Ah, pois é. Tanto a aprender com quem sabe...
Não se deixem enganar pelas riscas cor-de-rosa. Os dias são (d)escritos com todas as cores.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
O chão pode esperar
Regressa à vida pé ante pé, a cabeça forçosamente erguida, mesmo que não sinta altivez no coração ou pensamento, são as ordens dos médicos. Sorrindo, ocorre-lhe que é estranha terapia, aquilo de não a deixarem pousar os olhos no chão, como quem exclama, de mão no ombro do outro
Não desanime! Cabeça erguida, sempre!
Aos poucos vai recuperando alguns gestos - aqueles que todos realizam na certeza inconsciente de serem gestos assegurados na eternidade - caminhar, ler, escrever, cozinhar. Até o que ela odeia já pode fazer: passar a ferro. Imagina ela, não perguntou, mas se há vapores culinários, decerto lhe será possível pôr os trapos enrugados em dia. Esforços não. Gestos bruscos também não. E a cabeça erguida, sempre! Desanimar é que também não.
Ela sente o consolo de ver uma tímida agenda formando-se com visitas às escolas, em sessões de autor com um dos seus livros. O trabalho aguarda, em documentos Word, salivando, o motor libertando uma voz rouca, de animal, com ganas de investir com o corpo inteiro; e ela ansiando por ver, esperando pela revelação do seu próprio investimento, que não seria fácil contabilizar, de entre os dez anos que lhe foram roubados. Quer libertar o seu peso, tornar-se mais leve, mais livre para si e para os que estão perto. Quer ir mais longe.
Por hoje, foi celebrar com uma caminhada. O corpo da estrada em obras também, em bizarra sintonia, a fazer-se macio e a ganhar um pouco mais de vida. Ela recupera o aroma das queimadas, do sol na pele. As pernas deslocando-se, pé ante pé, para não assustarem a terra. De cabeça erguida, quase sempre, avança, apesar do medo. O céu não é o limite, pois lá em cima moram as estrelas, as nuvens e os anjos. Entretanto o chão pode esperar.
Não desanime! Cabeça erguida, sempre!
Aos poucos vai recuperando alguns gestos - aqueles que todos realizam na certeza inconsciente de serem gestos assegurados na eternidade - caminhar, ler, escrever, cozinhar. Até o que ela odeia já pode fazer: passar a ferro. Imagina ela, não perguntou, mas se há vapores culinários, decerto lhe será possível pôr os trapos enrugados em dia. Esforços não. Gestos bruscos também não. E a cabeça erguida, sempre! Desanimar é que também não.
Ela sente o consolo de ver uma tímida agenda formando-se com visitas às escolas, em sessões de autor com um dos seus livros. O trabalho aguarda, em documentos Word, salivando, o motor libertando uma voz rouca, de animal, com ganas de investir com o corpo inteiro; e ela ansiando por ver, esperando pela revelação do seu próprio investimento, que não seria fácil contabilizar, de entre os dez anos que lhe foram roubados. Quer libertar o seu peso, tornar-se mais leve, mais livre para si e para os que estão perto. Quer ir mais longe.
Por hoje, foi celebrar com uma caminhada. O corpo da estrada em obras também, em bizarra sintonia, a fazer-se macio e a ganhar um pouco mais de vida. Ela recupera o aroma das queimadas, do sol na pele. As pernas deslocando-se, pé ante pé, para não assustarem a terra. De cabeça erguida, quase sempre, avança, apesar do medo. O céu não é o limite, pois lá em cima moram as estrelas, as nuvens e os anjos. Entretanto o chão pode esperar.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Invisível
A vida fazendo-se em torno do corpo, limbo e malabarismo, labirinto de gotas químicas, a roubar à memória atenções que são puro desperdício do que é maior e aguarda. Que sendo tão pouco me faz respirar.
Horários, contagens, gotículas e substancias, a minimizar o desconforto e o meu desconsolo de os ver reinventando-se. A chantagem da dor. O corpo vencendo a batalha; o espírito em apatia, tornando-se rancor, na vertigem sem queda nem terra onde pousar a sua embaciada luz, bafejada pelo cansaço, invisível sem transparência. Intangível porque nada.
