quinta-feira, 12 de junho de 2014

Supertramp

Ah, o poder que a música tem de anular distâncias e tempo...! Fazer-nos sentir jovens outra vez... Esta era uma das músicas que eu escutava a partir dos discos de vinil dos meus irmãos mais velhos: e por várias vezes serviu de fiel depositária das minhas lágrimas de adolescente apaixonada...e de símbolo de uma intimidade tão desejada: a solidão do nosso quarto, para tentar compreender a complexidade do mundo. Tão bom, isto. Continua a ser bom.

Nós

Escrever, aproveitar enquanto sou sincera, enquanto existe em mim transparência. É preciso pôr de parte o peso que nos obrigam a carregar, sermos apenas nós, na verdade daquilo que insistimos em ser; sejam, apenas e unicamente, vocês, quem quer que sejam! Deixar os dedos correr sobre a sinceridade que chega com uma pequena ajuda encontrada no fundo de um copo redondo, com gelo picado, lima e alecrim. Somos o que somos. Temos algo a dizer, assim seja. É hora de puxar a manga ao mundo que nos olha, transformar este sol em optimismo, ser luz e esperança num caminho melhor. Não liguem, digo eu; ou liguem, sei lá, se calhar é melhor ligarem, esquecerem tudo aquilo que vos chega, os mihões, a dívida, o crescimento económico, a prestação do nosso  super-heroi Cristiano Ronaldo e...sermos apenas nós. Nós com aquilo que temos de mais verdadeiro. Haja verdade nestes dias difíceis. Também nós podemos ser super-heróis. 

terça-feira, 10 de junho de 2014

Dedos


André Breton, Surrealismo - Manifesto (1924)
Falam da escrita automática, escrever sem pensar no que a mente quer, deixar os dedos correr até à descoberta daquilo que verdadeiramente querem dizer. A mentira, a força de nada terem para dizer e terem de dizer forçosamente alguma coisa que importe a quem lê. É preciso escrever, mostrar que se tem algo dentro, ser a diferença, ser escritor. A banalização de algo que antes era singular; era preciso a história, a escrita exemplar, a voz, o ser-se único e agora não há quem não escreva; todos publicam em espaços virtuais e nem eu posso insurgir-me contra tal, que de banal tenho tanto que pertenço também a essa massa anónima de gente que acena, Olhem para mim, vejam aquilo que sou capaz de escrever. Nada, não é nada. Não somos fazedores de grandes histórias, não fazemos sequer parte de uma grande História, nem personagens somos. Perdoem-me, perdoem-me se hoje assim me expresso, são horas de estupefacção face aos festejos do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, quando estamos tão carentes do sentido de comunidade. Da comunhão. Da humildade. De razões para o Orgulho que antes era pão, o alimento das primeiras horas, a arrancar o dia. Não liguem, não liguem ao que hoje escrevo, são os dedos, os dedos que escrevem por mim. À traição.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Por estes dias

Os santos populares e outras festas e feiras, a Feira do Livro de Lisboa, livros, livros e livros, autores, autores e autores, sessões de autógrafos e lançamentos, promoção, promoção, promoção, todos tentando conquistar algumas horas, minutos que sejam de atenção aos leitores, ao público, concorrendo com farturas, bifanas, cachorros, gelados, pão com chouriço, outras editoras e outros livros, choques de calendário e de horário, em que acontecem outras sessões de autógrafos e outros lançamentos de outros tantos livros noutros lugares. E é sabido que não podemos estar em dois ao mesmo tempo e que o recheio das carteiras é cada vez mais magro...gente que vai, que come e bebe, que olha apaticamente para os livros, sem os ver, comprando pouco, sem se deter a procurar aqueles livros de fundo de catálogo que estão a cinquenta cêntimos, 1, 2, 3, 4, 5 euros. As filas (ou bichas, como quiserem) generosas e absurdas para os autógrafos e livros da moda, de autores de qualidade e autenticidade duvidosas; menos gente do que seria justo para as dedicatórias de outros Escritores com "E" maiúsculo. Sim, há excepções, benditas excepções. Momentos felizes. Alegres encontros e reencontros. Autores respeitados e acarinhados. Gente entusiasmada, carregando mochilas pesadas, mostrando as suas compras no facebook. Mas a impressão que me fica é a de um tremendo e triste desperdício. Não é. NÃO É desperdício. Não deveria ser. Vale sempre a pena.
Apesar de tudo.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Insónia

