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quarta-feira, 22 de maio de 2019

Prémio Camões

Ao contrário da minha reação quanto ao Nobel dado a Bob Dylan, em 2016, fico feliz com o Prémio Camões atribuído a Chico Buarque. Este sim, tem feito muito pela língua e literatura lusófona. Considerando a sua vasta obra poética e de prosa, a mestria nos jogos de palavras, no efeito poético, no poder narrativo, na riqueza de vocabulário, sensibilidade, enfim, tanto haveria a dizer sobre a sua escrita, é mais que merecido. Muitos parabéns, Chico!

quarta-feira, 28 de março de 2018

Prémio ALMA

A escritora Jacqueline Woodson, com mais de trinta obras publicadas em vários géneros, venceu ontem o prémio ALMA (Astrid Lindgren Memorial Award) 2018, o mais prestigiado galardão concedido à literatura infanto-juvenil, no valor de cerca de 500 mil euros. A justificação do júri, para a sua escolha, foi a seguinte:
“Jacqueline Woodson apresenta-nos jovens resilientes lutando em busca de um lugar onde as suas vidas possam criar raiz. Numa linguagem leve como o ar, ela conta histórias de retumbante riqueza e profundidade. Jacqueline Woodson capta uma nota poética singular, numa realidade diária repartida entre a dor e a esperança.”
Mais uma autora a conhecer. E não deixa de ser curioso que este prémio vá, frequentemente, para mulheres, ao contrário de muitos outros.
Para mais, vá aqui.
Eis a obra mais conhecida da autora, uma autobiografia.






quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Nobel da literatura para....

Bob Dylan:
«Por ter criado novas formas de expressão poéticas no quadro da grande tradição da música americana»



segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Afonso Cruz

Como Afonso Cruz é o vencedor do Prémio Fernando Namora, no valor de 15 mil euros, aqui fica uma entrevista dada quando o livro «Flores» saiu, para que fiquemos a conhecê-lo um pouco melhor.

