Não se deixem enganar pelas riscas cor-de-rosa. Os dias são (d)escritos com todas as cores.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Lydia Davis
A escritora Lydia Davis, conhecida pela sua escrita concisa, recebeu ontem o quinto Man Booker Internacional Prize.
Heart weeps.
Head tries to help heart.
Head tells heart how it is, again:
You will lose the ones you love. They will all go. But even the earth will go, someday.
Heart feels better, then.
But the words of head do not remain long in the ears of heart.
Heart is so new to this.
I want them back, says heart.
Head is all heart has.
Help, head. Help heart.”
"Nasceu em 1947 e vive em Nova Iorque, onde além de ser conhecida e influenciar uma nova geração de escritores, traduz Proust e é professora de escrita criativa. A americana Lydia Davis recebeu o quinto Man Booker International Prize que distingue escritores vivos de todo o mundo. A sua obra desafia a classificação genérica e a escritora tem sido descrita como “mestre de uma forma literária" que advém em grande parte "da sua invenção”, lembrou o júri. A cerimónia de entrega do prémio foi quarta-feira à noite no Victoria & Albert Museum de Londres.O júri também referiu as obras originais e filosóficas de Lydia Davis, embora curtas, exigiam tempo, talento e esforço e elogiou a habilidosa eficácia da sua escrita e a profundidade contida em poucas linhas. “A sua obra tem a precisão e a brevidade da poesia.” As suas histórias são por vezes surpreendentemente curtas não se estendendo por mais de duas ou três páginas, nota. Talvez por isso foi considerada "pouco esforçada", como ela própria conta com humor.“Recentemente recusaram-me um prémio literário porque disseram que eu era preguiçosa.” Agora já não, anunciaram os membros do júri – Júri Sir Christopher Ricks (que preside), Elif Batuman, Aminatta Forna, Yiyun Li e Tim Parks – que a descrevem como uma inovadora e influente escritora.Lydia Davis, que vive em Nova Iorque e é professora de escrita criativa na Universidade de Albany, é também conhecida por traduzir da língua francesa importantes clássicos comoMadame Bovary de Gustave Flaubert de Du côté de Chez Swann, de Proust.O prémio tem o valor de 60 mil libras (cerca de 70 mil euros) e é atribuído de dois em dois anos a um escritor no mundo por uma obra original em língua inglesa ou traduzida em inglês. É a quinta vez que ele é atribuído, depois de em 2005 o prémio ter distinguido o escritor albanês Ismail Kadaré, em 2007 o romancista nigeriano Chinua Achebe (entretanto falecido este ano), em 2009, a canadiana Alice Munro e em 2011 o americano Philip Roth. Como devem os seus escritos ser classificados?, interroga-se o presidente do júri. Talvez não devam. Foram chamados de histórias mas são igualmente miniaturas, anedotas, ensaios, parábolas, fábulas, textos, aforismos ou ainda orações ou simplesmente observações, salienta Sir Christopher Ricks na declaração sobre a escolha que deixou de fora os outros nove escritores finalistas: Vladimir Sorokin, Marie N'Diaye, Yan Lianke, Marilynne Robinson, Aharon Appelfeld, Peter Stamm, Intizar Husain, Josip Novakovich ou U R Ananthamurthy. Um romance apenas – The End of the Story (1995) – integra a sua obra essencialmente composta de colecções de contos comoBreak it Down (1986), Almost no Memory (1997), e outras. Lydia Davis foi editada em Portugal pela Relógio d’Água.Ao jornal brasileiro Folha de São Paulo, a escritora disse numa entrevista: “Tento ser tão concisa quanto posso ao expressar o que quero. Mas vale lembrar que Proust também acreditava na concisão. Se uma frase dele pode durar várias páginas, isso não significa que ele tenha dito mais do que necessitasse.”
(in jornal "Público, 23 Maio 2013)
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Vou
Vou fazer uma lista de livros que não irei comprar; enquanto a escrever serei dona desses livros
Vou descrever todas as minhas memórias douradas, esquecendo que essa não é a sua cor.
Vou fazer planos para o futuro, mesmo sabendo que o futuro que não tenho me aterroriza
Vou caminhar com os meus ténis rotos e a minha roupa velha, porque nos ouvidos tenho os duetos do Tony Benett e a estrada não se importa
Vou dizer a toda a gente que sou feliz com as minhas escolhas, tentando esquecer que a vida me passou por cima como um tsunami.
Vou dizer mentiras a toda a gente, fingindo que o meu fingimento é verdadeiro
Até que da minha verdade nada saibam
até que, de boca escancarada, eu nada saiba dizer
E mesmo de boca fechada eu diga tudo.
Vou descrever todas as minhas memórias douradas, esquecendo que essa não é a sua cor.
Vou fazer planos para o futuro, mesmo sabendo que o futuro que não tenho me aterroriza
Vou caminhar com os meus ténis rotos e a minha roupa velha, porque nos ouvidos tenho os duetos do Tony Benett e a estrada não se importa
Vou dizer a toda a gente que sou feliz com as minhas escolhas, tentando esquecer que a vida me passou por cima como um tsunami.
Vou dizer mentiras a toda a gente, fingindo que o meu fingimento é verdadeiro
Até que da minha verdade nada saibam
até que, de boca escancarada, eu nada saiba dizer
E mesmo de boca fechada eu diga tudo.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Feira do Livro de Lisboa
E eis que vai começar mais uma Feira do livro de Lisboa: a 83ª!
O site, AQUI. Boas compras!
O site, AQUI. Boas compras!
