segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Invisível

A vida fazendo-se em torno do corpo, limbo e malabarismo, labirinto de gotas químicas, a roubar à memória atenções que são puro desperdício do que é maior e aguarda. Que sendo tão pouco me faz respirar.
Horários, contagens, gotículas e substancias, a minimizar o desconforto e o meu desconsolo de os ver reinventando-se. A chantagem da dor. O corpo vencendo a batalha; o espírito em apatia, tornando-se rancor, na vertigem sem queda nem terra onde pousar a sua embaciada luz, bafejada pelo cansaço, invisível sem transparência. Intangível porque nada.
A vida em (sala de) espera, os ossos arrastando-se na mesma estrada, quilometrando os passos em corredores indistintos. Os olhos de mãos em mãos que examinam, a avaliar a resposta do corpo, que nada entende, não quer entender este jogo: é preciso somar mais um dia, à soma de muitos dias. Porque sim. Porque não. Apenas a incerteza dá sinais de confirmar-se num novo dia, em falsa esperança, data escorrendo como concha de água, na minha mão sedenta.
A culpa é um fugitivo ocultado nas sombras. O castigo é uma invenção dos deuses e há homens semideuses e semáforos, e homens seminus e semínimos, que pouco ou nada podem senão cumprir, passo a passo.
E a culpa dentro de mim, por culpa desta minha invisibilidade. Não fosse o desespero, quase apetecia rir, dar uma palmada nas costas do destino, amigo devasso que há décadas me vai devassando e me tem debaixo de olho. Mas permaneço de olhos postos no chão. Há muito perdi o meu olhar. Semiferida que ando, grito pelo olhar de um semideus, ainda que morto.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Luísa Cortesão

Uma fada fechou as asas para sempre. Uma fada irreverente, dedicada a causas pelas quais vale a pena lutar, imaginativa, talentosa. Partiu aos 65 anos. Uma fada velha, portanto. velha como ela própria fazia questão de se autodenominar. Resta o consolo de imaginarmos que a Luísa, lá onde estiver, irá deixar as suas mensagens e o encanto das suas ilustrações, quiçá nas estrelas ou no fundo do mar.








Para conhecerem melhor Luísa Cortesão, voem até aqui

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Ar

Por onde ando eu, que não me encontro?
Perdida algures, em linha recta, curvada perante o que tem de ser.
Para quando o ser de mim? A leveza da liberdade, a fim de me erguer do chão e...

                                                                  r?                                                              
                                       a
                  o
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Blog versus Redes Sociais

Venho aqui confessar algo que ando para admitir há um tempo. Salvo um ou outro texto inédito, aquelas pequenas prosas espontâneas que aqui venho deixar, não há muita diferença entre isto e o que publicamos no facebook ou no Twitter. Habituámo-nos a partilhar Arte, lugares, recordações e nostalgias, receitas, aquisições, projectos e sonhos, apelos, raivas, indignações (alguns até poemas inéditos), bem como homenagens a terceiros, do foro privado ou figuras públicas, medos, alegrias, dúvidas existenciais, humores vários, inclusive o bom: o bom-humor que, graças a deus, não nos vai faltando e ainda é de graça.
E afinal, para que servirá o blogue, se aqui abaixo há uma aplicação para partilhar aqui e ali, o que faço quase sempre, no facebook, aquela festa onde todos se encontram e que é, afinal, onde me lêem na maioria e deixam comentários?
É isso. Para quê alimentar outra casa?
Tirando esses textos inéditos, o fundo negro, a casa decorada e arrumada como eu bem entender, a morada distinta, que posso divulgar com facilidade, tirando a ilusão de intimidade, de montra "a solo", tirando ser sempre uma janela aberta para o mundo, sem bloqueios, o aspecto atractivo da página privada, a organização das mensagens por calendário e em etiquetas, tirando, ainda, ser um canto só meu, onde me encontram a sós...bom, com tantos "tirando", talvez ainda valha a pena.
Será? Digam-me vocês. A ironia é que, para conseguir alcançar mais leitores, vou agora fazer o quê, adivinham? Pois é, partilhar isto... na minha página oficial do facebook, e também na privada que, oh, ironia!, tem mais reacções.
Era a isto que eu me referia.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

À sua custa

Adoro os títulos intermináveis de livros seculares como este, do séc. XVII, verdadeiras sinopses cheias de graça. Reparem no pormenor da expressão "á sua custa", equivalente à actual "edição de autor".