Às 4h10m a Bolota arranha a porta do quarto. Abri-lhe a porta da rua, aguardei uns minutos, deixei-a entrar. Fiz ar de zangada, ignorando o seu contentamento de quem está pronto para o mimo e a brincadeira, como quem diz, Não, Bolota, não são horas para isso, são horas de estarmos a dormir...
- Fica, quieta! Ai, feia!
Voltei para o quarto, fechei a porta.
Os minutos passaram. São quase cinco. Nem eu nem ela tornámos a conseguir adormecer. Os machos da casa dormem, as fémeas nem por isso. Ela parece adivinhar a minha insónia e enquanto eu deixo o cérebro divagar por cenários tão absurdos como a escrita do segundo volume d'A Ilha de Melquisedech ou o filme "Stranger than Fiction" - um dos meus favoritos, que revi anteontem pela enésima vez - volta à carga, arranhando a porta do quarto. Desisto. Por isso são 5.57 e aqui estou, de pequeno-almoço tomado e a chávena de café do lado direito. O Gastão, que como serra da estrela que é dorme quase sempre lá fora, deve ter dado pelo cheiro das torradas. Começou a uivar. Juntou-se a nós. Aqui estamos os três, no escritório. Só o dono da casa dorme.
E agora é tentar fazer algo de construtivo com esta madrugada: escrever.
5.59.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O último do primeiro

Em 2006 estreei-me como autora na revista Egoísta, com um pequeno conto. No mesmo ano publiquei esta novela, numa tiragem de 250 exemplares. Nesse tempo não usávamos facebook, nem vivíamos ainda na vertigem da promoção desenfreada; por isso, depois do lançamento, onde vendi uma boa quantidade de "Pisas" a familiares e amigos, guardei os restantes numa gaveta e não pensei muito mais nisso. Como disse na altura uma grande amiga, serviu para "brincar aos escritores". Fui oferecendo, em aniversários e outras ocasiões que pediam algo de especial, e vendendo um ou outro livro quando calhava. A gaveta foi ficando mais vazia, mas sempre sem ansiedades.
Em 2008, 2009 veio o uso generalizado do facebook e, de um dia para o outro, a forma de divulgamos o que temos para vender sofreu uma transformação radical. No ano passado criei o site Gavetas e Gavetinhas, pois a escrita de ficção e o trabalho como letrista, revisora de texto e coordenadora de oficinas de escrita criativa já o justificava. Quando olhei, restava-me apenas meia dúzia de exemplares d'O Pisa-papéis, que nem tinha chegado a mostrar-se nas livrarias, à excepção de uma tímida presença na Bulhosa do Oeiras-parque, que me pagou 60% do preço de capa, negócio limpo (10 livros, que demoraram quase 2 anos a sair da prateleira...mas todos arranjaram dono, o que foi espantoso).
Hoje enviei pelo correio o último. O último exemplar do primeiro livro. Disse-lhe adeus, com algum carinho e nostalgia, pois aquele era um velho companheiro: duvido que vá fazer novas edições, há outros livros para escrever e para publicar. Acho que este último "Pisa-papéis" ficou bem entregue.
Deixo aqui um beijinho ao Daniel Gouveia, que tratou da revisão e edição, levando-me à gráfica e fazendo a reportagem (perdi as fotografias, senão teria incluído aqui algumas), à Rita Ferro, que tão generosamente escreveu o prefácio para o livrito de uma autora estreante e, claro, para o Nanã, pela fotografia belíssima que roubei para a capa, e a quem dediquei este livro. Bem hajam, sim?
Adeus, Pisa-papéis! Saíste de casa da mãe para ires viver sozinho. Não te censuro, aqui já não aprendias nada.

