sexta-feira, 4 de maio de 2012

Destino

Têm o poema em baixo, para "escutarem os versos"




Segue o teu destino, 
Rega as tuas plantas, 
Ama as tuas rosas. 
O resto é a sombra 
De árvores alheias. 

A realidade 
Sempre é mais ou menos 
Do que nos queremos. 
Só nós somos sempre 
Iguais a nós-proprios. 

Suave é viver só. 
Grande e nobre é sempre 
Viver simplesmente. 
Deixa a dor nas aras 
Como ex-voto aos deuses. 

Vê de longe a vida. 
Nunca a interrogues. 
Ela nada pode 
Dizer-te. A resposta 
Está além dos deuses. 

Mas serenamente 
Imita o Olimpo 
No teu coração. 
Os deuses são deuses 
Porque não se pensam. 

Ricardo Reis, in "Odes" 
Heterónimo de Fernando Pessoa

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A nossa separação

Mau grado todas as desgraças que conhecemos bem, de longe e de perto, e que arranham as nossas vidas, vão surgindo pequenas coisas fantásticas como esta. Um bom livro com download gratuito, ao alcance de um clique. Querem aproveitar? Eu acho que vale a pena. O texto é de Fernando Marques da Costa e de Patrícia Reis. Receba aqui este presente: A nossa separação

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Maio

Para celebrar o mês de Maio e esquecer este exagero de vento e de chuva, deixo-vos com uma filmagem maravilhosa da polinização. Cliquem no canto inferior direito, para "full screen".

terça-feira, 1 de maio de 2012

Calor

Apesar de ter começado o mês de Maio neste respeitável feriado, desde o anoitecer que as horas restantes chamaram pelo conforto de uma noite de outono. O corpo pede-me calor e hidratos de carbono; o espírito, boa música, boa companhia e os cães, claro, leais e decorativos, enroscados na tijoleira ou no tapete de juta, como convém. À tarde, depois de uma travessa com um delicioso bacalhau espiritual comprado à D. Maria José, tive o meu neto nos braços, adormecido, a segurar no meu indicador direito. Fiquei assim, rendida, a conversar feliz, até o músculo do braço ceder ao peso daquela cabeça redonda e morna, a cheirar a bebé como só os bebés sabem cheirar. Já em casa, tive direito a sesta, algo que não fazia há muito tempo. Antes de adormecer, umas páginas de Uma Luz Que Nos Nasce por Dentro, a iluminar-me os sonhos. E o serão começa agora, com um jantar-ceia, junto à lareira, com tudo a que temos direito neste dia feito de pequenos prazeres. Vale a pena cultivar certos rituais. Dar um pouco mais de calor aos nossos dias. 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

SAUDADE


Caminhava com a fotografia na mão. Os passos a hesitar, inclinando à esquerda e à direita, ziguezagueando como um cão mal treinado, conduzido pela trela. Andava à caça daquela miúda, a que ficara colada à imagem encarniçada pela luz e pelo tempo. As árvores do fundo já não se encontravam ali. No seu lugar havia um prédio cinzento, sem graça, atravessado por cabos telefónicos de cobre, a aguçar os apetites larápios dos croatas. Uma fatalidade, aquilo dos prédios em vez de figueiras e arbustos. Porque as pessoas insistiam em reproduzir-se e eram obrigadas a arrumar-se assim, umas por cima das outras. O espaço encolhia todos os dias. E o carro azul escuro, a fugir pelo canto direito, há muito que fora sepultado na prensa do ferro-velho, levando com ele as embalagens esquecidas de cromos, no banco de trás, os papéis peganhentos das bolinhas de neve e aquele berlinde que ela e a irmã haviam atirado para o interior da grelha de metal, que acompanhava o comprimento do banco traseiro. M. tinha saudades desse ruído, o berlinde a rolar para um lado e para o outro, cada vez que o pai fazia uma curva apertada. O riso cúmplice das duas, o olhar de censura da mãe, como quem diz, Bela ideia, a vossa. E sim, fora uma ideia de louvar, absolutamente. No silêncio de todas as curvas que vieram depois, havia uma ausência que dava sentido à saudade.


Roubei a imagem AQUI

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Smart


O meu Smart não é lá muito esperto.