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Chez Gaudy
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| © Rui Veloso, por Ana Mesquita |
Às
vezes, devido a terem amigos comuns, juntam-se à mesma mesa pessoas que
pertencem a mundos diferentes. Os que vivem quase sempre escondidos num qualquer
cantinho rústico, levando uma vida pequena e tímida, os que jamais ali estariam
não fosse um golpe de asa; os que levam vidas aventurosas e ricas, viajando,
estando nos cantos e nas bocas do mundo, tratando o glamour por tu; e ainda os que são o expoente máximo naquilo que
fazem, pessoas cujo peso fazemos por esquecer, enquanto os servimos de batatas salteadas,
trocamos impressões acerca de música ou conversamos sobre a nossa bucket list. O branco e o tinto que vão
correndo ajudam a revelar a essência de cada um, no seu implacável e abençoado
efeito in vino veritas.
E
neste bouquet variado, feito de rosas e jasmins, dedaleiras e narcisos, jacintos
e gypsophilas, vão-se perfumando as horas sem que nenhum dos convivas altere a
sua natureza.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Bom fim de semana, sim? :)
Ai, até se fica com dores nos músculos, de tanto rir! Enjoy the show, senhoras e senhores :)
quinta-feira, 16 de maio de 2013
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Zafón
Aos olhos de um dos melhores contadores de histórias...
"I have written for young readers, for the movies, for so-called adults; but mostly for people who like to read and to plunge into a good story. I do not write for myself, but for other people. Real people. For you. I believe it was Umberto Eco who said that writers who say they write for themselves and do not care about having an audience are full of shit, and that the only thing you write for yourself is your grocery shopping list. I couldn't agree more.
As I said, I am in the business of storytelling. This is an art, a craft and a business, and I thank the Gods of Literature for that. I believe that when you pick up something I've written and pay for it, both in terms of your money and something much more valuable, your time, you are entitled to get the best I can produce. I believe this is not a hobby, it is a profession. If you're pretentious enough to believe that what you write might be worth other people's time (as I am), you should work hard enough to earn that privilege (as I do)."
(Carlos Ruiz Zafón, in "Why I Write", site oficial)
terça-feira, 14 de maio de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Dedos presos
Os dedos presos em novelos de dúvida. Ou talvez seja apenas o fel viciado do ócio. As personagens aguardam, empoeiradas, quando mal se haviam reerguido das cinzas. Talvez, dizem-lhe os dedos, talvez não saiba para onde vai, que destino dar àquela gente que inventou num dia iluminado e maldito e que por tanto tempo anda suspensa, sem chegada, sem viagem. É tarde para as abandonar mas impossível prosseguir. E ela, a minúscula pessoa esculpida em grandes esperanças, assim permanece, de mãos paralisadas, no limbo em que ficam os que, caindo, não encontram chão. As horas consomem-se em nada. Tudo é incerteza e descrença. A pouca fé que depositou nos dedos mudou-se para outro país, emigrou-lhe do peito, deixando-a vazia. Nem sabe se ainda é capaz de sentir a velha culpa, pois até para a culpa é preciso ter fé.
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| © Nanã Sousa Dias |
domingo, 12 de maio de 2013
Três à mesa
Já se imaginava num recomeço suicida, num andar à deriva ainda maior do que a deriva em que já vivia mergulhada. E eis que o destino lhe ofereceu aquela surpresa, um trio harmonioso e até familiar feito do fio de prumo das conversas tecidas em tempos antigos, em memórias que afloram, com riso de permeio, o sabor das mudanças e a transformação dos rituais. Era, mais uma vez, a saudade que aconchegava as recordações numa patine dourada, embelezando um tempo perdido que, precisamente por isso, se tornava ilusoriamente perfeito.
Contra todas as previsões da sua amargura enraizada, a noite foi de paz; e foi de coração embriagado que ela se deitou nessa noite. A esperança era agora uma gaze luminosa que embalava a sua cama, rematando-a num grande laço e tornando-a leve. Quem nessa noite admirava, à janela, a lua gorda recortada em papiro, apenas viu uma estranha forma flutuando nas trevas, rumo ao sol, do outro lado da Terra adormecida.
sábado, 11 de maio de 2013
Caminhos Cruzados
Conheço este tema desde que sou criança e nunca o tinha incluído no meu reportório, vá-se lá saber porquê. Foi hoje, FINALMENTE. Obrigada, Alexandre Diniz e Nanã, por me acompanharem tão bem nesta estreia de mais um tema lindíssimo de Tom Jobim.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
quinta-feira, 9 de maio de 2013
A casa
Na Casa de Anil há um prodígio que ninguém pode revelar. E não existem lendas nem livros que desvendem o seu mistério. Os homens e as mulheres, que em sonhos entram naquele lugar tecido em algas e corais, transformam-se em peixes e ondinas. A pele cobre-se de escamas e para sempre se calam as suas vozes, emudecidas por inesperadas guelras. Enquanto, na praia ali perto, a maré revela seixos, búzios e caranguejos, eles serpenteiam pelos quartos e salas, por entre os móveis esculpidos em cristais de quartzo e lápis-lazúli, cruzando-se com anémonas cintilantes e medusas de corpo transparente. Por tanto tempo ali aprisionados, ondulando languidamente no interior aquático daquela casa, acabam por olvidar a sua natureza humana. É nessa hora que a maré cheia os vem resgatar, num ritual de consagração aos mares. Mil ondas batem às janelas, desfazendo-se em espuma na soleira da porta. Fatalmente, os peixes são arrastados rumo ao oceano, para habitar as águas do mundo inteiro. As ondinas, levadas em mornas correntes, desaguam nos lagos, construindo, na penumbra das areias azuis, as suas casas de cristal.
