
Não se deixem enganar pelas riscas cor-de-rosa. Os dias são (d)escritos com todas as cores.
domingo, 31 de março de 2013
sábado, 30 de março de 2013
Famílias
Uma das minhas chachadinhas cinematográficas preferidas. Apetece saltar para dentro da tela e fazer parte desta família.
sexta-feira, 29 de março de 2013
W. H. Auden
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message 'He is Dead'.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.
The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.
Aqui muitíssimo bem interpretado pelo actor escocês John Hannah, em "Quatro Casamentos e um Funeral". Muitos de nós tomámos conhecimento do poema em questão nesta cena tocante:
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message 'He is Dead'.
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last forever: I was wrong.
The stars are not wanted now; put out every one,
Pack up the moon and dismantle the sun,
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.
Aqui muitíssimo bem interpretado pelo actor escocês John Hannah, em "Quatro Casamentos e um Funeral". Muitos de nós tomámos conhecimento do poema em questão nesta cena tocante:
quinta-feira, 28 de março de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
terça-feira, 26 de março de 2013
Meluxa
Meluxinha, hei-de recordar-te sempre lindíssima, de riso fácil, sapatinhos de sabrinas variados, aquela tua arte de decorares o teu corpo de um jeito só teu. E sempre, sempre elegante. A tua filhota sai a ti: tem um estilo muito próprio, tu sabes. Hoje cada um de nós fará um brinde à saúde da tua alma alegre. Aposto que, da nuvem onde te encontras, já lançaste o teu dom e enfeitaste de cor todas as nuvens em volta. Gosto de pensar que, num belo poente alaranjado e quente, estão, algures, os teus traços. Um abraço forte de parabéns, cunhada. Quem me dera que os meus braços pudessem estender-se até à tua nuvem, para te abraçar. De todos nós, que te amamos, PARABÉNS, minha querida.
E como sei que gostas muito deste tema, que descobriste comigo, deixo-te na companhia do "Dindi", interpretado pela Flora Purim.
E como sei que gostas muito deste tema, que descobriste comigo, deixo-te na companhia do "Dindi", interpretado pela Flora Purim.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Cesare Pavese
3 citações de Cesare Pavese, que se suicidou com quarenta e dois anos. Contêm um cinismo que, no entanto, dá que pensar...
"Não é bom ser criança: bom é, quando somos velhos, pensar em quando éramos crianças."
"Para se desprezar o dinheiro é preciso justamente tê-lo, e muito.""
"Dá-se esmola para tirar da frente o miserável que a pede."
E, para o redimir, termino com uma outra que tantos conhecem e que, por várias vezes, vi referida em filmes e em conversas:
"Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz" - que, na verdade, pressupõe a degradação de tudo, mas não vamos pensar assim, não é?
Este post é dedicado à minha amiga Lara :)
domingo, 24 de março de 2013
Chat
Imaginem quatro pessoas que nunca se viram e que conversam várias horas por dia num chat de grupo. Há muito riso, muito disparate. Divagações sobre livros, filmes, bandas sonoras, música, gastronomia, vida familiar. Mas também há momentos de pura confissão e desabafo. Às vezes, dos 4, estão só dois ou três. os outros chegam depois e lêem tudo o que ficou para trás a tentar apanhar o diálogo. As tarefas domésticas e outras vão sendo proteladas, porque aquele "plong!" do chat soa, acendendo a curiosidade de todos. A bateria do "espertofone" a 2%, o jantar ao lume, o cão que uiva, a mulher que aguarda em casa, o filho que estranha o riso da mãe. E estão assim, juntos, várias horas por dia, um conhece o outro vagamente, outra conhece uma delas também. Os laços vão-se criando e cada vez têm mais pontos em comum. Ou de discordância, o que é excelente pretexto para o debate e a paródia. É tanta a cumplicidade, que já dificilmente outros os entenderão. Mas ninguém está preocupado com isso. É demasiadamente tarde para entrar neste carrossel. E o apetite já está plenamente satisfeito.
sábado, 23 de março de 2013
Os nossos mortos
Antigamente, quando alguém nos morria, ficavam as cartas e as fotografias. O amor e as recordações. E a saudade, claro, a amontoar-se por tudo e por nada. Até ir sendo dissipada pelo tempo, a ficar dia a dia mais leve, mais etérea. Até conseguirmos sorrir, ao pensar nesse alguém sem que as lágrimas nos viessem aos olhos. Quando muito, restava também o seu número de telefone numa qualquer agenda e, nesse caso, havia várias opções do destino: ou, nostálgicos, o deixávamos ficar, incapazes de riscá-lo, ou, na mudança anual de agenda, os mortos iam ficando para trás.
Agora não.
Agora o correio electrónico lembra-nos semanalmente do aniversário dos nossos mortos. E guarda zelosamente todos os emails trocados, num baú virtual que nunca iremos atirar para a reciclagem. Agora temo-los na agenda de contactos do telemóvel e não os conseguimos apagar. A culpa não nos deixa, iríamos sentir-nos cruéis, frios. E o número ali vai ficando, inútil e precioso.
