÍZA NUNES DA SILVA

1898 - 2011

Ontem morreu a minha bisavó. Era, desde 2009, a mulher mais velha de Portugal. Era mãe do padrasto do meu pai (perceberam?), ou seja, mãe do meu avô Zé, segundo marido da minha avó paterna, Mimi. Ele, o meu avô Zé, morreu em Junho de 2005, quando eu própria estava internada no hospital, com uma infecção grave nos olhos. lembro-me de ele recordar um diálogo que tinha volta e meia com a mãe e que fazia sempre rir toda a gente, por razões óbvias: 

Maria Luíza: Anda lá almoçar comigo, Zé, nunca sais, és um chato!

Zé: Ó mãe! A mãe esquece-se que eu sou um velho! 

Com mais de noventa anos, a Maria Luíza ainda subia a Rua das Pretas, em Lisboa. Era a 11ª mulher mais velha do mundo. Morreu com 113 anos de idade. Só lamento que o meu filho, hoje com quase 16 anos, não tenha chegado a conhecer a trisavó, que já estava internada num lar há vários anos, mas que, apesar de se mover de cadeira de rodas, ainda bebia o seu cházinho e dava dois dedos de conversa. É nestes momentos que sentimos a tristeza de adiarmos indefinidamente coisas que não podem ser adiadas. E a morte também não pôde esperar mais. A minha bisavó deixou uma imensa prole atrás de si. Se quiserem encontrar mais informação, espreitem AQUI

domingo, 25 de setembro de 2011

Comer orar amar

Eu sei, já vem tarde. Todos conhecem este filme, baseado no livro de Elizabeth Gilbert e numa história verídica. E é engraçado como me cruzei com ele só agora, com decisões já tomadas que por coincidência vão ao encontro da mensagem deste filme. Os contornos das histórias mudam mas, no fundo, andamos todos à procura do mesmo, certo? Para quem não conhece o filme, recomendo.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Sangria

Ergueu-se da cadeira e pensou: Ai é? Não consigo escrever? 
Preparou uma salada de rúcula com queijo parmesão ralado e vinagre balsâmico, que colocou junto a duas fatias de salmão fumado temperadas com pimenta preta, um pouco de salsa e cebola picadas e sumo de limão. Com um esgar desafiador para consigo mesma serviu-se de dois copos generosos de sangria e bebeu-os com alguma sofreguidão, na esperança de entornar a prosa fértil sugada do seu espírito através dos efeitos do álcool. Para surpresa sua, as palavras surgiram sem dificuldade e, ao chegar ao ponto final do seu texto, a mulher olhou assustada para o copo vazio e disse-lhe


Contigo não há mais conversas. Julgas que chegas aqui, sem mais nem menos, e me arrancas aquilo que quero dizer? EU é que escrevo, não és tu!


Se não fosse capaz de entornar as palavras, ao menos que as fosse dispondo, uma a uma, morosamente. Uma prosa tecida ponto a ponto, sóbria, de passos seguros, para que não perdesse o controlo da sua própria história. 
Deitou-se, fechou os olhos e, teimosa, desperdiçou o artifício fácil. A arrogância da sua preguiça. E quando se cansou de navegar através de ondas feitas do sumo cálido e morno das amoras, dos mirtilos, morangos e framboesas, adormeceu. Certa de que o sabor das bagas seria suficiente para tecer sozinha o seu manto silvestre.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Sean Connery

Vi anteontem um filme feito à minha medida: inspirador, divertido, emotivo, estimulante. Uma história centrada em William Forrester, um escritor famoso que vive há décadas encerrado no último andar do seu apartamento situado no Bronx. Acontece o encontro com um rapaz negro e muitíssimo talentoso, com apenas 16 anos de idade, a quem é dada a oportunidade de realizar um sonho. A história e o que está na sua essência (a amizade, a lealdade para consigo mesmo, a integridade) fazem lembrar o filme "Perfume de Mulher", com Al Pacino.  Recomendo a quem gosta de bons filmes, e em especial aos que amam a escrita e os livros. Um filme precioso.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

terça-feira, 20 de setembro de 2011

domingo, 18 de setembro de 2011

Tempo preso

Às vezes deixo a mão correr como uma lenga-lenga a escrever por aí abaixo. Hoje saíu-me isto, em dois ou três minutos. Experimentem, pode ser terapêutico....

