quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Patrícia Reis



A Egoísta, que editou durante 13 anos, foi suspensa ou acabou?
O mandato desta administração da Estoril-Sol, que é a proprietária da revista, terminou. Foi-me dito em Novembro para suspender todos os pedidos de colaboração para a edição de Março, que seria a primeira deste ano. O que a próxima administração vai decidir não sei.
Qual é o balanço?
A queixa é muito ‘tuga’, mas eu não gosto nada. Não penso ‘ai Jesus que terminou a Egoísta!’. Penso que fizemos 50 edições com coisas maravilhosas e foi uma experiência magnífica para todas as pessoas que tiveram o privilégio de participar. A Egoísta foi a revista mais premiada da Europa, esteve no Louvre, foi premiada em tudo o que é sítio. E demos trabalho a fotógrafos e a autores, alguns consagrados, outros que vieram a sê-lo. Fizemos uma publicação completamente distinta e fizemos escola. Quando propus uma revista temática diziam que era maluca.
Tem algum projecto para substituir o espaço que a Egoísta preenchia?
Tenho que ter porque tenho uma empresa no mercado, o ateliê 004. Se não estiver a funcionar não vivo. A ideia de que a Egoísta era a base de sustento é errada. Nós fazíamos e fazemos, felizmente, muito mais coisas. Sites, exposições, stands, eventos, imagens corporativas. É um ateliê de design, de ideias e de conteúdos. Adoro trabalhar e sempre fiz coisas muito variadas. Continuo a editar a Portfolio, que é a revista da Fundação Eugénio de Almeida, onde faço a cada ano uma grande entrevista. Fazer entrevistas é das coisas de que tenho mais saudades no jornalismo. Há vida para além da Egoísta.
Mas foi o grande projecto da sua vida?
Não. O grande projecto da minha vida são os meus filhos. Não é uma revista, caramba!
Como é que vocês conseguiam coisas como retratos do Lucien Freud?
Comprando. Tínhamos um orçamento editorial que era gerido à pinça e que foi sendo esmagado a cada ano. Muitas vezes fizeram-se omeletas com a película que separa o ovo da casca. Mas fizeram-se.
A revista custava 17,5 euros, mas é impossível que isso pagasse o custo real. Era um projecto de luxo?
Foi pensada para ser uma revista de culto. Não é uma publicação de índole comercial. É um veículo de comunicação e marketing de um grande grupo empresarial cujo core business é o jogo. A Lei do Jogo estipula que qualquer casino é obrigado a aplicar parte das suas receitas em actividades culturais. Entre outras coisas, a Estoril-Sol optou por ter uma publicação que reflectisse os valores do grupo e que fizesse algum serviço público.
Como é que asseguravam a qualidade gráfica e de impressão, que são imagens de marca da revista?
Trabalhando com os melhores designers do mundo e com a melhor gráfica do mundo, a Norprint, em Santo Tirso. Por cada ideia estapafúrdia que eu tivesse eles diziam sempre: ‘Se tem que ser feito vamos fazer’. Estou-lhes extremamente agradecida. Fizemos uma revista em que a capa só se via depois de ir ao microondas! Tiveram que fazer pesquisa com tintas. E muitas vezes perdemos todos dinheiro com isto.
Ainda tem carteira de jornalista. Gostava de voltar aos jornais?
A maneira como vejo o mundo é de jornalista. Faço parte da geração d’ O Independente e isso fica connosco. Mas passaram-se 26 anos desde que comecei. O jornalismo hoje é outra coisa.
Está diferente em que sentido?
Os jornais agora são geridos com uma folha de Excel, tudo tem que ser rentável. Quando entrei para O Independente fiz a tarimba toda e estive dois anos até assinar um texto. Agora, um miúdo entra num jornal, assina na primeira semana, mas está numa redacção onde os jornalistas mais velhos foram despedidos por serem caros. E as redacções ficaram sem memória. E há também a ideia de que os leitores não gostam de textos longos. Não gostam se forem maus!
A redacção de O Independente, onde começou, também era muito jovem...
Sim, com excepção da Helena Sanches Osório, mas tínhamos um objectivo e um líder, o Paulo Portas, o melhor director de jornal que tive. Ele tinha um plano.
Qual era o plano?
Derrubar o Cavaco e ganhar ao Expresso. Queríamos mudar o mundo e o jornalismo. Éramos a ‘presstroika’.
Como é que entrou?
Vi um anúncio, fiz provas e fui a uma entrevista com o Miguel Esteves Cardoso. A Inês Pedrosa assistiu e eu só respondia: ‘Já sei’. Estava nervosíssima. Quando o Miguel disse: ‘Esta não porque é muito já sei’, a Inês respondeu-lhe: ‘Esta sim por isso, não esteve aqui a lamber-te as botas’.
Qual foi o trabalho em jornais mais importante que fez?
Foi a última coisa que fiz para O Independente, em que estive presa na cadeia de Tires durante 20 dias, sem que ninguém lá dentro soubesse que eu era jornalista. Viver num pavilhão de uma prisão com 121 mulheres, sete chuveiros, sete buracos, que não havia sanitas, é uma experiência que muda a vida. Em vez de veres o copo meio cheio ou meio vazio, dás graças por teres um copo.
Patrícia Reis
Editora
Começou n’ O Independente com 16 anos e passou pela redacção do Expresso, da Marie Claire e da Elle. Participou na preparação da Expo-98 e foi produtora do programa Sexualidades, de Júlio Machado Vaz. Criou o conceito da revista Egoísta e vendeu-o à Estoril-Sol. Dirige um ateliê. Tem 42 anos, é escritora e jornalista ‘para sempre’.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sambalelê

