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sábado, 15 de abril de 2017

Sintonia

Fairy Lights:

Resistir ao caminho mais fácil, que nunca é o melhor. Ainda que seja tentação em nós. Escrever, cortar, reescrever, fugir das palavras rasteiras, até que, frase em frase, tenhamos conseguido a sintonia entre o pensamento e a mão. Essa comunicação é das metas mais difíceis de conquistar, impedir que, algures no caminho, a ideia pura se transforme num pálido reflexo.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Autoria

Efígie de César (s/d)
O poema "Muere Lentamente", atribuído por engano a Pablo Neruda, circula há anos na Internet sem que nada nem ninguém seja capaz de deter a bola de neve, ao ponto de, em Espanha, muitas pessoas terem recebido esses versos como votos online de um feliz Ano Novo: "Morre lentamente quem não viaja, Quem não lê, Quem não ouve música, Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito, Repetindo todos os dias o mesmo trajeto..." 
Assim começa o poema que não se chama Morre Lentamente, mas A Morte Devagar, e não é do poeta chileno como assegurou a Fundação Pablo Neruda, mas da escritora e poeta brasileira. MARTHA MEDEIROS. Não é "Muere Lentamente" o único "falso Neruda" que encontram os internautas. Também costumam atribuir ao autor do Canto Geral os poemas "Queda Prohibido" (que é de Alfredo Cuervo, escritor e jornalista espanhol), e "Nunca Te Quejes", autor desconhecido para a Fundação Pablo Neruda.
Este é um dos problemas do uso indiscriminado e ingénuo da Internet: uma ferramenta maravilhosa de informação, mas também uma terrível fonte de desinformação, quando utilizada sem reservas. 
Outro boato que circula há cerca de um ano é o de que o texto "A Geração à Rasca - Por Nossa Culpa" foi escrito por Mia Couto: não é verdade. Para confirmarem o rumor, aqui fica o link do texto original, no blog ASSOBIO REBELDE

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Paris

PARIS: BELA ADORMECIDA
Estamos assim, rodeados de espinhos, tristes e chocados perante todos aqueles que ficaram por terra, mas que infelizmente não moram nos contos de fada, para despertarem cem anos mais tarde e retomarem as suas vidas. Como seria bom sermos reis e mandarmos destruir todas as armas, como se fossem rocas de fiar...







segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Alzheimer

Saber, para compreender e dar apoio a quem dele mais precisa. Quero acreditar que num futuro não muito distante haverá um bendito comprimido que evite este drama.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Revolta

Só tenho revolta. E um estúpido sentido de justiça que não parece ter lugar no mundo em que vivemos. Cheguei ao meu limite. E agora? Agora só me resta lutar. E logo eu, que não faço mal a uma mosca (forma de dizer, pois já matei imensas), terei de manter esta raiva, para não perder a coragem e remeter-me ao silêncio e ao conformismo.
Para ilustrar tudo isto, uma imagem singela do estado do meu olho esquerdo que, ao que me dizem os médicos, mesmo após o transplante de córnea não irá recuperar a visão.
Como podem ver, não estou para literaturas. A realidade só me deixa gritar isto.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Por favor

Existo? Confirmem, por favor.
Mostrem-me o reflexo dos meus sonhos, que me viram à mesa, a virar a mesa, comendo e bebendo, amando os meus filhos e netos, o cão, o gato, a flor, o céu que me passa nos olhos, que passo a passo me transporta para outros lugares.
Existo? Gostem, por favor.
Gostem do que escrevo, do que sinto, do que penso, do que minto, dos livros que leio, do quadro que pinto, do bolo, do prato, do vestido novo, do sapato, do que grito ou confesso de porta escancarada a cada estranho, enquanto estranho palavras que mal reconheço.
Existo? Comentem, por favor.
Digam-me o que pensam, e sentem e vivem e talvez eu tenha tempo de ler quanto me dizem, e gostar e responder até cansar e o assunto morrer.
Existo? Partilhem, por favor.
Espalhem o que amo e odeio, o que prendo entre os dedos, o alerta, a compaixão, o drama, a vitória, esquecimento ou memória dos outros que são meus e de outros que o não foram, que celebro como quem rouba a terra de alguém, enterrando os mortos, celebrando quem nunca pude abraçar, em lugares onde não estive.
Existo? Sigam-me, por favor.
Venham atrás de mim, por aqui, de mão dada, mão estendida a pedir, a cada dia, a cada hora, a cada amanhã por acontecer, a cada segundo por existir.
Estranha forma de solidão, estranha forma de agarrar o que andamos a viver.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Soundscapes