Tempo livre, tempo livro
Tempo preso, preso à porta
Porta perra, dobradiça
Movediça, enguiço, enguiça
Linguiça, porta fora
Porta-moedas, noves fora
Nada à vista
Nada às cegas
Cego nó na noz-moscada
Mosca-morta, mascavada
Mascavado, açúcar branco
Branco negro, negra vida
Vida nossa, bossa-nova,o nosso pão
Duro e pouco
Poupa a fome, poupa o tempo
Tempo livre, tempo preso
Preso à porta, não se importa
O portão ou a cancela
Vem cancelar a saída
Em seguida  diz ao vento
Que é pedra, sentimento
Sinto muito, diz o vento
Num lamento, ventania
Vem, avia a tua dor
Tão dorida de coçar
Coça o braço, o nó, o laço
Num abraço de coragem
Vem comigo, não te escapes
Nesse escape, asfixia
O ar sujo que respira
Fundo e voa
Tempo preso, tempo ileso
Tempo livre

sábado, 17 de setembro de 2011

quem me dera

Apetecia-me fugir para um lugar assim. São capazes de compreender este meu estranho desejo?


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Maravilhas da natureza

Video fascinante que mostra águias-marinhas em técnicas de caça inacreditáveis: o modo certeiro com que apanham o peixe à superfície ou no fundo das águas, a forma de se sacudirem em pleno voo, como cães, o peso que carregam. Obrigada, Nanã. E votos de bom fim de semana para todos.
ARKive video - Osprey - overview

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Escrita


Hoje, frente a uma tigela de gaspacho e um copo de vinho branco (ok, dois), revi mais um filme romanceado sobre o mito da vida dos escritores, que tantas fantasias faz nascer na mente dos autores principiantes: cenários hollywoodescos em cor sépia, cujo protagonista, em voz off, sob uma cuidada banda sonora, vai narrando a angústia dos seus dias como escritor, confessando-nos a miséria do seu quotidiano, intercalada com a salvação que chega com um cheque miraculoso, pelo correio, graças a um conto ou outro publicado no jornal. Ou mesmo a confiança de um adiantamento para que o escritor, a partir de um conto, escreva o seu primeiro romance! E claro que não pode faltar a grande história de amor proibido com final dramático. Sorrindo, consciente de que alimentava o meu lado ingénuo com histórias da carochinha, encontrei uma boa frase, na boca do suposto editor famoso e experiente. Dizia mais ou menos isto: é claro que sente que não tem o que escrever! Um escritor não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo; ou bem que se vive, ou bem que se escreve; se está sentado na cadeira a escrever, não pode ir lá para fora viver; o difícil está em fazer muito com pouco. Esse é um dos encantos da escrita.

É isso, tirar o melhor partido do que se viveu. Fazer o máximo com o pouco que se tem. Não se trata de ir viver para ter sobre o que escrever, mas sim escrever sobre aquilo que se viveu. Nem que seja o ter ficado anos preso num quarto escuro, pois na escuridão cabe o mundo inteiro. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Curriculum vitae

Nos tempos que correm, parece-me adequado deixar aqui esta sugestão para os que andam (ou andarão) à procura de trabalho numa empresa. Como diz a expressão "Não há uma segunda oportunidade para provocar uma primeira boa impressão".

domingo, 11 de setembro de 2011

"José e Pilar"

Hoje, no dia em que se completam 10 anos sobre a catástrofe ocorrida em Nova Iorque, apercebo-me de que quase tudo foi dito acerca do ataque às torres gémeas, de entre tantos artigos que têm sido publicados, tantos filmes, livros e documentários; e justas homenagens feitas às vítimas e a todos aqueles que se transformaram em heróis mais ou menos anónimos. É certo que os momentos mais dramáticos da História nunca poderão ser desprezados nem esquecidos, mas notícias felizes precisam-se. As almas estão famintas de consolo e de alimento. Por isso escolho homenagear um ibérico que é para nós motivo de orgulho: José Saramago.
Este documentário é candidato aos óscares de Hollywood. Aqui fica o trailer de lançamento. Para mais informação, espreitem o site da Fundação Saramago aqui

sábado, 10 de setembro de 2011

BBJ - Big Band Junior

Aproxima-se o início do segundo ano da BBJ. Aqui fica o video promocional para orgulho desta mãe :) Para quem não sabe, o meu é o loirinho de óculos, saxofonista.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

When Nuno Met Lia

Para o Nuno e a Lia, que casam hoje! Os mais sinceros votos de felicidades. Lá estaremos para celebrar o acontecimento :)

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Lembrar. SEMPRE.

