terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Bom ano!!!

E porque adoro este miúdo, JB CRAIPEAU , aqui vos deixo um presente de ANO NOVO :)
bom ano!!!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

La Luna

Que os votos dias se inundem de estrelas, tecidas em ternura, beleza e fantasia. Bom ano para todos!

domingo, 29 de dezembro de 2013

Literary coffee

Aceito um Jane Austen em chávena quente, enquanto revejo uma tese que não me deixa escrever. O trabalho está em primeiro lugar. Estou a três capítulos do fim, contando os dias para recomeçar a escrever o segundo volume da Ilha. Há alguém que escreve direito por linhas tortas, engordando a nossa vontade ao colocar-nos, diante dos olhos, um obstáculo que nos impede de fazer algo que vínhamos insistindo, estupidamente, em adiar.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

The First Noel

Como já vai sendo tradição, aqui deixo a que é para mim a melhor interpretação deste tema de Natal, que sempre me comove. Um Natal Feliz para todos e viva o menino jesus :-)

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Top Secret Drum Corps

Se é para fazermos algo, façamo-lo bem. Sejamos audazes, originais. Tenhamos brio. Enjoy :)

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A Ilha de Melquisedech




Preço de capa: 15,00
Preço com envio da minha parte, pelo correio: 17,00 (inclui portes, dedicatória e marcador)
Nº Págs.: 508
Encomendas: veravilh@gmail.com

Tenho andado num virote com a promoção e venda do meu novo livro "A ILHA DE MELQUISEDECH". 
Esgotados (em quinze dias!) os exemplares que os autores, que publicam com a Chiado Editora, têm forçosamente de custear numa primeira pequena edição, fiquei a saber que posso adquirir mais livros a um preço muito vantajoso, mesmo mantendo o preço de capa que, já de si, está muito em conta e eu acho muitíssimo bem. Afinal, o mercado está inundado de livros, desde os apetecíveis aos horríveis; estes são caros, as pessoas andam ó-tio-ó-tio e não sabem para onde se hão-de virar. É impossível competir com os livros da moda e os das celebridades.
O que muita gente não sabe e eu faço questão de divulgar, é que o processo tradicional de distribuição de um livro - se, por um lado, faz com que o dito esteja disponível nas grandes superfícies (não necessariamente em destaque, já se sabe, o destaque é dado aos autores famosos, sobretudo se forem caras conhecidas da televisão e figuras públicas) - por outro, leva uma grande percentagem...e ao autor chegam uns patéticos 10% sobre o valor de capa. É verdade: 10%. Os outros 90% ficam para a editora e os intermediários. Trabalhei cerca de dez anos neste livro. Horas infindas. Leituras e releituras incontáveis, depurando a escrita, acertando pormenores, cortando, reescrevendo... Dá muito trabalho escrever um bom livro. Arranjar editora, então, para quem dá os primeiros passos, é uma peça em três actos...não, minto, é uma fotonovela com muitos episódios. Por isso acabei por recorrer à Chiado Editora: porque, mais coisa menos coisa, a verdade é que ninguém me quis. E a Chiado Editora quer sempre, ou quase sempre.
E o livro? Perguntam vocês? Que tal?
Está a vender muito bem.
Quem o promove? Eu. 
Quem é que organiza entrevistas para rádio, programas de televisão, resenhas em jornais e revistas etc? Eu. 
Quem é que faz contactos constantes, tira todas as dúvidas, responde a todos os pedidos, organiza as sessões de apresentação, escreve a dedicatória nos exemplares, trata da transferência bancária, da recolha de moradas, do envio pelo correio e do acompanhento aos leitores?
Respostas: eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu...e eu.
Quanto é que receberia/recebo vendendo nas livrarias? (Relembrando): 10%
Quanto é que recebo comprando e vendendo? 50%
Estão a perceber por que razão tenho descurado o blogue? 
É que um autor principiante, se quiser chegar aos seus leitores e ser compensado pelo trabalho que teve, tem de fazer tudo isto.
Vale a pena? Vale, pois.