A vida em (sala de) espera, os ossos arrastando-se na mesma estrada, quilometrando os passos em corredores indistintos. Os olhos de mãos em mãos que examinam, a avaliar a resposta do corpo, que nada entende, não quer entender este jogo: é preciso somar mais um dia, à soma de muitos dias. Porque sim. Porque não. Apenas a incerteza dá sinais de confirmar-se num novo dia, em falsa esperança, data escorrendo como concha de água, na minha mão sedenta.
A culpa é um fugitivo ocultado nas sombras. O castigo é uma invenção dos deuses e há homens semideuses e semáforos, e homens seminus e semínimos, que pouco ou nada podem senão cumprir, passo a passo.
E a culpa dentro de mim, por culpa desta minha invisibilidade. Não fosse o desespero, quase apetecia rir, dar uma palmada nas costas do destino, amigo devasso que há décadas me vai devassando e me tem debaixo de olho. Mas permaneço de olhos postos no chão. Há muito perdi o meu olhar. Semiferida que ando, grito pelo olhar de um semideus, ainda que morto.
Horários, contagens, gotículas e substancias, a minimizar o desconforto e o meu desconsolo de os ver reinventando-se. A chantagem da dor. O corpo vencendo a batalha; o espírito em apatia, tornando-se rancor, na vertigem sem queda nem terra onde pousar a sua embaciada luz, bafejada pelo cansaço, invisível sem transparência. Intangível porque nada.
A vida em (sala de) espera, os ossos arrastando-se na mesma estrada, quilometrando os passos em corredores indistintos. Os olhos de mãos em mãos que examinam, a avaliar a resposta do corpo, que nada entende, não quer entender este jogo: é preciso somar mais um dia, à soma de muitos dias. Porque sim. Porque não. Apenas a incerteza dá sinais de confirmar-se num novo dia, em falsa esperança, data escorrendo como concha de água, na minha mão sedenta.
A culpa é um fugitivo ocultado nas sombras. O castigo é uma invenção dos deuses e há homens semideuses e semáforos, e homens seminus e semínimos, que pouco ou nada podem senão cumprir, passo a passo.
E a culpa dentro de mim, por culpa desta minha invisibilidade. Não fosse o desespero, quase apetecia rir, dar uma palmada nas costas do destino, amigo devasso que há décadas me vai devassando e me tem debaixo de olho. Mas permaneço de olhos postos no chão. Há muito perdi o meu olhar. Semiferida que ando, grito pelo olhar de um semideus, ainda que morto.
sábado, 30 de janeiro de 2016
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
Luísa Cortesão
Uma fada fechou as asas para sempre. Uma fada irreverente, dedicada a causas pelas quais vale a pena lutar, imaginativa, talentosa. Partiu aos 65 anos. Uma fada velha, portanto. velha como ela própria fazia questão de se autodenominar. Resta o consolo de imaginarmos que a Luísa, lá onde estiver, irá deixar as suas mensagens e o encanto das suas ilustrações, quiçá nas estrelas ou no fundo do mar.
Para conhecerem melhor Luísa Cortesão, voem até aqui
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Blog versus Redes Sociais
Venho aqui confessar algo que ando para admitir há um tempo. Salvo um ou outro texto inédito, aquelas pequenas prosas espontâneas que aqui venho deixar, não há muita diferença entre isto e o que publicamos no facebook ou no Twitter. Habituámo-nos a partilhar Arte, lugares, recordações e nostalgias, receitas, aquisições, projectos e sonhos, apelos, raivas, indignações (alguns até poemas inéditos), bem como homenagens a terceiros, do foro privado ou figuras públicas, medos, alegrias, dúvidas existenciais, humores vários, inclusive o bom: o bom-humor que, graças a deus, não nos vai faltando e ainda é de graça.
E afinal, para que servirá o blogue, se aqui abaixo há uma aplicação para partilhar aqui e ali, o que faço quase sempre, no facebook, aquela festa onde todos se encontram e que é, afinal, onde me lêem na maioria e deixam comentários?
É isso. Para quê alimentar outra casa?
Tirando esses textos inéditos, o fundo negro, a casa decorada e arrumada como eu bem entender, a morada distinta, que posso divulgar com facilidade, tirando a ilusão de intimidade, de montra "a solo", tirando ser sempre uma janela aberta para o mundo, sem bloqueios, o aspecto atractivo da página privada, a organização das mensagens por calendário e em etiquetas, tirando, ainda, ser um canto só meu, onde me encontram a sós...bom, com tantos "tirando", talvez ainda valha a pena.