É um cabriolet, tem mudanças automáticas e condução sequencial, como se queira. Acontece que, após uma descida, em que meti em sequencial pedindo-lhe uma 3ª, para travar com o motor, ele começa, já de regresso ao automático, armado em Chico-esperto. O que é que faz? Mete uma 4ª ou até uma 5ª numa subida, julgando-se o máximo. É claro que depois não tem força para subir e é obrigado a reduzir novamente...
Quando íamos hoje os dois a subir aquelas curvas e contra-curvas, meteu-me a 5ª na subida íngreme e eu perguntei-lhe:
- Uma 5ª, a sério?...
Claro que foi de imediato obrigado a dar razão ao meu sarcasmo, concluindo que não iria ser capaz de fazer aquele pedaço de estrada em 5ª... 
Já lhe disse várias vezes que tem de baixar as expectativas, que a vida é feita de desilusões...que podemos até estar, numa dada fase da nossa vida, lançados que nem campeões...mas que, ao virar da esquina, se nos depara um buraco ou um obstáculo, e outro remédio não temos senão meter travões a fundo ao descer (neste caso com ABS, felizmente) ou reduzir drasticamente os nossos sonhos...
Digo-lhe que muitas vezes a nossa visibilidade é reduzida, que é preciso estudar a estrada que temos à nossa frente, antecipar os perigos e tirar o melhor partido da condução: as duas mãos no volante, de preferência, olhos na estrada, e o bom senso...para não sermos obrigados a desperdiçar energia, a ficar para trás ou, pior ainda, a chegarmos à conclusão de que não conhecemos o nosso próprio motor.
Pois é, meu amigo Smart, além de te armares em esperto, pecas por um excesso de optimismo que não te fica bem, vai por mim.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Álbuns de fotografias

Desde miúda que me lembro de folhear os grandes álbuns dos meus pais, com folhas de cartolina pretas, tamanho A3, e letras em giz branco. Em dois deles, se não me engano, estão uma série de fotografias ampliadas, a cores e a preto e branco, do 25 de Abril de 74 e do 1º de Maio: a minha mãe com um cravo no "duffle coat" bege, a multidão na rua, jeeps e militares, braços estendidos, gente a sorrir. Inconsciente daquilo tudo, eu passava essas folhas adiante, com o fastio de quem deseja retomar a "vida civil", caseira, com irmãos, primos e cães, almoços de família, idas à praia, pequenos-almoços no café do bairro (o meu pai fotografava tudo, felizmente), sem pensar que a vida continuava naquelas páginas que vinham a seguir à "chatice" da Revolução, sim, mas com outras cores que a película foi incapaz de captar.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Adeus, Miguel

Na véspera do dia comemorativo do 25 de Abril, perdemos o economista, jornalista e euro-deputado do Bloco de Esquerda, Miguel Portas. Morreu vítima de cancro de pulmão, em Bruxelas, aos 53 anos...

82ª Feira do Livro de Lisboa

Começa hoje mais uma Feira do Livro de Lisboa. Terá menos 14 pavilhões, mas promete, em compensação, mais eventos (lançamentos, actividades lúdicas, sessões de autógrafos, etc.). Para seguirem a Feira, aqui têm o site:
82ª Feira do Livro de Lisboa 2012
Encerra nos dia 13 de Maio. Aproveitem! 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dexter

Confesso que descobri recentemente a série Dexter (sim, só agora, imaginem!) e que estou absolutamente viciada! Está tão bem feito, que é como aqueles livros espessos que não conseguimos largar até terminarmos a leitura, virando as páginas, com fervor, para continuarmos na companhia das personagens...e sabermos o que irá acontecer a seguir, claro.
O genérico é muitíssimo bem pensado e executado, tendo em conta que a série se desenrola à volta de seriall killers: a analogia subentendida nos materiais e substâncias, nos gestos, partindo de objectos e rituais da rotina matinal é simplesmente de génio. Acho que anda a dar num canal português (não sei qual), mas estou a vê-la na FOX HD e recomendo (a mentes não facilmente impressionáveis, atenção).

sábado, 21 de abril de 2012

Margaret Tatcher

"Watch your thoughts, for they become words. Watch your words, for they become actions. Watch your actions, for they become...habits. Watch your habits, for they become your character. And watch your character, for it becomes your destiny! What we think we become. My father always said that, and I think I am fine."
Roubei do blog da PATRÍCIA REIS

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Pedras

Porque uma pedra nunca é simplesmente uma pedra. Pode servir de arma de arremesso ou de semente; ferir ou dar esperança; afastar duas pessoas - vestida de más acções ou palavras - ou encurtar distâncias; adormecer alguém quando lançada com violência...ou despertá-la, em jeito de alarme. 
Sim, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa; mas muitas vezes uma coisa é....muitas coisas.
Ilustração: GUILLERMO MORDILLO

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Só isto

E porque já é 5ª feira e este blog começa a ganhar pó, venho apenas dizer que não, o blog não morreu nem foi abandonado, simplesmente as palavras têm-se arrumado noutros cantos, e esquecido este recanto individualista, a  bem de um simples ganha-pão. Nada tem sobrado para vir esconder-se aqui, nada a celebrar, nem queixumes ou angústias, ou sequer banalidades. Nada. O silêncio. Venho aqui quebrá-lo, para que não julguem que morri e partilhar o meu espanto por ver pessoas a puxar a minha manga, com a fatídica pergunta, Então?
Então?
Sei lá, a vida anda assim, estúpida. E eu, estupidificada.
Quando tornar a ser pensante, regresso aqui.
Até lá, só isto.

domingo, 15 de abril de 2012

Pool party

E porque adoro animais e estes são uns dos meus preferidos, fiquem-se com uma ternura de video: dois elefantes bebés, a tomarem banho numa banheira demasiado pequena...como poderão facilmente comprovar :) e a disputá-la! BOM DOMINGO, DIVIRTAM-SE!