Flores é uma tentativa de passar ao próximo nível? Chegar ao público só com palavras?
Inicialmente era para ter fotografias. Mas depois achei que não era muito pertinente e acabei por abandonar a ideia. E também porque às vezes me sinto aborrecido com as coisas que faço, quero mudar, quero fazer uma coisa diferente e, neste caso, quis experimentar sem bonecos [risos]. O livro conta a história de um homem que perde as suas memórias afetivas, aquelas que são mais caras. Tem um vizinho jornalista que decide recuperar essas memórias, entrevistando as pessoas que tiveram contacto com ele. E tenta reconstruir-lhe a memória de uma maneira artificial mas de modo a que ele tenha algum passado. São duas personagens um pouco antagónicas: a personagem que perdeu a memória, apesar de tudo, tem uma relação muito forte com a tragédia, com a injustiça social, com os grandes valores. Ao passo que o narrador, esta pessoa que irá recuperar a memória do outro, vive mais ou menos anestesiada na sua rotina e, apesar de ter a memória intacta fisicamente, a verdade é que há muitas coisas que funcionam como se não se lembrasse, como se não existissem, porque são invisíveis para ele. Não tem qualquer relação com elas. É um pouco o que nos acontece no Facebook dois ou três minutos depois de uma notícia aparecer. Vemos, vamos às nossas vidas, já acabou o tempo da indignação. Conservamos poucas memórias? Temos esta dessensibilização em relação às coisas que nos afetam diariamente e à injustiça diária. Vamos ganhando uma capa que vai tornando algumas pessoas invisíveis. Esse é um problema. Este constante trabalho da memória é essencial, voltar a recordar determinadas coisas é imprescindível. Não quer dizer que funcione. É também essa uma parte do papel do escritor: portador de memória? É um assunto polémico. Há muitos escritores para quem o único dever que têm é o da liberdade. Precisam de ser sinceros apenas com aquilo que são e, se sentem necessidade de ter um papel social nos seus livros, fazem-no. Estive num evento sui generis na Hungria, fechado ao público, só para escritores. Metade de nós seria provavelmente da Europa Ocidental e a outra metade da Central e de Leste. A maior parte dos da Europa Central e Ocidental defendia a liberdade criativa, o que talvez tenha a ver com a sua história: mais anos em liberdade, em regimes mais livres. Os de Leste, pelo contrário, sentiam uma motivação social mais forte, confessavam-se obrigados, de certa maneira, a ter um papel interventivo na sociedade enquanto escritores. Porque, enquanto cidadãos, toda a gente concorda que devem ter o seu papel. Pessoalmente, acho que as duas coisas são corretas. Um escritor deve ser honesto. No entanto, também acho que um escritor não é só um cidadão como os outros. Não é que seja melhor ou pior, mas tem mais responsabilidade do que a maior parte dos outros cidadãos. Tem uma arma, uma ferramenta que o faz chegar a mais pessoas. Muito mais alcance. E tem de tomar consciência disso. Pode não usar, mas é uma pena que tenha essa arma e não a use. É um faz-tudo: escritor, ilustrador, músico, cineasta. Isto é uma tentativa de chegar a toda a gente, seja de que maneira for? Não, não é uma tentativa porque nunca planeei a maior parte das coisas que fiz ou que faço. Quando era criança queria fazer banda desenhada e eu nunca fiz banda desenhada na vida. Ainda. Não quer dizer que não venha a fazer, tenho muita vontade de um dia experimentar. Mas nunca pensei em fazer nada destas coisas, não era uma ambição de criança. Surgiram de uma maneira mais ou menos circunstancial: gostava muito de música e quis aprender a tocar um instrumento apesar de nunca ter sido incentivado a fazê-lo. Pelo contrário… Sempre me disseram que era duro de ouvido, que não tinha jeito. Mas insisti, comprei uma guitarra, estraguei muitos discos a tentar imitar os guitarristas de quem gostava. Fui aprendendo. Mais tarde, comecei a trabalhar em animação porque quis comprar uma mota. Os meus pais não me davam dinheiro, eu decidi procurar um emprego e foi o primeiro que apareceu. Depois comecei a gostar muito de animação, dediquei-me imenso e acabei por esquecer a mota. Acabou por se tornar uma carreira que nunca tinha pensado para mim. Tenho e sempre tive uma grande curiosidade – que tem a ver também com independência: se eu gosto muito de uma coisa, quero saber como se faz. Se eu quero compreender o Homem, quero saber como ele é por dentro, sem os acessórios todos. Eu gosto de beber cerveja, quero saber como se faz. Gosto de pão, quero aprender a fazer. Tenho essa vontade de desmontar e ver as entranhas para saber como funciona. “Voltar a recordar determinadas coisas é imprescindível.” Começou a escrever por gostar de ler. Nesse caso há acaso?
Estava numa agência de publicidade, tinham-me convidado para redator e, pela primeira vez, estava a trabalhar com palavras e não com imagens: era uma novidade para mim. No tempo livre, porque tinha algum, comecei a escrever para um blogue privado onde só chateava os amigos. Percebi que tinha uma quantidade razoável de textos que talvez pudessem dar um livro. Tinha reunido esses textos sob um conceito, uma Enciclopédia da Estória Universal fictícia. Na altura, enviei para a Bertrand e tive a sorte de a editora, a Lúcia, ter gostado muito dos textos e os ter querido publicar. Se calhar, se ela não quisesse, eu não seria escritor. Nessa altura procurou escrever mais histórias e passou a pensar em projetos mais estruturados?
