Dancem sem pruridos nem ralações, como se ninguém estivesse a ver. Uma terapia, garanto!
Não se deixem enganar pelas riscas cor-de-rosa. Os dias são (d)escritos com todas as cores.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
quinta-feira, 10 de setembro de 2015
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Recomeço ?
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| Por inverosímil que pareça, a vista do meu quarto e do meu escritório, na estação das chuvas. |
- Estou aqui.
E então ela escreve. Para que o tempo não faça queixa dela.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Infortúnios
"Se todos os infortúnios do mundo fossem colocados juntos e posteriormente repartidos em partes iguais por cada um de nós, ficaríamos muito felizes se pudéssemos ter apenas, de novo, só os nossos."
(filósofo Sócrates, Atenas, 469 a.C. - Atenas, 399 a.C.)
Obrigada, Ana.
(filósofo Sócrates, Atenas, 469 a.C. - Atenas, 399 a.C.)
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sábado, 5 de setembro de 2015
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
Revolta
Só tenho revolta. E um estúpido sentido de justiça que não parece ter lugar no mundo em que vivemos. Cheguei ao meu limite. E agora? Agora só me resta lutar. E logo eu, que não faço mal a uma mosca (forma de dizer, pois já matei imensas), terei de manter esta raiva, para não perder a coragem e remeter-me ao silêncio e ao conformismo.
Para ilustrar tudo isto, uma imagem singela do estado do meu olho esquerdo que, ao que me dizem os médicos, mesmo após o transplante de córnea não irá recuperar a visão.
Para ilustrar tudo isto, uma imagem singela do estado do meu olho esquerdo que, ao que me dizem os médicos, mesmo após o transplante de córnea não irá recuperar a visão.
Como podem ver, não estou para literaturas. A realidade só me deixa gritar isto.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Fugir
E eis que chega Setembro. Entregue o último capítulo ontem, como revisora literária, nada me resta senão cuidar de mim. Uma ida ao hospital a preparar uma operação. A 12ª operação aos olhos. Levo uma esperança tímida dentro do bolso. Na 6ª feira pego no microfone e nos dias seguintes aguarda-me a escrita e lançar sementes para o outono e o Inverno. O dia tristonho, sem vontade. Já percebeu que Agosto terminou. A pele amarela, a fazer-se folha de plátano caída. As contas caindo como um colar de pérolas que rebenta na minhas mãos. Uma bola de neve que esmaga. Só me apetece fugir para fora de mim. Ser outro. Outro ser.
sexta-feira, 31 de julho de 2015
terça-feira, 21 de julho de 2015
Haja humor
terça-feira, 14 de julho de 2015
Ilha
( © Vera de Vilhena, romance em construção)
domingo, 12 de julho de 2015
A chama
Daniel
Preston, psicoterapeuta mais conhecido por “D. Pression”, está incapaz de
encontrar prazer nos tesouros da cidade londrina. Não há montra nem peça que prendam a sua atenção inteira. Os doentes sugam-lhe a
felicidade, a paz, além de lhe porem alcunhas crueis. Depois há aquele sentimento que
não pode ter, nem sabe como arrancar do peito e da consciência.
Solta
um grito em pleno parque e assusta os pombos. Um deles deixa cair o recheio dos
intestinos sobre o seu ombro esquerdo, do lado do coração. Deprimido, arranca
para o escritório. É urgente limpar-se antes de ela chegar. Recompor-se.
Ela
chega. Senta-se. Desabafa. Ele mal a escuta, ocupado que está em amá-la em
segredo. Ofendida, ela sai, batendo com a porta.
Ardendo,
calada, a vela sobre a secretária nada diz. A chama dança, com a força do ar
deslocado pela porta zangada, ondeando como bailarina exótica, a barriga musculada da chama, dança
do ventre em fogo, para lá e para cá, a censurá-lo com um tss tss…a tua bela doente
saiu, reparaste? Doente anda ele, com a paixão que não pode sentir, por causa
da maldita ética profissional. Sopra a vela, como quem pede um desejo. O pavio
apaga-se, deixando-o iluminado, a sós com a sua própria chama. D. Pression sai
porta fora e chama por ela. É no corredor que lhe diz:
-
O meu silêncio chama por si, arde em pavio impossível de apagar, como aquelas
velas irritantes nos bolos, sabe?