E porque o Carnaval está aí à porta, aqui vos deixo um tema irresistível, bem ao gostinho brasileiro, dedicado a todas as crianças. Haja Alegria!
Barbatuques, CD Tum pá :-)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Egoísta

É oficial: a revista Egoísta foi suspensa por tempo indeterminado. 
O Grupo Estoril-Sol (na pessoa do Dr. Mário Assis Ferreira), a escritora, editora e jornalista Patrícia Reis e o seu atelier 004 são as pessoas por detrás de todos os artistas publicados, desde os mais consagrados aos mais novos talentos, passando pelas artes plásticas, ficção, poesia, fotografia, pintura, ilustração...Foi, até hoje, a revista portuguesa mais premiada de sempre, a nível internacional.
Não vamos dizer adeus. Como é possível? Retira-se em toda a sua glória, sob infinitos aplausos que ainda irão soar por muitos, muitos anos.





sábado, 2 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Maria do Rosário Pedreira



(Por Maria do Rosário Pedreira)

Li há muito tempo (e quem me dera ter tomado nota desse texto a que um dia gostaria de voltar, mas perdi completamente as referências) que Freud teria dito (ou escrito, mas vai dar no mesmo) que, no tempo em que a ópera era um espectáculo popular, o povo não a perdia porque gostava de ver sofrer em palco. Não sei se o génio austríaco estava certo quanto à ópera, porque o povo deixou de a frequentar; mas a verdade é que os nossos telejornais cheios de coisas de fazer peninha e causar horror (com velhos, crianças e tudo isso que faz chorar e doer) não param de conquistar audiências (quanto mais horríveis, mais espectadores têm) – e o mesmo vale para os livros de testemunhos pungentes do tipo Queimada Viva, que vendeu milhões de exemplares em todo o mundo desde que saiu e desencadeou, de resto, em Portugal, a publicação de muitos livros afins (todos eles com bastante sucesso). Não me admiraria nada que estivesse neste momento a discutir-se nas grandes agências literárias e editoras norte-americanas e inglesas a publicação da história trágica da indiana de 23 anos violada por seis crápulas num autocarro – e morta na sequência desse crime hediondo. E tenho a certeza de que seria best seller para figurar nos primeiros lugares dos Top de vendas em positivamente todos os países, independentemente do grau de repulsa de todos nós pelo sucedido. Teria então o mestre Sigmund razão ao dizer que as pessoas gostam de ver sofrer, mesmo que o palco se tenha transformado em página? É bem possível.L
(blogue HORAS EXTRAORDINÁRIAS, 29 Janeiro 2013)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Talento desperdiçado


