Comecei este fim de semana a ver mais uma das famosas séries produzidas pela Netflix: Black Mirror. Este série é surpreendente e deixa-nos francamente preocupados. Creio ser esse o objectivo principal dos criadores: pôr-nos a pensar. Neste video, é feita uma análise a um episódio em particular, com um tipo de realização à parte dos restantes, luminoso e leve que, na verdade, nada tem de "light".
Os episódios são independentes e os cenários e realização, casting etc distintos, como uma caixa de chocolates sortidos. Uma série a não perder. Não se assustem com o primeiro episódio, que "é muito, muito fora", avisou-me o meu filho. Vi apenas três e já me conquistou.
Entregar o número da revista de Dezembro e começar, desde logo, a receber material para o número de Janeiro oferece-me um consolo e um amparo só entendidos por aqueles que, tal como eu, andaram muitos anos na esperança de encontrar trabalho de semana em semana, de mês em mês, como quem procura moedas perdidas nos bolsos, nas gavetas, sob os escombros das suas duvidosas opções de vida, escolhas menos certas, que os levam ao engano da fantasia que jamais se cumpre. De vez em quando, um balão de oxigénio, para de novo tombar no deserto. Outras vezes, um aguaceiro, chuvas caindo de repente, com abundância, a tornar quase impossível a gestão do tempo. E agora isto, a bênção de um trabalho em água corrente - ainda que em fina torrente -, um alívio, poder cumpri-lo a partir do meu "escritário", o mundo virtual a fazer a magia de anular o tempo e a distância. Dia a dia, gota a gota, um ofício que posso desempenhar por bons anos ainda, com a saúde que me resta.
É no mínimo irónico alguém ter como novo ofício a Revisão, depois de perder a visão de um dos olhos. Lembra-me um homem de uma perna só, empregado numa fábrica de próteses, um surdo numa academia de música, um maneta malabarista. É preciso sabermos brincar, não é? Rir do que não tem graça. Para que passe a ter. E, em especial, não esquecer a gratidão. Essa tenho de sobra, para com os anjos, como a chuva matando a fome da terra.
O chão queima, não consigo pousar, diz um anjo. A terra murcha, à sede, a ameaçar-lhe as asas com o hálito febril. O solo já coberto de anjos caídos como folhas secas. O choro deles vai compondo serpentinas invisíveis - hoje há vento, dizem os cegos - e só alguns conseguem ver: sonhadores furtivos caminhando sobre o manto estaladiço, em busca de sonhos quebrados que possam bordar, no tecido do tempo, e usar ao peito; sonhos em segunda mão, flores remendadas na lapela gasta de um mendigo. Talvez um dia sejam, também eles, anjos na terra. Talvez seja possível pousar num amanhecer, sem se tornarem cinza.
Visto ontem, finalmente, este filme tão falado, de 2013. "La Cage Dorée" correspondeu às minhas expectativas. É muito bom ver actores portugueses a fazerem um excelente trabalho e servidos com todos os ingredientes do bom cinema. Assim, sim.
Venho tentar reanimar-te - apenas tentar, como quem me obriga. Dar-te sangue novo, se é que ainda me correm palavras nas veias. Nada sinto na minha pena. Nem sequer um lamento, nem tampouco a faísca de uma invenção. A escrita ficou para os outros. Resta a sensação de me ter transformado nalguma coisa técnica. Clínica. Sou cirurgiã de frases. A inspiração e o dom do faz-de-conta andam anestesiados, perderam o sentido, sofreram um desmaio geral, talvez vitalício. Poderia jurar que jamais escreverei um livro. Um texto, sequer, que me pertença. Nada vejo no meu futuro, que me sirva de coração, ainda que transplantado. Ainda que artificial. Sim, ando sem consciência. Ou talvez o inverso, inteiramente sem inconsciência. Sou máquina munida de braços compostos de uma qualquer fibra, capaz de executar recortes e esbater cicatrizes que não são as minhas. E enquanto me vou solidificando numa cura modesta do que me é estranho, sou um paciente com uma grave doença, a pior de todas, sem cura: a falta de alento - ou talento - para se curar do que talvez nem seja doença, apenas juízo. A minha pena permanece adormecida? Pois que durma, mesmo um sono eterno. Sem pena minha.