A partir daí senti que era capaz e que gostava muito de escrever. A escrita passou a fazer parte da minha vida. Então não estranhou ver o seu nome em capas de livros e em montras de livrarias.
Foi estranho o suficiente. Lembro-me de estar muito nervoso quando o meu primeiro livro foi publicado. Nessa altura vivia no Magoito, junto à praia, numa casa provisória, e senti necessidade de caminhar, de gastar aquela adrenalina. Era um acontecimento, uma coisa estranhíssima na minha vida. Alguma vez tinha pensado que podia ser escritor? Nunca pensei em ser escritor. Mas creio que o grande combustível, a grande matéria-prima para depois escrever, foi gostar muito de ler, ter lido bastante durante toda a minha vida e ter tido um contacto frequente com os livros. Leio diariamente desde que me lembro de ser gente. E hoje sinto-me quase incapaz de escrever se não ler. Ler faz parte da rotina de escrita? Normalmente, antes de começar a escrever, passo umas horas a ler. Depois paro e, mais à noite, quando os meus filhos estão a dormir e tenho mais silêncio, posso concentrar-me totalmente no que estou a fazer, e então escrevo. Mas essa nutrição diária de leitura é para mim essencial para depois conseguir escrever. E até ter ideias. Se bem que as ideias hoje surgem em qualquer circunstância. Mas também quando estamos a ler. Mudou-se para o Alentejo há quatro anos. Foi à procura de novas ideias? A certa altura, ou se calhar desde sempre, imaginava que seria feliz vivendo no campo. Quando tive oportunidade de trabalhar fora de Lisboa, decidi comprar um monte alentejano que também me permitiria reduzir em muito o meu orçamento. A verdade é que, inicialmente, eu nem sequer estava a pensar no Alentejo: pensei em estar fora de Lisboa. O Alentejo tem essa coisa de ser tudo mais harmonioso, mais uniforme. É muito reconhecível. Eu percebi que o interior era muito mais barato que o litoral e acabei por comprar especificamente ali por isso. Portanto, estou a hora e meia de Lisboa. “Sinto-me quase incapaz de escrever se não ler” Escrever implica esse recolhimento, essa distância? Não creio que haja esse quesito, eu gosto de algum silêncio mas isso é possível em qualquer lugar. Agora, como viajo muito, estou muito habituado a escrever em aviões. Não creio que seja uma necessidade. Por vezes chega a ser contraproducente quando pensamos assim, porque tantas vezes na nossa vida não fazemos as coisas porque estamos à espera das circunstâncias ideais para o fazer. Não preciso de ter vacas a passarem à minha janela para escrever um livro. E também não me inspira mais nem menos, nem faz de ninguém génio, ver ou viver com galinhas. Viver longe da cidade não é propriamente uma mais-valia. Só no sentido de que me sinto feliz no campo. E se estivermos num lugar onde nos sentimos bem, talvez consigamos ser mais produtivos. O que eu acho essencial para as pessoas escreverem é escreverem. Parece uma coisa óbvia mas não é assim tanto, porque muitas vezes vamos adiando, à espera desse momento perfeito que nunca teremos. O tempo para escrever exige uma disciplina? Tem alguma rotina? Algumas, mas quebro-as com muita frequência. Normalmente dedico as manhãs a fazer telefonemas e a responder a e-mails – aquilo a que chamo secretariado. À tarde leio e à noite escrevo, porque consigo ter um maior isolamento. Até muito tarde? Depende de como me sinto, de como as coisas estão a fluir, por um lado. Por outro, depende dos prazos: se por acaso tiver de escrever, tenho mesmo de ficar até muito tarde para entregar. Pode ser até às duas, três, quatro da manhã. E isso compromete a sua manhã de secretariado? Não, porque acordo cedo, quando os meus filhos acordam. Depois, à tarde, se for possível, durmo uma sesta para repor parte do sono. Se puder dormir uma power nap de pelo menos meia hora, sabe-me bem. Escreve à mão ou ao computador? Ao computador. Inicialmente tinha sempre um bloco comigo onde anotava quase tudo, a caneta. Aos poucos fui-me habituando a um iPod, escrevi o primeiro esboço de Jesus Cristo Bebia Cerveja todo nesse iPod. Este último romance escrevi-o no iPad. Passo muito tempo a viajar e dá-me muito mais jeito porque, quando escrevo as notas no telefone, ficam acessíveis logo no computador e consigo organizá-las muito mais facilmente. Ajuda-me a estruturar o romance. Lê o que escreve no mesmo dia ou só no dia seguinte? Leio sempre o que escrevo, releio, releio e releio. É um trabalho exaustivo e diário. E até quando tenho de interromper um livro para fazer uma crónica, uma ilustração, o que for, de repente saio de dentro desse livro e demoro tempo a voltar, já não tenho as coisas tão frescas na memória. Quando regresso tenho de ler, reler e voltar a entrar na história, imbuir-me das personagens, voltar a ensopar-me nas suas ideias. Qual seria o auge da sua carreira enquanto escritor? Espero nunca chegar lá. Acho que a nossa vida deve ser tomada como um desafio, tentamos fazer melhor e ser mais competentes, mais capazes. A necessidade de escrever implica uma superação. Não tenho essa ideia profissional de começar a escrever às oito e acabar às cinco e só estou a escrever para viver. Não é isso. Escrevo por paixão e há sempre essa superação evidente nas coisas que quero fazer. Não quer dizer que faça sempre melhor, isso cabe aos críticos decidirem. Mas que tento, tento. E é isso que me motiva a fazer.
(Entrevista de Mariana de Araújo Barbosa a Afonso Cruz, revista Estante, 27 Outubro 2015)