E estou muito grata a todos os que reservaram um, dois, três, quatro exemplares do meu livro para se auto-presentearem ou para oferecer a alguém neste Natal. Bem hajam, do fundo do coração.





domingo, 8 de dezembro de 2013

Aconchego

E eis que, ainda mal refeita do carrossel de emoções da véspera, é chegado o momento de apresentar o novo livro na Ericeira. 
Cheguei um pouco antes de começar, já o Nanã  havia zelado pela parte técnica (som e luz, um tom rosado que nos mergulhou numa luminosidade mágica, orírica, toda a noite!) e ainda arranjou maneira de fazer uma apresentação surpreendente com cada palavra que formulou, pausadamente. Logo na primeira frase, pôs a sala inteira a rir: 
"Ao fim de 35 anos a tocar saxofone, nunca pensei acabar aqui!" - mas depois fez-nos sorrir, ao contradizer-se: 
"Estamos juntos há 12 anos e eu sabia que iria acabar aqui." 
E prosseguiu falando - não do livro - mas da minha história com a escrita. E o que disse deixou-me com a cara com que estou nesta fotografia.

 Há um tempo que o Golfinho Azul não é, para mim e para o Nanã, um restaurante. Sim, ali come-se e bem, mas além do consolo do estômago, sabemos que iremos encontrar uma família que nos recebe como velhos amigos que já somos. E porque "A Ilha de Melquisedech", tal como tudo o que eu escrevo, mete aromas e sabores que abrem o apetite, e porque são 506 páginas recheadas de magia e simbolismos, de alusões à cultura celta, à mitologia nórdica, à espiritualidade, ao culto de uma vida aparentemente simples e humilde, mas ambiciosa na ambição de criar um mundo solidário e melhor, por tudo isso, escolhi o Golfinho Azul para fazer a apresentação deste meu filho de folhas, desta feita na zona da Ericeira, perto do lugar onde moramos. 
 Não tenho palavras - logo eu, que as cultivo - para descrever as emoções desta noite. Não tenho.

A Mena arranjou a mesa de honra e a sala como quem me conhece e compreende. O pano antigo, africano, era lindo e não se vê aqui, só na 1ª foto, acima. Aqui fiquei a parecer uma espécie de fada escrevinhadora, escondida dentro de uma nuvem púrpura, de alfazema. O verde transformado em roxo provocou-me uma visão: a capa do 2º volume: será roxa e lilás. Está decidido. 
Agradeço a todos os que compraram um, dois, três e até quatro livros neste dia. Bem hajam, por acreditarem que existem ilhas mágicas para onde vale a pena e apetece fugir. Obrigada à Mena, Obrigada ao Nanã, à Dila Sá, que leu o capítulo 19 e que provocou uma promessa impulsiva da Mena, que se comprometeu a fazer uma jantar temático só com os pratos do "Festival da Estação Dourada" e que irá ter uma trabalheira que nem me atrevo a imaginar. Agradeço à menina que leu dois excertos, incluindo os versos "Falta de jeito". E com tanto jeito que todos tiveram para me apoiar neste dia, quem ficou sem jeito fui eu.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

No mundo

Sim, andava eu à procura de um lugar especial para fazer o lançamento do meu livro, quando me deparei com esta "Farmácia Liberal" e disse, É isto. E foi. Foi, porque tive uma sorte tremenda. E foi aqui, junto de botelhas com essências antigas, óleos, almofarizes, frascos de rótulos centários e chão de xadrez que eu, o Director do Museu da Farmácia e a Patrícia Reis, nos viemos instalar para receber os convidados. O meu filho, garantidamente ausente, apareceu de surpresa a tirar sentido aos dias de tristeza que andei a sentir por antecipação, por saber (julgava eu) que ele não iria estar. E pergunto: então para quê sofrer por antecipação? É que às vezes a tristeza não se confirma.
A Patrícia apareceu com um vestido da Anita, que tinha guardado propositadamente para a ocasião. Não, o meu livro não é sobre a Anita, mas pelo meio das 506 páginas anda a inocência da infância e muita nostalgia que sempre sentimos por mundos perdidos e tempos que nos fogem entre os dedos. Leu o seu texto e captou a atenção de todos. Ninguém fica indiferente ao que esta mulher tem para dizer.

