Estes videoclips fizeram parte da minha adolescência. Eram das músicas que no verão, na discoteca Belle Époque, em Sesimbra, me puxavam sempre para a pista de dança. De tal maneira David Bowie se transformava, que muita gente o deve ter visto em vários filmes sem o reconhecer, tal como em "A Última Tentação de Cristo" (1988) ou "O Grande Truque" (2006)
Não se deixem enganar pelas riscas cor-de-rosa. Os dias são (d)escritos com todas as cores.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Só a chuva
![]() |
| Vista do meu "escritário", hoje |
É hora de fechar as portadas, cerrar os olhos da casa, a abreviar o frigidez da estação. Lamento não poder cerrar as portadas do tempo, para abreviar o meu inverno.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Exmo. Sr. 2016
Exmo, Sr. 2016
Ainda não fomos apresentados, mas tomei conhecimento de que será o novo Administrador do Departamento Temporal nesta empresa e, como accionista de médio prazo, gostaria de lhe fazer chegar os objectivos para a nossa reunião de amanhã, no seguimento da experiência adquirida com o seu antecessor, cujos resultados ficaram muito aquém das expectativas.
É urgente baixar a despesa lacrimal e aumentar os proventos de felicidade. Atribuir subsídio de alimentação aos pobres e aflitos, bem como assegurar, na saúde e na doença, os cuidados a todos os empregados e desempregados nesta nova colaboração cronológica.
É necessário que seja criada uma Secção de Abraços e Diálogo, dependente do Departamento de Recursos Humanitários, cujo capital teve um aproveitamento deficiente no ano que agora finda. Sugiro também que se equacione, sem demasiada logística, que sempre atrasa a tomada de decisões e a concretização das metas delineadas, a construção de um Gabinete de Maior Justiça, que poderá ficar sob a tutela do extinto Dar Mais Que Receber (DMQR), que pretendemos reabilitar, após as obras necessárias.
Por fim, e porque não pretendo alongar-me apelando ao óbvio, peço que sejam dadas instruções, no sentido de assegurar reuniões com a minha equipa, a título regular, com o intuito de relembrar tradições que tendem a desvanecer no departamento ocupado agora por V. Exa.
Antecipadamente grata pela atenção dispensada,
...
Ainda não fomos apresentados, mas tomei conhecimento de que será o novo Administrador do Departamento Temporal nesta empresa e, como accionista de médio prazo, gostaria de lhe fazer chegar os objectivos para a nossa reunião de amanhã, no seguimento da experiência adquirida com o seu antecessor, cujos resultados ficaram muito aquém das expectativas.
É urgente baixar a despesa lacrimal e aumentar os proventos de felicidade. Atribuir subsídio de alimentação aos pobres e aflitos, bem como assegurar, na saúde e na doença, os cuidados a todos os empregados e desempregados nesta nova colaboração cronológica.
É necessário que seja criada uma Secção de Abraços e Diálogo, dependente do Departamento de Recursos Humanitários, cujo capital teve um aproveitamento deficiente no ano que agora finda. Sugiro também que se equacione, sem demasiada logística, que sempre atrasa a tomada de decisões e a concretização das metas delineadas, a construção de um Gabinete de Maior Justiça, que poderá ficar sob a tutela do extinto Dar Mais Que Receber (DMQR), que pretendemos reabilitar, após as obras necessárias.
Por fim, e porque não pretendo alongar-me apelando ao óbvio, peço que sejam dadas instruções, no sentido de assegurar reuniões com a minha equipa, a título regular, com o intuito de relembrar tradições que tendem a desvanecer no departamento ocupado agora por V. Exa.
Antecipadamente grata pela atenção dispensada,
...
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
Calling You
Tema que ganhou o Óscar de melhor canção original no filme de 1987 "Bagdad Cafe". Vale sobretudo pelo décor da sala, bem natalício e mágico e o coro MARAVILHOSO, composto por 500 cantores!
Um Natal abençoado para todos.