Entristece-me ver talento desperdiçado. Um dos meus irmãos desenha maravilhosamente. Lembro-me do seu trabalho, de há trinta anos, como se fosse hoje. Nos tempos em que eu era uma adolescente e passava horas no quarto dele, a vê-lo trabalhar. Era um hobby, sim, mas de resultados irresistíveis. Foi tudo para o lixo, calculo, ilustrações, cartoons com personagens e falas criados de raiz, reproduções de gravuras complexas, humor, muito humor e imaginação, tipo Quino, e explorando também diversos estilos, com o talento natural de quem dispensa qualquer tipo de escola de Belas-Artes, porque deus lhe deu o condão de saber – não só reproduzir o que os seus olhos viam – mas também o que a mente imaginava.
Um dia deixou de desenhar. Foi-se desligando daquilo, simplesmente. Dedicou-se aos desportos e especializou-se. Para trás ficaram as Rotring, os lápis de carvão, as tintas, os óleos, a terebintina, as aguarelas, os pincéis, os trapos, os blocos de folhas cavalinho.
Gostaria muito de ter, um dia, um livro meu ilustrado por ele. Diz que não, que já não tem tempo nem vontade, que não quer comprometer-se para depois não cumprir. Diz que vai pensar, e tal, ficámos na base do quem-sabe-um-dia?, mas algo me diz que não vai acontecer.
Não sei se não serão apenas desculpas para o medo de ter “perdido a mão”.
Estou certa de que faria com imensa facilidade as ilustrações que imagino para um certo conjunto de contos. Pergunta-me ingenuamente: mas…não há mais ninguém na família que as pudesse fazer? Como se eu precisasse de salvação, como se a editora não tratasse disso, sem lhe passar pela cabeça que era um capricho meu, para que este livro fosse um livro a quatro mãos, feito em família.
E já vos disse? Entristece-me ver talento desperdiçado.
Parece que vai abrir um restaurante daqui a uns dias. Boa sorte mano. Que se desenhe um futuro promissor nos dias que virão. 
Estas duas ilustrações não são dele, mas podiam ser. Dele, nada tenho, infelizmente. E o triste é que nem ele tem.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Desperdício

Não a larga uma irritante certeza de desperdício. De algo que foge e nunca mais volta. Água caindo sobre a terra onde nada foi semeado. Serão as ervas daninhas a sua única colheita? Põe os olhos no horizonte e tudo é verde e fértil. Isso os seus olhos conseguem ver. Só ali, naquele quadradinho de terreno a seus pés, é incapaz de produzir uma flor.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

domingo, 27 de janeiro de 2013

quantos-queres

Há imagens que nos fazem escrever qualquer coisa, que nos arrancam um pensamento. Quando a felicidade dos nossos dias já ganhou um tom sépia e sentimos que os nossos sonhos são assim, barquinhos feitos de quantos-queres à deriva, prestes a murchar sobre a película da chuva morna, entre a luz e a sombra, ficamos sem saber muito bem se foi o texto que encontrou a imagem ou se foi ao contrário (não gosto de vice nem de versa, só de versos).
Mas é assim, casamento perfeito, os barquinhos coloridos na fragilidade da passadeira, na iminência do atropelamento, um toca-e-foge, sem testemunhas, sonhos para sempre esmagados, feitos em pasta de papel. E a luz, sempre aquela luz que podia ser esperança, que parte e regressa ao sabor das estações, incidindo na zebra onde é preciso atravessar com cuidado, mesmo que tenhamos toda  a razão do mundo. Não é fácil tentar viver, atravessar para um lado qualquer.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Acaso

