Mostrar mensagens com a etiqueta pintura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pintura. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Pomar e Roth

O mundo das artes ficou mais pobre, nestes últimos dias. O nosso Júlio Pomar deixa-nos aos 92 anos de idade, depois de uma vida cumprida. Fica o seu trabalho, para privilégio nosso.



A literatura americana perde um escritor forte e polémico, autor dos livros O Animal Moribundo e O Complexo de Portnoy, ou A Pastoral Americana, sendo mais conhecido pela obra A Mancha Humana, na célebre adaptação ao cinema, com as interpretações magistrais de Nicole Kidman e Antony Hopkins. É triste nunca ter ganhado o Nobel, embora fosse um dos eternos candidatos.




segunda-feira, 22 de maio de 2017

Garden

Winter's hard to rhyme
We're prisoners in some icy pantomime
Just waiting for the wind to change his mind
And sing us green
April starts to whisper to the trees
I hoe and you plant the trees
Canterbury Bells begin to ring
The sparrows are stealing string
Hollycocks and foxglove to the knee
Now life's a major key
We've got mud between our toes
This is how the garden grows
Midnight in July
We see the season spread across the sky
We wake up to a nosy dragonfly
Against the screen
You just love to bite me where it shows
You kiss me
Then hide my clothes
Running through the sprinklers nearly raw
We've just disproved Newton's law
How can I break even with the weeds
In love so beyond my needs
Blossoms on you Mama's rose
This is how the garden grows
Lyrics: Michael Franks, "How the garden grows"
Paiting: Monet

quinta-feira, 18 de maio de 2017

À mesa

(...)
Quero a minha mesa macerada, peculiar
A toalha manchada de nódoas de vinho vertidas
Dos copos de Beaudelaires e Kafkas,
De Pessoas, Modiglianis e Rodins
Vindimando-me as manhãs!
Heterónimos de novas letras,
Cachos encorpados de musas,
Parras, uvas, viúvas,
Destilando capitosos raciocínios,
Decantando a ponta dos galhardetes,
Engaços na curva macia de um prato de farfalle.
Quero o peito fermentado de abraços,
A casta risonha de artesãos licorosos
Que não esqueço, que agarro e adormeço,
Quando o dia rompe como lacre,
De mortos sempre longos na minha boca.
A travessa molhante, matando a fome à sede,
Alimentando, em provas cegas, ideias, puras
Iguarias.
(...)

(Vera de Vilhena, excerto adaptado in «Fora do Mundo», Poética Edições, 2014)

Imagem: «Hipp Hipp Hurra!», Peder Severin Krøyer (Noruega-Dinamarca, 1851-1909)

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Retoques

Há algo de extraordinário no poder de reconstrução que a escrita possui. Personagens há muito paralisadas em tempos e lugares, limitadas pelas acções e palavras que realizaram numa outra vida e que, saindo do baú, podem ser arejadas, dizer mais ou menos coisas, ter novas ideias e alegrias, outros receios e hesitações; mais uma oportunidade de se explicarem por palavras suas, distintas, já que houve ocasião de pensarem melhor, de amadurecer. Poderão agora encontrar-se com a família e os amigos, os vizinhos, os estranhos da avenida, que andaram na sua órbita; presenteá-los com novos diálogos, surpreendê-los, escolherem empreender uma viagem diferente, inventarem outras formas de se perder ou salvar, mesmo que o escritor lhes apresente os velhos obstáculos. De caneta na mão, numa tarde soalheira, o escritor vê o protagonista sair de casa e murmura,  Lá vai ele outra vez ao fim de tantos anos, por aquela rua... o que irá ele dizer hoje? - perguntando-se, O que diria ele, se o tivesse ido buscar numa noite de chuva...?
Quando é que um livro está terminado? Quando é que é definitivo?
Lembra-me aquela história do pintor que dá ainda os últimos retoques nos seus quadros já pendurados na sala de exposições...e já vendidos. Assim são alguns escritores.
© William Hogarth, Time Smoking a Picture (c. 1761, Metropolitan Museum)

