segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Happy unhappy Day :-)

Só para dar o exemplo, neste que dizem ser o dia mais triste do ano, lá porque é a terceira 2ª feira de Janeiro (vá-se lá perceber o critério...), deixo-vos com um video que já foi visto cerca de 552 milhões de vezes no Youtube. Caramba, devemos estar, realmente, a precisar que nos alegrem :-)
Então tomem lá e divirtam-se! (só para contrariar as estatísticas, vá)
E já agora.....OBRIGADA PELAS 60.000 (e quinze!) visitas a este blogue! :-)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Mia Gentile

Fiquem-se com este Mix engraçadíssimo da cantora Mia Gentile, brincando com os jungles-tipo. Reconheço-os bem, pois no passado gravei uns quantos destes :-) Bom fim de semana, sim? Divirtam-se, que eu também.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Miss Marple

Estou fã do novo remake de Miss Marple (enfim, novo para nós, portugueses, pois foi gravado no Reino Unido entre 2004 e 2008). Geraldine McEwan vai lindamente, com o seu sorriso, o brilho dos seus olhos, o porte de pássaro. Por enquanto teremos o prazer de vê-la protagonizar a famosa personagem criada por Agatha Christie; mas como, em 2008, Geraldine se reformou da série, na 4ª temporada em diante o papel será desempenhado por Julia McKenzie. Não há uma apresentação, um excerto ou genérico que lhe faça justiça, infelizmente. Deixo-vos com um tributo a Geraldine, em vários episódios de Miss Marple.
Dá na Fox Crime, 2ª feira, 23.10. E eu gravo todos.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Vida Perdida


© Nanã Sousa Dias

ando em busca da vida que perdi.
alguém viu passar os dias
que escorreram de mim?

se os virem, se pelo caminho se cruzarem
com a vida que maltratei,
peçam-lhe por mim perdão,
que me deixe viver aquilo que agora sei.

dizem-me os ventos
que anda perdida na rua,
chorando, tremendo nua.

algo disse que a ofendeu,
gestos que dei, mas não eram meus…

 e a chuva anuncia, com mágoa no olhar:
– Vi a tua vida, há tanto perdida,

doente, cansada
de ter solidão e inverno no peito
E mais nada

deitou-se a seu jeito, envelhecida
na estrada vazia
e morreu.

(Vera de Vilhena, inédito, 2015)

sábado, 10 de janeiro de 2015

Novo sentido

 Este é o poder da música. Neste arranjo soberbo, quase mágico, um video que circulava há anos no Youtube, mostrando, para nos fazer sorrir, uma cacofonia de notas, a comicidade de um gato revelando ao mundo que adora retirar sons do piano, tudo ganha sentido aos nossos ouvidos - fazendo-nos sorrir, novamente, mas tocando, desta feita, uma outra corda da nossa sensibilidade. Escutem com atenção este sentido no caos, como a velha secretária de um escritor.
Será que este gato escutava, dentro de si, uma qualquer orquestração semelhante, quando parecia improvisar? Nunca saberemos. ;-)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Exangue




Os passos maiores do que as pernas que não tenho. Dispondo palavras a cumprir a ideia do ofício, sem que tenha sumo, ou carne ou sangue para dispôr na travessa. E esta fome, só eu sinto esta fome que não se sacia e diz o outro que é escrevendo, escrevendo que a ideia surge e ela nada, nada de nascer deste terreno infértil.
Onde está? Onde anda tudo o que é urgente dizer? Escorreu de mim, para um abismo de silêncios,   rindo-se desta inaptidão, dando o braço a tantos outros que são, esses sim, os homens que escrevem. Eu não, eu minto, engano. Em mim apenas uma vontade sem estrutura. 

 É este corpo sem pulsação, impulsivo no pulsar lento destes membros de madeira exangue, a seiva exausta, nestes olhos de vidro frio, que nada vêem, nada vivem. 
Que obra constrói um escritor que não escreve? Perdoá-lo-ão, por se inscrever, escrevendo-se por dentro? 

Serei eu feita de segredos que nem eu mesma consigo desvendar?

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Em carne e osso

Já tenho dito isto, por outras palavras, como alerta. Penso nisto bastantes vezes. É urgente não esquecermos como viver em carne e osso. Faz falta estar, com o corpo todo, junto dos que mais amamos. E reaprender a saborear os momentos pelo que são. Contra mim falo, que tantas vezes me esqueço. Este ano estou decidida a contrariar a tendência e a fazer por abraçar mais as pessoas que amo. 
Menos palavras, menos imagens. Mais acções.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Happy

E porque estamos em festa, a inaugurar 2015, um video que nos obriga a sorrir e a dançar, ao som de "Happy", de Parrell Williams :-)
Sugiro que vejam os videos relacionados destes meninos, que reagem às velhas tecnologias (walkman, telefone, máquina de escrever, computador de 1980, etc).