Um Natal abençoado para todos.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
A rever vamos
Uma semana sem alimentar o blogue. Pelo meio, uma operação ao olho esquerdo, que me deixou de molho. Regressando pé ante pé ao trabalho de "revisão"...no sentido de "voltar a ver", sim, mas também da revisão...de texto, pois, com ou sem esforço, a favor ou contra as ordens do médico, não é possível parar de trabalhar. Nada de escritas, nada de literário, só repouso-trabalho-repouso e dor, e gotas, e dor e idas a Coimbra e... mais trabalho. A escrita é um luxo ao qual ainda não me posso dar. Chegará o dia? A rever vamos.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
Annie Proulx

Ainda vou a menos de meio da leitura, e deitar-me no conforto dos cobertores, na companhia deste livro, tem sido um prazer. Especialmente com a música de Christopher Young.
Há livros de inverno, tal como "As velas ardem até ao fim", de Sandór Marái. Para serem lidos calorosamente, em pleno frio. Este é um deles.
Edição: Cavalo de Ferro
Sinopse oficial
“O livro narra a vida de Quoyle, um homem derrotado que, abandonado pela mulher, desprezado por família e amigos e despedido do seu emprego parte para a Terra Nova onde deverá trabalhar no seu novo emprego: o jornal The Shipping News. Com as suas filhas pequenas que não lhe reconhecem qualquer autoridade paterna chega a uma terra fria onde as emoções humanas se encontram sobre camadas de gelo mas são muito mais quentes para poderem sobreviver. A vida de Quoyle vai transformar-se e ele terá a oportunidade de reconstruir-se enquanto ser humano."
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Revisão de texto
A brincar a brincar já lá vão 6 anos que faço revisão literária a título profissional. Pelo meio das "amonas" e rasteiras que a vida nos vai pregando, este é um ofício que está a crescer bem. Comecei por rever textos a título pro bono, sem expectativas, apenas com a intenção de ajudar quem precisava, já que era algo que fazia com facilidade e tinha tempo livre. Depois atrevi-me a cobrar um preço simbólico já que, por princípio, defendo que o trabalho deve ser pago. Entretanto investi tempo no rigor: fui dando especial atenção ao método de trabalho, às ferramentas utilizadas, à modernização, ao conhecimento do Acordo Ortográfico...
Este ano comecei a ser contratada - não só por particulares - mas também por editores. Neste momento encontro-me a rever uma tese com cerca de 1 milhão e 52 mil caracteres, sendo que ainda faltam umas dezenas de páginas...!
Autores, estudantes e orientadores de teses têm apreciado imenso o meu trabalho, o que me deixa feliz. O comentário que todos partilham é que faço muito mais do que habitualmente é feito por muitos revisores. Não sei se é verdade, apenas conheço a minha forma de trabalhar: dar o meu melhor, ter brio em fazer o que me que é possível, isto deveria ser regra para tudo, certo?
De ano para ano, de livro para livro, de pesquisa em pesquisa, sinto que a aprendizagem é um processo constante e, espero eu, sem fim. Estou grata a cada desafio, que me traz conhecimento, rigor, maior aptidão. Pelas mãos vão-me passando romances, teses académicas, literatura de viagens, ficção científica.
Tenho a sorte de ter investido numa profissão que posso exercer a partir do meu escritório o que, por motivos de saúde, é ouro sobre azul.
Rouba muito tempo à escrita? Sem dúvida. Mas é preciso pagar as contas e já é uma sorte conseguirmos viver do que fazemos com gosto.
A divulgação feita de boca em boca tem muito que se lhe diga. Estou grata a todos os que vão recomendando o meu trabalho como revisora literária. Bem hajam, porque o trabalho faz muita falta e a vida não está fácil para quase ninguém.
Aqui estão alguns testemunhos
Dedico esta mensagem à Maria João, ela sabe porquê.
Este ano comecei a ser contratada - não só por particulares - mas também por editores. Neste momento encontro-me a rever uma tese com cerca de 1 milhão e 52 mil caracteres, sendo que ainda faltam umas dezenas de páginas...!