sábado, 31 de maio de 2014

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Debussy

Venho pedir desculpa a este blogue, votado ao abandono nas últimas semanas, e também aos leitores que fazem o favor de segui-lo. A partir de hoje já reúno condições para lhe dar vida nova, uma transfusão de palavras e coisas frescas, nestes dias quentes, tão bons.
Deixo-vos com uma das músicas que muitas vezes me fez companhia, ao longo destes dias, em que andei mergulhada numas centenas de páginas que precisavam da minha atenção. Adorava ser daquelas pessoas que fazem mil coisas ao mesmo tempo, mas não sou capaz. Vocês são?
Fiquem com Debussy, numa peça que amo desde que sou criança. Dá-me uma imensa paz e transporta-me para lugares mágicos. E estamos a precisar de magia nas nossas vidas. No Youtube têm a descrição de todos os autores das obras utilizadas. Assim, sim. Ninguém o faz, ao compor estes vídeos. Não é o caso, felizmente. Enjoy.




quarta-feira, 4 de julho de 2012

Aelita Andre

Digam lá se os quadros desta menina não são maravilhosos. Este video já é antigo, ela agora é mais crescida, já tem...6 anos! :)

sábado, 19 de novembro de 2011

Lendo...

Renoir amava a irregularidade. Odiava os compassos, que desenham circunferências perfeitas, tudo o que fosse perfeito. A perfeição estava na imperfeição. A arte era encontrada na individualidade de cada elemento natural: uma laranja (que não é perfeitamente redonda), cada gomo irregular e único dessa laranja, ou uma folha de árvore, distinta de todas as outras folhas; um rosto que nunca é simétrico e que por isso o fascinava. 

"Deus, o rei dos artistas, era desajeitado."

"Quanto mais se recorre a boas ferramentas, mais desinteressante sai a escultura"

Renoir detestava o luxo e o artifício; os espartilhos das senhoras e os seus pés enfiados em sapatos apertados, de ponta fina. Respeitava o rústico em detrimento da elegância, uma face rosada e um corpo roliço, ao invés de uma tez pálida ou uma cintura estreita de mulher que se priva dos prazeres da mesa. Preferia uma sala simples e nua, sem a inutilidade dos bibelots. Não confiava na luz eléctrica para trabalhar e quando o sol enfraquecia, guardava as suas tintas. Sentia-se agradecido e abençoado por gostarem dos seus quadros e darem dinheiro por eles, uma vez que pintar era para Renoir, acima de tudo, uma necessidade e um divertimento. E defendia que o que valia a pena captar se encontrava na natureza, naquilo que Deus criou. Olhar era o bastante. Olhar até nos tornarmos apreciadores. Defendia que o artista devia procurar fora dele os seus motivos, pois nada havia a inventar:

"O artista que menos usar aquilo a que se chama imaginação, será o maior."

Sempre foi de uma modéstia que a todos desarmava, pois considerava-se um operário em trabalho e evolução constantes. 

"Se o artista sabe que tem génio, está perdido! A salvação está em trabalhar como um operário e não tentar dar nas vistas."

Isto e muito mais estou a aprender na biografia escrita por um dos filhos, o cineasta Jean Renoir, que nos revela um homem digno de conhecer - não só pelos quadros e desenhos que nos deixou - mas como amigo, pai, homem. Ao mesmo tempo que sou transportada para a sua época, que atravessou revoluções políticas, sociais e artísticas. leitura imperdível: "Pierre-Auguste Renoir, Meu Pai", Editorial Bizâncio.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A Angèle de Renoir