O meu tio Vasco ofereceu-se para fazer a reportagem e, como se não bastasse, ainda tive direito a assistente, o Vasco Jr, meu primo, que se prepara para se tornar em mais um fotógrafo nesta família de artistas.
O meu marido assegurou o som, carregou equipamento e caixas com livros, sumiu-se rumo a um qualquer gig, e deixou-me desamparada...mas entregue ao tão esperado alívio.
Não estás feliz? Perguntam-me. Confesso que o sentimento é sobretudo de alívio, como pássaro que tenta, em vão, encontrar uma janela, uma escapatória, e bate irremediavelmente as asas contra as paredes de vidro e os recantos abandonados. A janela foi destrancada, ele partiu enfim. Foi para isso que foi feito, para bater as asas na paisagem, entre as ruas, roçando ao de leve os cabelos e as mãos, brincando com quem passa. Os ventos! É preciso não esquecer os ventos, que levam tudo.
Não esquecerei este dia de alívio, aromatizado com algo que lembra vagamente a fé no que há-de vir. 
O meu filho de folhas está cá fora. A reportagem completa com todos? No facebook, claro. 
A ILHA DE MELQUISEDECH (1º volume). Capa - maravilhosa - de Vanessa Bettencourt.
Não sei de que me rio, mas estou feliz, sem dúvida. Afinal não é só alívio.
Moçoilas (colegas da faculdade): nunca falham quando chamamos por elas. É uma arte de feiticeiras que elas têm.

O caríssimo Dr. João Neto, monárquico, leitor confesso de Tolkien, com quem falei de unicórnios, elfos e outros seres encantados. Agora venham cá dizer-me que os museus são uma chatice. Não conhecem o museu da farmácia nem o seu director.

De alunas de escrita criativa têm pouco: são sobretudo amigas com quem aprendo a ser feliz.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Inventário

Inventário das minhas avarias:

(de fora para dentro)

Um Toyota Starlett e um Renault Twingo Benetton de estimação: cogumelos, caruma, ervas e outros seres vegetais rodeiam os nossos velhos amigos, impedidos de circular. E também impossibilitados de irem ambos para o matadouro. E assim vão ficando.  Nem me perguntem pormenores, que a história é loooonga...

Campaínha da porta - às tantas, trocar por um sino: esse, ao menos, não avaria e é barato.

Pintura da casa - que o branco torne e ser branco; o azul, azul. As tintas aguardam na garagem que não é garagem.

Caixa do correio, com chave partida dentro - trocar por uma nova que dignifique a Casa da Lua. Esta já é para rir. Estou convicta de que o carteiro se ri à nossa custa a cada vez que deixa carta...mas são quase sempre contas. Demasiado altas. E por isso a caixa de correio continua por substituir. É um ciclo.

Caldeira: não é por nada, mas estamos sem água quente desde sábado: sabem o que é ter de aquecer água para tomar banho, lavar a cabeça e ...a loiça? Sim, porque....

Máquina de loiça (curto-circuito no início do verão): porque o destino achou que tínhamos poucas coisas avariadas.

Frigorífico (idem, início do verão): e a venda de livros irá, muito provavelmente, para a substituição dos electrodomésticos, o que é algo extremamente literário e inspirador.

Chão de tijoleira - e porque uma desgraça nunca vem só, nem sequer à meia dúzia, eis que o chão da sala e depois da cozinha desata a descolar e a tijoleira a encavalitar, inexplicavelmente. "Choques térmicos", diz o construtor, culpando a mãe-natureza." Torção da casa, alterações no terreno e nos alicerces", diz o marido. E palpita-me que tem razão. Até porque o QI é incomparável, apesar de não ser a área dele: é que o homem PENSA. E o seguro, paga? Claro que não: erro de construcção. Entretanto, ao entrarmos na cozinha, aproveitamos para uma aula de flexibilidade, não vá a tijoleira encavalitada partir. Não é por nada, é que custa 20 euros o metro, só a tijoleira. Fora o resto.

Subindo ao escritório...