Nesta 6ª feira 13 deixo-vos com os ruídos naturais do mundo, cada vez mais ameaçados. Bernie Krause, músico que há quatro décadas optou por gravar os sons da natureza, diz que o mundo está cada vez mais silencioso. Escutem-no nesta conferência do TED.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Em carne e osso

Já tenho dito isto, por outras palavras, como alerta. Penso nisto bastantes vezes. É urgente não esquecermos como viver em carne e osso. Faz falta estar, com o corpo todo, junto dos que mais amamos. E reaprender a saborear os momentos pelo que são. Contra mim falo, que tantas vezes me esqueço. Este ano estou decidida a contrariar a tendência e a fazer por abraçar mais as pessoas que amo. 
Menos palavras, menos imagens. Mais acções.


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Photoshop


Apesar de serem digitais, as fotografias de promoção que tenho, tiradas pelo Nanã ao longo destes doze anos, nunca foram manipuladas para apagar rugas, poros, imperfeições. E assim é que deve ser. Discordo totalmente desta maldita moda, que já dura há décadas: mostrar mulheres irreais, criar gerações de raparigas e mulheres frustradas, que favorecem os lucros das empresas de cosmética. É preciso alertar a sociedade para esta praga, que chega a provocar mortes por anorexia. Tenhamos orgulho na história que os nossos corpos e rostos têm para contar. Não queremos manequins de plástico. Photoshop, sim, para favorecer a iluminação, resolver problemas de focagem, alterar um fundo ou cenário, porque não? Mas...mexer nas pessoas?! Não faz sentido. Apresento-vos os meus poros, com 34 anos, na época. E outra tirada 7 anos mais tarde: inclui ruga na testa. E vejam o video abaixo, que vale a pena.
Copyright Nanã Sousa Dias 2003
Copyright Nanã Sousa Dias 2010

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A Ilha de Melquisedech




Preço de capa: 15,00
Preço com envio da minha parte, pelo correio: 17,00 (inclui portes, dedicatória e marcador)
Nº Págs.: 508
Encomendas: veravilh@gmail.com