Dialogos de Francisco de Moraes, autor de Palmeirim de Inglaterra. Com hum desengano de Amor, sobre certos amores, que o Autor teve em França com hu[m]a dama Francesa da Raynha Dona Leanor. Offerecidos a Gaspar de Faria Severim Executor môr do Reyno, &c. - Em Evora, : por Manuel de Carvalho, & á sua custa, 1624. - [3], 47 f. ; 8º (25 cm)"Com as licenças necessarias". - Barbosa Machado 2, 209

sábado, 16 de janeiro de 2016

Haley Tuck

Conhecem esta versão do tema dos Maroon 5? Uma pérola com gostinho de coisas antigas. No próximo dia 23 Haley Tuck virá ao CCB, com Sarah McKenzie. Bom fim de semana, sim?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Adeus, Bowie

Estes videoclips fizeram parte da minha adolescência. Eram das músicas que no verão, na discoteca Belle Époque, em Sesimbra, me puxavam sempre para a pista de dança. De tal maneira David Bowie se transformava, que muita gente o deve ter visto em vários filmes sem o reconhecer, tal como em "A Última Tentação de Cristo" (1988) ou "O Grande Truque" (2006)



sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Barbara Hannigan

Maravilhosa, a Barbara Hannigan. Canadiana (n. 1971), soprano lírico, expoente na ópera contemporânea, bailarina, actriz, uma espécie de super-mulher. Sou fã. Obrigada por esta descoberta, Nanã. Oiçam-na, vejam-na e deliciem-se como eu.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Só a chuva

Vista do meu "escritário", hoje
Só tenho chuva, da minha janela. O momento da fotografia passou, agora tudo é escuridão. Apenas o tic-tic espaçado do aquecedor minúsculo ao meu lado, acendendo e apagando à mercê do termóstato, o ping-ping-ping da água tombada dos céus, o vento a varrer  o vale, a lâmina gelada entrando pela frincha da janela tosca Os cães deitados, no silêncio do ócio, vida de cão. E os meus dedos sapateando no teclado, uma das mãos fria, a outra quente, vá-se lá saber porquê, talvez por ser a do lado do coração, também nós à mercê da termostática, a acender e a apagar.
É hora de fechar as portadas, cerrar os olhos da casa, a abreviar o frigidez da estação. Lamento não poder cerrar as portadas do tempo, para abreviar o meu inverno.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Exmo. Sr. 2016

Exmo, Sr. 2016

Ainda não fomos apresentados, mas tomei conhecimento de que será o novo Administrador do Departamento Temporal nesta empresa e, como accionista de médio prazo, gostaria de lhe fazer chegar os objectivos para a nossa reunião de amanhã, no seguimento da experiência adquirida com o seu antecessor, cujos resultados ficaram muito aquém das expectativas.
É urgente baixar a despesa lacrimal e aumentar os proventos de felicidade. Atribuir subsídio de alimentação aos pobres e aflitos, bem como assegurar, na saúde e na doença, os cuidados a todos os empregados e desempregados nesta nova colaboração cronológica.
É necessário que seja criada uma Secção de Abraços e Diálogo, dependente do Departamento de Recursos Humanitários, cujo capital teve um  aproveitamento deficiente no ano que agora finda. Sugiro também que se equacione, sem demasiada logística, que sempre atrasa a tomada de decisões e a concretização das metas delineadas, a construção de um Gabinete de Maior Justiça, que poderá ficar sob a tutela do extinto Dar Mais Que Receber (DMQR), que pretendemos reabilitar, após as obras necessárias.
Por fim, e porque não pretendo alongar-me apelando ao óbvio, peço que sejam dadas instruções, no sentido de assegurar reuniões com a minha equipa, a título regular, com o intuito de relembrar tradições que tendem a desvanecer no departamento ocupado agora por V. Exa.