2 desumidificadores xpto: é muito bom, é muito bom, mas não há. Comprar outros igualmente bons? Nem pensar. Resultado: já são uma espécie de mesas-de-cabeceira, de bases de apoio: uns cubos que andam para ali, a servir de qualquer coisa menos para absorver humidades.

Scanner - off - de um dia para o outro, é só riscos. Acho que amuou com o cartucho de marca branca. E perguntam vocês: e o que é que tem a ver o scanner com a impressora: é um HP, 3 em 1, e, sei lá, na volta não gostou da concorrência e disse, Ai é, queres poupar nos cartuchos? Então toma, acabou-se-te o scanner.

E pronto, vou poupar-vos a vocês também. Amanhã é o lançamento do meu livro, vou tentar dormir. E dormir? Pois sim.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Dentro de nós

Autor da fotografia: LINO MATOS
"Dentro de cada um de nós existem sombras, murmúrios, presenças. Carregamos uma casa às costas, uma casa assombrada onde replicamos divisões, mobílias e tudo o resto. Não há maior assombração do que uma viagem ao interior do que somos. Os fantasmas não se escondem da luz, alguns arrumam-nos, outros deixam-nos de rastos. Não há tratadores de almas que nos possam salvar, não é coisa sequer que valha a pena desejar. Viver em paz significa aceitar que a nossa casa assombrada é uma jóia preciosa. A única que temos, a única que levaremos connosco."
(LUÍS OSÓRIO, Dez 2013)

domingo, 1 de dezembro de 2013

Dezembro

NASCEU DEZEMBRO

Nenhum céu nos basta, mas mesmo assim

Dezembro continua a nascer

agarrado ao coração por um ramo de azevinho.

Por todo o lado as palavras quentes rodopiam

e apesar do gelo

o mundo perde cantos e arestas

sem diferenças entre ruas e ruelas.

E vemo-lo a embrulhar-se em fitas coloridas

bolas doces e afectos;

tristezas que sorriem

ao ritmo intermitente da claridade nas janelas.

Nenhum céu nos basta, é certo

porque ébria e fria, é a neve a cair no inverno.

Mas que importa: é Dezembro

e quem sabe, talvez

a ponta de uma estrela nos caia

bem no centro do peito

e seja ela a chama iluminada

que entre rochedos e musgos

rasgue a noite de novo

e nos leve a uma outra estrada

onde jamais se perca o sentido

do celeste azul que cobre toda a humanidade;

razão primeira de todos os presépios.


(Dezembro 2013)


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Frio

Tenho as mãos entorpecidas pelo frio. Não é martelando com a ponta dos indicadores no teclado que aqueço. Até os cães parecem velhas doentes, escusando-se a ir lá fora e ficando deitados, sobre o soalho ou enroscados no edredão com os bonecos do Tarzan. Este sol é mentiroso, está presente mas não nos oferece calor. Talvez o reserve para si mesmo, tentando fugir ao inverno. Este mesmo sol que, noutras latitudes, estende os seus raios a tornar cálidas as manhãs e as tardes. Tem duas caras, várias faces, como a lua. Traidor. Sádico. E só nos resta enrolar o corpo em muitos trapos, camisolas sobre camisolas, e fazer subir a conta da electricidade.
Estou vazia de ideias. Devem ter congelado em mim. Só tenho isto. Isto e um frio que criou raizes no meu corpo.
Roubei a imagem aqui

sábado, 23 de novembro de 2013

18 anos

 ...e pronto, o meu filho entrou oficialmente na idade adulta. Pode votar, ter carta de condução, entrar em todas as salas de cinema, discotecas e bares sem ter de apresentar BI (até porque tem 1.80m), sair do país sem que eu tenha de assinar uma declaração no cartório notarial, com selo branco, enfim, o meu filho já não precisa de mim. E eu que preciso tanto dele. 
Ter um filho é perder a paz para sempre. Ter medo. Uma espécie de amor que não tem comparação possível. É ter alguém que nos fará exclamar um dia "Vou ser avó!" É não acabarmos em nós. É estender os ramos da nossa árvore e semear o mundo com gerações futuras, o que é algo de extraordinário. Eu tenho um filho com 18 anos que começou na minha barriga e foi crescendo.
Dezoito anos. Dezoito instantes.
Com 9 meses, em casa dos avós. Agosto 1996