Ainda pensei em encontrar o post de hoje escrevendo ao acaso qualquer coisa como hkshd ou hjshdhw, mas acabei por escrever isso mesmo, ACASO, no "google Images" que, nas primeiras imagens, me ofereceu isto
         
e neste espírito de quem se sente à deriva escrevo sem filtro nem travão, sem hesitações, como se os dedos estivessem em auto-gestão, calçados com sapatinhos vermelhos, tal como a menina que dança pela casa, pelas ruas, pela morte fora, como naquele conto horrível que me assustou há muitos, muitos anos, no tempo em que os animais falavam. Os animais agora também falam, mas usam gravata. Ai, não, sátira política não, vá, não vás por aí, Vera, deixa-te estar no teu recanto campestre e neurótico, já que não tens soluções salvadoras para apresentar. 
Olha, e nisto o post está feito e vai assim mesmo, desculpem, sim? Hoje estou parva.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Esperto

                
Aventura do dia, no Smart cabriolet: 

Estava eu alegre e contente a ver-me livre de um monte de lixo no ecoponto, quando, ao tentar abrir a porta do carro, vi que ele tinha trancado o fecho central. Pensei: nice: estou de chinelos, banho por tomar, sem telemóvel e estou aqui, no meio da estrada (numa terrinha que quase não vem no mapa, onde escolhi morar, porque sou maluca). Eu tinha deixado a janela entreaberta do lado do pendura (felizmente!) Tive de me enfiar pela janela adentro e lá consegui alcançar o botãozinho e descer o resto do vidro para chegar à chave (que nestes casos fica presa na ignição). Bem que tentei girá-la e tirá-la...nada. Bloqueado é bloqueado. Estiquei-me o mais que pude, os pés já fora do chão, e acabei por conseguir fazer contacto directo com uma ponta da chave de casa na chave presa, para desbloquear. Ah, tudo isto, de pernas para o ar, metida pela janela do Smart, já se sabe. Os homens das obras, da casa ao lado, em frente ao pinhal, assistiam placidamente aos meus esforços, decerto apreciando a traseira - a minha, é evidente, até porque o carro não tem rabo, como toda a gente sabe - devem ter pensado que eu estava a assaltar o carro ou que tinha enlouquecido. Uma loura de pernas para o ar, um clássico. 
É nestas alturas que penso que a tecnologia e electrónica são muito giras, e tal....quando não se viram contra nós. Só posso concluir que o meu carro não gosta de esperar; não acha qualquer piada em ficar ali, à seca, a ver-me enfiar garrafões de água vazios, embalagens, papéis, garrafas de vinho, frascos de café, sacas vazias da ração dos cães...nos vários depósitos: fartou-se, amuou. É preciso cuidado com estes carrinhos temperamentais.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Nanã Sousa Dias

Sou suspeita? Sou, mas o que esperavam de mim, senão orgulho? Só é pena o video de homenagem não ter incluído fotografias analógicas TIRADAS PELO PRÓPRIO, mas não se pode ter tudo... este tema é de um LP que o Nanã gravou em 1988, imaginem! Mas ainda soa bem, não soa? Sabem porquê, não sabem? :) para conhecerem o Fotógrafo, vão AQUI

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Vazia

Mais vazia que este copo. Portanto, apta a trabalhar e a deixar-me de merdas. Fui.

domingo, 20 de janeiro de 2013

check

Posso só escrever qualquer coisa para dizer que não falhei o post de hoje? Tecnicamente já é 2ª feira e já vou ter de aldrabar a hora para arrumar isto no domingo. Mas como esta é uma das 10 resoluções do meu ano novo, tenho de escrever
qualquer coisa

sábado, 19 de janeiro de 2013

Tarde na tempestade

                                  
A vida em alerta. Os alarmes estridentes tocam sem compaixão. Compaixão? Semmãetecto, pensa, ao lembrar-se da piada que fazia quando era miúda, já com a mania de brincar com as palavras. 
Há um velho projecto prestes a realizar-se, mas traz consigo tantas curvas e contra-curvas, tantas armadilhas e adiamentos, que se algum dia chegar a bom porto será decerto tarde. A felicidade que deveria sentir (acha ela, na sua candura), já vai empoeirada, fora de prazo. Já colocou uma tão grande quantidade de remendos sobre remendos, que tem o sorriso retalhado. Agora faz o que tem a fazer, mais por espírito de dever que por vontade. 
Lá fora o arvoredo oscila com violência, cúmplice dos sonhos que há muito andam embrulhados na tempestade.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Naqueles versos