Quando Renoir se apaixonava por um qualquer motivo pictórico, alugava uma habitação modesta para o ter "debaixo do nariz". O mobiliário limitava-se a uma colchão posto no soalho, uma cómoda em pinho rústico, uma mesa, uma cadeira e um fogão para o modelo se aquecer. Quando mudava de casa, deixava tudo para trás. 
A zona da Rue Moncé tinha má fama, mas "Angèle, um dos seus modelos, tinha-lhe falado numa casinha de renda barata, com um jardinzinho onde ele podia pintar. Renoir tinha ido ver. Tinha-se deixado conquistar por uma velha macieira da qual pendia um baloiço de criança, e tinha-a arrendado sem se preocupar com a vizinhança. Um dia, a caminho de casa, foi atacado por uns vagabundos. Tentou fugir, mas apesar de ter boas pernas foi atacado e manietado contra uma paliçada. De repente, um doa malfeitores reconheceu-o: "É o senhor Renoir!" O meu pai recuperou o fôlego, orgulhoso de ser tão conhecido. O outro esclareceu: "Eu já o vi com a Angèle. Não vamos fazer mal a um amigo da Angèle..." E acrescentou: "Este bairro não é seguro. Vamos acompanhá-lo até casa!". De facto, Angèle, o delicioso modelo do quadro da mulher com gato ("Posava como uma deusa"), pertencia àquele meio. Tinha por Renoir uma devoção comovedora. Um dia, percebendo que ele não tinha dinheiro para pagar a renda, ofereceu-se para "ir dar uma volta pela alameda" (...) Enquanto posava para "O Almoço dos Remadores", a rapariga conquistou um jovem de boas famílias, que se casou com ela. Alguns anos depois, veio visitar o "patrão". Vinha acompanhada do marido (...): "O Armand sabe que eu posava nua e (corando)... também sabe que eu andava em más companhias! Enquanto Armand se perdia na contemplação de um quadro, ela disse ao ouvido de Renoir: "Mas não sabe que eu dizia merda!"
(in "Pierre-Auguste Renoir, Meu pai", de JEAN RENOIR)
Quadros: "Mulher com um Gato" (1875) e "O Almoço dos Remadores" (1880-1881)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Oceano

Dentro de água, no sufoco de há tanto tempo esbracejar, o homem vislumbrou, enfim, uma luz. O céu azul cobalto, enegrecido pela noite, não se distinguia do mar revolto. No horizonte, longe e perto, ele viu a costa que o salvaria, as pequenas chamas tremeluzindo como se chamassem por ele. Não se deixou acobardar pelas vagas e teimou que haveria de chegar a terra firme. O mar amansou e o homem descobriu, com pasmo, que as águas mornas eram agora fáceis de cruzar, que aquela aventura poderia, quem sabe, revelar-se uma viagem feliz. 
Ela esperava, como farol, de pés enterrados na areia. Os tornozelos nus lambidos pela maré. Há muito que o espera. Pensou em desistir, recuar alguns passos. Mas a cada vez que se afasta o mar chama por ela. Outro remédio não têm senão regressar um para o outro, tacteando na escuridão. 

Imagem: pintura a óleo de David Weiss

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

quarta-feira, 14 de abril de 2010

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O "pintor da luz"

Joaquín Sorolla y Bastida (27 de Fevereiro de 1863, Valência - 10 de Agosto de 1923, Cercedilla), é mais um artista maravilhoso que descobri há dias e de cuja existência nem desconfiava.
Atenção a este pormenor: tendo em conta a época em que viveu, Sorolla só poderia ter sido um pioneiro da fotografia a P/B, como ponto de partida, ou ter uma memória visual inacreditável; senão, vejam a composição dos seus quadros, que falam por si. Obrigada, Filipa.









segunda-feira, 11 de maio de 2009

Ainda Jacek Yerka





Numa segunda visita ao trabalho deste pintor inspirado,  não resisti a fazer mais uma selecção de quadros, de acordo com a minha sensibilidade e o meu gosto, evidentemente. Ainda assim, fiquei a suspirar por alguns mais... cliquem nas imagens e apreciem os pormenores. As composições e a execução técnica são maravilhosas.


domingo, 10 de maio de 2009

Jacek Yerka


De vez em quando descobrimos arte verdadeiramente original, onde a imaginação impera. Os quadros de Jacek Yerka, por vezes labirínticos como a escrita de Borges, lembram sonhos inquietos e lençam-nos para cenários impossíveis. Quando a paisagem, num dia tristonho como o de hoje, não me empurra lá para fora, fujo para mundos de fantasia como estes, em busca de inspiração para trabalhar, ou de um simples estímulo visual, que me acorde os sentidos e o espírito e me faça esquecer o corpo e os gestos presos pelo frio.