Será? Digam-me vocês. A ironia é que, para conseguir alcançar mais leitores, vou agora fazer o quê, adivinham? Pois é, partilhar isto... na minha página oficial do facebook, e também na privada que, oh, ironia!, tem mais reacções.
Era a isto que eu me referia.
E afinal, para que servirá o blogue, se aqui abaixo há uma aplicação para partilhar aqui e ali, o que faço quase sempre, no facebook, aquela festa onde todos se encontram e que é, afinal, onde me lêem na maioria e deixam comentários?
É isso. Para quê alimentar outra casa?
Tirando esses textos inéditos, o fundo negro, a casa decorada e arrumada como eu bem entender, a morada distinta, que posso divulgar com facilidade, tirando a ilusão de intimidade, de montra "a solo", tirando ser sempre uma janela aberta para o mundo, sem bloqueios, o aspecto atractivo da página privada, a organização das mensagens por calendário e em etiquetas, tirando, ainda, ser um canto só meu, onde me encontram a sós...bom, com tantos "tirando", talvez ainda valha a pena.
Será? Digam-me vocês. A ironia é que, para conseguir alcançar mais leitores, vou agora fazer o quê, adivinham? Pois é, partilhar isto... na minha página oficial do facebook, e também na privada que, oh, ironia!, tem mais reacções.
Era a isto que eu me referia.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
À sua custa
Adoro os títulos intermináveis de livros seculares como este, do séc. XVII, verdadeiras sinopses cheias de graça. Reparem no pormenor da expressão "á sua custa", equivalente à actual "edição de autor".
Dialogos de Francisco de Moraes, autor de Palmeirim de Inglaterra. Com hum desengano de Amor, sobre certos amores, que o Autor teve em França com hu[m]a dama Francesa da Raynha Dona Leanor. Offerecidos a Gaspar de Faria Severim Executor môr do Reyno, &c. - Em Evora, : por Manuel de Carvalho, & á sua custa, 1624. - [3], 47 f. ; 8º (25 cm)"Com as licenças necessarias". - Barbosa Machado 2, 209
Dialogos de Francisco de Moraes, autor de Palmeirim de Inglaterra. Com hum desengano de Amor, sobre certos amores, que o Autor teve em França com hu[m]a dama Francesa da Raynha Dona Leanor. Offerecidos a Gaspar de Faria Severim Executor môr do Reyno, &c. - Em Evora, : por Manuel de Carvalho, & á sua custa, 1624. - [3], 47 f. ; 8º (25 cm)"Com as licenças necessarias". - Barbosa Machado 2, 209
sábado, 16 de janeiro de 2016
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Adeus, Bowie
Estes videoclips fizeram parte da minha adolescência. Eram das músicas que no verão, na discoteca Belle Époque, em Sesimbra, me puxavam sempre para a pista de dança. De tal maneira David Bowie se transformava, que muita gente o deve ter visto em vários filmes sem o reconhecer, tal como em "A Última Tentação de Cristo" (1988) ou "O Grande Truque" (2006)
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
Só a chuva
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| Vista do meu "escritário", hoje |
É hora de fechar as portadas, cerrar os olhos da casa, a abreviar o frigidez da estação. Lamento não poder cerrar as portadas do tempo, para abreviar o meu inverno.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Exmo. Sr. 2016
Exmo, Sr. 2016
Ainda não fomos apresentados, mas tomei conhecimento de que será o novo Administrador do Departamento Temporal nesta empresa e, como accionista de médio prazo, gostaria de lhe fazer chegar os objectivos para a nossa reunião de amanhã, no seguimento da experiência adquirida com o seu antecessor, cujos resultados ficaram muito aquém das expectativas.
É urgente baixar a despesa lacrimal e aumentar os proventos de felicidade. Atribuir subsídio de alimentação aos pobres e aflitos, bem como assegurar, na saúde e na doença, os cuidados a todos os empregados e desempregados nesta nova colaboração cronológica.
É necessário que seja criada uma Secção de Abraços e Diálogo, dependente do Departamento de Recursos Humanitários, cujo capital teve um aproveitamento deficiente no ano que agora finda. Sugiro também que se equacione, sem demasiada logística, que sempre atrasa a tomada de decisões e a concretização das metas delineadas, a construção de um Gabinete de Maior Justiça, que poderá ficar sob a tutela do extinto Dar Mais Que Receber (DMQR), que pretendemos reabilitar, após as obras necessárias.