Um Deus Desconhecido escutou as minhas preces de ontem, que eram sem fé. Pousou-me na areia, no dia seguinte, para que eu pudesse recordar a rebentação das ondas, o aroma das algas, os reflexos infinitos de sol no mar, debaixo do corpo uma toalha verde-água, nas mãos o livro de Steinbeck, ao meu lado o homem que partilha a minha vida, quando ambos nos cruzamos no mesmo universo de vontades, no mesmo tempo, no mesmo lugar.
Um fim de tarde perfeito, quando o vento já arrepiava a pele: ameijoas à Bulhão Pato e um vinho branco alentejano, na companhia de amigos que, em boa hora, encontrámos, antes de entrar na marisqueira cujos donos tratamos por "tu", apesar de o ritmo de visitas e de consumo ficar muito aquém daquele que seria desejado.
Há dias que são uma espécie de salvação, por mais modestos. Um passo atrás no precipício de uma não-vida.
Hoje vivi.
A escrever sem pensar no que tenho para dizer, receio descobrir-me seca, nada existir digno de dizer. Avoluma-se uma não-vida, que me esvazia, a calar todas as letras. Fico à espera que algo aconteça e nada, é uma paragem cardíaca nos dedos, a paralisia do pensamento, o desalento levou a luz inteira e na penumbra não consigo caminhar sem cair. Deixo que os dedos dancem no teclado, é um cliché, um cliché, fugiram-me as palavras mais húmidas, tudo o que tenho chega-me aos dedos desidratado.
Agosto a um terço, os outros, que vivem, a banhos, e eu em seco, só a água insossa e o vinho, o café e o chá, o sumo, sem onda nem espuma, sem barcos nem velas, sem algas ou o piar das gaivotas nem nada, sem braçada nem sol, da esperança, o queixume. Mais um Verão desperdiçado. Vida sem vida, só o suspiro que traz a miragem da beira-mar, onde não estou.
Depois de um serão divertido, entre amigas, saltitando de casa em casa, na Ericeira, comendo e bebendo, mais bebendo que comendo, retomo o trabalho de manhã, ainda a reunir as partículas.
A minha mãe faz 83 anos. Falámos um bom bocado ao telefone, como tantas vezes fazemos. Contamos as novidades uma à outra, ela diz, mais uma vez:
- Pois vocês sabem sempre tudo, por causa da Internet.
O marido foi passar o dia a Lisboa, deixei-o ir, mandei entregar beijos aos amigos com quem iria jantar mas já não vou. À tarde, fazendo por ignorar o fogo que devora o País e as janelas da casa, que mostram um dia perfeito de verão, aguardo o pdf completo do próximo número da «CRISTINA», a fim de o correr de alto a baixo, para que possa seguir para a gráfica e estar nas bancas, daqui a uns dias. O meu filho diz-me que não fuma há duas semanas e que vai começar a ir às aulas de código. Telefonou-me só para dizer isso: - Sabia que ias gostar de saber. Entretanto, acabo de ver a série «Narcos», da Netflix, quando finalmente capturam Pablo Escobar. Faço a última - juro, a última! - leitura do meu primeiro romance. Os cães fazem-me companhia, a Bolota dá-me a pata de vez em quando, como quem diz, Estou aqui, não te esqueças. Gosto da minha vida. Alguma coisa devo ter feito bem, para chegar aqui. Com amor, a quem contribui para ela.