Tenho andado num virote com a promoção e venda do meu novo livro "A ILHA DE MELQUISEDECH". 
Esgotados (em quinze dias!) os exemplares que os autores, que publicam com a Chiado Editora, têm forçosamente de custear numa primeira pequena edição, fiquei a saber que posso adquirir mais livros a um preço muito vantajoso, mesmo mantendo o preço de capa que, já de si, está muito em conta e eu acho muitíssimo bem. Afinal, o mercado está inundado de livros, desde os apetecíveis aos horríveis; estes são caros, as pessoas andam ó-tio-ó-tio e não sabem para onde se hão-de virar. É impossível competir com os livros da moda e os das celebridades.
O que muita gente não sabe e eu faço questão de divulgar, é que o processo tradicional de distribuição de um livro - se, por um lado, faz com que o dito esteja disponível nas grandes superfícies (não necessariamente em destaque, já se sabe, o destaque é dado aos autores famosos, sobretudo se forem caras conhecidas da televisão e figuras públicas) - por outro, leva uma grande percentagem...e ao autor chegam uns patéticos 10% sobre o valor de capa. É verdade: 10%. Os outros 90% ficam para a editora e os intermediários. Trabalhei cerca de dez anos neste livro. Horas infindas. Leituras e releituras incontáveis, depurando a escrita, acertando pormenores, cortando, reescrevendo... Dá muito trabalho escrever um bom livro. Arranjar editora, então, para quem dá os primeiros passos, é uma peça em três actos...não, minto, é uma fotonovela com muitos episódios. Por isso acabei por recorrer à Chiado Editora: porque, mais coisa menos coisa, a verdade é que ninguém me quis. E a Chiado Editora quer sempre, ou quase sempre.
E o livro? Perguntam vocês? Que tal?
Está a vender muito bem.
Quem o promove? Eu. 
Quem é que organiza entrevistas para rádio, programas de televisão, resenhas em jornais e revistas etc? Eu. 
Quem é que faz contactos constantes, tira todas as dúvidas, responde a todos os pedidos, organiza as sessões de apresentação, escreve a dedicatória nos exemplares, trata da transferência bancária, da recolha de moradas, do envio pelo correio e do acompanhento aos leitores?
Respostas: eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu, eu...e eu.
Quanto é que receberia/recebo vendendo nas livrarias? (Relembrando): 10%
Quanto é que recebo comprando e vendendo? 50%
Estão a perceber por que razão tenho descurado o blogue? 
É que um autor principiante, se quiser chegar aos seus leitores e ser compensado pelo trabalho que teve, tem de fazer tudo isto.
Vale a pena? Vale, pois.

E estou muito grata a todos os que reservaram um, dois, três, quatro exemplares do meu livro para se auto-presentearem ou para oferecer a alguém neste Natal. Bem hajam, do fundo do coração.





quarta-feira, 7 de agosto de 2013

a não esquecer

É indecoroso ser famoso

Porque não é isso que eleva.

E não vale a pena montar arquivos

Nem perder tempo com manuscritos antigos.

O caminho da criação é a entrega total,

E não fazer barulho ou ter sucesso.

Isso, infelizmente, nada significa

E é como uma alegoria a viajar de boca em boca.

É preciso, porém, viver sem pretensões,

Viver de tal modo que no fim das contas

Um amor ideal nos alcance

E ouçamos o apelo dos anos que virão.

O que é preciso rever

É o destino, não velhos papéis;

Nem parágrafos e capítulos de uma vida

Anotar ou emendar.

E mergulhar no anonimato,

Silenciar nele os nossos passos,

Como foge a paisagem na neblina

Em plena escuridão.

Outros, nesse rastro vivo,

Seguirão o teu caminho passo a passo,

Mas tu mesmo não deves distinguir

Derrota de vitória.

E não deves nem por um instante

Recuar ou trair o que tu és,

Mas estar vivo, só vivo,

E só vivo — até o fim.


Boris Pasternak


(obrigada, P,...e Maria Teresa)

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Excessivamente nós

Há um excesso de tudo que me cansa, a banalização do que era único. Famintos, acabamos num imenso desperdício, enquanto a sabedoria nos chega reproduzida, até ao infinito, em frases dispostas em verso na forma de pps, ou colada em quadradinhos virtuais, enfeitada com aspas e nomes famosos, para que nos sintamos seguros. Perdemos a noção da verdade, a linha que a separa da mentira infinitamente duplicada. Palavras, imagens, sentimentos de alívio, revolta, alegria, nostalgia...confissões de estados de alma, dos gestos de todos os dias, do que comemos e bebemos, o registo das nossas horas, da respiração, dos anseios e dos medos...a partilha, sempre a partilha de tudo junto de todas as almas disponíveis e, não esqueçamos, a divulgação de tantos projectos, tantos que é para qualquer um impossível a todos socorrer: Vejam o que eu sou capaz de fazer, Venham, aplaudam-me, preciso de alguém - dizemos -Venham dar sentido aos meus passos.
E pelo meio do exagero de tudo o que foi partilhado, ainda vão cintilando algumas pérolas de luz, que se destacam entre o caos. Serão as mais certas? Não sei, já não sei nada, ando perdida nesta imensidão. Será que estamos mais juntos, realmente? Ou será que, de tão sós, como náufragos, nada mais nos resta do que ir devassando intimidades, enquanto buscamos salvação?

quarta-feira, 27 de março de 2013

... .... ...