Por fim, e porque não pretendo alongar-me apelando ao óbvio, peço que sejam dadas instruções, no sentido de assegurar reuniões com a minha equipa, a título regular, com o intuito de relembrar tradições que tendem a desvanecer no departamento ocupado agora por V. Exa.
Antecipadamente grata pela atenção dispensada,
...
Ainda não fomos apresentados, mas tomei conhecimento de que será o novo Administrador do Departamento Temporal nesta empresa e, como accionista de médio prazo, gostaria de lhe fazer chegar os objectivos para a nossa reunião de amanhã, no seguimento da experiência adquirida com o seu antecessor, cujos resultados ficaram muito aquém das expectativas.
É urgente baixar a despesa lacrimal e aumentar os proventos de felicidade. Atribuir subsídio de alimentação aos pobres e aflitos, bem como assegurar, na saúde e na doença, os cuidados a todos os empregados e desempregados nesta nova colaboração cronológica.
É necessário que seja criada uma Secção de Abraços e Diálogo, dependente do Departamento de Recursos Humanitários, cujo capital teve um aproveitamento deficiente no ano que agora finda. Sugiro também que se equacione, sem demasiada logística, que sempre atrasa a tomada de decisões e a concretização das metas delineadas, a construção de um Gabinete de Maior Justiça, que poderá ficar sob a tutela do extinto Dar Mais Que Receber (DMQR), que pretendemos reabilitar, após as obras necessárias.
Por fim, e porque não pretendo alongar-me apelando ao óbvio, peço que sejam dadas instruções, no sentido de assegurar reuniões com a minha equipa, a título regular, com o intuito de relembrar tradições que tendem a desvanecer no departamento ocupado agora por V. Exa.
Antecipadamente grata pela atenção dispensada,
...
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
Calling You
Tema que ganhou o Óscar de melhor canção original no filme de 1987 "Bagdad Cafe". Vale sobretudo pelo décor da sala, bem natalício e mágico e o coro MARAVILHOSO, composto por 500 cantores!
Um Natal abençoado para todos.
Um Natal abençoado para todos.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
A rever vamos
Uma semana sem alimentar o blogue. Pelo meio, uma operação ao olho esquerdo, que me deixou de molho. Regressando pé ante pé ao trabalho de "revisão"...no sentido de "voltar a ver", sim, mas também da revisão...de texto, pois, com ou sem esforço, a favor ou contra as ordens do médico, não é possível parar de trabalhar. Nada de escritas, nada de literário, só repouso-trabalho-repouso e dor, e gotas, e dor e idas a Coimbra e... mais trabalho. A escrita é um luxo ao qual ainda não me posso dar. Chegará o dia? A rever vamos.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
Annie Proulx

Ainda vou a menos de meio da leitura, e deitar-me no conforto dos cobertores, na companhia deste livro, tem sido um prazer. Especialmente com a música de Christopher Young.
Há livros de inverno, tal como "As velas ardem até ao fim", de Sandór Marái. Para serem lidos calorosamente, em pleno frio. Este é um deles.
Edição: Cavalo de Ferro
Sinopse oficial
“O livro narra a vida de Quoyle, um homem derrotado que, abandonado pela mulher, desprezado por família e amigos e despedido do seu emprego parte para a Terra Nova onde deverá trabalhar no seu novo emprego: o jornal The Shipping News. Com as suas filhas pequenas que não lhe reconhecem qualquer autoridade paterna chega a uma terra fria onde as emoções humanas se encontram sobre camadas de gelo mas são muito mais quentes para poderem sobreviver. A vida de Quoyle vai transformar-se e ele terá a oportunidade de reconstruir-se enquanto ser humano."
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Revisão de texto
A brincar a brincar já lá vão 6 anos que faço revisão literária a título profissional. Pelo meio das "amonas" e rasteiras que a vida nos vai pregando, este é um ofício que está a crescer bem. Comecei por rever textos a título pro bono, sem expectativas, apenas com a intenção de ajudar quem precisava, já que era algo que fazia com facilidade e tinha tempo livre. Depois atrevi-me a cobrar um preço simbólico já que, por princípio, defendo que o trabalho deve ser pago. Entretanto investi tempo no rigor: fui dando especial atenção ao método de trabalho, às ferramentas utilizadas, à modernização, ao conhecimento do Acordo Ortográfico...
