quinta-feira, 20 de junho de 2013

ooooooooooomm...

E porque não vos quero maçar contando o dia de puro stress que tive hoje com o meu marido, a tratar de cinquenta mil documentos para que ele possa ir em Julho tocar por alguns dias a  Luanda (registo criminal, vacina da febre amarela, fotocópias e comprovativos para justificar a existência e acções desde a unha do pé à raiz dos cabelos - já grisalhos - e suspeito - irão branquear um pouco mais depois do dia de hoje)...
...deixo-vos, como um auto-momento-Zen, um poema de José Luís Peixoto, a ver se desintoxico da poluição sonora e atmosférica, do stress e, sobretudo, me esqueço da incompetência que abunda um pouco por todo o lado.
                       
                                   

Explicação da Eternidadedevagar, o tempo transforma tudo em tempo. 
o ódio transforma-se em tempo, o amor 
transforma-se em tempo, a dor transforma-se 
em tempo. 

os assuntos que julgámos mais profundos, 
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis, 
transformam-se devagar em tempo. 

por si só, o tempo não é nada. 
a idade de nada é nada. 
a eternidade não existe. 
no entanto, a eternidade existe. 

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos. 
os instantes do teu sorriso eram eternos. 
os instantes do teu corpo de luz eram eternos. 

foste eterna até ao fim. 

José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"

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