Antecipadamente grata pela atenção dispensada,

...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Calling You

Tema que ganhou o Óscar de melhor canção original no filme de 1987 "Bagdad Cafe". Vale sobretudo pelo décor da sala, bem natalício e mágico e o coro MARAVILHOSO, composto por 500 cantores!
Um Natal abençoado para todos.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Natal

UM NATAL FELIZ PARA TODOS, COM MUITA PAZ, CARINHO, CONFORTO, SAÚDE E ALEGRIA, 
JUNTO DE QUEM É IMPORTANTE PARA O VOSSO CORAÇÃO.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

A rever vamos

Uma semana sem alimentar o blogue. Pelo meio, uma operação ao olho esquerdo, que me deixou de molho. Regressando pé ante pé ao trabalho de "revisão"...no sentido de "voltar a ver", sim, mas também da revisão...de texto, pois, com ou sem esforço, a favor ou contra as ordens do médico, não é possível parar de trabalhar. Nada de escritas, nada de literário, só repouso-trabalho-repouso e dor, e gotas, e dor e idas a Coimbra e... mais trabalho. A escrita é um luxo ao qual ainda não me posso dar. Chegará o dia? A rever vamos.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Annie Proulx

Este romance, The Shipping News", vencedor do Booker Prize e do National Book Award, em 1993, é conhecido pela adaptação cinematográfica, feita pelo realizador Lasse Hallström, em 2001, com um elenco de luxo. Porém, a escrita de Annie Proulx, e a narrativa completa, muitas vezes comprometidas nestas adaptações, não dispensam o prazer da leitura. Annie Proulx ficou célebre pelo conto "The Brokeback Mountain", devido à adaptação ao cinema, em 2005. 
Ainda vou a menos de meio da leitura, e deitar-me no conforto dos cobertores, na companhia deste livro, tem sido um prazer. Especialmente com a música de Christopher Young
Há livros de inverno, tal como "As velas ardem até ao fim", de Sandór Marái. Para serem lidos calorosamente, em pleno frio. Este é um deles.
Edição: Cavalo de Ferro 

Sinopse oficial
“O livro narra a vida de Quoyle, um homem derrotado que, abandonado pela mulher, desprezado por família e amigos e despedido do seu emprego parte para a Terra Nova onde deverá trabalhar no seu novo emprego: o jornal The Shipping News. Com as suas filhas pequenas que não lhe reconhecem qualquer autoridade paterna chega a uma terra fria onde as emoções humanas se encontram sobre camadas de gelo mas são muito mais quentes para poderem sobreviver. A vida de Quoyle vai transformar-se e ele terá a oportunidade de reconstruir-se enquanto ser humano."


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Revisão de texto

A brincar a brincar já lá vão 6 anos que faço revisão literária a título profissional. Pelo meio das "amonas" e rasteiras que a vida nos vai pregando, este é um ofício que está a crescer bem. Comecei por rever textos a título pro bono, sem expectativas, apenas com a intenção de ajudar quem precisava, já que era algo que fazia com facilidade e tinha tempo livre. Depois atrevi-me a cobrar um preço simbólico já que, por princípio, defendo que o trabalho deve ser pago. Entretanto investi tempo no rigor: fui dando especial atenção ao método de trabalho, às ferramentas utilizadas, à modernização, ao conhecimento do Acordo Ortográfico...
Este ano comecei a ser contratada - não só por particulares - mas também por editores. Neste momento encontro-me a rever uma tese com cerca de 1 milhão e 52 mil caracteres, sendo que ainda faltam umas dezenas de páginas...!
Autores, estudantes e orientadores de teses têm apreciado imenso o meu trabalho, o que me deixa feliz. O comentário que todos partilham é que faço muito mais do que habitualmente é feito por muitos revisores. Não sei se é verdade, apenas conheço a minha forma de trabalhar: dar o meu melhor, ter brio em fazer o que me que é possível, isto deveria ser regra para tudo, certo?
De ano para ano, de livro para livro, de pesquisa em pesquisa, sinto que a aprendizagem é um processo constante e, espero eu, sem fim. Estou grata a cada desafio, que me traz conhecimento, rigor, maior aptidão. Pelas mãos vão-me passando romances, teses académicas, literatura de viagens, ficção científica.
Tenho a sorte de ter investido numa profissão que posso exercer a partir do meu escritório o que, por motivos de saúde, é ouro sobre azul.
Rouba muito tempo à escrita? Sem dúvida. Mas é preciso pagar as contas e já é uma sorte conseguirmos viver do que fazemos com gosto.
A divulgação feita de boca em boca tem muito que se lhe diga. Estou grata a todos os que vão recomendando o meu trabalho como revisora literária. Bem hajam, porque o trabalho faz muita falta e a vida não está fácil para quase ninguém.