Autores, estudantes e orientadores de teses têm apreciado imenso o meu trabalho, o que me deixa feliz. O comentário que todos partilham é que faço muito mais do que habitualmente é feito por muitos revisores. Não sei se é verdade, apenas conheço a minha forma de trabalhar: dar o meu melhor, ter brio em fazer o que me que é possível, isto deveria ser regra para tudo, certo?
De ano para ano, de livro para livro, de pesquisa em pesquisa, sinto que a aprendizagem é um processo constante e, espero eu, sem fim. Estou grata a cada desafio, que me traz conhecimento, rigor, maior aptidão. Pelas mãos vão-me passando romances, teses académicas, literatura de viagens, ficção científica.
Tenho a sorte de ter investido numa profissão que posso exercer a partir do meu escritório o que, por motivos de saúde, é ouro sobre azul.
Rouba muito tempo à escrita? Sem dúvida. Mas é preciso pagar as contas e já é uma sorte conseguirmos viver do que fazemos com gosto.
A divulgação feita de boca em boca tem muito que se lhe diga. Estou grata a todos os que vão recomendando o meu trabalho como revisora literária. Bem hajam, porque o trabalho faz muita falta e a vida não está fácil para quase ninguém.
Aqui estão alguns testemunhos
Dedico esta mensagem à Maria João, ela sabe porquê.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Dezembro
Chega Dezembro e o calendário, obediente, traz com ele o frio. As cidades iluminam-se, as montras há muito que se fazem sedutoras, fatais às nossas bolsas, competindo com as correntes de solidariedade que florescem em plena crise; correntes apelando à consciência, para que apoiemos os pequenos produtores, os negócios artesanais de família e dos amigos, que improvisam uns trocos a fim de pagarem as contas, enquanto o emprego não vem.
Inventamos uma expressão festiva, tentamos respirar, o ar entrando e saindo dos pulmões, a marcar o compasso, a lembrar-nos, é urgente construir qualquer coisa de duradouro e valioso, que sobressaia da abundância de tantos nadas em que andamos mergulhados. Não percas tempo, não te percas, segue o caminho.
Que faremos nós deste Dezembro que mais não é do que a vénia esforçada do ano velho e cansado, em despedida? Que sabedoria levaremos connosco, ao marcar encontro com o ano novo, já tão próximo de nós?
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Tabula Rasa
Regresso à rotina. Apesar de ter levado comigo o portátil para o Festival Literário Tabula Rasa, em Fátima, o programa foi tão intenso e rico que não houve tempo para a "manutenção" das minhas páginas, senão para ir postando directamente no facebook a notícia e as imagens dos convidados. O balanço destes cinco dias foi muito bom. Deixo aqui alguns excertos do texto "A escrita como interrogação", que li no sábado passado. Por companhia na mesa redonda (por que é que lhe chamam mesa redonda, se é rectangular? Nunca hei-de perceber) Maria João Carvalho, Luísa Janeirinho e Renato Epifânio, o organizador e anfitrião deste primeiro Festival Tabula Rasa.
« (...) também
o
escritor, embrenhado
no seu ofício como viajante solitário, por vezes quase cego, de
mãos atadas, poderá
desembocar em território inesperado, levado pela vontade insolente
das
suas personagens, quem sabe também elas se interrogando. Como
leitores atentos, apenas podemos adivinhar, pressentir e
admirar a perícia
do escritor, que
ao escrever é receptáculo
de pensamentos que vão tomando forma, respirando,
com prazer, a
poalha de mistério oculta no grão das suas
palavras,
na sede de
compreender, de livro para livro,
que
lugar, que marca irá deixar no mundo, e
que estranha mania é aquela de escrever sem ter outra saída...»
»Se
o filósofo
é «aquele
que procura
a sabedoria, que ama o saber, que indaga a verdade dos
valores morais e estéticos, da mente
e da linguagem»,
o
escritor, por sua vez, vai
apurando a estética da sua escrita e
deixando, de obra em obra, indícios da sua moral e
tentando, em tantos caSos,
atingir o Belo, a Perfeição.