É
um chamamento desesperado, palavras ateadas sem jeito.
Ela
ri-se e dá-lhe um longo beijo. Nesse colar de bocas vão as chamas que há muito
tentava acender nele. No beijo, um incêndio.
sábado, 11 de julho de 2015
Perdida, a cadela
Nunca passa fome. Vive da gratidão dos que, por vê-la,
arranjam um pedaço de pão, um osso, uma casca de fruta, um biscoito. O nome por
que é conhecida não faz qualquer sentido.
- Perdida! Anda cá, toma!
Perdidos são os que andam sem consolo na vida, sem projecto
nem futuro. Sem dignidade. É cadela de rua, sim, mas tão orgulhosa que, quando
a chamam pelo nome, não responde. E é nesse não responder que sempre se
encontra.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Sem ser chamado
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As
suas acções nunca tinham um fio condutor. Por várias vezes encontrou a linha
impedida e perdia oportunidades como quem deixa cair a senha na rua, para ir ao
café só por dois minutos, até chegar a sua vez. Andava desencontrado com o
mundo, sem voz nem mensagem. Uma noite, de madrugada, cortou os pulsos, interrompendo
o que sempre fora uma má ligação.
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Rosas de sangue
As
roseiras daquela casa davam rosas cor de sangue fresco. Algo nunca visto, pois
mesmo em pleno inverno não deixavam de florir. Pensava-se em milagres, num qualquer
plano divino para mostrar a força da Mãe Natureza, as bênçãos de uma santa
família. Mas não, era apenas uma estranha combinação química, pelos mortos ali
enterrados em noites de lua cheia.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Raízes e revisões
Revisão literária, reescrita de tantos textos, tantas páginas escritas por terceiros. Têm sido assim os meus dias, as horas centradas nos livros dos outros, sem direito para o que é meu. O ofício em primeiro lugar. Em primeiro lugar o sustento. Para segundo plano os caprichos. Quase, quase um dever cumprido. Logo virá o tempo da escrita. Sem desculpas. Sem mais adiamentos. É urgente escrever para mim, terminar o que inaugurei há treze anos. Nem que seja para ter paz. Quase. Quase a tocar nesse tempo com a ponta dos dedos. O solo ressequido aguarda. Em breve poderei revolver os torrões de açucar mascavado. Sentir, de novo, o perfume natural das minhas próprias palavras. Sob a pá que a mulher enterra, junto àquela árvore, bem que podiam estar as minhas pobres personagens, que há tanto tempo aguardam, paralisadas em silêncio. Esperem, só mais um pouco, tenham só mais um pouco de paciência. Em breve irei socorrer-vos, enfiar-me na terra convosco, a buscar as raízes que deixei para trás.
terça-feira, 23 de junho de 2015
Luto para sempre

As
três folhas amarrotadas pelo uso das mãos, as mãos revelando os
primeiros indícios da idade, a
idade nas veias, pequenos
riachos de águas inchadas, azuis, estendidas na planície da pele,
os dedos
magros, o lugar vago da aliança, para sempre vazio, uma
vaga aberta e inútil, agora
que ela se vestia de luto, para dizer adeus ao seu primeiro amor.Os
olhos inchados lendo, a
custo:
«
– Quando formos adultos e casarmos…
Tu
interrompias-me, Sara, como quem afasta uma tragédia, a testa
franzida, os olhos bem abertos:
– Casar
contigo?! Nem morta!
Para
nós não havia futuro, dizias. Teimavas em lembrar-me que era
temporário, insistias em não acreditar em nós, neste futuro que
foi chegando. Não estamos aqui? Não chegámos até aqui? Se estás
a ler esta carta, sabes que já é futuro e nós continuamos aqui. O
tempo não conseguiu silenciar-nos. Só a morte é capaz de calar
para sempre.
(...)
(...)
Cada
vez que me punhas de parte, a tua vida sem mim era para sempre. Era
sempre para sempre. Mas fraquejavas sempre. E também na
reconciliação eu conquistava a prova de que não podias viver sem
mim.
Depois
veio a vida e ensinou-me que afinal podias. Mas isso foi depois.