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Maria do Rosário Pedreira


Por Maria do Rosário Pedreira
Não passaria pela cabeça de ninguém esperar que um pintor fizesse um desenho ou pintasse uma tela gratuitamente – a menos, claro, que se tratasse de um acto beneficente. Quando se convida um economista ou um político para fazer uma palestra, o pagamento combina-se previamente e há muito boa gente que recebe pela tarefa mais do que vários dos meus salários mensais. (Diz-se que Clinton vive actualmente de fazer conferências, por exemplo, mas há muitos outros na mesma situação.) Se quisermos um cantor para animar um qualquer acontecimento, é bom prever um cachet jeitoso, ou ele não se dará ao trabalho de lá pôr os pés. Ora, vem esta introdução a propósito de um interessante artigo da jornalista e escritora Alexandra Lucas Coelho (ALC) no Público sobre o facto de em Portugal se partir do princípio de que um escritor não cobra senão os direitos de autor dos seus livros: se o querem num encontro, pagam-lhe, quando muito, as despesas de deslocação e, salvaguardadas as excepções (pouquíssimas), tudo o mais é por sua conta e risco, isentando-se quem encomenda o «serviço» de perguntar sequer quantos dias andou o pobre à volta do tema sobre o qual tem de dissertar ou escrever. O hábito instituiu-se e não é fácil corrigir a situação de uma hora para a outra, até porque, se um autor exigir ser pago por uma intervenção, haverá, diz ALC, uma dezena de outros que a farão de graça. Porém, numa altura em que cada vez há mais escritores a tempo inteiro, seria simpático pensar que a produção de um texto rouba se calhar tanto ou mais tempo do que um ensaio de meia dúzia de temas batidos a um cantor – e que por isso deve ser objecto de uma justa retribuição. De acordo com ALC, no Brasil o procedimento é já este. Está, pois, na hora de aprendermos com o lado de lá e batermos o pé.
(retirado do blog de MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA

domingo, 8 de abril de 2012

Escada

Por vezes a vida dá-nos razões para sentirmos uma imensa gratidão. Quando percebemos que existem pequenas coisas que não têm importância alguma e que outras pequenas coisas têm toda a importância. Fazer a gestão desses elementos, arrumando-os no lugar certo, é construir uma escadaria que nos vai conduzindo, degrau a degrau, num jogo de luz e sombra, a um lugar onde encontramos paz. E lá chegados, de pernas cruzadas como pequenos budas, a nossa voz interior segreda-nos, Vês? Tudo está bem quando se está bem. E ao abrirmos os olhos para dentro de nós, tentando conhecer a voz que falou connosco, entendemos que estivemos sempre ali...mas de olhos fechados, nada mais vendo que o sangue, o osso, a veia, a carne, incapazes de alcançar a nuvem, a erva, o seixo, a flor.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O COELHINHO CHOCOLATE

Era uma vez um belo coelhinho. Parecia um gelado de nata e chocolate, pois o seu pêlo era todo malhado, castanho e branco. Vivia num pequeno jardim guardado por um grande cão bonacheirão, chamado Castanho. O cão parecia-se um pouco com ele: também era castanho e branco, apesar de ser muito maior.