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

enquanto deixo, não deixo

© Nanã Sousa Dias
10 Resoluções para o ano novo:

 1 - Deixar de buscar soluções para problemas que as não têm
 2 - Deixar de adiar as soluções para os problemas solucionáveis
 3 - Deixar as minhas unhas e peles em paz 
 4 - Deixar de me entregar à preguiça que não me deixa
 5 - Deixar de me queixar
 6 - Não deixar que as nuvens negras me escureçam
 7 - Não deixar de escrever o que me vier à cabeça
 8 - Não deixar de deixar em paz o que me atormenta
 9 - Não deixar que a falta de riqueza me empobreça
10 - Não deixar de me acordar quando adormeça.

sábado, 27 de dezembro de 2014

In a better world (2010)

 
Comovente, dramático, intenso. Nele encontrei o que de mais puro existe na humanidade, na raiva, no arrependimento, no perdão, na amizade. No amor. Imperdível. É falado em sueco, mas mal reparei nisso, confesso. Aviso à navegação: final feliz.



quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Desejos



Em jeito de oferenda natalícia, no dia em que celebramos o nascimento do menino Jesus...
 
«A Casa suspirou, abrindo fendas minúsculas nas paredes. Aqueles seus olhos insatisfeitos pareciam não lhe pertencer. Também ela sabia que o mundo era maior do que aquilo que podia observar a partir das suas janelas, pois escutara os relatos de viagens que os donos realizavam, quando a encerravam durante muitos dias e muitas noites. Por mais que a vida do jardim se modificasse à passagem das estações, não parecia suficiente; por mais contacto que tivesse com pessoas distintas e testemunhasse o crescimento das crianças, o lugar era sempre o mesmo. Era a sua casa. E na verdade seria assim tão terrível pertencer a uma casa, a um lugar seguro?
            Como eram ingratos, os seus olhos, pensava a Casa.

            A Janela, porém, não se conformava com a sua imobilidade.
À noite, sonhava em partir, como tapete voador quadriculado, sobrevoando outras casas; as torres das igrejas, lagos e planícies; cidades modernas e bem iluminadas; florestas e desertos; aldeias paradas no tempo. À hora em que todos dormiam e a escuridão brilhava lá fora, no esplendor das suas trevas, podia apenas imaginar, sob as pálpebras cerradas, que percorria esses lugares encantadores.
Por vezes, a Janela da Casa perguntava à Lua:
− Tu, que tens um corpo de redonda luz, que vês quando a Noite vem?
E a Lua, inchada no seu orgulho, sempre respondia:
− Tudo vejo em sombras tingidas de azul. Mas o que mais admiro, é o meu corpo de prata, estendido sobre as águas negras.
            Como era vaidosa, a Lua, pensava a Janela.»
(© Vera de Vilhena, excerto inédito, in "O jardim dos desejos) 
FESTAS FELIZES PARA TODOS

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

David Lodge

Já li várias obras de David Lodge, um dos meus escritores preferidos. «A Vida em Surdina» só veio confirmar a impressão que tinha. Esta é uma história apresentada de forma inteligente, divertida, desconcertante, por vezes e, no que respeita à relação de Desmond Bates, o protagonista, com o pai (de contornos bastante autobiográficos, como o próprio admite na nota de autor) comovente, em especial no fim. Tânia Ganho está de parabéns, como tradutora, sendo que este livro, em particular, deve ter constituído um desafio, a par com a diversão por criar equivalências em português, para dar resposta aos muitos trocadilhos. O tema da surdez e o constrangimento que pode provocar a nível social, e não só, vieram ao encontro de situações com as quais eu mesma me tenho deparado, a par dos meus problemas de visão. A vida académica como pano de fundo, um dos cenários em que se desennrola a acção, é já tema recorrente nas obras de David Lodge, compreensivelmente, já que o autor, doutorado na Universidade de Birmingham, leccionou Literatura Moderna Inglesa até 1987, até optar por se reformar antes do tempo previsto, para se dedicar em exclusivo à escrita. E ainda bem para nós que o fez, pois a sua carreira é admirável e os seus livros um prazr para os leitores que apreciam também, como eu, um tipo de escrita moderno, que surpreende.
 
Sinopse
 «Quando decide pedir a reforma antecipada, o professor universitário Desmond Bates nunca pensou vir a sentir saudades da azáfama das aulas. A verdade é que a monotonia do dia-a-dia não o satisfaz. Para tal contribui também o facto de a carreira da sua mulher, Winifred, ir de vento em popa, reduzindo o papel de Desmond ao de mero acompanhante e dono de casa. Mas o que o aborrece verdadeiramente é a sua crescente perda de audição, fonte constante de atrito doméstico e constrangimento social. Desmond apercebe-se de que, na imaginação das pessoas, a surdez é cómica, enquanto a cegueira é trágica, mas para o surdo é tudo menos uma brincadeira. Contudo, vai ser a sua surdez que o levará a envolver-se, inadvertidamente, com uma jovem cujo comportamento imprevisível e irresponsável ameaça desestabilizar por completo a sua vida.»
Para mais informação, espreitem a crítica do New York Times