domingo, 1 de junho de 2014

Dia da Criança

O COELHINHO CHOCOLATE

Era uma vez um coelhinho anão.
 Parecia um gelado de nata e chocolate, pois o seu pelo era todo malhado, castanho e branco.
        Vivia num pequeno jardim guardado por um grande cão bonacheirão, chamado Castanho. O cão parecia-se um pouco com ele: também era castanho e branco, apesar de ser muito maior.
   O coelhinho passeava-se livremente por ali, uma vez que os seus donos o tratavam como se fosse da família: não lhe faltavam as cenouras; brincava com o Castanho dando-lhe dentadinhas no rabo e fugindo logo de seguida, saltitando em direcção aos arbustos; passava o serão ao colo da D. Ermelinda, que lhe ia fazendo festas, enquanto conversava com o marido, frente à lareira…enfim, era um coelho feliz, que levava uma vida regalada.
     Numa linda manhã de Abril, o Sr. José decidiu pintar a casota do Castanho, cuja madeira velha estava já muito feia. Agarrou no chapéu e foi às compras à aldeia, na sua carrinha branca. Apareceu pouco depois com várias latas de tinta de água, pousou-as na relva junto à casota e abriu-as: uma branca, outra amarela, outra ainda azul mesmo-mesmo da cor do céu e, finalmente, uma vermelha. Quando ia começar a obra, disse para com os seus botões:
"Ora ora, o que me calhava mesmo bem agora, era uma cerveja fresquinha!" – Porque estava imenso calor. Como a D. Ermelinda estava longe, na cozinha, a fazer um bolo para a filha e para os netos, que estavam para chegar, resolveu levantar-se e ir ele mesmo buscá-la.
    Passados instantes, chegou o coelhinho, atraído por aquele cheiro novo  de tinta fresca. Ao ver as cores a brilhar ao sol, achou-as bonitas. Aproximou mais o focinho e os bigodes para espreitar e... Ops, asneira! Entornou duas latas de tinta! O azul e o amarelo espalharam-se por todo o lado e arranjaram uma cor nova:
      Qual era? O verde!
   Ficou muito espantado com o que tinha arranjado e não resistiu a espreitar melhor as outras cores: empoleirando-se com as patas na lata vermelha, pumba! Fez asneira outra vez! Ela tombou e o coelho Chocolate, com o peso, desequilibrou-se e foi cair em cima da lata de tinta branca! Agora é que a tinha arranjado bonita! Estava tudo entornado e, ainda por cima, cada vez que saltava, as suas patas deixavam marcas… …. Cor-de-rosa!
  Nesse momento, curiosos com a confusão que reinava no jardim, chegaram o Castanho e o Sr. José, a correr:
"Chocolate! O que é que me foste arranjar?! Olha bem para isto, sim senhor, lindo serviço!" - ralhou o Sr. José.
O Coelhinho olhou para ele com os olhos maiores e mais doces que sabia fazer, para não apanhar uma palmada. Era preciso ver aquela confusão de cores! O Castanho, todo satisfeito por ver o jardim mais colorido do que nunca, juntou-se ao Coelhinho Chocolate, lambeu-o e ficou com a língua pintada; depois, com a cauda a abanar, espalhou mais tinta por todo o lado. Agora havia roxo, castanho e cor-de-laranja também! Até as flores do jardim ficaram com as suas cores trocadas!
     Pensam que a D. Ermelinda se zangou quando, ao chegar, viu aquela confusão? Estão enganados! Como era uma senhora muito bem disposta, não conseguiu conter o riso e desatou às gargalhadas. E o riso, que se pega como os bocejos e a tosse, contagiou o Sr. José, que acabou por rir também, e nem ficou zangado, pois reparou que o que sobrara nas latas ainda daria para fazer o trabalho.
"Ai, que eles estão quase a chegar!" - Exclamou a D. Ermelinda, pondo-se séria de repente - Vá, toca a tomar banho, seus marotos, antes que essa tinta seque!"
     O que valeu a todos, é que a senhora adiantara trabalho, como era seu hábito, e, assim, dispôs de tempo para aquele imprevisto. Pegou no Chocolate e foi dar-lhe uma boa ensaboadela na banheira, com água morna. Quanto ao Castanho, foi lavado ali mesmo no jardim, com a mangueira, para aprender a ficar quieto! O Sr. José esfregou-o bem esfregado com um champô especial, até ficarem apenas as suas cores: castanho e branco.
    Ao fim da tarde, a D. Ermelinda abriu a mesa no jardim, fez laranjada para as crianças e chá para os adultos, a acompanhar as grandes fatias de pão e de bolo de chocolate.
   Por falar em chocolate, onde ficou o coelhinho? Ah, esse ficou amarrado ao poste, de castigo! E o seu amigo Castanho, que detestava tomar banho, passou o resto do dia muito sossegado e um pouco amuado com o dono, que o lavara com água fria. No entanto, nessa noite, já poderia dormir regalado, na sua linda casota, que estava agora como nova, pintada com as sete cores do arco-íris! Frente à porta podia ler-se:

                        "CUIDADO! PINTADO DE FRESCO!"

(Vera de Vilhena, texto inédito. Dedico esta história a todos os pequerruchos)

sábado, 31 de maio de 2014

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Muphet Show

Que saudades dos Marretas...! Os convidados, dotados de um imenso sentido de humor e desportivismo, eram de luxo. Aqui, Rudolf Nureyev a dançar o Lago dos Cisnes...com uma porca!
Bom fim de semana, sim? :-)

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Mia Couto

ERRO POÉTICO
Sou o açúcar

procurando a formiga.

Meu carreiro

não tem linha.

É um ponto, um planetário grão.

A minha natureza

é uma inacabada caligrafia:

apenas os erros me defendem.

O amor apenas

me rasura a alma.

Com a formiga
partilho alucinogénicos:
migas de paixão, migalhas de doçura.

In "Tradutor de chuvas"

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Ilusão

Se antigamente o ditado dizia Ver para crer como o S. Tomé, a expressão perdeu sentido na era do digital. Desconfiemos, cada vez mais, daquilo que os nossos olhos vêem. O meu primeiro impulso foi usar esta imagem dramática e romântica para escrever um texto. E como faço por respeitar, sempre que possível, os direitos de autor dos fotógrafos, pintores, escritores, artistas, enfim, fui pesquisar a origem desta "fotografia" e fiquei a saber que se trata de uma composição de vários elementos, criada por um autor dedicado à Arte Digital. Como vivo com um homem que praticamente só trabalha com negativos de médio e grande formato, em fotografia tradicional, analógica, esqueço-me de que é cada vez um luxo maior captar algo, conseguir o enquadramento perfeito no momento perfeito...sem manipulação digital.
Não é censura, atenção, apenas a curiosidade de constatar esta espécie de ilusionismo visual. O resultado pode ser fantástico, sem dúvida. Mas saber dos bastidores retira-lhe algum encanto.
Aqui estão as fontes dos elementos:
Model [link] by dazzle-stock
Violin [link] by texurestockbyhjs
Violin Bow [link] by Axy-stock
Texture [link] by Camaryn-Wallpaper
Bubbles [link] [link] by Nystagmuz-stock

Para conhecerem melhor o trabalho de Djajakusuma, espreitem aqui

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Silêncio

Se este silêncio de hoje fosse meu, seria assim...

SÚPLICA
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,

E que nele posso navegar sem rumo,

Não respondas

Às urgentes perguntas

Que te fiz.

Deixa-me ser feliz

Assim,

Já tão longe de ti como de mim.

(...)

Há calmaria...

Não perturbes a paz que me foi dada.