O primeiro verão no Algarve

Sesimbra, em grande estilo 1999

Com a prima Maria, quais duendes da floresta, Évora

Com a Lilian Kopke, amiga do peito

Comigo, em Caxias, sessão de estúdio com o Nanã, 2002

Carnaval "A Minha Escola", com Inês Pignateli, grande amiga

Piscina do Estoril-Sol, 2003
Com o Gaspar, seu fã nº 1, 2007
Com Isabel e Luís
                               
Com o Gastão, 2009
Com os vizinhos Tomás e Constança, 2009
Com a P. Aldeia do Meco, 2009

Comigo em Islantilha, 2009
Manifestação pacífica anti-Sócrates, Av. Liberdade


Celebrando o Prémio Revelação APE/Babel, 2010
Com o Micas, 2011

No coffee-shop "Brown's", Chiado, 2013

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A Ilha de Melquisedech

E pronto, eis que chegam os convites para os dois lançamentos do livro desta vossa amiga. A sensação é, sobretudo, de alívio, confesso.
LISBOA
ERICEIRA

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Leonardo da Vinci

A estranha "viola Organista", desenhada por Leonardo da Vinci, é escutada pela primeira vez...500 anos depois!
Take a bow: The viola organista's strings are played in the same way as a cello. Photo: Tomasz Wiech/AFP

"A bizarre instrument combining a piano and cello has finally been played to an audience more than 500 years after it was dreamt up Leonardo da Vinci.
Da Vinci, the Italian Renaissance genius who painted the Mona Lisa, invented the ‘‘viola organista’’ - which looks like a baby grand piano – but never built it, experts say.
The viola organista has now come to life, thanks to a Polish concert pianist with a flair for instrument-making and the patience and passion to interpret da Vinci’s plans.
Full of steel strings and spinning wheels, Slawomir Zubrzycki’s creation is a musical and mechanical work of art.
‘‘This instrument has the characteristics of three we know: the harpsichord, the organ and the viola da gamba,’’ Zubrzycki said as he deb

The instrument’s exterior is painted in a rich midnight blue, adorned with golden swirls painted on the side. The inside of its lid is a deep raspberry inscribed with a Latin quote in gold leaf by 12th-century German nun, mystic and philosopher, Saint Hildegard.
‘‘Holy prophets and scholars immersed in the sea of arts both human and divine, dreamt up a multitude of instruments to delight the soul,’’ it says.
The flat bed of its interior is lined with golden spruce. Sixty-one gleaming steel strings run across it, similar to the inside of a baby grand.
Each is connected to the keyboard, complete with smaller black keys for sharp and flat notes. But unlike a piano, it has no hammered dulcimers. Instead, there are four spinning wheels wrapped in horse-tail hair, like violin bows.
To turn them, Zubrzycki pumps a pedal below the keyboard connected to a crankshaft. As he tinkles the keys, they press the strings down onto the wheels, emitting rich, sonorous tones reminiscent of a cello, an organ and even an accordion.
The effect is a sound that da Vinci dreamt of, but never heard; there are no historical records suggesting he or anyone else of his time built the instrument he designed.
A sketch and notes in da Vinci’s characteristic inverted script is found in his Codex Atlanticus, a 12-volume collection of his manuscripts and designs for everything from weaponry to flight.
‘‘I have no idea what Leonardo da Vinci might think of the instrument I’ve made, but I’d hope he’d be pleased,’’ said Zubrzycki, who spend three years and 5000 hours bringing da Vinci’s creation to life."