Aqui estão alguns testemunhos

Dedico esta mensagem à Maria João, ela sabe porquê.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Dezembro

Chega Dezembro e o calendário, obediente, traz com ele o frio. As cidades iluminam-se, as montras há muito que se fazem sedutoras, fatais às nossas bolsas, competindo com as correntes de solidariedade que florescem em plena crise; correntes apelando à consciência, para que apoiemos os pequenos produtores, os negócios artesanais de família e dos amigos, que improvisam uns trocos a fim de pagarem as contas, enquanto o emprego não vem.
Inventamos uma expressão festiva, tentamos respirar, o ar entrando e saindo dos pulmões, a marcar o compasso, a lembrar-nos, é urgente construir qualquer coisa de duradouro e valioso, que sobressaia da abundância de tantos nadas em que andamos mergulhados. Não percas tempo, não te percas, segue o caminho.
Que faremos nós deste Dezembro que mais não é do que a vénia esforçada do ano velho e cansado, em despedida? Que sabedoria levaremos connosco, ao marcar encontro com o ano novo, já tão próximo de nós?

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Tabula Rasa

Regresso à rotina. Apesar de ter levado comigo o portátil para o Festival Literário Tabula Rasa, em Fátima, o programa foi tão intenso e rico que não houve tempo para a "manutenção" das minhas páginas, senão para ir postando directamente no facebook a notícia e as imagens dos convidados. O balanço destes cinco dias foi muito bom. Deixo aqui alguns excertos do texto "A escrita como interrogação", que li no sábado passado. Por companhia na mesa redonda (por que é que lhe chamam mesa redonda, se é rectangular? Nunca hei-de perceber) Maria João Carvalho, Luísa Janeirinho e Renato Epifânio, o organizador e anfitrião deste primeiro Festival Tabula Rasa.

« (...) também o escritor, embrenhado no seu ofício como viajante solitário, por vezes quase cego, de mãos atadas, poderá desembocar em território inesperado, levado pela vontade insolente das suas personagens, quem sabe também elas se interrogando. Como leitores atentos, apenas podemos adivinhar, pressentir e admirar a perícia do escritor, que ao escrever é receptáculo de pensamentos que vão tomando forma, respirando, com prazer, a poalha de mistério oculta no grão das suas palavras, na sede de compreender, de livro para livro, que lugar, que marca irá deixar no mundo, e que estranha mania é aquela de escrever sem ter outra saída...»

»Se o filósofo é «aquele que procura a sabedoria, que ama o saber, que indaga a verdade dos valores morais e estéticos, da mente e da linguagem», o escritor, por sua vez, vai apurando a estética da sua escrita e deixando, de obra em obra, indícios da sua moral e tentando, em tantos caSos, atingir o Belo, a Perfeição. Ao tentar dar resposta aos seus próprios mistérios, provoca em nós, leitores, novas perguntas e espantos, Nesse caso, é um responder perguntando, pois a interrogação pode, também ela, trazer o reflexo da sabedoria. É preciso saber para perguntar. A dúvida pressupõe pensamento, conhecimento.»

«Um livro fechado, por ler, é um livro mudo. Os livros sem leitores seriam como cores encerradas num quarto escuro, invisíveis, sem sentido.»

Intercalei com um punhado de "Filosofices", que conquistaram bastante simpatia, e terminei num registo filosófico e intimista. Aqui vos deixo um último excerto:

«Na (minha) adolescência, deu-se o inevitável: a escrita de versos. Decerto horríveis, recheados de pirosices, de exclamações...de pontos de interrogação...até descobrir que as interrogações que certos autores semeavam em mim eram muito mais interessantes.