O dia vem despertá-los, mas é apenas uma cama vazia que a luz da manhã encontra. Só o tom azulado dos lençóis húmidos conhece o beijo faminto da Casa de Anil, que se vai alimentando com a alma dos poetas e a fantasia dos sonhadores.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
terça-feira, 7 de maio de 2013
irmãos Cohen
Mais um filme hilariante e irresistível dos irmãos Cohen, para juntar à minha lista cinematográfica de bom humor negro com excelente argumento. E, claro, mais um papel irrepreensível de Tom Hanks, a versão masculina de Meryl Streep :)
"The Ladykillers" ("Quinteto da Morte", 2004, um remake do filme de 1955, "Ladykillers - Can't Return the Money")
domingo, 5 de maio de 2013
Domingo
Uma sessão fotográfica relâmpago e um lanche excelente. Bom vinho, boa companhia. Um Dia da Mãe que foi um consolo, com direito a ovos mexidos com farinheira, feitos pelo filhote. A repetir, faxavor.
sábado, 4 de maio de 2013
Bom, bom, bom
Marcus Miller, além de excelente baixista e compositor, e de cantar muitíssimo bem, ainda toca sax soprano, clarinete e clarinete-baixo (este, do video). Aqui ao vivo, interpretando, num dueto impressionante com o "puto" Alex Han (uma besta no sax, no bom sentido) o "In a Sentimental Mood". Enjoy. Até ao fim, que vale a pena, garanto.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Compromisso
Carlos Ruíz ZAFÓN ensinou-me aquilo que já tantos me tentaram dizer nos últimos anos: escritores que falaram comigo através de entrevistas, contando acerca dos seus hábitos, da rotina que criavam, do que pensavam (ou pensam) ser essencial para trabalhar na escrita. A Alice Vieira, a Rita Ferro, disseram-mo directamente: trabalha, escreve, escreve, escreve.
Zafón diz que precisou de escrever quatro romances dedicados a "young adults" para chegar à Sombra do Vento, o livro que queria realmente escrever. O que significa que esses livros foram uma experiência, um treino, que o conduziu à escrita vocacionada para adultos. O que ele diz, os conselhos que dá aos escritores principiantes, vale ouro. E ontem senti o clique de que precisava.
"A rotina é a governanta da inspiração."
Num diálogo entre David Martín e Isabella, n' O Jogo do Anjo, David diz à aprendiza: põe os cotovelos na mesa, cola o cu à cadeira e trabalha. Isso é a inspiração.
Por isso hoje inicio um novo ciclo. Porque sei que não funciono de outra forma. Auto-disciplina. Rotina. Horário. Estímulo para acordar mais cedo que a minha preguiça. Facilito em demasia a minha vida, os meus hábitos. O ócio é um inimigo a abater. Não basta termos os livros na nossa cabeça. Não se escrevem sozinhos, precisam das nossas mãos.
Por isso me vou, embalada pelo álbum "Alice", de Bernardo Sassetti. Não poderia estar em melhor companhia.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Saudade
José Luís Peixoto
"Tenho saudades da minha madrinha a queixar-se de alguma coisa enquanto lavava a loiça num alguidar. Não se queixava da loiça, apesar do muito que lhe custava manter-se de pé, queixava-se do inverno, maldito inverno, ou queixava-se da morte, esta vida não presta para nada, porque tinha morrido algum homem, que era tão novo, pouco mais de oitenta anos. Tenho saudades do toque de finados da igreja da minha terra. Ecoava no adro, espalhava-se por cima de todos os telhados e chegava até ao campo, onde se dissolvia na aragem.
Tenho saudades do meu padrinho a carregar bolsos cheios de moedas de cinco escudos, que trocava por copos de vinho tinto nas tabernas. Até a dizer bom dia ou quaisquer palavras simples, era capaz de escolher expressões que acrescentavam humor e que nunca agrediam. As portas das tabernas eram sempre um buraco de sombra na cal. O cheiro do vinho estava entranhado nas paredes. Tenho saudades do barulho que fazia o vidro grosso dos copos vazios a bater no mármore. Às vezes, quando se chegava a essas vendas, não estava ninguém. Então, era preciso bater com a palma da mão no balcão e chamar.
Tenho saudades de ver a minha madrinha a pentear os cabelos fracos ao espelho do lavatório. Molhava os dentes do pente na água da bacia. Tenho saudades de caminhar ao lado do meu padrinho nas manhãs de verão, ao rés da parede, os dois cobertos pela sombra. Fazia-me perguntas engraçadas acerca das hortas onde eu e os outros rapazes sabíamos que havia boa fruta para roubar.
Através da distância do tempo, sou ainda capaz de ouvir as suas vozes. Enquanto escrevo estas palavras, ouço-os a repetirem frases que me disseram antes, quando estávamos no mesmo lugar, talvez sem entendermos completamente o enorme valor de estarmos juntos. Ouço o meu nome dito pelas suas vozes, pela maneira especial como cada um deles o dizia. Essa lembrança aumenta ainda mais as saudades. E, no entanto, espero que o futuro nunca me tire essa memória. Prefiro esquecer episódios, histórias, dias inteiros de cismas, do que deixar de ser capaz de ouvir a voz dos meus padrinhos.
A minha madrinha a chamar-me, o meu padrinho a chamar-me.
A minha madrinha a chamar-me, o meu padrinho a chamar-me.
Hoje, ter saudades desse tempo é espécie de uma felicidade enorme por tê-lo vivido, por saber como foi. Sinto falta dos meus padrinhos porque os tive, foram meus e, através das saudades que sinto em dias como hoje, continuam a ser meus padrinhos, mesmo que os sinos da minha terra já tenham tocado por eles há tantos anos.
Mesmo que fosse possível, nunca quereria deixar de sentir saudades dos meus padrinhos, esses velhos que me encheram a vida inteira com as suas certezas, com as suas dúvidas também, com a sabedoria e com os erros que fui capaz de aprender.
Mesmo que fosse possível, nunca quereria deixar de sentir saudades dos meus padrinhos, esses velhos que me encheram a vida inteira com as suas certezas, com as suas dúvidas também, com a sabedoria e com os erros que fui capaz de aprender.