O coelhinho passeava-se livremente por ali, uma vez que os seus donos o tratavam como se fosse da família: não lhe faltavam as cenouras; brincava com o Castanho dando-lhe dentadinhas no rabo e fugindo logo de seguida, saltitando em direcção aos arbustos; passava o serão ao colo da D. Ermelinda, que lhe ia fazendo festas, enquanto conversava com o marido, frente à lareira…enfim, era um coelho feliz, que levava uma vida regalada.
Numa linda manhã de Abril, o Sr. José decidiu pintar a casota do Castanho, cuja madeira velha estava já muito feia. Agarrou no chapéu e foi às compras à aldeia, na sua carrinha branca. Apareceu pouco depois com várias latas de tinta de água, pousou-as na relva junto à casota e abriu-as: uma branca, outra amarela, outra ainda azul mesmo-mesmo da cor do céu e, finalmente, uma vermelha. Quando ia começar a obra, disse para com os seus botões:
"Ora ora, o que me calhava mesmo bem agora, era uma cerveja fresquinha!" – Porque estava imenso calor. Como a D. Ermelinda se encontrava longe, na cozinha, a fazer um bolo que fazia as delícias da filha e dos netos, que estavam para chegar, resolveu levantar-se e ir ele mesmo buscá-la.
Passados instantes, chegou o coelhinho, atraído por aquele cheiro novo  de tinta fresca. Ao ver as cores a brilhar ao sol, achou-as bonitas. Aproximou mais o focinho e os bigodes para espreitar e... Ops, asneira! Entornou duas latas de tinta! O azul e o amarelo espalharam-se por todo o lado e arranjaram uma cor nova:
Qual era? O verde!
Ficou muito espantado com o que tinha arranjado e não resistiu a espreitar melhor as outras cores: empoleirando-se com as patas na lata vermelha, pumba! Fez asneira outra vez! Ela tombou e o coelho Chocolate, com o peso, desequilibrou-se e foi cair em cima da lata de tinta branca! Agora é que a tinha arranjado bonita! Estava tudo entornado e, ainda por cima, cada vez que saltava, as suas patas deixavam marcas… …. Cor-de-rosa!
Nesse momento, curiosos com a confusão que reinava no jardim, chegaram o Castanho e o Sr. José, a correr:
"Chocolate! O que é que me foste arranjar?! Olha bem para isto, sim senhor, lindo serviço!" - ralhou o Sr. José. 
O Coelhinho olhou para ele com os olhos maiores e mais doces que sabia fazer, para não apanhar uma palmada. Era preciso ver aquela confusão de cores! O Castanho, todo satisfeito por ver o jardim mais colorido do que nunca, juntou-se ao Coelhinho Chocolate, lambeu-o e ficou com a língua pintada; depois, com a cauda a abanar, espalhou mais tinta por todo o lado. Agora havia roxo, castanho e cor-de-laranja também! Até as flores do jardim ficaram com as suas cores trocadas!
Pensam que a D. Ermelinda se zangou quando, ao chegar, viu aquela confusão? Estão enganados! Como era uma senhora muito bem disposta, não conseguiu conter o riso e desatou às gargalhadas. E o riso, que se pega como os bocejos e a tosse, contagiou o Sr. José, que acabou por rir também, e nem ficou zangado, pois reparou que o que sobrara nas latas ainda daria para fazer o trabalho.
"Ai, que eles estão quase a chegar!" - Exclamou a D. Ermelinda, pondo-se séria de repente - Vá, toca a tomar banho, seus marotos, antes que essa tinta seque!"
O que valeu a todos, é que a senhora adiantara trabalho, como era seu hábito, e, assim, dispôs de tempo para aquele imprevisto. Pegou no Chocolate e foi dar-lhe uma boa ensaboadela na banheira, com água morna. Quanto ao Castanho, foi lavado ali mesmo no jardim, com a mangueira, para aprender a ficar quieto! O Sr. José esfregou-o bem esfregado com um champô especial, até ficarem apenas as suas cores: castanho e branco.
Ao fim da tarde, a D. Ermelinda abriu a mesa no jardim, fez laranjada para as crianças e chá para os adultos, a acompanhar as grandes fatias de pão e de bolo de chocolate.
Por falar em chocolate, onde ficou o coelhinho? Ah, esse ficou amarrado ao poste, de castigo! E o seu amigo Castanho, que detestava tomar banho, passou o resto do dia muito sossegado e um pouco amuado com o dono, que o lavara com água fria. No entanto, nessa noite, já poderia dormir regalado, na sua linda casota, que estava agora como nova, pintada com as sete cores do arco-íris! Frente à porta podia ler-se:
"CUIDADO! PINTADO DE FRESCO!"
PÁSCOA FELIZ PARA TODOS 
OS PEQUENINOS E CRESCIDOS!


(VERA DE VILHENA, inédito, 2003)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Alice Vieira

Hoje, dia do aniversário de Hans Christian Andersen, tenho um óptimo pretexto para partilhar mais uma entrevista de Alice Vieira. Adoro o que a Alice diz nas entrevistas e fico sempre a pensar, Quero ser assim quando for grande, mas acho que já vou tarde. 

Alice Viera: ”É possível falar sobre a crise sem estragar os sonhos das crianças”

O perfil e o testemunho de uma escritora – ou de uma jornalista que escreve livros como gosta de se assumir - com mais de 30 anos de carreira