Ao
tentar
dar
resposta aos seus próprios mistérios, provoca
em nós, leitores, novas perguntas
e espantos,
Nesse
caso, é um responder perguntando, pois a interrogação pode, também
ela, trazer o
reflexo da sabedoria.
É
preciso saber para perguntar. A
dúvida pressupõe pensamento, conhecimento.»
«Um
livro fechado, por ler, é um livro mudo. Os livros sem leitores
seriam como cores encerradas
num quarto escuro, invisíveis, sem sentido.»
Intercalei com um punhado de "Filosofices", que conquistaram bastante simpatia, e terminei num registo filosófico e intimista. Aqui vos deixo um último excerto:
«Na (minha) adolescência, deu-se o inevitável: a escrita de versos. Decerto
horríveis, recheados de pirosices, de exclamações...de pontos de
interrogação...até descobrir que as interrogações que certos
autores semeavam em mim eram muito mais interessantes.
E
fui crescendo, vou crescendo, como todos nós, descobrindo com pasmo,
que ao fim de tantas leituras complexas, o olhar se vai esbatendo…
tornando-se desfocado outra vez, as certezas transformando-se
em
incertezas,
as interrogações ganhando às respostas… uma visão que nos vai
encostando a um capítulo final, um epílogo no qual adivinho uma
simplicidade que desarma.
E porque andarmos
desarmados
é
um
ideal que todos deveríamos
conquistar, apostemos
na Literatura.»
sábado, 14 de novembro de 2015
Filosofices X
Se eu voltasse a ser uma criança, havia de querer fazer uma série de perguntas que na altura não me ocorreram. Agora que sou crescida, até parece mal, mas mal que pergunte...
Se «pedregulho» vem de «pedra», porque é que não é «pedragulho»? E se escrevemos «braguilha», por que dizemos nós «breguilha»? Ou vá, porque não passamos a escrever «breguilha» E«muinto»? Quem é que diz «mui»? Isto mói, pois mói-me muinto o juízo.
Se «pedregulho» vem de «pedra», porque é que não é «pedragulho»? E se escrevemos «braguilha», por que dizemos nós «breguilha»? Ou vá, porque não passamos a escrever «breguilha» E«muinto»? Quem é que diz «mui»? Isto mói, pois mói-me muinto o juízo.
Importar
Eu não me importo. Ok, até aí, a malta entende. E o contrário? Eu não me exporto?
Se o "importante" é "o que importa", o que exporta não deveria ser o "exportante"?
Por que é que dizemos que um anjo tem "asas", se depois lhe chamamos um "ser alado"? Então não devia ser "asado"? Ou então dizíamos que os pássaros e os anjos têm "alas", não é? Eu fico completamente desasada com isto... ou desalada? Que é uma salada, é.
E digam-me: se "falecer" é morrer, por que é que "desfalecer" não é nascer? É que desfaleço com estas dúvidas! Ou será que volto a nascer? Eu sei lá, eu cá não sei!
Só mais uma, para acabar:
Se uma "livraria" vende livros, por que é que não lhe chamam "livroria". Estão a ver? Não me livro destas confusões, livra!
Pronto, isto era o que eu perguntava se fosse criança, mas agora sou crescida, já não dá.
(Gostaram? Pesquisem na etiqueta "filosofices", para lerem mais, ou então no site GAVETAS E GAVETINHAS, onde tenho algumas delas mais bem arrumadas, nas "gavetas do meio" :-)
Para festejar a décima série de Filosofices, esta é dedicada às minhas queridas amigas Bé e Stella. :-) :-)
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Paris
PARIS: BELA ADORMECIDA
Estamos assim, rodeados de espinhos, tristes e chocados perante todos aqueles que ficaram por terra, mas que infelizmente não moram nos contos de fada, para despertarem cem anos mais tarde e retomarem as suas vidas. Como seria bom sermos reis e mandarmos destruir todas as armas, como se fossem rocas de fiar...