E há os blogues: o blogue de alguém que já partiu como quem sai e deixa a porta aberta. Volto já. A data do último post vai ficando cada vez mais para trás, cada vez mais pretérita. A página de facebook ou do Twitter mantém-se, pois ninguém sabe nem quer saber a password. E não se desamigam os mortos. Não são spam. Não se denunciam. Não se bloqueiam. Continuamos a receber notificações sobre o movimento das páginas dos nossos mortos, onde um dia deixámos um comentário. No mural conjunto aparece-nos o quadradinho com a fotografia, sempre que alguém lá vai deixar um ramo de flores, um ai, uma canção, um abraço. Às vezes até lá vamos escrever também. Escrevemos aos nossos mortos na montra onde publicamos a nossa saudade.
E em tudo isto há um estranho consolo. Como se os nossos mortos fossem de todos e a vida não fosse exclusiva de ninguém.
sexta-feira, 22 de março de 2013
W. H. Auden
The Novelist
Encased in talent like a uniform,
The rank os every poet is well known;
They can amaze us like a thunderstorm,
Or die so young, or live for years alone.
Or die so young, or live for years alone.
They can dash forward like hussars: but he
Must struggle out of his boyish gift and learn
How to be plain and awkward, how to be
One after whom none think it worth to turn.
For, to achieve his lightest wish, he must
Become the whole of boredom, subject to
Vulgar complaints like love, among the Just
Be just, among the Filthy filthy too,
And in his own weak person, if he can,
Must suffer dully all the wrongs of Man.
Must struggle out of his boyish gift and learn
How to be plain and awkward, how to be
One after whom none think it worth to turn.
For, to achieve his lightest wish, he must
Become the whole of boredom, subject to
Vulgar complaints like love, among the Just
Be just, among the Filthy filthy too,
And in his own weak person, if he can,
Must suffer dully all the wrongs of Man.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Poesia
Para celebrar o dia de hoje, dedicado à Poesia, deixo-vos com um poema de José Luís Peixoto
Amor
o teu rosto à minha espera, o teu rosto
a sorrir para os meus olhos, existe um
trovão de céu sobre a montanha.
as tuas mãos são finas e claras, vês-me
sorrir, brisas incendeiam o mundo,
respiro a luz sobre as folhas da olaia.
entro nos corredores de outubro para
encontrar um abraço nos teus olhos,
este dia será sempre hoje na memória.
hoje compreendo os rios. a idade das
rochas diz-me palavras profundas,
hoje tenho o teu rosto dentro de mim.
José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"
Amor
o teu rosto à minha espera, o teu rosto
a sorrir para os meus olhos, existe um
trovão de céu sobre a montanha.
as tuas mãos são finas e claras, vês-me
sorrir, brisas incendeiam o mundo,
respiro a luz sobre as folhas da olaia.
entro nos corredores de outubro para
encontrar um abraço nos teus olhos,
este dia será sempre hoje na memória.
hoje compreendo os rios. a idade das
rochas diz-me palavras profundas,
hoje tenho o teu rosto dentro de mim.
José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"
quarta-feira, 20 de março de 2013
Primavera
O aniversário da
prima Vera era no verão. Mas isso pouco importava, pois era veramente uma
criatura primaveril. Logo que a estação chegava, de seus cabelos brotavam
flores de todos os tons e aromas. O que ninguém sabe – veja lá, é segredo de família!
– é que seus pais a
recolheram de um minúsculo ninho de fadas, na floresta, numa festa de equinócio.
(
Micro-conto em dedicatória, da autoria da minha grande amiga
Denise Katchuian Dognini, S. Paulo, Março 2013)
terça-feira, 19 de março de 2013
Pai
"Pai, Quero que Saibas
É o teu rosto que encontro. Contra nós, cresce a manhã, o dia, cresce uma luz fina. Olho-te nos olhos. Sim, quero que saibas, não te posso esconder, ainda há uma luz fina sobre tudo isto. Tudo se resume a esta luz fina a recordar-me todo o silêncio desse silêncio que calaste. Pai. Quero que saibas, cresce uma luz fina sobre mim que sou sombra, luz fina a recortar-me de mim, ténue, sombra apenas. Não te posso esconder, depois de ti, ainda há tudo isto, toda esta sombra e o silêncio e a luz fina que agora és."
José Luís Peixoto, in 'Morreste-me'
A todos os pais ausentes. Felizmente não é o caso do meu, que ainda está entre nós, espero que por muito bons anos.
segunda-feira, 18 de março de 2013
...
Lendo, lendo, lendo, lendo...
Escrevendo, escrevendo...
Lendo, lendo, lendo...
Escrevendo...
Lendo...
...
Escrevendo, escrevendo...
Lendo, lendo, lendo...
Escrevendo...
Lendo...