Este ano comecei a ser contratada - não só por particulares - mas também por editores. Neste momento encontro-me a rever uma tese com cerca de 1 milhão e 52 mil caracteres, sendo que ainda faltam umas dezenas de páginas...!
Autores, estudantes e orientadores de teses têm apreciado imenso o meu trabalho, o que me deixa feliz. O comentário que todos partilham é que faço muito mais do que habitualmente é feito por muitos revisores. Não sei se é verdade, apenas conheço a minha forma de trabalhar: dar o meu melhor, ter brio em fazer o que me que é possível, isto deveria ser regra para tudo, certo?
De ano para ano, de livro para livro, de pesquisa em pesquisa, sinto que a aprendizagem é um processo constante e, espero eu, sem fim. Estou grata a cada desafio, que me traz conhecimento, rigor, maior aptidão. Pelas mãos vão-me passando romances, teses académicas, literatura de viagens, ficção científica.
Tenho a sorte de ter investido numa profissão que posso exercer a partir do meu escritório o que, por motivos de saúde, é ouro sobre azul.
Rouba muito tempo à escrita? Sem dúvida. Mas é preciso pagar as contas e já é uma sorte conseguirmos viver do que fazemos com gosto.
A divulgação feita de boca em boca tem muito que se lhe diga. Estou grata a todos os que vão recomendando o meu trabalho como revisora literária. Bem hajam, porque o trabalho faz muita falta e a vida não está fácil para quase ninguém.
Aqui estão alguns testemunhos
Dedico esta mensagem à Maria João, ela sabe porquê.
Este ano comecei a ser contratada - não só por particulares - mas também por editores. Neste momento encontro-me a rever uma tese com cerca de 1 milhão e 52 mil caracteres, sendo que ainda faltam umas dezenas de páginas...!
Autores, estudantes e orientadores de teses têm apreciado imenso o meu trabalho, o que me deixa feliz. O comentário que todos partilham é que faço muito mais do que habitualmente é feito por muitos revisores. Não sei se é verdade, apenas conheço a minha forma de trabalhar: dar o meu melhor, ter brio em fazer o que me que é possível, isto deveria ser regra para tudo, certo?
De ano para ano, de livro para livro, de pesquisa em pesquisa, sinto que a aprendizagem é um processo constante e, espero eu, sem fim. Estou grata a cada desafio, que me traz conhecimento, rigor, maior aptidão. Pelas mãos vão-me passando romances, teses académicas, literatura de viagens, ficção científica.
Tenho a sorte de ter investido numa profissão que posso exercer a partir do meu escritório o que, por motivos de saúde, é ouro sobre azul.
Rouba muito tempo à escrita? Sem dúvida. Mas é preciso pagar as contas e já é uma sorte conseguirmos viver do que fazemos com gosto.
A divulgação feita de boca em boca tem muito que se lhe diga. Estou grata a todos os que vão recomendando o meu trabalho como revisora literária. Bem hajam, porque o trabalho faz muita falta e a vida não está fácil para quase ninguém.
Aqui estão alguns testemunhos
Dedico esta mensagem à Maria João, ela sabe porquê.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Dezembro
Chega Dezembro e o calendário, obediente, traz com ele o frio. As cidades iluminam-se, as montras há muito que se fazem sedutoras, fatais às nossas bolsas, competindo com as correntes de solidariedade que florescem em plena crise; correntes apelando à consciência, para que apoiemos os pequenos produtores, os negócios artesanais de família e dos amigos, que improvisam uns trocos a fim de pagarem as contas, enquanto o emprego não vem.
Inventamos uma expressão festiva, tentamos respirar, o ar entrando e saindo dos pulmões, a marcar o compasso, a lembrar-nos, é urgente construir qualquer coisa de duradouro e valioso, que sobressaia da abundância de tantos nadas em que andamos mergulhados. Não percas tempo, não te percas, segue o caminho.
Que faremos nós deste Dezembro que mais não é do que a vénia esforçada do ano velho e cansado, em despedida? Que sabedoria levaremos connosco, ao marcar encontro com o ano novo, já tão próximo de nós?
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