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ana Margarida de Carvalho

O livro 'Que Importa a Fúria do Mar', de Ana Margarida de Carvalho, é o vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, anunciou hoje esta instituição.
Dos 107 livros admitidos ao concurso, o júri deliberou, "por unanimidade", atribuir o Grande Prémio, no valor de 15.000 euros, ao romance de estreia de Ana Margarida de Carvalho, que já tinha sido finalista do Prémio LeYa e é igualmente finalista do Prémio Fernando Namora, cujo vencedor deve ser conhecido esta semana.
O júri foi constituído por José Correia Tavares, que presidiu, os catedráticos Annabela Rita, Teresa Carvalho e José Manuel de Vasconcelos, e os escritores Cândido Oliveira Martins e Vergílio Alberto Vieira. O júri reuniu-se hoje pela terceira vez, segundo o mesmo comunicado.
A narrativa da obra tem início numa madrugada de 1934, quando ainda se ouvem os ecos da revolta Operária da Marinha Grande, segundo a apresentação da Teorema, que publicou o romance no ano passado.
Para esta editora, "Que Importa a Fúria do Mar" é um romance "com uma maturidade literária invulgar que coloca, frente a frente, duas gerações de um Portugal onde, às vezes, parece que pouco mudou". "Brilhante no desenho dos protagonistas e recorrendo a um estilo tão depressa lírico como despojado".
Ana Margarida de Carvalho nasceu em Lisboa, é licenciada em Direito, é jornalista na revista Visão, tendo recebido "sete dos mais prestigiados prémios do jornalismo português, entre os quais o Prémio Gazeta Revelação do Clube de Jornalistas de Lisboa, do Clube dos Jornalistas do Porto e o da Casa da Imprensa", segundo comunicado da APE.
Fez parte da redação da SIC e publicou artigos nas revistas Ler e Marie Claire e no Jornal de Letras, Artes & Ideias.
Atualmente, na Visão, desempenha funções de Grande Repórter e faz crítica cinematográfica no roteiro e no sítio na Internet de cinema oficial da revista Final Cut.
Ana Margarida de Carvalho lecionou vários "workshops" de escrita criativa, e é autora de reportagens reunidas em coletâneas, de crónicas, de guiões de cinema e autora de uma peça de teatro.
Os 107 livros admitidos a concurso formam o segundo volume mais elevado de sempre, de obras a avaliar, em 32 anos de atribuição do galardão. Dos candidatos, 72 eram homens e 32 mulheres, havendo três autores, com dois livros cada, tendo-se registado 54 chancelas editorais. "Um recorde absoluto", segundo o comunicado da APE.
Nas suas 32 edições, o Grande Prémio de Romance e Novela da APE, já foi entregue a 28 autores, de 18 editoras, havendo apenas quatro escritores que bisaram: Vergílio Ferreira, António Lobo Antunes, Agustina Bessa-Luís e Maria Gabriela Llansol.
O Grande Prémio é patrocinado pela Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, Câmara Municipal de Grândola, Fundação Calouste Gulbenkian, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Instituto Camões e Sociedade Portuguesa de Autores.
)Agênca LUSA)

quarta-feira, 26 de março de 2014

Catarina Sobral

Em celebração do Dia do Livro, aqui têm uma boa notícia: Catarina Sobral, ilustradora portuguesa, acaba de ganhar o Prémio Internacional de Ilustração, da Feira do Livro Infantil de Bolonha 2014.
Para mais informação, espreitem aqui 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Prémio Correntes d' Escritas 2014

Manuel Jorge Marmelo, de 42 anos, jornalista nascido no Porto, e desempregado há cerca de um ano, acaba de vencer o prémio Correntes d' Escritas 2014. 
A obra "Uma Mentira Mil Vezes Repetida" saiu pela Quetzal em 2011. O júri foi constituído por Isabel Pires de Lima, Carlos Quiroga, Patrícia Reis, Pedro Teixeira Neves e Sara Figueiredo Costa. O prémio, no valor de 20 mil euros, será entregue no próximo sábado, dia 22, na sessão de encerramento da 15ª edição deste festival literário, que decorre no Casino da Póvoa do Varzim. 
Para mais informação sobre o autor, vá aqui