A saudade não é tristeza, é comoção.
A saudade é o que fica do amor quando perdemos todo o seu lado físico, deixámos de estar, deixámos de tocar, há uma barreira inultrapassável de espaço ou de tempo, mas o amor continua, permanece. A saudade é esse tipo de amor.
A saudade é o amor."
(in UP Magazine, revista de bordo da TAP, 1 maio 2013)
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Paper man
Dificilmente resisto a filmes cujo protagonista é um escritor (quase sempre torturado por dilemas existenciais, sofrendo a angústia da folha em branco): por mais filmes que se façam explorando o cliché do escritor amaldiçoado, lá estou eu, vibrando com o seu desespero, rindo e sofrendo com ele; sobretudo se os actores forem bons e o guião melhor ainda. Hoje descobri mais um: Paper Man - Tempo de Crescer, (2009), um drama-comédia com Jeff Daniels, Lisa Kudrow, Ryan Reynolds e Emma Stone. Recomendo, apesar de as críticas em 2009 não terem sido grande coisa. A mim, divertiu-me...e ainda não consigo apagá-lo da Meobox. É um dos meus fetiches, este tipo de filmes, que hei-de fazer?
Para mais, espreitem AQUI
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Bichos
É por estas e por outras que eu adoro bicharocos. Tenho uma colecção muito boa de momentos como estes.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
À moda antiga
De saída para Braga. Fiquem bem, portem-se mal, mas não muito, que é como quem diz, transgridam, divirtam-se, mas com (algum) juízo. Não terei computador. Comigo levo livros, canetas e cadernos, como uma menina de escola. O objectivo é ler e escrever à moda antiga, sem ecrãs; observar, percorrer caminhos, perguntar coisas às pessoas, em vez de pesquisar no GPS, no Google e na Wikipedia. Lembram-se como é? :) Eu vou ver se ainda sei fazer isso...

quinta-feira, 25 de abril de 2013
Ella Fitzgerald
Parabéns! A minha querida Ella faria neste dia 96 aninhos. Foi a cantora que mais escutei ao longo da vida e continua a ser, até hoje, a minha cantora preferida. Conseguia interpretar baladas com uma ternura e doçura que lembram um manto de cetim púrpura, ou carmesim. Pelo menos são as cores que eu vejo quando a escuto.
No "scat" não houve ninguém como...Ella. Improvisava, dizia, usando a voz como um trompete, no que respeita ao ataque das notas e ao fraseado.
Deixo-vos com dois vídeos: uma balada (1950), "I've Got a Crush On You" e "Well Allright, Okay, You Win" (1969, o ano em que nasci), um bom exemplo da "garra" que a caracterizava num género mais dançável e contagiante. O seu swing e sentido rítmico eram impressionantes. E a afinação, claro, mesmo nas "manobras" mais ousadas, ao vivo. O que irão ouvir dá uma amostra do que foi esta grande senhora do jazz, que gravou cerca de 200 álbuns e ganhou inúmeros prémios e condecorações. Um pedaço do meu coração está com ella, sempre.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Dois mundos
Caminhando,
chegam-me lanças de luz entre os ramos dos pinheiros. O vento traz-me ondas de
incenso composto de folhas frescas que um agricultor queima; o verdor da salsa,
que emoldura as bermas da estrada que serpenteia e vai descendo, inunda-me as
narinas e abre-me o apetite por alimentos frescos, temperados com azeite maduro
e vinagre de frutos vermelhos. Há pombos que se atravessam à frente dos meus
olhos, recolhendo-se ao pombal da D. Alberta. A tarde finda. Os meus passos
acontecem ao ritmo de Symphonicities, de Sting, que os auriculares entornam nos
meus ouvidos. Na sombra, arranco, à passagem, fragmentos de cedros, que esfrego
nas mãos. Enquanto um melro me olha, calando a melodia e dançando sobre as
flores silvestres, sinto-me apaziguada com este meu isolamento. Não estou longe
do mundo: este é apenas o MEU mundo. Preciso somente de me lembrar, como quem
anota uma tarefa num post it: visitar
o outro mundo de vez em quando.
terça-feira, 23 de abril de 2013
Entre as ervas
Era
pequena como um grão de café. Habitava entre as ervas e brincava com os bichos
rasteiros, diluindo-se, reunindo-se de novo, inteira uma e outra vez. Numa certa manhã, a lagarta disse: — deves regressar a casa e
quebrar a tristeza da tua mãe. Quando esta a viu, chorou de alegria. Há muito que havia perdido aquele seu rebento, uma gota entre tantas. A filha da
Chuva, gota de água morna, voltara transformada em orvalho. Nesse dia
houve aguaceiros e o céu, em festa, encheu-se de cor.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Frankenstein
Hoje, ao pequeno-almoço, liguei o televisor, sintonizado, por acaso, no canal História. O programa que estava a dar era interessante e deixei-me ficar na sua companhia: tratava-se da descoberta da electricidade. Passando por Luigi Galvani e Alessandro Volta, cheguei a Shelley.