Este ano a IBBY – International Board onBooks for Young People convidou o autor mexicano Francisco Hinojosa para redigir a mensagem sobre o tema «Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro» a propósito do Dia Internacional do Livro Infantil. Que diria a Alice se fosse convidada para redigir esse conto…? 
Passava logo o convite a outro. Não tenho jeito para escrever contos, muito menos subordinados a um mote…
Acredita que um livro infantil pode fazer toda a diferença numa criança, marcar a sua infância 
Um só?? Imensos!!
Houve algum que tivesse marcado a sua? Sei que não teve uma infância fácil… 
Marcaram-me, profundamente, “A Princesinha”, um clássico da literatura infantil inglesa, da Frances Burnett, que me ensinou que “mesmo na grande desgraça, nunca se perde a dignidade e o requinte.” E “Clarissa”, do grande escritor brasileiro Érico Veríssimo, que me ensinou que se pode escrever um romance quase sem assunto. (Veríssimo foi tão importante para mim que tenho o seu retrato na parede diante da minha mesa de trabalho)
E escrever um livro sobre esta crise de que as crianças e jovens tanto ouvem falar sem lhes condicionar os sonhos? É possível? 
Claro! Então as crianças não sentem a crise na sua vida? Por que não falar-lhes daquilo que é uma evidência para elas? Os meus romances passam-se todos na atualidade. Por isso as personagens (crianças, jovens, adultos) estão inseridos nessa atualidade .Mas claro que acredito sempre que tudo se resolve – se nós fizermos por isso.
A sua imaginação não termina, é uma fonte sempre em atividade, ou já houve momentos em que se sentiu esgotada? 
Eu não tenho imaginação nenhuma! O que tenho é muito boa memória -- e uma pilha imensa de cadernos com apontamentos do que vejo, do que oiço, do que me chama a atenção, recortes de jornais, etc… Quando começo a escrever um romance — está lá tudo. Nos cadernos e na memória.
Uma jornalista que se tornou escritora ou prefere uma escritora com algo de jornalista em si? 
Definitivamente uma jornalista que também escreve livros.
É mãe de uma rapariga que nasceu precisamente a 2de abril. Terá sido o destino a pregar-lhe essa partida…Acredita no destino? 
Quando a Catarina nasceu nem eu sonhava que, dez anos depois, começaria a escrever livros… Mas já nessa altura gostei que ela tivesse nascido no mesmo dia do Hans Christian Andersen… Destino? Nós fazemos o nosso destino, com uns pós de sorte, e uns pós de coincidências pelo meio.
A Alice transmite uma serenidade invulgar quando viajamos pelos seus livros e até quando fala. Como faz o seu auto-retrato? É mesmo assim…calma serena, tranquila… 
Eu sigo, de há muito, uma máxima oriental: “se tem remédio, por que te queixas? Se não tem remédio, por que te queixas?” Ando a cem à hora, faço mil coisas ao mesmo tempo, tenho horas para o trabalho e horas para os amigos – mas acho que sim. Que sou tranquila e serena… E sou de um otimismo à prova de bala, o que me dá uma força imensa.
O que a tira de facto do sério? 
A falta de profissionalismo. A estupidez. Gente malcriada.
Mais de 30 anos a escrever….o que falta dizer aos mais pequenos que ainda não o tenha escrito? 
Todos os dias são diferentes, por isso há sempre coisas diferentes a contar. Há pouco, na rua, um amigo chamou-me, deu-me um abraço e disse: ”feliz dia 31 de Março de 2012!” Espantada, perguntei “porquê?”, e ele “porque é único, nunca mais haverá outro!” Se nós pudéssemos levar as pessoas (graúdas e miúdas) a pensar que cada dia da nossa vida é único e não se vai repetir nunca, talvez não se perdesse tanto tempo em coisas inúteis…
(entrevista publicada no Guia de Pais, e na página Facebook da autora, de onde retirei a fotografia)

domingo, 1 de abril de 2012

Dia das Mentiras

Porque as mentiras também podem ser doces, votos de um Domingo pleno de doçura. Que o dia vos seja leve como um pé de dança.

sábado, 31 de março de 2012

CHANEL

Isto sim, é ARTE! Com elegância, requinte, bom gosto e uma imaginação extremas. A começar por elas (as peças da colecção, os adereços e jóias, os penteados, a maquilhagem), até à própria sala, que parece saída de uma história das Mil e Uma Noites ou de uma corte Barroca, onde é impossível captar todos os pormenores. O estilo Chanel está presente, mas também a Índia tradicional e colonial. Confesso que não sou grande fã de desfiles, mas este seduziu-me por completo. 
Se quiserem ver outros pequenos videos relacionados com esta colecção, espreitem, no site da Casa Chanel: CHANEL NEWS
DÉTAILS DE LA COLLECTION - LE FILM, PARIS-BOMBAY EXPRESS (filmado do comboinho que passa ao longo das mesas, como irão reparar) e o video MAISON LESAGE / MAISON LESRUES (na pág.3), para verem o trabalho extraordinário dos pormenores de tudo o que são pedrarias e jóias, é IMPRESSIONANTE!


Obrigada, Filipa! Dedico este video ao Nanã. Ah!, e vejam em full screen, já agora...

sexta-feira, 30 de março de 2012

quinta-feira, 29 de março de 2012

Egoísta



A Egoísta ganhou o prémio Ouro para Criatividade e Inovação na Comunicação em Papel com a edição dedicada ao tema VIAGEM e, para terminar em beleza, ganhou um dos 4 Grandes Prémios da Noite!
Parabéns à Patrícia Reis e a toda a equipa do Atelier 004, que nos 11 anos de uma revista de curtas ficções e portfolios de artistas, anda a ganhar prémios internacionais e agora (finalmente!) nacionais, reinventando-se a cada edição. Um "must" :))) — em Meios e Publicidade, Lisboa, Portugal.

(adaptado de homenagem de Elvis Veiguinha)

PATRÍCIA REIS (a editora)
"Quer com isto dizer que começámos por receber prémios no estrangeiro e fomos esquecidos durante muito tempo no nosso país à beira mar plantado. Digamos que começamos lá fora para chegar cá dentro, para usar uma expressão de um publicitário. Seja como for, o mérito é da equipa, dos colaboradores e da Estoril Sol que, ao longo destes anos, tem apoiado um projecto de índole puramente cultural de promoção da língua e dos artistas portugueses. Há 11 anos era doida por querer fazer uma revista temática de curtas ficções. Hoje a revista do Expresso é temática e curtas ficções estão em todo o lado. Ainda bem. Muitos dos autores que são hoje reconhecidos como autores com talento/potencial começaram por escrever ficção nas páginas da Egoísta. Nada me orgulha mais do que isso. Muitos artistas plásticos, ilustradores e fotógrafos também começaram aqui ou viram o seu trabalho tratado de uma forma digna. Melhor? Só na próxima edição."

quarta-feira, 28 de março de 2012

Estão a ver?