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Prémio T.S. Eliot

«Há prémios literários prestigiantes, mas com um valor pecuniário relativamente baixo, e prémios realmente chorudos, mas sem grande reputação. Um prémio literário que reúna ambas as coisas é mais difícil, claro, e é um galardão assim que todos os que escrevem naturalmente almejam. Pois os herdeiros do grande T. S. Eliot e a Poetry Book Society têm há vinte anos o Prémio T. S. Eliot para um livro de poesia, que rende nada mais, nada menos do que quinze mil libras ao seu autor, além, evidentemente, de uma honra sem igual (que poeta não gostaria de ter na sua carreira um prémio cujo patrono fosse um dos maiores poetas de sempre?). Entre os vinte distinguidos até hoje, contam-se, pelo menos, dois autores que receberam o Prémio Nobel da Literatura – o irlandês Seamus Heaney, recentemente falecido, e Derek Walcott, natural da ilha de Santa Lucia, que foi nobelizado em 1992 – e ainda o sobejamente conhecido Ted Hughes. Este ano arrecadou-o uma irlandesa, Sinéad Morrissey, com a obra Parallax (que estou em vias de adquirir), uma poetisa que já somou várias distinções importantes e foi a mais jovem de sempre a ganhar o Prémio Patrick Kavanagh, para inéditos, com dezoito anos, embora a obra só tenha visto a luz muitos anos depois. Convém dizer que todos os seus livros anteriores foram finalistas do prémio que agora lhe foi atribuído e que, portanto, era uma vitória mais ou menos esperada.»
(retirado do blogue "HORAS EXTRAORDINÁRIAS", de Maria do Rosário Pedreira) 


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Ondjaki

"O escritor Ondjaki recebeu hoje o Prémio José Saramago pelo romance "Os transparentes", no mesmo dia em que é publicado o seu novo livro, "Uma escuridão bonita", com ilustrações de António Jorge Gonçalves.
O Prémio José Saramago é o segundo galardão que o escritor angolano recebe este ano, depois do Prémio Fundação Nacional do Livro Infantil, pela obra de ficção juvenil "A bicicleta que tinha bigodes", que lhe tinha já valido o Prémio Bissaya Barreto, no ano passado.
Ondjaki, pseudónimo literário de Ndalu de Almeida, é um termo da língua umbundu que significa "guerreiro". O autor estreou-se literariamente em 2000 com o livro de poesia "actu sanguíneu" (fim de citação)"
Lisboa, 05 nov (Lusa)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Alice Munro

Oiçam esta conversa maravilhosa e fiquem a conhecer um pouco da senhora contista que acabou de ser galardoada com o Nobel da Literatura :)
Os livros? Excelentes. Eu adoro contos, género que, infelizmente, é considerado mau negócio no ramo editorial, porque a malta gosta é de romances.
Ah, e eu gosto de acreditar que somos parentes afastadas, pois tenho o apelido Munro na minha árvore genealógica :) Parabéns, prima!!!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

John Kennedy Toole

A propósito da tão conhecida frustração dos autores por não conseguirem ver publicadas as suas obras; quando, no passar dos anos, apenas recebem - quando não o silêncio, a indiferença -  respostas negativas, eis que descubro um exemplo de ironia pura: JOHN KENNEDY TOOLE. 
Nasceu em New Orleans. Escreveu um romance aos dezasseis anos ("The Neon Bible"). Especializou-se em inglês em Nova Iorque onde, em simultâneo, deu aulas, no Hunter College. Interrompeu os estudos, pois foi chamado para o serviço militar, que cumpriu ensinando inglês a recrutas porto-riquenhos, em San Juan. Nessa época escreveu a sua segunda e última obra: uma tragicomédia intitulada "A Confederacy of Dunces". Nunca conseguiu publicar e reagiu terrivelmente às respostas negativas, chegando mesmo a sentir-se verdadeiramente humilhado e zangado com a mãe, que insistia e lhe dava falsas esperanças, através de novos contactos no mundo editorial, que originavam novas desilusões. Começou a beber bastante e ganhou peso. Alterou todo o seu guarda-roupa. Sofria de dores de cabeça que os analgésicos não resolviam, mas recusou-se a ver um neurologista. Terá sido, tudo junto, o que o levou ao suicídio. Tinha 31 anos quando desistiu de escrever, de insistir, de viver. 