E fui crescendo, vou crescendo, como todos nós, descobrindo com pasmo, que ao fim de tantas leituras complexas, o olhar se vai esbatendo… tornando-se desfocado outra vez, as certezas transformando-se em incertezas, as interrogações ganhando às respostas… uma visão que nos vai encostando a um capítulo final, um epílogo no qual adivinho uma simplicidade que desarma. E porque andarmos desarmados é um ideal que todos deveríamos conquistar, apostemos na Literatura.» 

sábado, 14 de novembro de 2015

Filosofices X

Se eu voltasse a ser uma criança, havia de querer fazer uma série de perguntas que na altura não me ocorreram. Agora que sou crescida, até parece mal, mas mal que pergunte...

Se «pedregulho» vem de «pedra», porque é que não é «pedragulho»? E se escrevemos «braguilha», por que dizemos nós «breguilha»? Ou vá, porque não passamos a escrever «breguilha» E«muinto»? Quem é que diz «mui»? Isto mói, pois mói-me muinto o juízo.


Importar
Eu não me importo. Ok, até aí, a malta entende. E o contrário? Eu não me exporto?
Se o "importante" é "o que importa", o que exporta não deveria ser o "exportante"?

Por que é que dizemos que um anjo tem "asas", se depois lhe chamamos um "ser alado"? Então não devia ser "asado"? Ou então dizíamos que os pássaros e os anjos têm "alas", não é? Eu fico completamente desasada com isto... ou desalada? Que é uma salada, é.

E digam-me: se "falecer" é morrer, por que é que "desfalecer" não é nascer? É que desfaleço com estas dúvidas! Ou será que volto a nascer? Eu sei lá, eu cá não sei!

Só mais uma, para acabar: 
Se uma "livraria" vende livros, por que é que não lhe chamam "livroria". Estão a ver? Não me livro destas confusões, livra! 
Pronto, isto era o que eu perguntava se fosse criança, mas agora sou crescida, já não dá.
(Gostaram? Pesquisem na etiqueta "filosofices", para lerem mais, ou então no site GAVETAS E GAVETINHAS, onde tenho algumas delas mais bem arrumadas, nas "gavetas do meio" :-)
Para festejar a décima série de Filosofices, esta é dedicada às minhas queridas amigas Bé e Stella. :-) :-)

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Paris

PARIS: BELA ADORMECIDA
Estamos assim, rodeados de espinhos, tristes e chocados perante todos aqueles que ficaram por terra, mas que infelizmente não moram nos contos de fada, para despertarem cem anos mais tarde e retomarem as suas vidas. Como seria bom sermos reis e mandarmos destruir todas as armas, como se fossem rocas de fiar...







quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Gregory Parker


Descobri hoje este senhor. O que significa que devo andar mesmo por fora....! É que ele ganhou, no ano passado, o Grammy para Best Jazz Vocal Album, que, em anos anteriores, já foi entregue a Ella Fitzgerald, Al Jarreau, Lena Horne, Take 6, Natalie Cole, Bobby McFerrin, Dianne Reaves, Diana Krall, Esperanza Spalding, entre outros. A minha amiga Magda faz anos hoje, e eu é que ganhei um presente! :-)
Parabéns, Magda! É claro que este tema te é dedicado, neste dia que é um bocadinho mais teu que dos outros.



Be good
Be good is her name
And I sing my lion's song and brush my mane
She would and she could
So she pulled my lion's tail and caused me pain

She said lion's are made for cages
Just to look at in delight
You dare not let 'em walk around
'cause they might just bite

Does she know what she does
when she dances 'round my cage and says her name?
Be good.. Be good

Be good is her name
I trim my lion's claw and I, I cut my mane
And I would, if I could
But that woman treats me the same

She said lion's are made for cages
Just too look at in delight
You dare not let em walk around
'cause they might just bite

Does she know what she does
when she dances around my cage?

Be good is her name
I sing my lion's sing, brush my mane
And she would if she could
so she pulled my lion's tail and caused me pain

She said lion's are made for cages
Just to look at in delight
You dare not let 'em walk around
'cause they might just bite

Does she know what she does
when she dances around my cage?