Estamos assim, rodeados de espinhos, tristes e chocados perante todos aqueles que ficaram por terra, mas que infelizmente não moram nos contos de fada, para despertarem cem anos mais tarde e retomarem as suas vidas. Como seria bom sermos reis e mandarmos destruir todas as armas, como se fossem rocas de fiar...

quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Gregory Parker
Descobri hoje este senhor. O que significa que devo andar mesmo por fora....! É que ele ganhou, no ano passado, o Grammy para Best Jazz Vocal Album, que, em anos anteriores, já foi entregue a Ella Fitzgerald, Al Jarreau, Lena Horne, Take 6, Natalie Cole, Bobby McFerrin, Dianne Reaves, Diana Krall, Esperanza Spalding, entre outros. A minha amiga Magda faz anos hoje, e eu é que ganhei um presente! :-)
Parabéns, Magda! É claro que este tema te é dedicado, neste dia que é um bocadinho mais teu que dos outros.
Be good
Be good is her name
And I sing my lion's song and brush my mane
She would and she could
So she pulled my lion's tail and caused me pain
She said lion's are made for cages
Just to look at in delight
You dare not let 'em walk around
'cause they might just bite
Does she know what she does
when she dances 'round my cage and says her name?
Be good.. Be good
Be good is her name
I trim my lion's claw and I, I cut my mane
And I would, if I could
But that woman treats me the same
She said lion's are made for cages
Just too look at in delight
You dare not let em walk around
'cause they might just bite
Does she know what she does
when she dances around my cage?
Be good is her name
I sing my lion's sing, brush my mane
And she would if she could
so she pulled my lion's tail and caused me pain
She said lion's are made for cages
Just to look at in delight
You dare not let 'em walk around
'cause they might just bite
Does she know what she does
when she dances around my cage?
Be good is her name
I trim my lions' claws, and I... and I cut my mane
And I would if I could
But be good, treats me the same
She said lion's are made for cages
Just to look at in delight
You dare not let 'em walk around
'cause they might just bite
Does she know what she does
when she dances around my cage?
She dances round my cage
Does she know?
Does she know?
Be good, be good, be good, be good
And I sing my lion's song and brush my mane
She would and she could
So she pulled my lion's tail and caused me pain
She said lion's are made for cages
Just to look at in delight
You dare not let 'em walk around
'cause they might just bite
Does she know what she does
when she dances 'round my cage and says her name?
Be good.. Be good
Be good is her name
I trim my lion's claw and I, I cut my mane
And I would, if I could
But that woman treats me the same
She said lion's are made for cages
Just too look at in delight
You dare not let em walk around
'cause they might just bite
Does she know what she does
when she dances around my cage?
Be good is her name
I sing my lion's sing, brush my mane
And she would if she could
so she pulled my lion's tail and caused me pain
She said lion's are made for cages
Just to look at in delight
You dare not let 'em walk around
'cause they might just bite
Does she know what she does
when she dances around my cage?
Be good is her name
I trim my lions' claws, and I... and I cut my mane
And I would if I could
But be good, treats me the same
She said lion's are made for cages
Just to look at in delight
You dare not let 'em walk around
'cause they might just bite
Does she know what she does
when she dances around my cage?
She dances round my cage
Does she know?
Does she know?
Be good, be good, be good, be good
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Na hora da morte
Palavras e expressões que odeio:
CONDOLÊNCIAS: Porque não nos é natural, não faz parte do nosso vocabulário no dia a dia, da nossa colecção de palavras mais sinceras. Além de que a palavra em si é feia, grotesca, torta, como "transeunte". "Os meus sentimentos" soa tão melhor...se eu fosse Ministra das Palavras Portuguesas, bania esta, tipo Rainha de Copas, off with his head!