1937 - 1969
Mas a sua mãe, depois de se refazer de uma longa depressão pelo desgosto de perder o filho, não desistiu. Retirou o manuscrito do fundo do armário e perseguiu as editoras durante anos. Recebeu sempre respostas negativas. Até que teimou, ao longo de três anos, junto do escritor e editor Walker Percy. Chegou mesmo a entrar pelo seu escritório adentro, à revelia, e a obrigá-lo a ler, argumentando que o livro era muito bom. O homem prestou-se a lê-lo, quanto mais não fosse para se ver livre daquela mulher insistente e incansável: habituado a pôr originais de parte, sabia que lhe bastaria a leitura dos primeiros parágrafos ou páginas para poder afastá-lo de consciência limpa. Mas tal não aconteceu. Não só leu a obra até ao fim, como mal podia acreditar que o livro fosse tão bom quando chegou à última página. 
A edição foi complicada e o livro só saiu três anos mais tarde. E como acaba esta triste epopeia? Em 1981, John Kennedy Toole, no túmulo desde 1969, ganhou o Pulitzer Prize e nunca o soube. Nunca sentiu a recompensa de se ver autor consagrado no mundo inteiro e traduzido para uma vintena de línguas.
                                          
Foi este livro que comecei a ler hoje, na versão portuguesa. E à medida que vou virando as páginas, com deleite, dou por mim a esboçar um ou outro sorriso triste, por não ter como felicitar o autor no facebook, como poderia muito bem acontecer; a lembrar-me que se matou estupidamente, sentindo-se um fracasso até ao último momento. Que outros livros, excelentes como este, teria ele escrito até aos nossos dias, se não tivesse desistido? Que lugar ocuparia na literatura hoje, com 76 anos? Nunca saberemos e isso entristece-me.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Lydia Davis

A escritora Lydia Davis, conhecida pela sua escrita concisa, recebeu ontem o quinto Man Booker Internacional Prize.
Heart weeps.
Head tries to help heart.
Head tells heart how it is, again:
You will lose the ones you love. They will all go. But even the earth will go, someday.
Heart feels better, then.
But the words of head do not remain long in the ears of heart.
Heart is so new to this.
I want them back, says heart.
Head is all heart has.
Help, head. Help heart.” 

"Nasceu em 1947 e vive em Nova Iorque, onde além de ser conhecida e influenciar uma nova geração de escritores, traduz Proust e é professora de escrita criativa. A americana Lydia Davis recebeu o quinto Man Booker International Prize que distingue escritores vivos de todo o mundo. A sua obra desafia a classificação genérica e a escritora tem sido descrita como “mestre de uma forma literária" que advém em grande parte "da sua invenção”, lembrou o júri. A cerimónia de entrega do prémio foi quarta-feira à noite no Victoria & Albert Museum de Londres.O júri também referiu as obras originais e filosóficas de Lydia Davis, embora curtas, exigiam tempo, talento e esforço e elogiou a habilidosa eficácia da sua escrita e a profundidade contida em poucas linhas. “A sua obra tem a precisão e a brevidade da poesia.” As suas histórias são por vezes surpreendentemente curtas não se estendendo por mais de duas ou três páginas, nota. Talvez por isso foi considerada "pouco esforçada", como ela própria conta com humor.“Recentemente recusaram-me um prémio literário porque disseram que eu era preguiçosa.” Agora já não, anunciaram os membros do júri – Júri Sir Christopher Ricks (que preside), Elif Batuman, Aminatta Forna, Yiyun Li e Tim Parks – que a descrevem como uma inovadora e influente escritora.Lydia Davis, que vive em Nova Iorque e é professora de escrita criativa na Universidade de Albany, é também conhecida por traduzir da língua francesa importantes clássicos comoMadame Bovary de Gustave Flaubert de Du côté de Chez Swann, de Proust.O prémio tem o valor de 60 mil libras (cerca de 70 mil euros) e é atribuído de dois em dois anos a um escritor no mundo por uma obra original em língua inglesa ou traduzida em inglês. É a quinta vez que ele é atribuído, depois de em 2005 o prémio ter distinguido o escritor albanês Ismail Kadaré, em 2007 o romancista nigeriano Chinua Achebe (entretanto falecido este ano), em 2009, a canadiana Alice Munro e em 2011 o americano Philip Roth. Como devem os seus escritos ser classificados?, interroga-se o presidente do júri. Talvez não devam. Foram chamados de histórias mas são igualmente miniaturas, anedotas, ensaios, parábolas, fábulas, textos, aforismos ou ainda orações ou simplesmente observações, salienta Sir Christopher Ricks na declaração sobre a escolha que deixou de fora os outros nove escritores finalistas: Vladimir Sorokin, Marie N'Diaye, Yan Lianke, Marilynne Robinson, Aharon Appelfeld, Peter Stamm, Intizar Husain, Josip Novakovich ou U R Ananthamurthy. Um romance apenas – The End of the Story (1995) – integra a sua obra essencialmente composta de colecções de contos comoBreak it Down (1986), Almost no Memory (1997), e outras. Lydia Davis foi editada em Portugal pela Relógio d’Água.Ao jornal brasileiro Folha de São Paulo, a escritora disse numa entrevista: “Tento ser tão concisa quanto posso ao expressar o que quero. Mas vale lembrar que Proust também acreditava na concisão. Se uma frase dele pode durar várias páginas, isso não significa que ele tenha dito mais do que necessitasse.”
(in jornal "Público, 23 Maio 2013)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Correntes d' Escritas 2013