(notícia retirada integralmente do jornal online "The age", 18 Novembro 2013)

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Varre varre vassourinha

Tenho a cabeça cheia de coisas caseiras. Do baú retirei o ponto-cruz, terminei um velho bordado há muito abandonado e ficou-me a vontade de abrir outras revistas de fada do lar, que me mostram truques vários e novos motivos, novas razões para bordar. Peço à casa que me relembre as cores originais; os tarecos, meio perdidos, suplicam-me que lhes devolva a dignidade, também eles querem morar na sua casa mais ilustre, este livro entre este e este, este prato mais pequeno fica em cima do maior, este frasco de perfume que não uso vai para o fundo, o vestido já não serve, vai para os pobres ou emagreço. O orgulho anda vivo, resgatado e devolvido à dona da casa...paradoxo, já que a minha casa, até ver, é o banco que (a) tem. Pico pico sardanico, varre varre vassourinha, esconde o pó que o espirro vem, ilusões são o que resta, faz -de-conta-que-sou-dona-desta-casa, presas por um fio, eu e ela, presa por ter e por não ter vintém. Adio projectos elevados para esfregar o soalho, De pano aveludado cor-de-laranja na mão, aguardo que a poeira dos meus gritos assente e retiro o pó à indignação. Nada é transparente nesta casa, nada é limpo; vidros encaixilhados denunciam a mancha, o tempo de abandono a que andam condenados desde a última vez em que se viram bem lavados. Sedenta, a casa pede água; faminta, pede recheio nas paredes imperdoavelmente vazias, todas nuas, despudoradas, uma vergonha de se ver. As janelas, de olhos baços, cataratas lacrimosas, pedem como mendigos que a esfreguem, que a coçem, que a livrem de mil bichos. Uma dança interminável, diabólica e suja. O diabo esfrega as bancadas comigo e sabe que não nego a sua ajuda. E ri-se: ri-se de mim, o maldito, pois só ele sabe que na verdade nada desaparece. Não verdadeiramente... 
Tudo
apenas
troca
                                                   de lugar.
Varre
         varre
                 vassourinha
Que esta casa não é tua
(mas também não será minha...?)
Enquanto o diabo esfrega o olho
Dou um salto e aproveito
P'ra fechá-lo na cozinha.

domingo, 17 de novembro de 2013

Morreu Doris Lessing

Doris Lessing com o Nobel da LiteraturaFotografia © Reuters
"A escritora britânica Doris Lessing, autora de 'Os Cadernos de Ouro', 'O Quinto Filho' e 'Fenda' morreu esta madrugada, na sua casa, disse ao DN fonte próxima da autora. Tinha 94 anos.

Lessing nasceu no Irão e viveu no Zimbabué, mudando-se em 1949 para Inglaterra. Faleceu esta madrugada vitima de doença prolongada.
Doris Lessing foi distinguida com o Nobel em 2007 quando já tinha 88 anos e foi a mulher mais velha de sempre a receber este galardão.
Há já algum tempo que Doris Lessing tinha perdido a memória de um dia ter sido escritora, Prémio Nobel da Literatura e quase tudo o resto. Porém ainda adorava ouvir ler. Quando a visitavam os amigos liam-lhe excertos de livros que ele escrevera, por vezes ela emocionava-se mas não se lembrava de os ter escrito.
Com 94 anos, Doris Lessing vivia desde há alguns anos aos cuidados de duas enfermeiras e do filho mais novo, Peter Lessing. Porém, a morte de Peter há cerca de um mês atrás terá acelerado a morte da escritora.
Tão conhecida pelas suas novelas e romances como pela sua militância de esquerda, as suas posições anti-apartheid, anti-colonialistas e feministas, Doris Lessing foi, em 1956, proibida de entrar na África do Sul e no Zimbabué."

sábado, 16 de novembro de 2013

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Valter Hugo Mãe

"Pensava que quando se sonha tão grande  a realidade aprende"

(VALTER HUGO MÃE, in "O filho de mil homens")