Hoje, enquanto via o filme "Sleepless in Seattle" , dei com o colega de trabalho do Tom Hanks, que é arquiteto em Chicago, e a cara dele pareceu-me familiar. Vim aqui fazer alguma pesquisa e fiz umas descobertas engraçadas.
Estão a ver a série "Uma Família às Direitas"/"All in the Family", com o Archie Bunker e a Edith, e, em especial, o genro, estudante universitário?
Agora estão a ver o realizador Rob Reiner, que fez filmes como "When Harry Met Sally" (Meg Ryan, Billy Crystal), "Uma Questão de Honra" (Tom Cruise, J. Nicholson, Demi Moore), "Misery" (Kathy Bates, papel magnífico e assustador) e "The Bucket List" (J. Nicholson, Morgan Freeman)?
É O MESMO HOMEM! Ou seja, o Michael "Meathead" Stivic, o polaco, genro do Archie Bunker, é o ROB REINER!
E AINDA...!
Estão a ver a cena famosa do orgasmo simulado da Meg Ryan, numa cafetaria, em "Um Amor Inevitável"/"When Harry Met Sally"? Lembram-se da velha que no fim diz:

- I'll have what's she's having....!

Se não estão, aqui têm, não seja por isso, que é sempre bom de rever :)

É a MÃE do realizador, a ESTELLE REINER!



E ainda...!

Estão ver o filme
 ?

Foi realizado por este senhor


Cuja cara há muito conhecemos como actor e que é, nada mais nada menos do que CARL REINER, é isso, adivinharam! PAI DE ROB REINER...o "Meathead!"

Afinal, não é só Portugal que é um quintalinho...

terça-feira, 27 de março de 2012

Falência

- Ânimo, mulher! Vais conseguir! O mundo pertence-te! - exclamou a amiga, com as melhores intenções de que o Inferno está cheio.
E ela sorriu com tristeza, pensando naquilo de o mundo lhe pertencer: como, se ela nem pertencia ao mundo? Seria uma espécie de extraterrestre fracassado, de outras galáxias, pairando, sem voar nem pousar, batendo com os nós dos dedos à porta do universo errado? A sua relação com o mundo era um castigo sem culpa, um divórcio sem casamento, uma morte sem nascimento, um deixar de ser antes de ser, enfim, todo o paradoxo de uma consequência sem causas. Estava cansada de tentar impingir-se, de puxar pela manga dos que tinham a faca e o queijo na mão. Para ela, nem a casca, só a fome.

360º

Ontem descobri um site muito interessante, para quem, como eu, nem sempre pode andar a passear, mas aprecia o património do país. Numa espécie de viagem virtual por paisagens interiores e exteriores, temos a possibilidade de, sem sairmos da cadeira, espreitar, por exemplo, várias salas do Palácio de Queluz, a Quinta do Monte (Turismo de Habitação), o Mosteiro da Batalha ou a Serra do Gerês. Com o rato e fazendo scroll, podemos percorrer de norte a sul alguns dos mais belos lugares de Portugal, para admirar jardins, frescos, esculturas, talha dourada, mobiliário, praias e fachadas seculares. Aqui deixo o site, para quem quiser:
PORTUGAL EM 360º
Imagem: quarto da raínha, palácio de Queluz

segunda-feira, 26 de março de 2012

No tempo das papoilas

 
Ontem que os relógios avançaram no tempo, eu recuei. 
Esta menina na imagem podia ser eu, em versão morena, na infância e princípio da adolescência. O solo que nos anos 70 era assim, forrado de papoilas e outras ervas silvestres, por entre as quais os gafanhotos saltavam, há muito que se cobriu de alcatrão...mas esses sábados, domingos e férias de verão ninguém me rouba! Esse tempo em que me deixava adormecer pelo ópio das flores e das páginas de tantos livros, que lia inocentemente, alheada do resto do mundo. 
Os miúdos de hoje (odeio a palavra "jovens") parecem-me mais acordados, apesar de tudo o que dizem por aí: que eles se alienam atrás de gadgets como telemóveis, Ipods e Iphones; lols, bjs, smiles, beijokas e :)'s, que tantas vezes reduzem emoções a dois ou três símbolos. Contra mim falo, que sou a primeira a suspirar pelo tempo em que subíamos às árvores e construíamos brinquedos com as nossas mãos. Mas esses tempos já lá vão, certo? Estão mudados e os de hoje não são nossos, mas deles. Assim, com infinitos canais de TV, wikipedias, google, twitter, facebook e uma infinidade de ecrãs com os quais eles decifram o mundo (tão distinto do nosso), de polegares e indicadores num frenesim: teclando, escrevendo, comunicando.
Hoje encontrei um blog que me transportou para a pessoa que eu era mais tarde, com 15, 17 anos. O blog da Bia. Nele encontrei as mesmas interrogações, a mesma indignação. A inocência, o tom confessional, um pé no futuro. 
Os blogs são os diários dos tempos modernos. Sem cadeados, sem o risco de serem lidos por irmãos mais velhos, zombeteiros. Os segredos não estão na moda. A noção de intimidade, de privacidade, transformou-se. Estamos sedentos de partilhar tudo com todos. De comunicar. A Bia manda recados, chora connosco a morte de um avô querido "quase pai", partilha as intenções que tem de enveredar pela política, deixa, na margem direita, um email especificamente criado para comentários, críticas ou sugestões. E eu leio aquelas linhas e sorrio com ternura e orgulho, por uma amiguinha de coração ainda tão novo, que me comove, e ao mesmo tempo tão mais crescida do que eu era, com a mesma idade.
Mas há muitos blogs. Bons blogs, de boas pessoas assim, tão novas, que partilham emoções e pensamentos como um diário aberto e um olhar juvenil e, por vezes, irreverente e bem-humorado. Aqui estão três bons exemplos:

http://beatriz-ventura.blogspot.pt/ 


http://tabernadosbitaites.blogspot.pt/ 


http://be-logue.blogspot.pt/ 


Obrigada, Bia e Inês!

domingo, 25 de março de 2012

ANTONIO TABUCCHI

Hoje a literatura empobreceu: perdemos ANTONIO TABUCCHI, conhecido como o mais português dos escritores italianos. Morreu em Lisboa, de cancro, aos 68 anos de idade.

Dia 2 de Abril haverá uma homenagem ao autor, na Casa Fernando Pessoa, com uma maratona de leitura do livro "Requiem", a partir das 10.30. Foi precisamente o poeta Fernando Pessoa, em cuja obra Tabucchi se especializou, que o fez apaixonar-se pela cultura portuguesa.
A editora D. Quixote revelou hoje que será lançado em Abril uma obra inédita do escritor.
Em declarações à TSF, Maria da Piedade Ferreira explicou que esta edição faz parte de um conjunto de onze livros entre inéditos e reedições que vão ser lançados nos próximos três anos, alguns dos quais em edição de bolso.
Esta responsável da D. Quixote explicou que estes lançamentos já tinham sido «combinados» entre o escritor e o autor, porque a obra de Tabucchi «estava um bocadinho fora do mercado nos últimos anos».
Além de confirmar o lançamento da obra «O Tempo Envelhece Depressa», um «conjunto de nove histórias», Maria da Piedade Ferreira assegurou ainda que «Afirma Pereira» vai ser alvo de um relançamento em Maio numa edição de bolso.
Para o outono, está prevista a edição da obra «Está a fazer-se cada vez mais tarde» também em edição de bolso. E novas obras inéditas serão lançadas em 2013 e 2014.
(adaptação de notícia na TSF, Rádio Notícias, Última Hora)

sábado, 24 de março de 2012

:-)


Katharine McPhee

Conheciam esta senhora? Corpo e rosto belíssimos, e ainda por cima canta lindamente. O jogo permanente de sedução entre os dois dá uma  graça especial à coisa e a música que anda pelo meio, tão batida por tantos, ganha frescura renovada. Muito bom! Enjoy.

sexta-feira, 23 de março de 2012

BOM FIM DE SEMANA :)


Fiquem-se com a divertida entrevista de Jô Soares, à conversa com o nosso Ricardo Araújo Pereira :)
(passou no Brasil dia 19 de Março)

terça-feira, 20 de março de 2012

BIG BAND JUNIOR


O meu filhote no Pequeno Auditório do CCB, 17 Março, com a Big Band Junior, dirigida por CLAUS NYMARK. Todos estão de parabéns por mais um belíssimo concerto! Sou suspeita, sim, eu sei :)

segunda-feira, 19 de março de 2012

Desassossego

Quando ele se anunciava de novo na vida dela, tomava conta daqueles recantos da mente que acompanham os gestos do dia a dia: e assim, enquanto ela arrumava os talheres e os pratos, fazia as camas ou guardava a roupa nas gavetas, ele invadia tudo, com a arrogância de uma lua cheia, alterando a cor das coisas, tornando incertas as certezas, ocupando um espaço inventado no redemoinho das noites que, na sua antiguidade, aprendera a dar-lhe alguma paz.
Imagem: "Noite estrelada", VAN GOGH, 1889.

quinta-feira, 15 de março de 2012

CHUVA

Finalmente, a chuva chegou! Não acontecia este fenómeno - tanto tempo sem chover - há 80 anos. Aqui, na minha casa, peguei na máquina fotográfica e registei a queda da tão desejada água: brindei com um copo de vinho, pensando na sede da terra. Bem vinda, querida chuva!
Add caption





FESTIVAL LITERÁRIO DA MADEIRA

A partir de amanhã, dia 15, até dia 18, Domingo, irá decorrer o 2ª Festival Literário da Madeira, com a presença de muitas personalidades do panorama literário actual, tais como Inês Pedrosa, Francisco José Viegas, Fernando Pinto do Amaral, Patrícia Reis, Valter Hugo Mãe, Pedro Vieira, entre outros. Para mais informações, sigam o site do festival, AQUI

terça-feira, 13 de março de 2012

Encomendas

Gosto tanto-mas-tanto de receber encomendas pelo correio! Faz-me sentir que, apesar de ter escolhido viver nesta espécie de fim do mundo...ainda faço parte do mundo.

segunda-feira, 12 de março de 2012

CONFESSO



Em mim
Se acreditar em mim, sonho
Se sonho, levito
Se pouso os meus pés, luto
Mas não venço.
De luto, perco a fé em mim
A arquitectura dos meus projectos.