(romance em construção)
terça-feira, 16 de junho de 2015
quarta-feira, 3 de junho de 2015
João Aguiar
Faz hoje cinco anos que perdemos o jornalista e escritor João Aguiar, que anda tão esquecido. O seu nome está normalmente associado ao romance histórico "A voz dos deuses" (que já vai em quase 30 edições), cujo protagonista é Viriato, o bravo lusitano. Acontece que, além dessa obra, escreveu muitas outras. Do que li, as minhas preferências vão para "O Navegador Solitário" e "Diálogo das Compensadas". Prolífico, dono de um excelente sentido de humor, de imaginação, domínio da palava escrita e rigor histórico, foi também autor de uma considerável obra dedicada aos leitores mais jovens, sendo a colecção mais conhecida O Bando dos Quatro.
Tive o privilégio de me corresponder com ele nos últimos anos da sua vida. João Aguiar foi de uma extrema simpatia: inclusive, enviou-me, com dedicatória, dois livros seus, "O Priorado do Cifrão", sátira escrita no âmbito da febre originada pelo famoso bestseller de Dan Brown, e "O Tigre Sentado", que quase não teve distribuição em Portugal mas em Macau. O autor d' "Os Comedores de Pérolas" morreu demasiado cedo, aos 67 anos, e foi impedido de nos presentear com outros livros que não foi a tempo de escrever.
E por falar nisso, já é tempo de reeditarem alguns dos seus livros, não? A 9ª edição do Navegador Solitário está esgotada e é, sem dúvida, um dos melhores que escreveu. Os Comedores de Pérolas foi reeditado em 2013, com uma capa bem mais apelativa do que as anteriores. Deixou, para todas as idades, dos 10 aos 100, 33 livros. É obra. Não o esqueçamos, por favor.
Dedico este post ao Nanã.
Tive o privilégio de me corresponder com ele nos últimos anos da sua vida. João Aguiar foi de uma extrema simpatia: inclusive, enviou-me, com dedicatória, dois livros seus, "O Priorado do Cifrão", sátira escrita no âmbito da febre originada pelo famoso bestseller de Dan Brown, e "O Tigre Sentado", que quase não teve distribuição em Portugal mas em Macau. O autor d' "Os Comedores de Pérolas" morreu demasiado cedo, aos 67 anos, e foi impedido de nos presentear com outros livros que não foi a tempo de escrever.
E por falar nisso, já é tempo de reeditarem alguns dos seus livros, não? A 9ª edição do Navegador Solitário está esgotada e é, sem dúvida, um dos melhores que escreveu. Os Comedores de Pérolas foi reeditado em 2013, com uma capa bem mais apelativa do que as anteriores. Deixou, para todas as idades, dos 10 aos 100, 33 livros. É obra. Não o esqueçamos, por favor.
Dedico este post ao Nanã.
terça-feira, 2 de junho de 2015
Não me queixo
O ofício de escritor pode ser frágil e colorido como um vitral.
A feira formada por corredores cheios de cor, forrados de livros, livros, livros. Era Dia da Criança, mas as crianças estavam na escola, não podiam pedir autógrafos aos escritores.
Cheguei já a barriga dava horas, o pequeno-almoço distante, o estômago a implorar por alimento. Depois de me ir buscar a Ribamar, perto da Ericeira, a minha editora deixou-me instalada na mesa de autor, com alguns exemplares do Coisandês, e foi buscar-me almoço. Chegou o fotógrafo da Activa, para uma pequena entrevista. A nós juntou-se a jornalista Catarina Fonseca, que me ajudou a passar aquela hora de constrangimento de uma autora novata, que está ali a uma 2ª feira a meio da tarde.
Às quatro chegou o Alexandre Honrado, que me fez rir e com quem simpatizei de imediato. Ele e a Catarina, que já terminara a pequena entrevista e despachara as fotos da "avodrasta", deram um longo abraço cúmplice de camaradas.
Ainda revi a minha colega Joana Macieira e de novo provei os seus "Queques com Alma", desta vez um de aveia e chocolate, maravilhoso.
Passeei-me pela feira, parei para lanchar, quando os pés já pediam: um scone simples, uma limonada de maracujá e um café, tudo muito bom. Os feirantes gostam de mimar quem anda por ali, a namoriscar os livros.