A caneta parou. A tinta dos poemas secara nas folhas acabadas de preencher. O poeta lastimou ter pedido ao génio uma caneta que o compreendesse. Dissera tudo naqueles versos.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Nelson Mandela

Escultura com 50 placas de aço e 10 metros de altura cortadas a laser e inseridas na paisagem, representando o 50.º aniversário da captura e prisão de Nelson Mandela, em 6 de Agosto de 1962, no próprio local onde tal sucedeu, e que lhe custaria 27 longos anos de cárcere. Num ângulo específico de observação, a visão em perspectiva das colunas surpreende ao assumir a imagem de Nelson Mandela. O escultor é Marco Cianfanelli, de Joanesburgo

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Um dia sem luz


Sem electricidade ficamos estupidamente paralisados.
Pequeno-almoço:
Sem microondas (para aquecer chá, café, leite, descongelar pão)
Sem fogão eléctrico
Sem torradeira
Sem máquina de sumos
Tomando o pequeno-almoço:
Sem Meo box
Sem aparelhagem de som
Sem Televisão

Higiene:
Sem água quente (tenho caldeira eléctrica)
Sem toalheiro eléctrico
Sem secador

Cuidados com a casa:
Sem frigorífico
Sem arca
Sem aspirador
Sem ferro de engomar

Aquecimento: zero. Isto, numa zona rural do oeste, junto ao vale, não sei se estão a ver

Trabalho: (em casa, no meu caso presente)
Sem computador
Sem impressora
Sem iluminação
Sem forma de carregar telemóvel

Conclusão:
Pequeno almoço - pão torrado a cheirar a peixe (porque usei, numa tentativa falhada para fazer torradas, uma grelha cuja última utilização já era antiga) aquecido no camping-gaz: à medida que a grelha aquecia, a cozinha foi sendo invadida pelo cheiro do peixe grelhado. Os cães agradeceram o pão fumado, já se sabe, e eu corri a fome a bolachas.
Inutilizada, li Saramago junto à janela, tapada com mantas até a luz natural sumir; conversei no telefone fixo com amigas; acendi velas, velas e....velas.
Valham-nos os amigos: convite para jantar, regresso à 1h30 da manhã, direitinha à cama.
Hoje, no dia seguinte, a bendita luz natural estava de volta...e a eléctrica também. Alívio.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Ao volante

Graças à disponibilidade e expediente de uma das minhas pessoas preferidas, recuperei a carta que estava apreendida há um ano. Na GNR da Calçada do Combro, 96, quando me preparava para preencher uma renovação da guia de condução (por mais 6 meses até pagar o raio da multa...),  informam-me:

- Quando a minha colega a autoou há um ano, não lhe devia ter apreendido a carta, sabe? Era o veículo por inspeccionar que estava em situação de infracção, bastava ter-lhe apreendido o documento do veículo...

É sempre bom saber que quem exerce autoridade neste país não sabe o que anda a fazer.
Rita do meu coração, OBRIGADA pelo serviço de Ambrósio! :) 

domingo, 13 de janeiro de 2013

Filosofices VIII


Se eu voltasse a ser uma criança, havia de querer fazer uma série de perguntas que na altura não me ocorreram. Agora que sou crescida, até parece mal, mas mal que pergunte...

E o que é que um sardão tem a ver com uma sardinha? 
E um sardo com uma sarda? 
E um raio com uma raia?

E porquê "peixe-palhaço", se não nos faz rir e ainda por cima é tão bonito e os palhaços são tão feios?

Se eu andar à procura de alguma coisa posso dizer que estou a "procurar encontrar", ou é  um paradoxo?

Sultanas…? Porque é que as mulheres dos sultões têm nome de uvas desidratadas?

O que é “ostracizada”? Uma ostra com siso, ajuizada?


Pronto, isto era o que eu perguntava se fosse criança, mas agora sou crescida, já não dá.