Sem alicerces que me segurem
Vou flutuando, perdendo-me de mim
E de tanto perder, resguardo-me em quimeras
Acreditando, sem fé,
Sonhando, sem noite.
E tenha ou não no peito a confiança
Só a dança do sonho existe em mim.

(VERA DE VILHENA, inédito)

domingo, 11 de março de 2012

Neruda

"...tudo o que você quiser, sim senhor, mas são as palavras que cantam, que sobem e descem... Prosterno-me diante delas...Amo-as, abraço-as, persigo-as, mordo-as, derreto-as... Amo tanto as palavras... As inesperadas... As que glutonamente se amontoam, se espreitam, até que de súbito caem... Vocábulos amados... Brilham como pedras de cores, saltam como irisados peixes, são espuma, fio, metal, orvalho... Persigo algumas palavras... São tão belas que quero pô-las a todas no meu poema... Agarro-as em voo quando andam a adejar, e caço-as, limpo-as, descasco-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas... E então revolvo-as, agito-as, bebo-as, trago-as, trituro-as, alindo-as, liberto-as... Deixo-as como estalactites no meu poema, como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes das ondas... Tudo está na palavra... Uma ideia inteira altera-se porque uma palavra mudou de lugar, ou porque outra se sentou como um reisinho dentro de uma frase que não a esperava, mas que lhe obedeceu... Elas têm sombra, transparência, peso, penas, pêlos, têm de tudo quanto se lhes foi agregando de tanto rolar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto serem raízes...(...)"
PABLO NERUDA, pseudónimo e segundo nome legal de Ricardo Eliécer Neftalí Reyes Basoalto, "A Palavra", in "Confesso Que Vivi")

sexta-feira, 9 de março de 2012

FOBIAS

No Jornal "I" de hoje vem um artigo muito curioso sobre fobias. Depois de lerem isto, vão pensar que estou a brincar, mas na verdade trata-se de uma "compilação exaustiva de medos reconhecidos pela psiquiatria" (sic).
São tantas as fobias, que irei citar apenas uns quantos exemplos que considero entre os mais bizarros. Alguns deles são, a meu ver, a explicação para muita coisa... acho que anda aí malta que não foi diagnosticada...

AGIROFOBIA - medo de ruas
AMBULOFOBIA - medo de andar
ANATIDAEFOBIA - medo de ser observado por patos
ANTOFOBIA - medo de flores
AUTOFOBIA - medo de si mesmo ou de ficar só
CAINOFOBIA/CAINOTOFOBIA - medo de novidades
CIPRIANOFOBIA (tem outros nomes parecidos) - medo de prostitutas
CHICLETOFOBIA - medo de pastilhas elásticas
COROFOBIA - medo de dançar
CRONOMENTROFOBIA - medo de relógios
DEXTROFOBIA/SINISTROFOBIA - medo de objectos do lado direito/esquerdo do corpo
ERGASIOFOBIA/ERGOFOBIA - medo de trabalhar/medo do trabalho
ESTUPOFOBIA - medo de pessoas estúpidas
ESTRUMINOFOBIA - medo de morrer a defecar
FENGOFOBIA - medo do dia ou do nascer do sol
HAMARTOFOBIA - medo de pecar
MAGEIROCOFOBIA - medo de cozinhar
MEGALOFOBIA - medo de coisas grandes
METROFOBIA - medo de poesia
NARIGOFOBIA - medo de narizes
OSTRACONOFOBI - medo de ostras
PAPOFOBIA - medo do Papa
SOMNIFOBIA - medo de dormir

E aqui estão três das melhores, para terminar com chave de ouro:

GENIOFOBIA - medo de manter a cabeça erguida
FRONEMOFOBIA - medo de pensar
AFOBIAS - medo da falta de fobias


quinta-feira, 8 de março de 2012

Jesse

Para alegrar este Dia Internacional da Mulher, aqui fica um filme singelo e bem-humorado. Um destes, minha senhoras, é que nos dava jeito em casa! :) Um grande bem-haja para todas e que cada dia seja dee celebração: da Mulher...e do Homem, já agora.

domingo, 4 de março de 2012

Público

Caros blogueiros, amanhã chega às bancas o novo jornal "PÚBLICO". Aproveitem e agarrem-no, mas será de distribuição gratuita. Para mais informações, CLIQUEM AQUI