E foi precisamente nos livros que me desforrei do meu fracasso: "Memórias de Adriano", de M. Yourcenar (Ulisseia, Grupo Babel), "A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector (Relógio d'Água) e dois do Nobel islandês Haldór Laxness: "Gente Independente" e "Os Peixes Também Sabem Cantar" (Cavalo de Ferro).
No pavilhão da Chiado Editora, fui dar com a minha Ilha de Melquisedech embalada em papel transparente, pack 2 em 1, com um livro sobre cristais...preço do pack: 5 euros. Por momentos não soube se havia de rir ou de chorar. Optei por rir e colocar o meu livro em primeiro plano, para os ajudar a despachá-lo ainda mais depressa.
Quando regressei ao pavilhão da Babel, estava a autora Maria Teresa Maia Gonzalez, minha colega na área juvenil, e que eu ainda não tinha tido o prazer de conhecer.
Da minha editora ainda recebi três miminhos, ao fim da tarde: um boné da colecção "Sisters", e um bloco e um mouse pad da Mafalda.
A Maria José veio trazer-me a casa, chegámos já era noite, distraímo-nos à conversa e, quando reparámos, já íamos em Torres Vedras.
Autógrafos, zero. Mas o balanço do dia foi bom. Tenho aprendido a manter baixas as expectativas. E o que vem é bem-vindo. Tive, decerto, um dia bem mais simpático do que muito boa gente. Não há lugar para queixumes.
A feira formada por corredores cheios de cor, forrados de livros, livros, livros. Era Dia da Criança, mas as crianças estavam na escola, não podiam pedir autógrafos aos escritores.
Cheguei já a barriga dava horas, o pequeno-almoço distante, o estômago a implorar por alimento. Depois de me ir buscar a Ribamar, perto da Ericeira, a minha editora deixou-me instalada na mesa de autor, com alguns exemplares do Coisandês, e foi buscar-me almoço. Chegou o fotógrafo da Activa, para uma pequena entrevista. A nós juntou-se a jornalista Catarina Fonseca, que me ajudou a passar aquela hora de constrangimento de uma autora novata, que está ali a uma 2ª feira a meio da tarde.
Às quatro chegou o Alexandre Honrado, que me fez rir e com quem simpatizei de imediato. Ele e a Catarina, que já terminara a pequena entrevista e despachara as fotos da "avodrasta", deram um longo abraço cúmplice de camaradas.
Ainda revi a minha colega Joana Macieira e de novo provei os seus "Queques com Alma", desta vez um de aveia e chocolate, maravilhoso.
Passeei-me pela feira, parei para lanchar, quando os pés já pediam: um scone simples, uma limonada de maracujá e um café, tudo muito bom. Os feirantes gostam de mimar quem anda por ali, a namoriscar os livros.
E foi precisamente nos livros que me desforrei do meu fracasso: "Memórias de Adriano", de M. Yourcenar (Ulisseia, Grupo Babel), "A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector (Relógio d'Água) e dois do Nobel islandês Haldór Laxness: "Gente Independente" e "Os Peixes Também Sabem Cantar" (Cavalo de Ferro).
No pavilhão da Chiado Editora, fui dar com a minha Ilha de Melquisedech embalada em papel transparente, pack 2 em 1, com um livro sobre cristais...preço do pack: 5 euros. Por momentos não soube se havia de rir ou de chorar. Optei por rir e colocar o meu livro em primeiro plano, para os ajudar a despachá-lo ainda mais depressa.
Quando regressei ao pavilhão da Babel, estava a autora Maria Teresa Maia Gonzalez, minha colega na área juvenil, e que eu ainda não tinha tido o prazer de conhecer.
Da minha editora ainda recebi três miminhos, ao fim da tarde: um boné da colecção "Sisters", e um bloco e um mouse pad da Mafalda.
A Maria José veio trazer-me a casa, chegámos já era noite, distraímo-nos à conversa e, quando reparámos, já íamos em Torres Vedras.
Autógrafos, zero. Mas o balanço do dia foi bom. Tenho aprendido a manter baixas as expectativas. E o que vem é bem-vindo. Tive, decerto, um dia bem mais simpático do que muito boa gente. Não há lugar para queixumes.
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| Alexandre Honrado |
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| Joana Macieira |
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| Maria Teresa Maia Gonzalez |
segunda-feira, 1 de junho de 2015
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