 
Começou ontem à noite, na Póvoa de Varzim, a 14ª edição do Festival Literário Correntes d"Escritas que este ano vai homenagear os escritores Urbano Tavares Rodrigues e Manuel António Pina.
"A edição deste ano contará com a presença de mais de 50 escritores (de Portugal, Angola, Espanha e Brasil), tradutores, editores, designers, ilustradores, jornalistas que se vão espalhar por várias escolas da cidade, por mesas redondas, onde se vai debater literatura, e pelos vários lançamentos de livros que decorrem durante os três dias que dura o evento.
Este ano serão muitas as estrelas do firmamento literário de a marcar presença no festival. Entre eles estarão a brasileira que venceu o último prémio Saramago, Andrea del Fuego, os espanhóis Ignácio Martínez de Píson, Susana Fortes e Domingo Villar, os portugueses , António Mega-Ferreira, Vasco Graça Moura, Valter Hugo Mãe, Hélia Correia, Rui Zink, Richard Zimmler ou Nuno Camarneiro (prémio Leya) num evento em que a poesia estará em destaque.
Na quinta feira de manhã será entregue o prémio literário Casino da Póvoa (no valor de 20 mil euros), para o qual são candidatas obras de Ferreira Gullar, Manuel António Pina, Hélia Correia, Fernando Guimarães, José Agostinho Baptista, Armando Silva Carvalho, Luís Filipe Castro Mendes e Bernardo Pinto de Almeida. Na mesma altura será lançada a revista Correntes d"Escritas, dedicada, ao escritor Urbano Tavares Rodrigues que, por motivos de saúde, não poderá marcar presença no festival literário.
Olhando com atenção para o programa literário do Festival não são claramente visíveis os ajustamentos orçamentais feitos pela autarquia uma vez que, como explica Luís Diamantino, "se taparam buracos financeiros alargaram significativamente a rede de parcerias" embora tenham deixado de patrocinar a 100% a vinda dos escritores. "Essa despesa passou a ser feita pelas embaixadas e pelas próprias editoras". Talvez por esta razão seja notória a ausência de pequenas editoras face a uma massiva presença dos grandes grupos editoriais como a Porto Editora e a Leya. Das pequenas editoras destaca-se a presença da Abysmo, que vai lançar o livro de Rui Vieira, No Labirinto do Centauro.
Para além das mesas redondas e lançamentos, para as quais são esperadas cerca de cinco mil pessoas, haverão ainda exposições de fotografia e a entrega dos prémios porto editora e Ler/Booktailors.
Quem já passou pela Póvoa em dias de Correntes sabe que o afluxo de público nos eventos é impressionante para um país que supostamente "não gosta de ler". Por essa razão Luís Diamantino promete que para o ano haverá um cineteatro a estrear para acolher cerca de 500 pessoas por sessão."
O programa completo pode ser consultado AQUI
(in site da Fundação José Saramago)

terça-feira, 30 de outubro de 2012

PEN Clube

Não há dúvida de que, quando um autor confessa e partilha o tempo e os lugares que percorreu, a escrita sai sincera, logo, Verdadeira. Rita Ferro publicou, em 2011, o romance autobiográfico A Menina É Filha de Quem? O PEN Clube Narrativa acaba de lhe ser atribuído e eu, como admiradora e amiga da Rita, aqui deixo o meu orgulho! :)
Para mais informações sobre a atribuição deste e doutros prémios  PEN Clube acabados de sair do forno, leiam o artigo no JORNAL "PÚBLICO"