domingo, 10 de novembro de 2013

Universo

A insónia anda a invadir-me as noites. Quando os olhos pesam fecho o livro, apago a luz e disponho-me a adormecer. No entanto, na escuridão do quarto, a mente rodopia como leve tufão, de lembrança em lembrança, de pensamento em pensamento, como pena recusando-se a pousar. Finjo que durmo por algum tempo e torno a abrir os olhos, retomando o fio de prumo que me vai submergindo, verticalmente, nas mesmas lembranças e pensamentos, cada vez mais fundo...até se diluir em algo que posso comparar à vigília de uma noite de cinzas. Logo o novelo me envolve outra vez, e eu recordo então que a insónia é um inimigo impossível de combater e que devemos manter por perto: assim me entrego, ensaiando fazer com ela algo de construtivo. Leio mais umas páginas. Faço um chá de frutos silvestres, que é o que tenho em casa nesta noite parda, e digo ao corpo, vá, são três da manhã, pára com isso e dorme. Ele obedece, semeando em mim uma espiral de sonhos disparatados que me torna consciente de cada volta que dou ao corpo, para a esquerda, para a direita, na teimosia do sono e no roçar morno da almofada. Às sete horas deste domingo de sol indeciso desperto definitivamente. E é então que compreendo: gentil, o corpo tenta dizer-me que o tempo não pode ser desperdício. E eu obedeço e faço o que tenho de fazer para cumprir - não o sono - mas um sonho. Para que não seja uma quimera. Seja em mim um despertar tecido no pó de estrelas que somos todos nós, à procura de um lugar no universo.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Namoros

Vista do lado sul, num dia de chuva
Completam-se hoje sete anos desde que vim morar para o campo. A escolha de cumprir o sonho da vida bucólica tem o seu preço. Abandonar a cidade faz com que abdiquemos de uma série de consolos e de confortos, a troco de outros consolos e outros confortos. Tenho saudades dos meus amigos. De ser fácil estar com os que amo. Já não posso pegar em mim e aparecer numa exposição, num lançamento de um livro, num concerto, num jantar ou numa sala de cinema meia hora depois. A distância, a falta de transportes e a minha limitação de condução automóvel acabam por me aprisionar nesta imensa gaiola campestre. Acostumamo-nos a tudo, ou a quase tudo, e bem ou mal vamos fazendo por realizar os pequenos projectos que são para nós tão indispensáveis como respirar ou mover os braços. Às vezes o meu projecto de vida é apenas isto: sair. Há dias em que me arrependo da minha decisão. Há outros em que sou incapaz de entender como é que as pessoas aguentam viver diariamente mergulhadas no caos próprio da cidade, enfiadas no interior de um automóvel, respirando o fumo dos escapes, sobressaltando-se com a impaciência das buzinas, serpenteando entre edifícios que me sufocam. 
A insatisfação faz parte da nossa alma tecida em íntimos caprichos. 
A perfeição é uma impossibilidade.
Tenho a perfeição no regresso a casa. Ao abrir a janela do meu quarto. Ao sentir o calor da lareira, ver os cães a correr felizes, o meu filho a chegar com um saco de pinhas, de figos, de amoras...o cheiro da terra molhada em tempo de chuva, os jantares tardios com os amigos...
mas também
Tenho a perfeição no partir. Rumo ao ruído urbano, a deambular pelas ruas, pelas lojas e cafés, que me relembram que sou também um ser citadino, carente dessa pulsação acelerada, do frenesi das luzes, do atropelo das conversas, dos semáforos, dos eléctricos, dos horários apertados, do sentir-me viva entre gente que mexe. No reencontro com as coisas que perdi, torno a despertar, a sentir o sangue correndo-me nas veias. 
mas
é sempre com alívio que regresso ao meu vale, perto do mar, e torno à flor silvestre que sempre fui. Por isso talvez tenha valido a pena. 
Sete anos.
Sete anos de solidão. Uma doce solidão que ainda tem artes de me seduzir.
Cogumelos ao pé de casa, caçados numa das minhas caminhadas.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Ondjaki

"O escritor Ondjaki recebeu hoje o Prémio José Saramago pelo romance "Os transparentes", no mesmo dia em que é publicado o seu novo livro, "Uma escuridão bonita", com ilustrações de António Jorge Gonçalves.
O Prémio José Saramago é o segundo galardão que o escritor angolano recebe este ano, depois do Prémio Fundação Nacional do Livro Infantil, pela obra de ficção juvenil "A bicicleta que tinha bigodes", que lhe tinha já valido o Prémio Bissaya Barreto, no ano passado.
Ondjaki, pseudónimo literário de Ndalu de Almeida, é um termo da língua umbundu que significa "guerreiro". O autor estreou-se literariamente em 2000 com o livro de poesia "actu sanguíneu" (fim de citação)"
Lisboa, 05 nov (Lusa)