Uma ideia excelente e ousada. Veremos quantos autores aderem a este projecto. A coisa boa disto, é que, uma vez lido por apenas 2,99€, se um leitor gostar muito da obra pode sempre comprar o livro tradicional, que é o que fazemos, afinal, quando o mesmo acontece com um livro emprestado, ou trazido da biblioteca, certo?
É com surpresa que me apercebo de que não escrevo aqui há mais de um mês.A vida a passar-me por cima, como onda, eu a tentar não me afogar, chegar inteira à areia quente e poder, enfim, respirar a outro ritmo. Um novo trabalho a partir de casa, com carácter regular: a nova revista «CRISTINA», de que sou agora Copy Desk, ou seja, revisora. Revista por mim, de uma ponta à outra. Orgulho-me de participar neste novo projecto. Grata por ter trabalho, para mais, a partir do meu "escritário", em casa.
Surgem convites para cantar em trio e em quinteto. Bons músicos, uma alegria e um privilégio, sempre, ainda que o mereça.
A editora envia-me as primeiras propostas de capa para a 2ª edição d' «A Ilha de
Melquisedech - Mnemon». Uma edição enriquecida com novas ilustrações e texto revisto por mim.
fundo para a ementa do Festival da Estação Dourada
Dou os últimos (?) retoques no meu primeiro romance. Difícil, deixá-lo ir. Ainda não está a meu gosto, nunca estará. Mas aproxima-se o dia em que terei de escrever FIM.
Cansaço. Um cansaço bom. Antes os dias a transbordar, do que a vida vazia. Apetece o mar, ser outras pessoas, outros eus. Parar. Mas parar seria afogar-me de novo.
O corpo escorre, a verter água por todos os poros. Procuro desesperadamente um leque. Encontro-o, enfim. Parto em busca de um segundo, juro que o tenho. Na mira, uma oferta para amanhã, à minha colega de feira, mas fico-me pela intenção, que o segundo não me aparece. Lavo um chapéu, a tirar-lhe a poeira. Não esquecer. Não esquecer de o levar comigo. Talvez até um borrifador com água. estou por tudo, o dia abrasa e amanhã Lisboa, uma vertigem de livros pelo meio da miragem, ondas de fogo a distorcer a imagem que os olhos vêem. Começo a escrever depois das sete, antes disso a cabeça não obedece, amuada com os 36º graus sobre a pele e no ar que respiro. Quer ficar de molho, a mente, em água fresca, mas o corpo desde manhã que anda para cá e para lá, teimando em não se render.
Amanhã é dia de feira, o último, e a minha primeira vez com a poesia, no lugar da ficção. Confesso-me só, pregada num título, a fingir a dor de um exílio que deveras sinto. A tarde inteira em apelos, venham, apareçam, e o desconcerto de implorar tanto, quando aos outros dou tão pouco, fechada neste paraíso tornado prisão. Fora do Mundo.
Atravessámos o eucaliptal e fomos entregar um artefacto que nos foi emprestado, para resolver um problema no automóvel. Regressámos de casa dos vizinhos como tantas vezes acontece, carregados com nêsperas e morangos, alhos, rúcula, alface, alho francês, couve roxa, pés de cacto e brócolos, tudo acabado de arrancar à terra. Os quatro cães sempre de roda, felizes por terem mais companhia. Parecia que tínhamos ido ao mercado. Estes encontros dão qualidade de vida aos nossos dias e aquecem-nos o coração.
Depois, chegar a casa e regressar à leitura de um livro que terá segunda edição e algumas surpresas.
Para breve está marcada uma ida à Feira do Livro - dia 4 de Junho, Domingo. às 15h - a ver se os últimos exemplares da 1ª edição encontram dono. O marido entrega-se ao estudo do saxofone, o seu instrumento. Os cães a meus pés, na modorra da tarde cinza. A música encantada de Danny Elfman, nos meus ouvidos.
A vida pode estar longe de ser perfeita, os problemas existem, alguns de raízes profundas, mas há dias em que, apesar de tudo, há um consolo do que vamos tendo e do que ainda está para vir.