Nunca é de mais lembrar. Sobretudo (desculpa, P., eu sei que é um casaco:)) nos tempos que correm, em que impera o pessimismo. E pior, o derrotismo. Fé precisa-se. Venha ela de onde vier. A fé que se tem em Deus. Em nós mesmos. Nos que amamos. As derrocadas acontecem. Sempre aconteceram e irão continuar a acontecer. Mas essa fé, essa forma apaixonada e crente de estar e de ver o mundo, é capaz de diluir a sua importância. Pergunto-vos: somos ou não capazes de escolher a forma como nos iremos sentir face a qualquer obstáculo? Temos ou não a força interior para escolher entre ficar desesperado ou reagir de forma construtiva? Porquê deixarmo-nos paralisar pelo medo, quando podemos enfrentá-lo e avançar? A maioria dos nossos receios nunca se concretiza. Já pensaram nisso? Face à questão pessimismo/realismo/optimismo, é ou não é melhor optarmos por assumir uma atitude optimista ao invés da oposta? Porquê carregarmos um fardo tão pesado, quando o podemos tornar mais leve? Volto a repetir uma frase maravilhosa de um autor anónimo, que encontrei citada num livro e que uma grande amiga já tinha partilhado comigo:

Os anjos voam porque se fazem leves. 

E agora recebam de peito aberto esta canção e deixem a inspiração entrar.

sábado, 3 de setembro de 2011

"Rentrée"

Resoluções da "rentrée":
- expandir a zona de conforto
- Enfrentar os medos
- Deixar de dizer "tenho que". Trocar por "posso"
- Sorrir. Sorrir sempre.
- Fazer mais exercício físico
- Não desistir
- Dar mimos aos que amo
- Falar com estranhos
- Escutar
- Rodar os ombros. Não desesperar
- Abandonar as queixas e os sentimentos de culpa
- Rodear-me de gente iluminada. Fugir do resto.
- Estabelecer prioridades
- Dar, dar, dar.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

As crónicas de Narnia

Nunca perdemos por completo o nosso lado infantil. Todos temos uma fatia de criança que nunca nos abandona. Nem mesmo quando achamos que somos muito crescidos. Se assim não fosse, não se escreviam livros de fantasia, nem se fariam filmes, nem peças de teatro, nem ilustrações, músicas, danças, jogos, brinquedos. Não se daria vida a animais falantes, faunos, gigantes, minotauros, feiticeiras e portas mágicas. E quão mais pobre seria este nosso universo...! Aceitar a imaginação que nasceu connosco e nos acompanhou ao longo da infância é poder, em qualquer idade, atravessar o espelho e entrar em mundos maravilhosos. Viver, na segurança do nosso recanto, aventuras com final feliz. É dar uma oportunidade à inocência. Entregar-nos a uma doce evasão que nos faz sorrir e nos retempera as energias. Erguendo-nos os pés do chão, dando-nos alento para enfrentar a realidade. Fazendo-nos esquecer o lado fastidioso da vida. Mesmo que por instantes apenas.  
E por isso hoje escolhi ser criança outra vez. Durante a tarde, de olhos brilhantes e respiração suspensa frente ao televisor, vi, pela primeira vez, este filme baseado na obra de C.S. Lewis. Maravilhoso.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Setembro

Agosto terminou e eis que a vida vai regressando à sua respiração habitual. É preciso chocalhar a preguiça da estação, tomar fôlego, tirar a poeira da mesa, guardar as havaianas. Devíamos pôr este verão de castigo. Portou-se muito mal, o menino. Andou a fingir que trabalhava, deu imensas faltas, teve péssimas notas no teste final. Mas passa sempre de ano, o patife. Decerto ainda teremos uns dias de consolo, uma espécie de aulas de compensação, de uma segunda chamada, para recuperar a dignidade estival. E enquanto esses dias não chegam, dou um jeito à casa, ponho a correspondência em dia, junto-me à corrente que anuncia a "rentrée". Regresso à escrita com novo fôlego. Leio, pela terceira vez, um livro que me lembra aquilo que já sei e que tendo a esquecer. Insistir. É urgente insistir até entranhar. Lembrar que a vida não é para se ver da janela. Que os anjos voam porque se fazem leves. Que somos estudantes numa imensa universidade. Que é preciso sermos escultores todos os dias. Devagarinho, cinzelando, dando forma, corrigindo, até encontrarmos a nossa imagem mais verdadeira e varrer, sem culpa nem remorso, o que ficou para trás. Pois é parte da obra. Também as sobras foram e serão o nosso alimento.