(Gostaram? Pesquisem na etiqueta "Filosofices", para mais)

sábado, 12 de janeiro de 2013

Cativeiro


O lugar sedutor é o seu cativeiro
Pétalas e folhas murcham
Atrofiando um coração de musgo.

Seca, revê-se numa sede antiga
Feita de terra, sem raiz
À deriva, sem vento que a leve.

Nas mãos, algemas
Na garganta o gemido
Na memória a contrição.

Vai arvorando tímidas pontes
Que a salvem dos seus lamentos
E é muda que grita a palavra

Socorro.

(inédito, VERA DE VILHENA)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Sós

Quebraram-se ambos na sua raiva, sem concórdia nem esperança. O fim de tudo, um abismo de solidão.
O dia amanheceu num longo abraço que os devolveu ao futuro. Não mais seriam sós.
                      

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Esquilos

Gosto de esquilos. São uma espécie de ratos com cauda farfalhuda, eu sei, mas o que hei-de fazer, talvez me venha do Tico e Teco, talvez seja por se porem de pé e terem olhos vivos e malucos. Talvez seja porque são espertos como sei lá... sei lá. Mas que gosto, gosto. E dizer que são queridos e fofos é redundante, certo? 
                          Família de esquilos Wallpaper
                          
                          

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Outro dia

Um dia estúpido, como tantos outros. Abençoado, como diriam muitos, menos abençoados. As dores cervicais que parecem ter vindo para ficar. É urgente apanhar pinhas e pequenos troncos, que parece que amanhã vai chover.
vai tu.
Lembra-se sempre dessa piada, quando diz vai chover.
O sol acabou, veio a escuridão e o frio que ela viu chegar. Escreve pouco ou nada, a morte da criança de ano e meio, mordida pelo cão, deixa-a assim, irritada com a burrice do mundo. A revisão de texto a avançar, morosamente. Os cães dela uivam, a pedir para entrar. Para quê continuar aqui? Amanhã é outro dia igual, o melhor é sacudir um pouco o fundo a este. E a chuva, que aí vem para nos deixar o coração ensopado, torcido como um trapo, não quer saber de queixumes. E por isso ela não se queixa, só se despede assim, carregando com a ponta dos dedos no teclado para dizer a si mesma que o post de hoje ficou escrito. Talvez tenha até escrito de mais.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Depois de amanhã, nunca

                        
"Não digamos, Amanhã farei, porque o mais certo é estarmos cansados amanhã, digamos antes, Depois de amanhã, sempre teremos um dia de intervalo para mudar de opinião e projecto, porém ainda mais prudente seria dizer, um dia decidirei quando será o dia de dizer depois de amanhã, e talvez nem seja preciso, se a morte definidora vier antes de desobrigar-me do compromisso, que essa, sim, é a pior coisa do mundo, o compromisso, liberdade que a nós próprios negámos."
   (O Ano da Morte de Ricardo Reis, JOSÉ SARAMAGO)

Assim me comporto eu, mesmo sem decisão, comprometida com a nada me comprometer, adiando até ao labirinto infinito o dia de dizer um dia destes, faço.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Dia de Reis

Pessoalmente, não sou a apreciadora ideal. Prefiro o bolo-rainha, sem frutas cristalizadas, ou mesmo o bolo-príncipe, mais simples ainda. A massa é maravilhosa e quando fatiada e torrada, com manteiga, é um delícia. As cores das frutas cristalizadas e os torrões de açúcar, como grandes flocos de neve, tornam-no num dos bolos mais bonitos que conheço. 
Votos de um bom domingo para todos, que este dia sirva de pretexto para um encontro de família, a recuperar tradições que, infelizmente, se vão perdendo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

12 Resoluções patéticas e urgentes

Não falhar um dia deste blogue
Trabalhar mais na escrita
Inventar ânimo
Ver mais as minhas pessoas preferidas
Cuidar melhor da casa
Praticar exercício físico
Acordar cedo
Emagrecer o corpo
Engordar o espírito
Falhar melhor
Dançar
Não esquecer esta lista