RIP - Será que nos importamos tão pouco, com o Outro, com os outros? Será que somos assim tão passivos e preguiçosos, que não temos maneira de escrever por extenso "rest in peace"? O RIP remete para o verbo "Ripar", pregar ripas, serrar, cortar; além da linguagem informática: "fazer cópia, geralmente ilegal, de um conteúdo digital de um suporte electrónico para outro.". E como portugueses que somos, já que temos de escolher uma sigla patética na hora da morte, ao menos façamo-lo em português, D.E.P. - descansa em paz. - O que diz de nós, esta coisa de escrevermos "RIP" no mural dos que acabam de partir? Mais valia ficarmos em silêncio, se é para darmos tão pouco.
Hoje perdemos mais um dos nossos: Luís Filipe Aguiar.
Na verdade, não há palavras elegantes na hora da morte, que mais não é do que um ponto absolutamente final.
Não há palavras.
Não há.
Não.
.
.
.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Novembro
![]() |
| Do meu escritório, 2 Novembro 2015 |
Abro
a janela do quarto ao anoitecer. É Novembro. Há luzes amarelas e minúsculas na
linha do horizonte. Os cães ladram ao longe. A brisa, a temperatura amena num prenúncio de frio que ainda não causa dano. Olhando o vale, agradeço o concerto privado que me oferecem os grilos e as rãs... e o cheiro, este perfume que chega com a chuva, um perfume que inspiro às
golfadas, para que a alma respire a terra molhada. O céu antracite e lilás anuncia novo aguaceiro mas não importa, nada importa quando eu e a
terra nos alimentamos assim, uma à outra.
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Ondos do mar
A Arte Contemporânea e Moderna podem ser, muitas vezes, uma estopada... mas também podem trazer-nos coisas espantosas como esta.
Coreografia: James O' Hara e Sidi Larbi Cherkaoui
Música: Micrologus
Performed at Cross Connections Gala Copenhagen 2010
Coreografia: James O' Hara e Sidi Larbi Cherkaoui
Música: Micrologus
Performed at Cross Connections Gala Copenhagen 2010
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
A Casa
Uma
velha muito velha vivia numa casa escondida no meio de uma floresta,
onde a luz mal conseguia entrar. Sobre a casa pairava um nevoeiro
esverdeado com laivos de ouro, que as lanças do sol formavam ao
trespassar os ramos do arvoredo, enquanto a lua não chegava com o
seu vestido de feiticeira.
Durante
o dia o silêncio era rei daquele lugar. Apenas o vento se escutava,
silvando, a fazer dançar o tédio dos salgueiros, a tristeza dos
ciprestes que rodeavam a casa de musgo. Durante a noite, porém, os
ruídos surgiam, feitos de bichos alados, rasteiros e marinhos; com
muitas patas e antenas e dentes e pelagem coberta de imundice.
Nessas
horas, em que a lua era soberana, as trevas revelavam tons de prata.
Cristais de gelo e uma poalha azul-cobalto cobriam a folhagem,
inundando a floresta de segredos que se escondem na sedução do
frio, como tímida flor nascendo, por miragem, num manto de neve.
Assim
se comportava o jardim selvagem
que rodeava a casa da
velha, escondida na floresta onde a luz mal se atrevia. Estranho
comportamento é certo,
tão contrário às leis naturais, não fosse a floresta o cenário
verdadeiro da história que aqui se conta, tal como aconteceu.
Do
lado onde o sol se deitava estendia-se um pântano de águas
lamacentas cor de caramelo de leite, habitado
por crocodilos, rãs e serpentes, e onde
dormiam espectros de afogados e esqueletos de velhas embarcações
naufragadas,
que as correntes do rio
haviam empurrado até
àquele fim de mundo sem saída.
Um tempo houve em que o pântano era outra coisa, que não aquele
tristonho composto de terras peganhentas e infectas. Agora a chuva
limpa, vinda dos céus,
não caía ali, como se
uma imensa abóbada de
humidade e calor
sobrevoasse o que agora
mais não era do que um
lamaçal,
fruto de uma qualquer maldição: que
maldição seria
essa?
(conto juvenil em construção, 2015)
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