Ouvir de novo a tua voz seria

Matar a sede com água salgada.

MIGUEL TORGA

quarta-feira, 21 de maio de 2014

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Sopa e um arco-da-chuva

De avental, na cozinha, deitei na panela um bom pedaço de azeite alentejano, descasquei uma cebola gorda e três alhos e deixei a refogar em lume forte. Seguiram-se uma dezena de cenouras, um nabo e um alho francês. No fim, juntei duas courgettes, para engrossar, sal grosso e um pedaço de chouriço, para dar sabor. A água ferve, depois de ter afogado todos os legumes. A casa já cheira a sopa. Abro a janela e mantenho o exaustor desligado; prefiro o canto dos pássaros ao mecanismo irritante do ventilador, que leva para longe os vapores leguminosos. Por companhia tenho um bom copo de vinho branco e  a Bolota, que dormita enroscada na sua cama, amolecida pelo fim da tarde. Acabou de chover, por breves segundos. A paisagem libertou o perfume de terra molhada. Baixo o lume para o seis, tapo a panela, tiro o avental e ali fico, como parva deslumbrada, a ver o arco-da-chuva que nasceu precisamente no lado nascente, enquanto o sol brinca às escondidas do lado oposto, ocultando-se por trás dos pinheiros e eucapliptos. O vale tomou um duche rápido e ficou assim, lavadinho e perfumado, revelando, na linha do horizonte, um casario caiado e luminoso.
Sim, é certo que estou numa espécie de fim do mundo, mas a cada vez que ele se finaliza assim, sinto que vale a pena.
© Nanã Sousa Dias

sábado, 17 de maio de 2014

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Crónica: no Colégio Valsassina

A tarde de ontem foi recheada de emoções. Fui recebida pela Liliana (minha primeira profª de português) e pela Maria Alda - Directora do Departamento Didáctico do Colégio Valsassina - e minha segunda professora de português, ao longo de quatro anos. A apresentação da autora foi feita pelos alunos Guilherme (também cantor!) e Mariana, ambos lindos, colocados de cada um dos lados, de folha na mão. Foi espantoso ver que muitos deles tinham, de facto, visitado o blogue e o site, como preparação para este encontro.
Presentes no auditório estiveram também a Teresa e o Miguel Furtado, Maria João Craveiro Lopes (do Grupo de Teatro, onde me estreei a cantar, a escrever, a partilhar...onde "cresci"...) e gente que prestou uma ajuda preciosa para que tudo corresse bem (obrigada Sofia!). Tivemos até direito a um microfone de emissor, para as perguntas dos alunos cujas idades andavam pelos doze e treze anos. Fiquei feliz por ver muitos deles com os dois livros na mão - «A Ilha de Melquisedech» e  «Coisandês. a vida nas coisas» - fica sempre a sensação de que ficou muito por dizer e a angústia da incerteza quanto a ter, ou não, respondido da melhor forma a cada uma das perguntas...que foram muitas!
Qual foi o livro que escreveu mais rapidamente?

Quantos livros já publicou?

Com cantora, como é que aconteceu ter começado a escrever?

Como é que se sentiu quando a Rita Guerra a convidou para compor para um novo álbum?

Porque é que a Ilha de M. tem palavras em inglês, como Sillydragg?
(A resposta a esta pergunta incluiu um longo "Aaaaaaaaaah!!" da plateia quando eu esclareci que Sillydragg não era uma palavra inglesa, mas um anagrama - expliquei o que era um anagrama - da palavra Yggdrasill (também explicada).

Em que é que se inspira para escrever?
(A pergunta inevitável, já se sabe)

Em que é que se baseia para construir as suas personagens?

O que é que gosta mais de cantar?

Pode cantar agora um bocadinho, para a gente ouvir?
(Ficou prometido o envio de um tema, através da Maria Alda)

Dos seus livros, qual é o seu livro preferido?

Quais as suas influências, em termos de autores e de livros?