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Sangue e poesia II

 
(Conclusão da crónica iniciada ontem)
Foram-se ambos, marido e carteiro, no Smart, rumo ao hospital. A mota ficou junto ao portão. O Gastão tomou um segundo pequeno-almoço, depois do aperitivo. Arfava, satisfeito, de consciência tranquila por uma manhã produtiva de trabalho. Comeu com sofreguidão, de apetite desperto pela degustação do sangue, e foi ladrar mais um pouco à mota, cujo cheiro, que sentia do lado de cá do portão, lhe espicaçava a raiva antiga pela classe.
Só então fui ver o que o carteiro me trouxera: sempre eram os livros. Doze exemplares do «Fora do Mundo». O papel pardo algo manchado, com remetente "Legendas e reticências", contendo os meus livros de poesia, corados de vergonha, por terem sido a causa do transtorno.
Às tantas os homens regressaram. Veio uma carrinha dos CTT. O Sr. Jorge, a vítima, de mão ligada.
- Levou pontos? - Perguntei ao Nanã.
- Não. Não dão pontos com mordidelas de cães.
Fazia sentido. Não fosse infectar.
O colega do Sr. Jorge e o meu marido puseram a mota no interior da carrinha, não sem dificuldade. O carteiro a querer ajudar, de mão ligada e dorida.
O Gastão preso no estendal, estranhamente calmo, talvez com pena do homem, que até é bem simpático.
O Sr. Jorge irá ficar uma semana de baixa, pois não pode conduzir.
- Olhe, dona Vera, é da maneira que aproveito para comprar os presentes de Natal com mais calma.
Mas que homem é este? Um santo? Um anjo?
Não, é só um carteiro.
E ainda maldizem o atendimento nos serviços públicos.
Não me canso de repetir: tenho um imenso respeito pelos carteiros e hoje mais ainda por um em especial: o Sr. Jorge.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Sangue e poesia I

(Iª de 2 partes)
O meu marido foi à janela. O carteiro trazia qualquer coisa, uma encomenda que precisava de assinatura.
- Estás à espera de alguma coisa?
- Não - Disse eu estremunhada - Ah, sim, devem ser os livros da Poética. 
Ele desceu. Eu fiquei na cama, entregue à preguiça, até porque tinha ficado a ler até ao fim "A vida em surdina", do David Lodge, com insónia, até quase às 6h da manhã.
Os cães não paravam de ladrar. Normal, tratando-se do carteiro, um ódio de estimação, especialmente do serra da estrela cá de casa, o Gastão. Pouco tempo depois o marido subiu ao quarto.
- Vais ter de te levantar. O Gastão mordeu o carteiro na mão. Vou ter de ir com ele ao hospital.
Assim começou o nosso dia.
Já com um lenço agarrado à mão, o jovem carteiro caminhava para um lado e para o outro, visivelmente nervoso, com a adrenalina em alta, amparando a mão, que pingava.
Sugeri que entrasse, enquanto o meu marido se preparava para sair; ofereci-lhe um chá, água oxigenada. A tudo ele disse que não, que não era preciso. E sempre a sorrir. Até teve humor suficiente para pedir desculpa, por estar a sujar o chão da entrada.
Eu consternada. Aflita com a situação. Às tantas era ele, mais calmo, que me tentava acalmar a mim: 
- A culpa foi minha, sabe? Ele está a fazer o papel dele, eu é que invadi o território dele. Ainda por cima tinha o dono ao pé, estava a protegê-lo, é normal, dona Vera. Eu gosto muito de cães, sabe?
A mão pingava.

domingo, 7 de dezembro de 2014

BBC Music

Um tema dos Beach Boys (1966) usado para celebrar o lançamento da BBC Music. Quanta abundância....! Está fantástico.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Dois Mundos

«Caminhando, chegam-me lanças de luz
Entre os ramos dos pinheiros.
O vento traz-me ondas de incenso
Composto de folhas frescas
Que um agricultor vai cremando.
O verdor da salsa, a emoldurar as bermas da estrada,
Serpenteando e descendo,
Inunda-me as narinas e abre-me o apetite
Por alimentos frescos,
Temperados com azeite maduro
E vinagre de frutos vermelhos.
Há pombos atravessando-se diante dos meus olhos,
Recolhendo-se ao pombal da D. Alberta.
A tarde finda.
Os meus passos acontecem
Ao ritmo de um Tony Bennett,
Na surpresa de tantos duetos tardios.
Na sombra, arranco, à passagem,
Fragmentos de cedros,
Que esfrego nas mãos enquanto um melro me olha,
Calando a melodia e dançando
Sobre as flores silvestres.
Tenho paz neste meu isolamento.
Não estou longe do mundo –
– este é apenas o meu mundo.
Preciso de me lembrar,
Como quem anota uma tarefa num post it:
Visitar o outro mundo de vez em quando.»
(© Vera de Vilhena, in "Fora do Mundo", Poética Edições, 2014)