...
domingo, 17 de março de 2013
sábado, 16 de março de 2013
A Gaiola
(inspirado em Oscar Wilde, O Rouxinol e a Rosa)
Os
olhos dele, quase humanos, imploravam liberdade. Feita de prata e safiras, a gaiola
era de uma beleza fria, inútil. Olhando-o, a mulher bebeu a infusão de pétalas.
O pássaro soltou um guincho de saudade e ela compreendeu: aquele era um homem
de asas presas, sofrendo pelo seu amor interdito. A mulher abriu a portinhola.
Ele soltou as asas e foi cravar no peito o espinho da rosa mais próxima. E a
maldição quebrou-se, enfim.
sexta-feira, 15 de março de 2013
Reviver o passado
Adeus, até amanhã. Vou até à casa dos meus pais, onde passei os fins de semana e as férias da minha infância e adolescência. Agora irei ocupar o quarto de casal, com papel de parede às florinhas: era o da minha irmã mais velha, que, nos anos 70, já era uma jovem senhora. O que era o meu quarto e o da minha irmã do meio, com as duas pequenas camas brancas em ferro e colcha de quadradinhos em azul e branco, é, há anos, a oficina do meu pai, onde ele constrói modelos de barcos, ou não fosse o meu pai oficial da marinha reformado, com cachimbo, barba branca e tudo, a cujas longas pernas eu me agarrava com medo das ondas, na praia. O meu pai era um rochedo que nenhuma onda derrubava, eu tinha a certeza.
Sei que será uma espécie de viagem ao passado. E que vou matar um pouco das muitas saudades que tenho desse tempo feliz, em que éramos crianças com preocupações ridículas, vivendo os dias no ócio de quem tem uma vida simples e privilegiada. Um pouco de mim está lá, sempre, e é essa Verocas que vou tentar encontrar, nas lombadas dos livros, nos cadeirões, nas fotografias, nos objectos, na luz, nos cheiros que habitam a minha memória.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Dirty Loops
Esta não é uma banda de covers qualquer. Ele, o cantor, tem a escola do Stevie Wonder e canta que se desunha. Tocam os 3 que nem bestas. Desculpem, mas há coisas que têm de se dizer assim. Aconselho a verem alguns videos relacionados, que surgem no fim (ex: Justin Bieber, Adele... muito superiores aos originais, como é óbvio).
quarta-feira, 13 de março de 2013
Chiado
Saí de casa com duas horas e meia de antecedência. Apanhei três transportes para ouvir o meu filho cantar durante 3 minutos. Se valeu a pena? Sim, absolutamente. Há emoções que valem sempre a pena.
Chiado:
Decididamente, não volto à Brasileira. Já uma vez aqui escrevi acerca deste café histórico onde há muito não se faz jus à sua fama nem à estátua do Senhor Pessoa. Outra novidade: para utilizarmos a casa de banho temos de apresentar o talão do balcão, ou seja, barram-nos a entrada a não ser que provemos que acabámos de consumir algo, ou seja, eu explico melhor, há consumo obrigatório para podermos fazer um xixi. Não, não basta não termos ar de marginais ou o bom senso de consumirmos alguma coisa depois, por simples boa educação. É evidente que saí e fui à pastelaria do lado que me serviu, com boa cara, uma bica excelente e um dos melhores pasteis de nata que alguma vez comi. É caso para dizer que da Brasileira tenho...a minha conta. Sem factura.
No ar soava o último Hit lusitano, o Grândola Vila Morena na voz do Zeca, novamente repescado para simbolizar mais uma manifestação iminente.
Quando desci do Largo de Camões ao Chiado, lá estava ela: polícias de carro e de mota, a multidão a subir vinda do Rossio, as filas de bandeiras encarnadas, os solistas de belas vozes e um coro afinado e impressionante de crianças, todos cantando a Vila Morena. Não houve distúrbios, tudo se fez com ordem. Para esquecer a crise e aproveitar a ida a Lisboa entrei nos velhos armazéns renovados, fingindo para comigo mesma ter dinheiro na carteira para gastar em inutilidades; espreitei algumas das minhas lojas preferidas, suspirei, como é meu dever de mulher, por almofadas, senhorinhas, candeeiros, perfumes, um serviço de pratos, sapatos. Numa troca bem-disposta de sms com o meu marido, já me dei por feliz ao saber que tínhamos voltado a ter internet, finalmente.
Três transportes de volta, de regresso a casa. Eu muito provinciana, sem saber recarregar o cartão do metro. Antes era tudo tão mais simples, ou é impressão minha?
Ainda houve tempo para um cafezinho junto à praia, apesar do frio terrível que hoje chegou. Enfim, frio terrível. Os siberianos fartavam-se de rir, se lessem isto.
Ao computador: 82 emails em atraso, 42 notificações no facebook, 2 pedidos de amizade. Regressada à solitária vida no campo e à sociedade, entre a multidão virtual.
À noite...Papa.
À noite...Papa.
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