Be good is her name
I trim my lions' claws, and I... and I cut my mane
And I would if I could
But be good, treats me the same

She said lion's are made for cages
Just to look at in delight
You dare not let 'em walk around
'cause they might just bite

Does she know what she does
when she dances around my cage?
She dances round my cage
Does she know?
Does she know?

Be good, be good, be good, be good

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Na hora da morte


Palavras e expressões que odeio:

CONDOLÊNCIAS: Porque não nos é natural, não faz parte do nosso vocabulário no dia a dia, da nossa colecção de palavras mais sinceras. Além de que a palavra em si é feia, grotesca, torta, como "transeunte". "Os meus sentimentos" soa tão melhor...se eu fosse Ministra das Palavras Portuguesas, bania esta, tipo Rainha de Copas, off with his head!

RIP - Será que nos importamos tão pouco, com o Outro, com os outros? Será que somos assim tão passivos e preguiçosos, que não temos maneira de escrever por extenso "rest in peace"? O RIP remete para o verbo "Ripar", pregar ripas, serrar, cortar; além da linguagem informática: "fazer cópia, geralmente ilegal, de um conteúdo digital de um suporte electrónico para outro.". E como portugueses que somos, já que temos de  escolher uma sigla patética na hora da morte, ao menos façamo-lo em português, D.E.P. - descansa em paz. - O que diz de nós, esta coisa de escrevermos "RIP" no mural dos que acabam de partir? Mais valia ficarmos em silêncio, se é para darmos tão pouco.
Hoje perdemos mais um dos nossos: Luís Filipe Aguiar. 
Na verdade, não há palavras elegantes na hora da morte, que mais não é do que um ponto absolutamente final.
Não há palavras.
Não há.
Não.
.
.
.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Novembro

Do meu escritório, 2 Novembro 2015
Abro a janela do quarto ao anoitecer. É Novembro. Há luzes amarelas e minúsculas na linha do horizonte. Os cães ladram ao longe. A brisa, a temperatura amena num prenúncio de frio que ainda não causa dano. Olhando o vale, agradeço o concerto privado que me oferecem os grilos e as rãs... e o cheiro, este perfume que chega com a chuva, um perfume que inspiro às golfadas, para que a alma respire a terra molhada. O céu antracite e lilás anuncia novo aguaceiro mas não importa, nada importa quando eu e a terra nos alimentamos assim, uma à outra. 

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Ondos do mar

A Arte Contemporânea e Moderna podem ser, muitas vezes, uma estopada... mas também podem trazer-nos coisas espantosas como esta.

Coreografia: James O' Hara e Sidi Larbi Cherkaoui
Música: Micrologus
Performed at Cross Connections Gala Copenhagen 2010

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A Casa

Uma velha muito velha vivia numa casa escondida no meio de uma floresta, onde a luz mal conseguia entrar. Sobre a casa pairava um nevoeiro esverdeado com laivos de ouro, que as lanças do sol formavam ao trespassar os ramos do arvoredo, enquanto a lua não chegava com o seu vestido de feiticeira.
Durante o dia o silêncio era rei daquele lugar. Apenas o vento se escutava, silvando, a fazer dançar o tédio dos salgueiros, a tristeza dos ciprestes que rodeavam a casa de musgo. Durante a noite, porém, os ruídos surgiam, feitos de bichos alados, rasteiros e marinhos; com muitas patas e antenas e dentes e pelagem coberta de imundice.
Nessas horas, em que a lua era soberana, as trevas revelavam tons de prata. Cristais de gelo e uma poalha azul-cobalto cobriam a folhagem, inundando a floresta de segredos que se escondem na sedução do frio, como tímida flor nascendo, por miragem, num manto de neve. 
Assim se comportava o jardim selvagem que rodeava a casa da velha, escondida na floresta onde a luz mal se atrevia. Estranho comportamento é certo, tão contrário às leis naturais, não fosse a floresta o cenário verdadeiro da história que aqui se conta, tal como aconteceu. 
Do lado onde o sol se deitava estendia-se um pântano de águas lamacentas cor de caramelo de leite, habitado por crocodilos, rãs e serpentes, e onde dormiam espectros de afogados e esqueletos de velhas embarcações naufragadas, que as correntes do rio haviam empurrado até àquele fim de mundo sem saída. Um tempo houve em que o pântano era outra coisa, que não aquele tristonho composto de terras peganhentas e infectas. Agora a chuva limpa, vinda dos céus, não caía ali, como se uma imensa abóbada de humidade e calor sobrevoasse o que agora mais não era do que um lamaçal, fruto de uma qualquer maldição: que maldição seria essa?
(conto juvenil em construção, 2015) 