Vontade: 0
Estímulo: 1
Peso na consciência: 9
Tempo restante: 4
4...3...2...1...



quarta-feira, 13 de junho de 2012

Entusiasmo

Depois de uns dias muito difíceis e de uma notícia triste...
Depois de uma viagem de 4 dias, de muito mimo e de retemperar forças...
Eis-me de regresso, com uma nota positiva para partilhar com os meus blogueiros. Porquê? Porque acima de tudo, é urgente celebrar a vida e não esquecer que estamos vivos, certo?

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O que nos aconteceu

Indo contra o espírito deste blog, que tenta manter-se à margem de questões polémicas - sociais e políticas - da actualidade, na tentativa de fazer do mesmo um cálido refúgio, publico aqui um texto que espelha o que eu penso acerca do que nos aconteceu. Está bem escrito. Decerto eu não escreveria exactamente assim. Mas o essencial está aqui:


A trapeira do Job
José António Barreiros, advogado

"Isto que eu vou dizer vai parecer ridículo a muita gente.
Mas houve um tempo em que as pessoas se lembravam, ainda, da época da infância, da primeira caneta de tinta-permanente, da primeira bicicleta, da idade adulta, das vezes em que se comia fora, do primeiro frigorífico e do primeiro televisor, do primeiro rádio, de quando tinham ido ao estrangeiro.
Houve um tempo em que, nos lares, se aproveitava para a refeição seguinte o sobejante da refeição anterior, em que, com ovos mexidos e a carne ou peixe restante, se fazia "roupa velha". Tempos em que as camisas iam a mudar o colarinho e os punhos do avesso, assim como os casacos, e se tingia a roupa usada, tempos em que se punham meias-solas com protectores. Tempos em que ao mudar-se de sala se apagava a luz, tempos em que se guardava o "fatinho de ver a Deus e à sua Joana".
E não era só no Portugal da mesquinhez salazarista. Na Inglaterra dos Lordes, na França dos Luíses, a regra era esta. Em 1945 passava-se fome na Europa, a guerra matara milhões e arrasara tudo quanto a selvajaria humana pode arrasar.
Houve tempos em que se produzia o que se comia e se exportava. Em que o País tinha uma frota de marinha mercante, fábricas, vinhas, searas.
Veio depois o admirável mundo novo do crédito. Os novos pais tinham como filhos uns pivetes tiranos, exigindo malcriadamente o último modelo de mil e um gadgets e seus consumíveis, porque os filhos dos outros também tinham. Pais que se enforcavam por carrões de brutal cilindrada para os encravarem no lodo do trânsito e mostrarem que tinham aquela extensão motorizada da sua potência genital. Passou a ser tempo de gente em que era questão de pedigree viver no condomínio fechado, e sobretudo dizê-lo, em que luxuosas revistas instigavam em couché os feios a serem bonitos, à conta de spas e de marcas, assim se visse a etiqueta, em que a beautiful people era o símbolo de status, como a língua nos cães para a sua raça.
Foram anos em que o Campo se tornou num imenso resort de Turismo de Habitação, as cidades uma festa permanente, entre o coktail party e a rave. Houve quem pensasse até que um dia os Serviços seriam o único emprego futuro ou com futuro.
O país que produzia o que comíamos ficou para os labregos dos pais e primos parolos, de quem os citadinos se envergonhavam, salvo quando regressavam à cidade dos fins de semana com a mala do carro atulhada do que não lhes custara a cavar e às vezes nem obrigado.
O país que produzia o que se podia transaccionar, esse, ficou com o operariado da ferrugem, empacotados como gado em dormitórios, e que os víamos chegar mortos de sono logo à hora de acordarem, as casas verdadeiras bombas-relógio de raiva contida, descarregada nos cônjuges, nos filhos, na idiotização que a TV tornou negócio.