Aprendi que Shelley, MARY Shelley, foi quem escreveu, aos 19 anos(!), a história original de Frankenstein. Sabiam? Foi publicada anonimamente com o título "Frankenstein or The Modern Prometheus" em 3 vol., quando ela tinha 21 anos e só cerca de 4 anos depois, em 1823, é que ressurge com o nome da jovem autora. Mary estava habituada a ter a casa, onde ela vivia com os pais, frequentada por gente das ciências, que ficava até altas horas discutindo os progressos de vários "filósofos naturais" (que faziam experiências, tal como Aldini, com cadáveres, ligando eléctrodos e tentando reanimá-los). Consta, neste programa do canal História, que ela se deixou impressionar por esses acontecimentos, que estiveram na origem da sua famosa história; outros defendem as palavras da própria autora: que foi "um sonho que teve", misturado com um imaginário fruto das suas leituras góticas e Românticas.. Mistério...
| 1ª edição, 1818 |
domingo, 21 de abril de 2013
Demoníaco
"Pimento lampião, (Capsicum chinese), também conhecido como Habanero de cor típica vermelha (indicativo de que está maduro) no entanto pode ser encontrado em diversas cores, amarelo e laranja. A sua forma lembra um lampião, com mais ou menos 5 cm de comprimento e 3 a 6 cm de diâmetro. É um dos pimentos mais picantes, não pertencendo ao grupo dos pimentos doces, é sim um pimento malagueta. Combinam perfeitamente com pratos à base de tomate, em molhos, marinadas de mariscos, e picles.
Cuidado, Extremamente Picante."
SIM, MEUS AMIGOS. EU, O MEU MARIDO E OUTROS 3 AMIGOS PUDEMOS CONFIRMAR ISSO MESMO HÁ POUCOS DIAS. Ainda nos rimos bastante à conta disso...mas só depois de passar a aflicção! :) Só com menos de metade de um, ficamos sem conseguir respirar nem falar, palavra de honra. Muito cuidado com estes malandros! São MESMO dos Infernos!
SIM, MEUS AMIGOS. EU, O MEU MARIDO E OUTROS 3 AMIGOS PUDEMOS CONFIRMAR ISSO MESMO HÁ POUCOS DIAS. Ainda nos rimos bastante à conta disso...mas só depois de passar a aflicção! :) Só com menos de metade de um, ficamos sem conseguir respirar nem falar, palavra de honra. Muito cuidado com estes malandros! São MESMO dos Infernos!
sábado, 20 de abril de 2013
Jane Austen
"Orgulho e Preconceito", lançado em 1813, concedeu à escritora Jane Austen o status de uma das mais populares escritoras da Inglaterra. Esse mesmo livro completa agora duzentos anos, como um dos romances mais importantes da literatura. Como celebração da obra e em homenagem à autora, foi lançada uma colecção de selos comemorativos em Inglaterra.

sexta-feira, 19 de abril de 2013
a imagem e a escrita IV
...e aqui está a imagem de Rodney Smith mais uma vez, em jeito de despedida, com um conto de outro amigo que aceitou o desafio de escrever a partir do que os olhos vêem.
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| © Rodney Smith |
Olhou para o alto da velha
árvore descarnada que se erguia gigantesca contra um céu cinzento, e viu-se a
si mesmo a olhar para baixo na sua direcção. Ficou perturbado e perplexo, o
homem que o olhava de cima era um perfeito reflexo de si próprio, quer nas suas
características físicas quer no seu vestuário. Até o ridículo chapéu alto que
ostentava era o mesmo. E o homem sentado na árvore parecia também espelhar a
mesma perturbação e perplexidade que ele sentia. Será que estava a pensar o
mesmo que ele? Dirigiu-lhe a palavra, quebrando o silêncio, “Olá, como está?”,
e a frase soou ao mesmo tempo na boca do homem sentado no alto da árvore. E de
novo as mesmas emoções se espelharam no rosto de ambos. Rodeou o enorme tronco,
procurando forma de subir a árvore e, quando a julgou ter encontrado,
elevou-se, não sem dificuldade, até ao lugar onde o outro homem se encontrava.
Para sua surpresa não estava ali ninguém. Sentou-se, olhou para baixo, e viu-se
a si mesmo a olhar para cima na sua direcção, como num labiríntico desenho
de Escher.
(Luis
Nogueira, Faro)
Sugiro uma espreitadela ao blogue ESTRADA DE SANTIAGO, de José Eduardo Lopes, que também aceitou o desafio. É muito curioso ver como a mesma imagem pode despertar histórias tão diferentes... Agradeço a todos os que participaram!
quinta-feira, 18 de abril de 2013
a escrita a e imagem III
Para enriquecer este exercício, escolhi um conto de alguém que aceitou o desafio aqui lançado e me surpreendeu com uma história belíssima, de grande efeito poético.
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| © Rodney Smith |
A Árvore
Airoso e elegante na sua figura de aristocrata que
normalmente desvalorizava, A. observou com minúcia a excessiva ordem no salão
onde lia. "Escapa-me aqui qualquer coisa." - reflectiu.
Erguendo-se das suas longas pernas tão difíceis de arrumar,
de soslaio vislumbrou ainda uma pequena mancha no soalho. Instintivamente
inclinou-se para a limpar, mas um impulso parou-o. Decerto aquela ínfima
imperfeição ocultava um mistério.
Com o estilete que em geral utilizava para abrir as cartas
esgravatou-a. Sob os tacos escurecidos encontrou um punhado de sementes negras.
A ocasião merecia uma melhor aparência.
Atravessando a mansão até ao quarto, dirigiu-se ao
armário de roupa quase igual onde a custo conseguiu
encontrar uma bela indumentária. Sobre uma antiga cartola do avô a sua mão
hesitou. "Que se dane!" - pensou, enquanto a colocava.
Sob os olhares esgazeados da criadagem foi em direcção ao
exterior. O terreno à volta possuía a geometria adequada aos jardins
de Versailles, mas nele nada florescia. Ao invés, encontrava-se povoado
de incontáveis esculturas de gárgulas, belas na sua bizarria e
solidão. Cuidadosamente construído ao longo dos anos, o jardim de pedra era o
seu grande feito. Os únicos seres viventes que nele se podiam contemplar eram
as flores no coreto, recebidas todas as semanas de figura anónima cuja
existência A. aceitava sem se questionar.