"Time Together", um tema composto em 2011, para o álbum com o mesmo nome, em homenagem a Flora, uma cadela que o casal encontrou. Isto é o amor aos cães. Um ternura de ver e ouvir. Os direitos desta canção foram oferecidos à Hearts United for Animals. Flora, though you sleep On our guru's lap now All we see everywhere is you As we recall our time together Lucky is how we felt The day we found you And we were such a happy three O how we loved our time together
Why must the Present Turn to Past so fast? The disappearing Now I wish I had a golden bough To bring you back somehow
Someday when all our hearts Are reassembled Love will connect us once again And we'll resume our time together
We're prisoners in some icy pantomime Just waiting for the wind to change his mind And sing us green April starts to whisper to the trees I hoe and you plant the trees Canterbury Bells begin to ring The sparrows are stealing string Hollycocks and foxglove to the knee Now life's a major key We've got mud between our toes This is how the garden grows Midnight in July We see the season spread across the sky We wake up to a nosy dragonfly Against the screen You just love to bite me where it shows You kiss me Then hide my clothes Running through the sprinklers nearly raw We've just disproved Newton's law How can I break even with the weeds In love so beyond my needs Blossoms on you Mama's rose This is how the garden grows
(...)
Quero a minha mesa macerada, peculiar
A toalha manchada de nódoas de vinho vertidas
Dos copos de Beaudelaires e Kafkas,
De Pessoas, Modiglianis e Rodins
Vindimando-me as manhãs!
Heterónimos de novas letras,
Cachos encorpados de musas,
Parras, uvas, viúvas,
Destilando capitosos raciocínios,
Decantando a ponta dos galhardetes,
Engaços na curva macia de um prato de farfalle.
Quero o peito fermentado de abraços,
A casta risonha de artesãos licorosos
Que não esqueço, que agarro e adormeço,
Quando o dia rompe como lacre,
De mortos sempre longos na minha boca.
A travessa molhante, matando a fome à sede,
Alimentando, em provas cegas, ideias, puras
Iguarias.
(...)
(Vera de Vilhena, excerto adaptado in «Fora do Mundo», Poética Edições, 2014)
«Um menino rico num colégio privado, a promessa de vida fácil. Um rapaz tornado marginal, desconexo, e de repente era vê-lo a ganhar um outro estatuto, a representar outra coisa. Já não era “O Guilherme”, era sim “O Guilherme que se matou”. Para sempre adicionado aquele cognome, aquele peso enorme, aquela sombra de ocaso, distendida à luz do poente, a agigantá-lo, a torná-lo imenso, maior do que todos nós. Não, já não era ele e a sua vida inconsequente, era alguém que fizera a mais exótica e misteriosa das viagens, para ir ter com o Nada, e nos deixara engasgados de arrependimento, com todos os insultos que largáramos sobre ele, no início do ano lectivo, até o aceitarmos. E ele a escrever na carta que ali, no grupo de teatro, fora feliz. E eu a pensar quão infeliz se pode ser, em surdina. Enganou-nos bem. Um actor de primeira, no palco da escola. Uma lição extracurricular.
Não parecia verdade, aquela notícia:
− O Guilherme morreu, matou-se…
Não, não podia ser, ninguém morre assim, com quinze anos. Ninguém escolhe morrer sem ter vivido.
Mas era vê-lo ali, no caixão, na Igreja da Madre Deus, sem deixar que fosse boato. Lenço de linho sobre a cara, por causa dos efeitos do tiro que os não-sei-quantos que tratam dos mortos não conseguiram disfarçar. Ou então não estava assim tão mal, mas a família não quis mostrar. Afinal, ele até era feio, dificilmente estaria melhor depois de morto. É crueldade, eu sei, era assim que o tratávamos, isto foi só para recordar a nossa imbecilidade. Idade imbecil. E na capela da igreja a Mãe em choque:
− O caixão é muito pequeno! Eu avisei que o caixão era pequeno, ele ainda está a crescer!