sábado, 31 de outubro de 2015

Halloween

Que melhor forma de ilustrar o espírito Halloween senão com Tim Burton e a música de Danny Elfman? :-)


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Sessões de autor

Devo ser a pior pessoa para falar dos meus livros. Fico sempre com a sensação de que estou a pedir desculpa por ter nascido, por ter escolhido escrever e publicar (quase que digo, não leiam, que não vale a pena, leiam outros) e estou para ali a mentir com a boca toda. Em especial, sinto que não mereço o interesse  e o entusiasmo dos que me ouvem. Não sei vender o peixe, não sei. Apregoo com voz tímida e triste. O melhor é não me perguntarem nada!
Ah, não me interpretem mal, sou muito bem tratada, dão-me imenso mimo, chocolates e flores e trabalhos maravilhosos e eu dou também o que posso...mas aí é que está. O sentimento atraiçoa: acho que recebo muito mais do que aquilo que dou. Será justo? Pronto, já sei, Freud explica, isto ia lá com um psiquiatra ou terapias alternativas,  mas o que é que hei-de fazer? É o que temos. E hoje temos isto, em estado de urso, até porque está uma ventania danada.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Condessa de Ségur

Reencontrei um livro que fez parte da minha infância e, que me lembre, tem a particularidade de ter sido o único, na época, a provocar-me pesadelos. Foi com um sorriso e muita emoção que tornei a percorrer a memória desse tempo, dessas histórias e, em especial, das ilustrações que magicamente têm o condão de nos transportar. Ao olhar para estas ilustrações, sou criança outra vez.






domingo, 25 de outubro de 2015

Beatrix Potter

Há universos infantis maravilhosos. Um dos meus preferidos, no que diz respeito a ilustração, é o de Beatrix Potter. Apesar de ter visto as suas histórias e desenhos recusados pelas editoras sessenta e nove vezes (é verdade, só à septuagésima tentativa é que uma editora disse "sim"), teve sucesso imediato e tornou-se na autora de livros infantis mais vendida de sempre! (moral: se acreditam no vosso valor e no vosso sonho, não desistam). Depois de um enorme desgosto amoroso, com a morte do seu noivo e editor, em 1905, usando parte dos primeiros royalties que obteve com a venda dos seus livros, comprou a propriedade Hill Top, no Lake District. A vida campestre tinha muito mais a ver consigo do que a vida social, na cidade; por isso Beatrix tentou ultrapassar o seu desgosto e saiu, enfim, da casa de seus pais, apesar de ainda solteira, mudando-se definitivamente para Hill Top, na Escócia (e que pode ser visitada como casa-museu). Ao longo dos anos, foi comprando em leilão e mantendo as quintas adjacentes, para que estas fossem preservadas e cultivadas, ao invés de aparceladas e vendidas para construção.
No final da sua vida, Beatrix Potter deixou à National Trust 4 mil acres de terras e 15 propriedades, com paisagens e lagos belíssimos, e uma flora e fauna que fizeram parte de muitas das suas histórias.
Em 2006 a sua vida foi adaptada ao cinema, com o filme «O mundo encantado de Beatrix Potter» («Miss Potter»).
Esta grande mulher esteve-se nas tintas para as convenções da sua época e fez muito pela conservação da paisagem, da agricultura e dos trabalhadores que cultivavam as terras da região. Foi também cientista e dedicou-se, nomeadamente, ao estudo dos fungos (ex: cogumelos), se bem que seja célebre pelas suas ilustrações. Aqui ficam algumas que, na época, foram verdadeiramente revolucionárias. Animais da quinta com roupinhas :-) e desenhados com todo o rigor científico.