Que conselhos daria, a quem quer começar a escrever?

E foram mais...! Mas não consigo recordar-me de todas, algumas bastante pertinentes.

Antes de partirmos para os autógrafos, terminei a sessão com a leitura do conto "SM58", o modelo do meu microfone, que, aliás, é o de grande parte dos cantores profissionais.

No fim, tive o prazer de constatar que todos os exemplares da Ilha encontraram dono, mesmo o «Coisandês» que, sendo em maior número, sobrou, ainda assim, em quantidade muito tímida.

Aqui fica a minha gratidão para com a Maria Alda, e para com todos os que, de uma forma ou de outra, contribuíram para que este encontro fosse tão compensador. Bem hajam! E estejam à vontade, meninos leitores, para seguir a página no facebook ou contactar-me por email, sim?
Afinal, convosco isto de escrever faz muito mais sentido. Um escritor sem leitores é como um artista de palco sem público. Até breve!
Com a minha querida amiga Maria Alda

domingo, 11 de maio de 2014

Marta Hugon

Há um tempo que acho piada à Marta Hugon, sempre bem acompanhada, com bom gosto e muito boa onda. Aqui com o single promocional de um novo trabalho: "Hate song". Aproveitem o Domingo, sim?

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Burros

Porque adoro burros e porque parece que hoje se celebra o Dia Internacional dos Burros, aqui fica uma sugestão de leitura e o respectivo link para a encomenda na Amazon, na versão original (uma vez que Sonya Hartnett, inexplicavelmente, não se encontra traduzida por cá).

Sinopse original:
"One morning in the woods of World War I France, two young sisters stumble upon an astonishing find — a soldier, temporarily blinded by war, who has walked away from battle longing to see his gravely ill younger brother. Soon the care of the soldier becomes the girls' preoccupation, but it's not just the secret they share that emboldens them to steal food and other comforting items for the man. They are fascinated by what he holds in his hand — a tiny silver donkey. As the girls and their brother devise a plan for the soldier's safe passage home, he repays them by telling four wondrous tales about the humble donkey — from the legend of Bethlehem to a myth of India, from a story of rescue in war to a tale of family close to the soldier's heart. Sonya Hartnett explores rich new territory in this inspiring tale of kindness, loyalty, and courage."

sábado, 3 de maio de 2014

Theo Jansen

Vejam o trabalho genial, de efeito estranhamente belo, deste escultor que chama às suas peças "Animare" ( traduzível por "animais de praia"). Theo Jansen trabalha com tubos de plástico, imaginem. E o seu engenho e sensibilidade resultam nisto. Quase que o imagino a conversar com Leonardo da Vinci, num dia de vento...

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Semeando...

Os dias têm andado embrulhados em livros, leituras, tertúlias e oficinas de escrita. Esta, a escrita, anda dormente, mas em breve a porei de novo a mexer.
Cada vez mais os autores (ainda não consigo designar-me como escritora, nada a fazer) têm de ser atletas em relações públicas, publicidade e marketing, na batalha constrangedora de promoção dos seus livros. É tempo meio perdido, que alguém deveria investir em vez de nós; mas se queremos conquistar um lugar ao sol, mesmo que morno...seja. Devagarinho, vou encontrando pessoas que, segurando "A Ilha de Melquisedech" nas mãos, me dizem:
- Já ouvi falar deste livro...
Outros acreditam que ele TEM de ser um bestseller! TEM de chegar a Hollywood! Eu rio-me, e sonho com eles, por alguns segundos. Depois torno a pousar os pés no chão e a puxar a manga às pessoas, vejam, comprem, leiam este livro.
Sim, é constrangedor termos de ser técnicos de vendas em vez de simples escritores. Vendedores ambulantes à espera de um milagre.
Os livros precisam de leitores como um filho precisa de um pai e de uma mãe.
O autor é apenas semente...e talvez por isso tenha de continuar a semear, semear sempre, como quem sopra dentes de leão ao vento.

Roubei a imagem aqui