E o marido a agarrá-la, e a irmã mais velha a chorar, e as nossas colegas de turma também, todas a chorar por ele e por nós, a culpa escorrendo pelo rosto abaixo. E a Mãe junto dele, a indicar o comprimento das calças cinzentas:
− Olhem para isto, vêem? Estão curtas, vai ter frio! Vai fazer má figura quando chegar ao céu...»
Esta noite sonhei que milhões de portugueses se mantinham colados às televisões do mundo inteiro, aonde quer que vivesse um português, mas não era para ver futebol. Nem desastres. Nem eleições. Sonhei que andavam há semanas, imagine-se!, dançando ao som da mesma valsa ad libitum, enamorados por uma voz, o condão de ser pura em cada verso, cantando por todos nós, salvando-nos, como se os corações do mundo se fossem quebrar em dois, a qualquer instante, transformados em cristal, a respiração em suspenso, o braço dado - Só mais uma volta, não caias, salva-nos! -, rogando-lhe que entregasse todas as palavras aninhadas assim, na ternura das cordas, e num piano conduzindo a melodia de veludo que ninguém consegue abandonar. As salvas de palmas e os votos, neste meu sonho, foram para aquela que era a poesia cantando o amor, e o país inteiro, a Europa e o mundo, todos se rendiam, no meu sonho, à súplica de um mendigo com voz de frágil pássaro, flautista de Hämelin seduzindo e levando consigo todos aqueles capazes de amar pelos dois.
E ainda não tinha acordado, eu, quando a valsa dos irmãos, que todos unia numa prece sem Deus, avançava e subia até à dimensão da esperança, infiltrando-se, camada por camada, na pele de quem por ela se deixava adormecer, para sonhar também. E uma voz dentro de mim dizia:
- Seria tão bom, tão bom que um dia fosse possível, a um poema simples, inteiro, sem demasias, vencer...! Ser escutado com o coração e a mente, deixando para trás o fogo de artifício, ganhando a todos, até aos de valor, a dar peso à nossa conquista...!
Na lenda que o meu sonho ia tecendo, a feiticeira criadora nunca deixava cair o duende da floresta, imerso no seu cântico enfeitiçado:
- "Cuida das palavras, meu irmão, não te distraias, não te percas no caminho, repara que despertámos as pedras e encantámos as fadas, vamos embalar o seu espanto e mostrar que é possível dizer tudo na penumbra de um beijo".
Foi então que acordei. As nossas pessoas, milhões de gente, de muitas línguas, ainda traziam os lenços e os olhos molhados, o vinho e o champanhe nos copos, as vozes roucas e o coração cheio. À luz lilás do amanhecer, pequenas gotas de orvalho eram resquícios da festa. No ar o cheiro morno da felicidade.
Despertei e fui dar de frente com um sonho acontecido.
Se um dia alguém perguntar por nós, digam que nos fomos salvar.
A meta de um novo livro parece fugir, à medida que vou correndo para o fim. A afastar o sopro do desalento tenho os cães a meus pés, e a chuva caindo com violência, batendo na vidraça do meu escritório, como quem grita, Avança e não te atormentes mais. Stacey Kent canta aos meus ouvidos com um sorriso infantil na voz, La Vénus du Mélo, indiferente ao meu cansaço. Quando a chuva se interrompe revela uma lua gorda, vestida de noite, a bainha uma fileira de luzes trémulas, cor de mel, os torreões da basílica são borbotos de uma saia de lã, picando o céu azul-cobalto. E eis que chegam os violinos de La Javanaise, a evocar, no timbre doce de Madeleine Peyroux, a valsa de Luísa e Salvador Sobral, que tem o País quase inteiro de si enamorado, agarrado pelo coração, amando pelos dois.