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Cecília Meireles


Tu Tens um Medo
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo...
Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és o de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
Sê o que renuncia
Altamente:
Sem tristeza da tua renúncia!
Sem orgulho da tua renúncia!
Abre as tuas mãos sobre o infinito.
E não deixes ficar de ti
Nem esse último gesto!
O que tu viste amargo,
Doloroso,
Difícil,
O que tu viste inútil
Foi o que viram os teus olhos
Humanos,
Esquecidos...
Enganados...
No momento da tua renúncia
Estende sobre a vida
Os teus olhos
E tu verás o que vias:
Mas tu verás melhor...
... E tudo que era efêmero
se desfez.
E ficaste só tu, que é eterno.
(CECÍLIA MEIRELES, Tu Tens Um Medo)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Bolas de Sabão

Para começar o novo ano leve, levemente... com votos de um bom 2013 para todos
As bolas de sabão que esta criança 
Se entretém a largar de uma palhinha 
São translucidamente uma filosofia toda. 
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza, 
Amigas dos olhos como as cousas, 
São aquilo que são 
Com uma precisão redondinha e aérea, 
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa, 
Pretende que elas são mais do que parecem ser. 
Algumas mal se vêem no ar lúcido. 
São como a brisa que passa e mal toca nas flores 
E que só sabemos que passa 
Porque qualquer cousa se aligeira em nós 
E aceita tudo mais nitidamente. 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXV"

domingo, 30 de dezembro de 2012

2012 em imagens

Agora que estamos prestes a despedir-nos de 2012, aqui fica um conjunto de excelentes imagens que nos fazem sorrir, muitas delas com tristeza, soltando suspiros. poderia ter sido melhor? Sim, bem melhor. Foi o que foi...e muito bem captado.
Agência Lusa Imagens 2012

sábado, 29 de dezembro de 2012

viagem

Nas últimas semanas fui a Cuba, ao Egipto, à Escócia, Índia, Jamaica, Malásia e Maldivas. Sim, tenho-me fartado de passear, graças a deus. É a vantagem de fazer revisão de texto ligada a narrativa de viagens...desde ontem que ando por aqui, na Polinésia Francesa. Não se está mal.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Filosofices VII

Se eu voltasse a ser uma criança, havia de querer fazer uma série de perguntas que na altura não me ocorreram. Agora que sou crescida, até parece mal, mas mal que pergunte...

"Amador" e "amadora" quer dizer "o que ama", certo? Então e se eu amar a minha profissão, posso dizer que sou uma profissional amadora? Uma...amadora profissional...?

Se "apartar" significa "afastar" ou "separar" quer dizer que quem vive num apartamento vive separado? Então e dizer que "vivem juntos num apartamento" não é confuso?


Os verbos parar, partir e parir baralham-me muito. Se eu quiser usar estes três verbos numa frase torna-se confuso, querem ver?

Eu partirei eu busca de aventuras, partirei um prato e parirei um filho.
Um parto, não páro, entre partos.
Eu paro sem parar, apartando a paragem.
Eu páro e parada, pronta para parir antes de partir, partidas àparte, paro, mas vou parar de parir para poder partir. percebem o que quero dizer? É complicado...

Porquê “cor de rosa”, se há rosas brancas, amarelas e vermelhas?
E porque é que chamam lagarta à lagarta, se ela não é a mulher do lagarto? E a lagartixa, por acaso é filha da lagarta e do lagarto? Não é, não senhor!

Pronto, isto era o que eu perguntava se fosse criança, mas agora sou crescida, já não dá.

(pesquise em "Filosofices", para mais)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ericeira

© Nanã Sousa Dias
Há dois dias fechada em casa, aceitei o convite para ir beber um cafezinho à Ericeira. A esplanada sobre o mar quase cheia, nesta tarde de sol invernoso. Inúmeros casais fazendo jogging ou passeando-se com cães e crianças de carrinho, putos atravessando de skate o pavimento de madeira, gaivotas planando sobre as nossas cabeças, a fazer-nos inveja. Não fosse o sol sem calor, nestes últimos dias do ano, pareceria uma tarde de verão. Há uma atmosfera estranha que confirma o fim de algo indefinível. A luz, esta luminosidade espantosa que o Nanã captou ao poente, dá-nos, no entanto, uma certa paz, quase beatitude. A perfeição é feita de pequenas coisas.   