Em passo febril desviou-se do caminho para uma pequena
colina que mantivera incólume àquela parafernália de quimeras de
pedra. Não se apercebeu da lama que subia pelos sapatos acima e entrava
nos seus pés. Viram-no mergulhar na terra as mãos delicadas de quem nunca
trabalhara, escavando e plantando as sementes que trouxera consigo no bolso.
E eis que ela nasceu. A Árvore. Portentosa, podia
conter inúmeras outras árvores dentro de si. Mas era sinuosa como um
labirinto e nela pareciam nascer os mesmos rostos de angústia do seu
jardim. O cúmulo foi quando de um ramo brotou uma figura humana em tudo
idêntica a ele. Observaram-se com mútuo espanto.
Foi então que o Primeiro falou. "Tudo isto é teu."
Tranquilamente desceu a colina e foi em busca de quem lhe
enviava as flores do coreto.
(Soraia Costa, Lisboa)
quarta-feira, 17 de abril de 2013
a escrita e a imagem II
Como ficou dito ontem, aqui vos deixo um conto que escrevi com a mesma imagem, e que nada tem a ver com o primeiro conto. A pergunta que se coloca, é: com esta imagem (ou outra qualquer), que história imaginam? Quantas histórias se esconderão atrás do que os nossos olhos vêem? A IMAGinação é que sabe!
Amanhã mostro-vos a terceira :)
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| © Rodney Smith |
Noivos em fuga
A igreja estava cheia de convidados. Boquiabertos. Ainda ninguém se refizera do escândalo. Só os rapazolas riam ainda, inconscientes da gravidade da situação; apenas reviviam aqueles momentos inesperados que os haviam resgatado ao tédio: o tabefe, os gritos, o bouquet lançado ao altar-mor, pela noiva ofendida.
O noivo fugira antes do sim. A família da noiva estava desolada e pedira ao padrinho que fosse incutir algum bom-senso na cabeça do outro pateta, a cujo pai eles deviam tantos favores. A noiva fazia um drama intraduzível, cuspindo impropérios dignos do mais vil taberneiro; as mães tapavam os ouvidos às crianças; os velhos perguntavam, O que é que se passa? Eu ouvi bem o que ela disse?
Enquanto isso, tentando chamar o amigo à razão, compor o ramalhete - não o bouquet, entenda-se, que esse não tinha salvação possível - o padrinho fora no encalço do fugitivo, que se havia embrenhado na floresta, gritando Não-Não-Não ininterruptamente.
Vamos encontrá-lo aqui, num velho freixo decepado, de traseiro encaixado a três metros de altura. O chapéu alto ainda na cabeça, como um enfeite de bolo nupcial fora do sítio. A postura lembrava um bonifrate, um boneco de trapos, soluçando e deixando tombar as suas lágrimas sobre a lavandula angustifolia, que perfumava as sombras com a sua tapeçaria lilás e tenra.
- Amadeu?
- Que é (soluço).
- Sabes que não podes fazer isto à Giovanna...Vá, anda lá, recompõe-te, apruma-te e volta comigo, que todos irão esquecer esta cena que fizeste. Casam-se, faz-se a festa, e os copos lavam tudo, vais ver.
- Não quero! Nem por todo o dinheiro do mundo! Giovanna? Que raio de nome! "Dádiva de Deus?!" Essa é boa...! Do Diabo, talvez!
- Bom, tenho de concordar que não é nenhuma Helena de Tróia, nenhuma Cleópatra, mas...
- Nunca! Estás a ouvir? NÃO CASO! Não caso com a verruga, nem com os olhos tortos, nem com aquele nariz pingado. E o bigode? Tu viste-me o bigode?!
O padrinho conhecia o seu amigo Amadeu desde a infância. Também lhe conhecia as namoradas. Por isso sabia que não valeria a pena insistir. Era um mimado, um egoísta, incapaz de uma atitude altruísta para salvar a família da bancarrota. "Realmente foi malandrice...o photoshop é tramado...mais valia que esta farpela não fosse o tema da festa e que estivéssemos mesmo no séc. XIX, nos tempos em que as fotografias eram verdadeiras...", pensou.
- Muito bem. Vou voltar para lá e anunciar que o casamento foi cancelado. Eu invento uma desculpa qualquer, não te preocupes.
Quando, já virado de costas, se dirigia de regresso à pequena igreja, ainda escutou a voz do outro:
- Diz que eu tenho outra a quem amo perdidamente!
Mal sabiam eles que, numa das filas de trás, entre os convidados, se encontrava Amásio, o homem que entrara na igreja tardia e sorrateiramente, e que se preparava para interromper a cerimónia no momento infinitas vezes ilustrado em filmes, Quem conhecer... blablabla... que fale agora ou para sempre se cale".
Aquela cena fora para eles, Amásio e Giovanna, absolutamente perfeita. Uma saída airosa, Giovanna tornando-se vítima, ao invés de fugitiva. O carro da fuga já estava lá fora, a postos. Agora bastava fazer um pouco de teatro e apanharem o comboio. E, consolado, Amásio brincou com os dois bilhetes que tinha no bolso das calças.
terça-feira, 16 de abril de 2013
a escrita e a imagem I
Hoje quero mostrar-vos que uma simples imagem pode servir de estímulo à escrita. Paralelamente, estou a fazer uma nova experiência: irei exemplificar como a mesma imagem pode originar contos absolutamente distintos. Amanhã escrevei outro, com a mesma imagem...
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| © Rodney Smith |
Mano a mano
- Estás aí, mano?
- Não…
- Ora, se me respondeste, estás!
- És muito esperto, mano.
O mais velho (por dez minutos apenas,
diga-se de passagem), era um brincalhão e fazia sempre aquilo, deixar o irmão mais novo, cego de nascença e frágil nas emoções, sem saber se gozava com ele ou o elogiava.
- Mas... o que fazes tu aí em cima, afinal?