Sob o oásis dos edifícios em vidro, miragem de cristal, vivia o mundo subterrâneo de quantos aguentaram isto enquanto puderam, a sub-gente. Os intelectuais burgueses teorizavam, ganzados de alucinação, que o conceito de classes sociais tinha desaparecido. A teoria geral dos sistemas supunha que o real era apenas uma noção, a teoria da informação substituía os cavalos-força da maquinaria pelos megabytes de RAM da computação universal. Um dia os computadores tudo fariam, o Ser-Humano tornava-se um acidente no barro de um oleiro velho e tresloucado que, caído do Céu, morrera pregado a dois paus, e que julgava chamar-se Deus, confundindo-se com o seu filho e mais uma trinitária pomba.
Às tantas, os da cidade começaram a notar que não havia portugueses a servir à mesa, porque estávamos a importar brasileiros, que não havia portugueses nas obras, porque estávamos a importar negros e eslavos.
A chegada das lojas-dos-trezentos já era alarme de que se estava a viver de pexisbeque, mas a folia continuava. A essas sucedeu a vaga das lojas chinesas, porque já só havia para comprar «balato». Mas o festim prosseguia e à sexta-feira as filas de trânsito em Lisboa eram o caos e até ao dia quinze os táxis não tinham mãos a medir.
Fora disto, os ricos, os muito ricos, viram chegar os novos ricos. O ganhão alentejano viu sumir o velho latifundário absentista pelo novo turista absentista com o mesmo monte mais a piscina e seus amigos, intelectuais, claro, e sempre pela reforma agrária, e vai um uísque de malte, sempre ao lado do povo, e já leu o New Yorker?
A agiotagem financeira, essa, ululava. Viviam do tempo, exploravam o tempo, do tempo que só ao tal Deus pertencia, mas, esse, Nietzsche encontrara-o morto em Auschwitz. Veio o crédito ao consumo, a Conta-Ordenado, veio tudo quanto pudesse ser o ter sem pagar. Porque nenhum Banco quer que lhe devolvam o capital mutuado, quer é esticar ao máximo o lucro que esse capital rende.
Aguilhoando pela publicidade enganosa os bois que somos nós todos, os Bancos instigavam à compra, ao leasing, ao renting, ao seja como for desde que tenha e já, ao cartão, ao descoberto-autorizado.
Tudo quanto era vedeta deu a cara, sendo actor, as pernas, sendo futebolista, ou o que vocês sabem, sendo o que vocês adivinham, para aconselhar-nos a ir àquele Balcão bancário buscar dinheiro, vendermo-nos ao dinheiro, enforcarmo-nos na figueira infernal do dinheiro. Satanás ria. O Inferno começava na terra.
Claro que os da política do poder, que vivem no pau de sebo perpétuo do fazer arrear, puxando-os pelos fundilhos, quantos treparam para o poder, querem a canalha contente. E o circo do consumo, a palhaçada do crédito servia-os. Com isso comprávamos os plasmas mamutes onde eles vendiam à noite propaganda governamental e, nos intervalos, imbelicidades e telefofocadas, que entre a oligofrenia e a debilidade mental a diferença é nula. E, contentes, cretinamente contentinhos, os portugueses tinham como tema de conversa a telenovela da noite, o jogo de futebol do dia e da noite e os comentários políticos dos "analistas" que poupavam os nossos miolos de pensarem, pensando por nós.
Estamos nisto.
Este fim-de-semana a Grécia pode cair. Com ela a Europa.
Que interessa? O Império Romano já caiu também e o mundo não acabou. Nessa altura, em Bizâncio, discutia-se o sexo dos anjos. Talvez porque Deus se tivesse distraído com a questão teológica, talvez porque o Diabo tenha ganho aos dados a alma do pobre Job na sua trapeira. O Job que somos grande parte de nós."