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Simfonias e sintonias


Ontem, depois de um pequeno almoço tardio, estreei uma chávena natalícia com café bem forte e fui caminhar. O lugar onde moro é assim, como o desta imagem, a estrada de Dezembro por onde caminho encontra-se orlada de azedas vindas da chuva, a paisagem clorofilina está salpicada de casinhotas e flores silvestres. Os caixotes de lixo quase não têm cheiro, ficaram hoje apinhados de caixas e papeis de embrulho festivos, pontas lustrosas de laçarotes penduradas, como que despedindo-se da festa. Passo por modestos rebanhos de automóveis junto às casas anfitriãs, por gente encostada à ombreira das portas, que ainda me deseja "boas festas!", consolada com a noite da Consoada, a dar continuação ao festim da noite anterior. Adivinho as decorações da época, as travessas compostas com as sobras, mais um prato de cabrito ou de bacalhau a estrear, os fornos ainda quentes, os bolos e tortas, as fatias douradas e filhoses já frias, a toalha de renda com nódoas de vinho tinto e de licores.
Na estrada, o silêncio. Conto apenas cinco automóveis, que passam por mim mansamente, com o ronronar dos  seus motores. Caminho acompanhada pelo Sting e a Orquestra Filarmónica de Berlim, o álbum "Symphonicities". Ao som de "When We Dance", escuto um galo que canta preguiçoso à minha passagem, a mostrar serviço. Nem os cães ladram, com a indolência da ressaca. Como realizadores, os meus olhos redescobrem a paisagem, confortados pela ternura do sol. A orquestra nos meus ouvidos, generosa em instrumentos de corda e percussão, trompas, flautas e oboés soprando em surdina, transforma-se na banda sonora deste meu filme campestre, que poderia ter acontecido num palmo de terra irlandesa, como o da avó paterna de Sting.
      
Chego a casa em sintomia perfeita escutando "The Pirate's Bride", o tema que encerra o álbum.


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Rhema Marvanne

Gosto sempre de descobrir vozes surpreendentes e que me toquem no fundo do peito. Nos últimos 2 Natais partilhei aqui convosco o "First Noel" cantado por um adolescente, gravado por ele em multi-pistas, a cappella. Adoro aquilo! Este ano, deixo-vos com uma menina que tem 7 anos (sim, 7!) e canta ASSIM!!!!!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Eartha Kitt

Escolhi este video por causa da distância a que está de tudo: dos dias de hoje, das nossas urgências, do nosso futuro. Um video que se arruma tão longe, tão longe, que é quase o canto do cisne, o encerrar de um capítulo que inaugura um outro. Não é de descapotáveis, roupas novas, jóias ou cheques que precisamos, como sabem. E por isso ele é irresistível, bizarro, cómico. E muito a propósito, por toda a nostalgia que encerra.
FELIZ NATAL A TODOS, que vos seja leve, com o que mais importa.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Les Intouchables

Dia cinzento lá fora, dedicado a limpezas e arrumações, alguma revisão de texto e, claro, usufruir da companhia preciosa do meu filhote. Dedicámos parte da tarde a ver o filme “Les intouchables” ("Amigos Improváveis"). Excelente, dou-lhe todas as estrelas que tenho, porque ele tem tudo, do drama à comédia, toca-nos profundamente. Argumento muito bom (Olivier Nakache e Eric Toledano, ambos também os realizadores do filme), actuações admiráveis de ambos os protagonistas (François Cluset e Omar Sy). 
Baseado num caso verídico, este filme conta a história de amizade entre um aristocrata milionário paraplégico e um ex-presidiário (de raça branca na realidade, mas aqui interpretado por um belo senegalês), cujos serviços amadores são contratados à experiência. É impossível resistir. Um filme inspirador.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Novo Mundo

Assistindo ao nascimento do Novo Mundo. 
Porque não assim?
Bom fim de semana, sim?