- É que o artigo que escreveste
esta semana provocou a ira do povo. Se fosse a ti, escondia-me.
O mais novo tinha uma maneira muito especial de ver o mundo, de analisar pessoas e assuntos, e ganhava a vida publicando crónicas no jornal da pequena cidade, além de trabalhar como ghost-writer escrevendo tímidas biografias, homenagens e discursos de cariz político. Na crónica ele deixava escrito o que pensava realmente.
- Escondo-me? Então e tu? Irão passar por aqui, ver-te e julgar que tu...
- Deixa, posso bem com eles. É só fechar os olhos, que os engano bem, tu sabes. Eles vêm cegos de raiva, nem se lembrarão que tens um irmão gémeo que vê. Afinal, durante quanto tempo lhes permitirá a consciência pontapear um cego?
- Não tens de fazer isso por mim, mano...
- Eu sei, mas há dias safaste-me tu. Estou a dever-te este favorzinho. Vai, vai antes que eles passem por aqui. Já vejo as candeias lá ao fundo!
Resignado e muito grato, o mais novo lá foi esconder-se na cave secreta da casa onde moravam ambos. E enquanto atravessava o bosque e o nevoeiro que apenas sentia no rosto, assaltou-o outra dúvida: será que o brincalhão do seu mano, ao transcrever-lhe os textos em braille, não resistia a fazer-lhes algumas alterações? Francamente, não se recordava de ter escrito nada de ofensivo a ponto de provocar violência física.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Leonardo da Vinci
Para celebrar o aniversário de leonardo da Vinci, aqui vos deixo um documentário de 10 minutos, rápido e lúdico, acerca do seu tempo, do homem e do mistério que o envolveu. parabéns, grande da Vinci.
domingo, 14 de abril de 2013
Do deserto, a flor
É um consolo quando nasce algo de bom da sinceridade absoluta. Sem artimanhas nem artifícios. Quando uma pessoa estranha nos presenteia com uma reacção absolutamente inesperada - não só manifestando total compreensão para com os motivos da nossa angústia - como se dispondo a oferecer a sua amizade e admiração. É nesses momentos que tornamos a acreditar na raça humana. Ainda há gente bem formada, boas almas que vale a pena descobrir. Do frio constrangimento pode nascer o calor. Da desilusão, a empatia. Da culpa, a paz.
Mesmo em coisas pequeninas que se revelam semente, como a erva nascendo entre as pedras ou a flor no deserto.
Obrigada, Ana. Um abraço até ao Norte.
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| Foto que tirei aqui perto de casa, nas minhas caminhadas. |
sábado, 13 de abril de 2013
Vinicius Vinho e Vícios
Hoje é dia de dar música. Vou estar aqui com o Nanã Sousa Dias (saxofones e flauta) e o Alexandre Diniz (piano). É no Turcifal, perto de Torres Vedras: VINICIUS VINHO E VÍCIOS.
A casa voltou a abrir e ainda bem. É um cantinho maravilhoso. Iremos inaugurar as Noites de Jazz. Bom fim de semana, sim? E se quiserem aparecer, serão muito bem vindos.
A casa voltou a abrir e ainda bem. É um cantinho maravilhoso. Iremos inaugurar as Noites de Jazz. Bom fim de semana, sim? E se quiserem aparecer, serão muito bem vindos.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Microficções
O
mundo de Lumy
Habitava
um mundo ideal, uma espécie de éden que só ele via. Aqueles que entrevistava sentiam-se
tocados por uma luz que não mais se apagava. O fenómeno soube-se, criou raízes.
Já vinham em grupos, na ânsia de obter salvação. Ao celebrar dez anos de carreira,
Lumy inaugurou a Cidade da Luz, onde moravam todos os entrevistados. Dizia-se
que era lá, o Paraíso.
(desafio de escrita de microficções: O jornalista cego, 300 caracteres)
quinta-feira, 11 de abril de 2013
São dias
Hoje estou a fazer batota, a escrever isto apenas para dizer que escrevi todos os dias. Façam de conta que aqui fiz a sugestão de um bom filme, que copiei um poema, que falei de um dos meus livros preferidos ou que vos confessei as minhas angústias que vão sendo mais ou menos as mesmas nos últimos anos até porque, na verdade, nada muda assim tanto. E de treta em treta lá vou fazendo de conta que tenho algo a dizer, como se fizesse diferença. Há alturas em que mais valia ficarmos calados, não acham? Hoje sinto a minha vida assim, uma espécie de spam digno de eliminar em definitivo, que aparece insistentemente, como um vírus. mas deixem estar, são dias.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
Carlos Ruiz Zafón
Why I Write
Authors are often asked why they do what they do. Often by themselves, as they sit wondering why they didn't become corporate lawyers or dentists or arms dealers. Why do we choose this strange profession that would rank right below the vocational do-gooder in a list of the least-likely-to-bring-success occupations in the world? I can't speak for my colleagues, but as far as I am concerned, I write because I really have no other choice. This is what I do. This is what I am.
I am in the business of storytelling. I always have been, always will be. It is what I've been doing since I was a kid. Telling stories, making up tales, bringing life to characters, devising plots, visualizing scenes and staging sequences of events, images, words and sounds that tell a story. All in exchange for a penny, a smile or a tear, and a little of your time and attention.
I write for a living. I¥ve been writing and making stuff up to make ends meet since I left school. It is my way of surviving, of earning a living and of navigating this world. It is my way of bringing something to the table, contributing what I believe is the best thing I have to offer for others to enjoy.
I have written for young readers, for the movies, for so-called adults; but mostly for people who like to read and to plunge into a good story. I do not write for myself, but for other people. Real people. For you. I believe it was Umberto Eco who said that writers who say they write for themselves and do not care about having an audience are full of shit, and that the only thing you write for yourself is your grocery shopping list. I couldn't agree more.
As I said, I am in the business of storytelling. This is an art, a craft and a business, and I thank the Gods of Literature for that. I believe that when you pick up something I've written and pay for it, both in terms of your money and something much more valuable, your time, you are entitled to get the best I can produce. I believe this is not a hobby, it is a profession. If you're pretentious enough to believe that what you write might be worth other people's time (as I am), you should work hard enough to earn that privilege (as I do). Which brings me back to the question of why I write. Sometimes people ask me what piece of advice I would give to an aspiring author. I'd tell them that you should only become a writer if the possibility of not becoming one would kill you. Otherwise, you'd be better off doing something else. I became a writer, a teller of tales, because otherwise I would have died, or worse.
I am happy I survived, and I am happy we met along the way. I plan to keep on doing this until they shoot me down. I hope you have enjoyed the things I've made up for you. If you didn¥t, give me another chance. I'm always working on something new, and hopefully better. What can I do? Make-believe is my business.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
domingo, 7 de abril de 2013
Os Amantes
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| René Magritte, Os Amantes, 1928 |
A lua acaricia a pele dos amantes. No quarto, o silêncio. Apenas os
olhos brilham na penumbra, reflectindo a inutilidade dos sons. Para mais, as
bocas estão seladas com desejo.
(a partir dum desafio de escrita de microficções, "O casal sem tema de conversa", 150 caracteres)
sábado, 6 de abril de 2013
Zafón
Desde os livros de Enid Blytton, da minha infância, que não sentia esta paixão por ler o mesmo livro várias vezes. Aguardo a oportunidade de devorar o terceiro volume da tetralogia de Zafón, iniciada com "A Sombra do Vento", que já conta com diversos prémios literários. A escrita deste autor enche-me por completo as medidas. Assim que termino a última página, apetece-me voltar ao início. É a terceira vez que leio este livro de seiscentas e tal páginas. Sei que irei ler mais uma vez "O Jogo do Anjo", o segundo volume, e espero que, entretanto, uma boa alma se lembre de me oferecer o terceiro, que ainda não li. Senão, vou à livraria e compro.
Ou roubo.
Já avisei.
Não consigo libertar-me das suas personagens, da sua história plena de mistérios e suspense, da sua escrita. E é a mais irresistível das prisões. Estou absolutamente viciada. Se o homem me aparecesse à frente, por mais insignificante que pareça a sua figura avaliando pelas fotografias de promoção, não poderia deixar de segurar-lhe nas mãos, como uma reles stalker, e dizer-lhe, Obrigada, obrigada por estes livros, obrigada por escrever assim! É a minha Santíssima Trindade: Ella Fitzgeral (voz), Chico Buarque (compositor) e Carlos Ruiz Zafón (escritor).
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Nanã Sousa Dias
A casa cheia de amigos, familiares e estranhos, que os vieram ouvir. Foi muito bom. O ambiente também. Antes de começarem a tocar, fez-se um silêncio tal que alguém comentou: "Eh pá, parece uma casa de fados!". E assim é que é bonito. Houve riso, boa disposição, sim, mas na balada "In a Sentimental Mood" não se ouvia uma única voz senão a do tenor, com o seu timbre macio e uma expressão de ternura. No tema "Cameleon" alguém disse, Olha, eu tenho este sampler! Era um DJ que falava, daqueles que tem profissão certa e que ao fim de semana costuma "tocar" :)
Gostei de ver o meu filho chegar com amigos, de comboio. Arranjei-lhes mesa mesmo junto ao quarteto, com lugares VIP. Neste clube não se posicionam as cadeiras de costas para o palco: a música é o que mais importa, e desse modo desencoraja-se a conversa. Não é, decerto, pelo cachet que aqui vêm ganhar que os músicos aceitam o convite, mas que se sentem bem aqui, sem dúvida. O piano de cauda ajuda...o clube ainda anda a pagá-lo. É um espírito especial que se sente ali. Sobretudo com a presença do António e do Manel, empregados muito pouco convencionais. A agenda está preenchida até Junho e há nove bandas à espera. Há fenómenos assim.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
in vino veritas
A mulher pousou o copo e desabafou:
- Começo a dar-me conta de que não vale a pena passarmos o tempo a lutar contra a vida que temos.
- Só agora é que descobriste?
- Então, não andam sempre a dizer que devemos fazer isto e aquilo, conseguir este mundo e o outro?
A amiga ficou calada porque, na verdade, era dessas, das que diziam que devíamos conseguir este mundo e o outro. A outra explicou:
- É como viver frustrado por ser de alta ou baixa estatura: não podemos caminhar de pernas dobradas ou tornar desconfortáveis os nossos passos, só por causa das convenções.
- Eu gosto de andar de saltos altos.
A primeira concluiu que ninguém a compreendia, nem sequer aquela sua amiga.
- Não estás a perceber, há vidas que se colam a nós de tal forma, que o melhor é abrir de vez a porta e dizer-lhes, Vá, entrem lá e sentem-te. E uma vez cá dentro, até pode ser que nos surpreendam...
A amiga disse, Pois é, sem convicção, e mandou vir nova garrafa.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Oferenda do dia
Uma excelente entrada, leve e deliciosa, para antecipar um prato de peixe. O mel e a pimenta rosa criam uma explosão de sabores na boca, com a cremosidade do camambert a ditar as regras!
Ingredientes:
1 queijo camembert
Mel q.b.
Pimenta-rosa q.b.
Preparação:
Regue o camembert à vontade com mel derretido. Salpique com pimenta-rosa e leve ao forno, pré-aquecido a 180 graus por aproximadamente dez minutos, ou até que o camembert amoleça. Faça um corte em cruz na superfície do camembert: isto vai fazer com que os sabores entrem de forma mais fácil.
Obrigada, Soraia :)
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